Opinião (pág. 14)
Jornal de Espiritismo nº 56 · Maio 2013Página 144 min
Há mais de 150 anos que o espiritismo nos vem ensinando que somos espíritos e fomos criados por Deus no passado, por sua vontade e de forma igual. Se o início é comum a todos e o objetivo maiora felicidadetambém o é, os caminhos a serem percorridos dependerão de nossas escolhas. Deus oferece a todos os seus filhos oportunidades iguais, assim como também lhes deu o livre-arbítrio para fazerem as escolhas de acordo com os seus interesses.
Infelizmente ainda não aprendemos a discernir o que verdadeiramente precisamos e sempre aparece o orgulho e o egoísmo nas nossas escolhas, o que nos acarreta sofrimentos caracterizados pelas dores e dissabores. Como Deus jamais desampara os seus filhos, para nos acompanhar na jornada evolutiva contamos sempre com suas leis magnânimas e muitos amigos especiais. O nosso anjo da guarda não importa onde esteja, tenhamos a certeza de que ele sempre está connosco.
O espiritismo educa-nos o suficiente para paulatinamente reconhecermos os próprios erros, ver os amigos e vislumbrar os adversários da jornada terrestre. Bom seria que já pudéssemos observar os que nos rodeiam e enxergar neles a valiosa oportunidade de ressarcir nossas dívidas ou beneficiar da sua presença. Como ainda estamos longe de ser capazes de tais observações, deixamos muitas vezes passar a hipótese de estreitar os laços amigos ou saldar os débitos.
Certa vez, um amigo muito próximo, em conversa salutar, passou a relatar que havia conseguido distinguir com perfeição que a sua companheira de jornada era o seu anjo tutelar, o presente que Deus havia colocado na sua casa para ajudá-lo a vencer as suas imperfeições. Indaguei se ele havia feito essa observação para a esposa e a resposta foi que sim, ele tinha sido capaz de descer do seu pedestal de orgulho e agradecer o quanto ela era importante na sua vida.
Claro que a esposa não se sentia merecedora de tais elogios, pois não se achava melhor que o seu companheiro, aliás, até se achava bem menos capaz do que ele. Uma das características dos espíritos elevados é a humildade. Nada a estrafoto loucomotiv domésticos que não reconhecem os seus desequilíbrios. Na jornada evolutiva inúmeros serão os obstáculos, muitas serão as oportunidades, porém, a certeza é que teremos de vencer a nós mesmos, rompendo com as imperfeições.
Para que esse objetivo seja transformado em realidade é preciso por mãos à obra, levantar da cadeira da indiferença e trabalhar em prol de uma sociedade equilibrada. Olhar para quem está connosco na caminhada, procurando enxergar nele um companheiro de percurso é um passo importante para encontrar a harmonia. Ninguém evolui sem que esteja ao lado de outra pessoa. Deus criou-nos para viver em sociedade. Aprender a conviver é passo fundamental para começar a dividir.
Que cada um de nós aprenda a valorizar aqueles que estão ao nosso redor para que a jornada evolutiva seja menos íngreme. Por Jorge Jossi Wagner, Ribeirão Preto, Brasil A evolução é a meta de todos nós. Alguns alcançá-la-ão mais rápido, outros tardarão para conquistar este objetivo, porém, todos chegarão lá. JANEIRO.FEVEREIRO 2013 do novohá quem passe para o lado de lá da vida e que não perceba o que lhe aconteceu. Parece-lhe impossível?
Então conte quantas pessoas à sua volta alguma vez pararam para pensar que um dia vão morrer. Pela porta aberta entrava o ar cálido da serra, a branca Serra dos Candeeiros, que faz lembrar um pedaço de Lua caído na Terra. Falei de Espiritualismo e Espiritismo. Espiritualismo é o nome que se dá a toda a crença em Deus e na imortalidade alma. Os materialistas fazem troça, bem o sei. Mas será apenas matéria grosseira a carícia deste ar, o ouro deste Outono, o riso destes miúdos, o sorriso dos amigos, o cheiro distante dos figos, a luzinha ténue que se acende no rosto do ancião que a vida já marcou com muitas partidas de entes queridos?
O Espiritismo é uma proposta de vivência do Evangelho de Jesus, falando à Razão amadurecida. Na óptica espírita, o bem proceder, o amar o próximo como a nós mesmos que é a Lei de Deus, não são propriedade de nenhuma crença em particular. Dogmatismo, não é connosco. Liberdade de consciência, sim. Liberdade de falar de Deus, da imortalidade da alma, da reencarnação e dos mundos habitados que pairam na imensidão, com árvores, serras e pessoas como nós.
Na óptica espírita, o bem proceder, o amar o próximo como a nós mesmos que é a Lei de Deus, não são propriedade de nenhuma crença em particular. Nos Actos dos Apóstolos encontramos relatos de reuniões como esta. Não temos vergonha de nos compararmos a esses pioneiros, porque o mérito não é nosso, mas de quem chega, movido pelo desejo de alargar horizontes, ou pelas dores da vida. Gente que vem em busca de esclarecimento, heróis de coragem e abnegação, que dão lições de vida cristã e no fim ainda agradecem, a palestra, o atendimento, o passe, a conversa informal.
Mérito dos Bons Espíritos, que nos bastidores velam por todos. Cheguei a casa e adormeci, numa sesta tardia. Sonhei com a São, a Paula, a Leonor, a Ju, e com tantos bons amigos da Associação Cultural Espírita de Alcobaça. Enquanto o corpo dorme, o Espírito passeia mais livre, e quem sabe não voltei lá durante o sono, para cumprimentar os do lado de lá da Vida. Que este grupo espírita continue a ser um pedacinho do mundo melhor.
Se passar a Alcobaça, não passe sem lá passar. Por M.C.
