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Sociedade

Jornal de Espiritismo nº 56 · Maio 2013Página 103 min

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Suicídio: a vida continua Quando a dificuldade aperta a taxa de suicídio numa sociedade aumenta: não há pior maneira de partir para a outra vida, aquela de onde vimos antes do nascimento e para onde todos regressam, quer saibam disso ou não – as leis da natureza não pedem a nossa opinião quando funcionam sem botão para serem desligadas. foto loucomotiv JANEIRO.FEVEREIRO 2013 mos a levam a exercer uma considerável influência na prevenção do suicídio?

São várias as razões: a identificação com uma ideologia de cunho moral proporciona um modelo de conduta fiável para enfrentar as crises, dá significado através da devoção, promove uma maior integração social e interação com a comunidade diminuindo assim o isolamento e a solidão, sustenta a convicção íntima da imortalidade da almaque a vida é muito mais ampla do que os nossos sentidos físicos conseguem percebere isso fortalece a esperança durante as mais violentas tempestades, é um tónico para a auto-estima e dá um significado às dificuldades mesmo quando é preciso enfrentar as crises mais duras: proporciona um sentido à vida.

Muitos homens ainda vivem na ignorância de que a sua vida é um processo interminável de crescimento e superação que se estende pela eternidade através de um ciclo contínuo de erros e acertos, falhanços e conquistas, encontros e desencontros. Se fossem conhecedores do triste relato mediúnico daqueles que foram arrastados para o abismo do aniquilamento de si próprios, compreenderiam a ineficácia e ilusão do ato suicida.

É uma atitude profundamente equivocada que não resolve dor alguma, pois a destruição dá - -se unicamente ao nível físico. O que em nós sente e sofre é o Espírito, e o Espírito é imortal, não sendo destruído pela morte do corpo. É imensa a decepção dos suicidas ao perceberem que continuam a viver para além da dimensão física e que não conseguem fugir dos seus sofrimentos e emoções perturbadoras. É uma frustração de dimensões difíceis de transcrever.

A autodestruição, além de inútil, ao interferir no processo natural da existência terrena, intensifica as dores já existentes. O suicídio não põe termo aos sofrimentos físicos nem morais porque a morte não existe, o Espírito permanece ligado de uma forma intensa às suas emoções, vive atormentado pela sua incapacidade de se libertar dos seus sentimentos mais aflitivos. Se cogitas a ideia do suicídio, pede ajuda. Procura um médico, fala com alguém da Resolvi escrever este texto na sequência da triste notícia do suicídio de um antigo professor da faculdade.

Ao sabermos do suicídio de alguém que conhecemos, é como se fôssemos atingidos por um murro no estômago que nos paralisa o discernimento. Mais do que a dor da perda, sente-se a incompreensão, e o primeiro impulso é tentar entender as razões que levaram à autodestruição, como se através dessas razões fosse possível atenuar a impotência e a culpa que sentimos como membros do seu círculo social, como se através dessas razões conseguíssemos tornar o suicídio menos absurdo e mais suportável.

Não há razão alguma que consiga fazer isso. O suicídio é, antes de tudo, um grito de desespero que nos confronta com a dimensão do sofrimento de alguém que não consegue aceitar a vida com aquilo que ela tem para lhe oferecer. Perdido numa dor psicológica que não encontra forma de ultrapassar, desajustado da normalidade social, enleado por conflitos íntimos aterradores, sentindo-se isolado no meio de uma multidão, humilhado pela indiferença de uma turba que não abranda o seu ritmo por quem fica para trás, o potencial suicida surpreende-se na ausência de um sentido para a sua vida.

O suicídio é, antes de tudo, um grito de desespero que nos confronta com a dimensão do sofrimento de alguém que não consegue aceitar a vida com aquilo que ela tem para lhe oferecer. Sem razões significativas para viver, a coragem para enfrentar os desafios vacila e o suicídio afigura-se como uma solução prática. Normalmente, a ideia de suicídio manifesta-se através de um processo gradual com um crescendo de intensidade até à edificação de um monoideísmo à volta do pensamento suicida, altura em que o indivíduo já não consegue pensar de forma lúcida.

Segundo informações da Organização Mundial de Saúde, em cada 40 segundos, há alguém que comete suicídio no mundo inteiro e a mesma organização estima que, até 2020, mais de 1,5 milhões de pessoas irão cometer suicídio por ano. Em Portugal, dados do Instituto Nacional de Estatística, há mais mortes por suicídios do que mortes por acidente de viação. Em 2010, fontes oficiais apontam para um total de 1101 pessoas que tiveram como causa de morte direta o suicídio.