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Sociedade (pág. 11)

Jornal de Espiritismo nº 56 · Maio 2013Página 113 min

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foto loucomotiv a criação de um programa de prevenção com caráter de urgência mas que merece a atenção de poucos. O suicídio constitui uma questão dramática de saúde pública e um grave problema espiritual. O aumento dos números de suicídios que as estatísticas mostram, leva-nos a pensar que este comportamento não pode ser encarado apenas como uma questão pessoal derivada de questões genéticas, perturbações mentais ou uma simples consequência de acontecimentos traumáticos, mas deverá ser compreendido também como um sintoma do profundo mal-estar que varre a nossa sociedade e que agride de forma violenta todo o ambiente familiar e social em nos movemos.

Não é apenas um recurso de gente em desequilíbrio mental e social, mas também de pessoas em situação vulnerável, que depois de uma vida em que deram tudo de si mesmos, surpreendem-se privadas do retorno afetivo daqueles a quem mais amam, veem-se rejeitados para a vida ativa e atirados para a inutilidade, vivem sem esperança no futuro e não encontram mais nada por que lutar. Vivemos atualmente numa sociedade de consumo que se movimenta a um ritmo frenético, promove uma sensibilidade superficial, uma forma de vida descartável, prometendo gratificações fugazes enquanto frustra as ilusões que ela própria cria.

É um modo de vida que potencia o desencanto. A consciência humana, subjugada pelos desafios do mundo moderno, está carente de transcendência, vazia de espiritualidade. Está carente de um sentido para a sua vida, sobretudo de uma vida com significado. E a conjugação de todos estes fatores faz o homem neurótico, ansioso, assustado e tremendamente depressivo, ficando mais vulnerável às doenças mentais, ao alcoolismo, à toxicodependência, e por inerência ao suicídio.

Desde o final do século XIX até hoje, vários investigadores se têm debruçado sobre a relação entre religiãoeo suicídio, concluindo que as taxas de suicídio são menores quando existe uma maior religiosidade. Mesmo sendo a religiosidade apenas uma entre diversas variáveis nesta problema complexo, que mecanistua confiança sobre o que sentes, ou se não te sentires confortável com isso, liga para a linha SOS Voz Amigahttp://www.

sosvozamiga.org , linha verde 800202669 – que oferece um serviço extraordinário procurando estabelecer pontes de afeto com pessoas em desespero, sempre em regime de confidencialidade. Procura um Centro Espírita (http://www.adeportugal. org/adep/index.php/centros-espiritas), onde encontrarás pessoas como tu – algumas já passaram pelos mesmos dilemas que te atormentam hoje – disponíveis para te darem a mãoea mostrarem-te razões para lutar e viver.

A nossa vida é um reflexo de nós próprios, do nosso passado e do presente, e as provas que temos de enfrentar são aquelas que melhor nos convêm para o crescimento individual. Essas provas não poderão ser ultrapassadas pela fuga ou desistência, apenas pela superação de nós próprios. Enquanto evitarmos fazê-lo, teremos de recapitular sucessivamente a prova, enfrentar os mesmos desafios até interiorizarmos a aprendizagem que ela exige.

É verdade que os caminhos desta vida ainda são tortuosos, escondem espigões aguçados difíceis de suportar mas, ao conquistamos uma mais ampla compreensão da realidade que nos transcende, veremos de forma clara a preciosa a oportunidade que Deus nos ofereceu para viver, para amar e aprender, sentindo a vida como um privilégio que vale a pena ser vivido por mais duros que sejam os desafios e as dificuldades. Em Portugal, dados do Instituto Nacional de Estatística, há mais mortes por suicídios do que mortes por acidente de viação.

Em 2010, fontes oficiais apontam para um total de 1101 pessoas que tiveram como causa de morte direta o suicídio. Nesta vida, as dores, os conflitos e as desilusões são inevitáveis, mas depende apenas de nós superá-los, apoiados na fé e na esperança, acreditando, desenvolvendo a nossa inesgotável capacidade para amar, para que nesse amor encontremos a motivação para a vida e o significado que tanto procuramos. Alimenta a esperança e então compreenderás que apesar de a noite parecer fria e escura, se a soubermos suportar com coragem e galhardia, a madrugada nunca falha.