Breves (pág. 6)
Jornal de Espiritismo nº 57 · Abril 2013Página 66 min
O Centro de Cultura Espírita (CCE) de Caldas da Rainha fez 10 anos de exigência, em janeiro de 2013. Durante este mês tem sempre convidados especiais. Nas duas últimas semanas estiveram dois médicos espíritas, um de Beja e outro de Águeda. Depois de no dia 4 de Janeiro ter sido passado o filme “E a Vida Continua”, que já leva milhões de espetadores no Brasil, com atores conhecidos das telenovelas, como por exemplo Lima Duarte, entre outros, no dia 11 de janeiro foi a vez da psiquiatra Gláucia Lima Bonet ter apresentado um tema muito atual “Suicídio versus Depressão à luz da doutrina espírita”, tema este que encheu por completo o salão do CCE e num ambiente alegre e descontraído fez-se uma tertúlia de mais de 1h30, onde a distinta psiquiatra abordou de forma técnica as causas, estatísticas acerca do suicídio bem como da depressão e explanou com rara simplicidade e clareza os conceitos espíritas em www.
adeportugal.org curso básico de espiritismo on-line em Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal Centro de Cultura Espírita: uma década de trabalho torno da temática, explicando que com as evidências da imortalidade do Espírito não há razão para o suicídio que só leva a mais sofrimento quem o comete com consequências nefastas em vidas posteriores. Esta psiquiatra apresentou uma ideia arejada de Deus-Amor, à luz do Espiritismo, explicando que o conhecimento desta doutrina funciona como grande proteção contra tendências depressivas e/ou suicidas pois que o homem entende de onde veio, para onde vai, o que está a fazer na Terra, a causa das dissemelhanças e busca assim, com esse entendimento uma resignação ativa, na certeza da imortalidade.
Referiu ainda a necessidade do auto-amor, da auto - -estima, de fazermos o bem pelo bem, da caridade, da alegria de servir e de ser útil ao próximo como caminhos de elevação espiritual e de satisfação pessoal, levando o ser humano a sentir-se mais realizado nesta sociedade que faz do ouro o seu Deus. No dia 18 de janeiro foi a vez do médico Luténio Faria, de Águeda, abordar a temática “União conjugal à luz do espiritismo”, onde como uma apresentação bem-disposta, e profunda, conseguiu levar a mensagem no meio de algumas gargalhadas ao retratar situações do quotidiano, apresentando a união conjugal como um caminho de evolução espiritual em conjunto, onde não deve imperar o egoísmo dos dias de hoje, mas sim a tolerância mútua, o amor que aceita o outro como ele é, a compreensãoea aceitação do outro com as suas características.
Luténio Faria fez ainda uma viagem pelos vários tipos de situações familiares e deixou dicas preciosas para o êxito na vida a dois, seguindo-se depois da conferência animado debate que só terminou por ainda terem de retornar a Águeda apesar do tempo invernoso. No dia 25 de janeiro foi a vez de Luís Vilhena, espírita de Castro Verde, atualmente residente em Setúbal, que trouxe a “Visão do amor à luz da doutrina espírita”, encerrando assim este conjunto de conferências espíritas comemorativas do X aniversário do Centro de Cultura Espírita.
António Luís, um dos dirigentes do CCE, referiu ainda as atividades em curso nesta associação sem fins lucrativos, como grupos de evangelização infanto - -juvenil aos sábados à tarde (crianças e jovens), curso básico de espiritismo e de educação da mediunidade, igualmente aos sábados, apoio social com géneros alimentícios a 13 famílias da cidade, para além de apoio espiritual ao domicílio para doentes acamados e idosos com dificuldade de locomoção, para além das conferências semanais à sexta-feira, pelas 21h00, seguida do passe espírita e atendimento em privado a pessoas que o desejem, dentro do fundamento da doutrina espírita “fora da caridade não há salvação”.
Por José Lucas foto CCE MARÇO.ABRIL 2013 mediúnica. Quanto mais estas características estivessem presentes, mais ostensivas se apresentariam as faculdades mediúnicas, justificando, assim, o porquê, de estarem mais afloradas em alguns indivíduos do que em outros. Estes “traços” dizem respeito a características de personalidade comuns à maior parte dos médiuns, que os predispõem aos “estados dissociativos mentais” e, por isso, ao transe mediúnico.
Poderíamos dizer que o médium teria uma certa flexibilidade mental/perispiritual que possibilitaria a assimilação das correntes mentais alheias à sua própria mente, as do mundo espiritual, permitindo assim o intercâmbio mediúnico. Na investigação efetuada com médiuns de nacionalidade brasileira e portuguesa, pela bolsa de investigação, concedida pela Fundação BIAL, no trabalho desenvolvido por Lima e Correia, 1996, “Aspectos psicofisiológicos do transe mediúnico”, podemos observar que os médiuns estudados de uma forma geral apresentaram uma pontuação elevada, acima da média, na escala psicológica de DES (Berntein & Putman, 1986).
Este dado poderia induzir a uma leitura patológica da personalidade dos médiuns, mas podemos entender como a necessária predisposição medianímica (“anímica” da alma, espírito encarnado) para o transe. Neste caso, os índices elevados nesta escala demonstram a propensão do médium a entrar em “Estado Alterado de Consciência” (EAC), melhor definido como Estado Modificado de Consciência (EMB), base para o fenómeno mediúnico.
Não se sabe com exatidão todo o papel da glândula pineal para o desenvolvimento mediúnico, porém é certo afirmar-se que durante o transe mediúnico, ainda que o mesmo aconteça por um processo “telepático”, existe um processo de expansibilidade, penetrabilidade e imantação perispiritual atingindo o corpo físico do médium e exercendo uma influência sobre o sistema nervoso central e sistema nervoso autónomo com repercussões quantificáveis a nível físico, tais como: alterações da frequência cardíaca, da tensão arterial, sudorese, agitação psicomotora dentre outras.
Através do estudo acima referido, não houve alterações quantificáveis do padrão eletroencefalográfico (EEG) antes do transe quando comparado ao registo dos médiuns durante o transe, significando, que a eletrogénese de base do médium se mantém durante o transe. Em conclusão, podemos afirmar que a faculdade mediúnica, ou capacidade de ser intermediário entre o mundo físico e o mundo espiritual, depende das possibilidades adquiridas pelo médium na presente vida, que por sua vez está relacionada com a tríade espírito-perispírito- corpo físico e com as suas necessidades e compromissos evolutivos assumidos pelo espírito antes da presente existência.
Não sendo a mediunidade uma condição orgânica, depende de uma predisposição mental e física para o desenvolvimento da mesma. ber uma relação factual se não enxergamos de forma direta um nexo de causalidade ou quando se trata de doenças agudas como as de carácter infecto- contagiosas. Neste último caso, podemos admitir, que haveria uma predisposição física, imunitária ou fragilidade no órgão acometido a nível perispiritual para assimilação da doença infecto-contagiosa.
Podemos questionar, o porquê, de duas pessoas expostas a um mesmo agente infecioso, a primeira ficar infetada e a segunda não? Com certeza a primeira resposta será: a imunidade da primeira é mais frágil. E a que se deve esta menor imunidade? Não seria a uma menor vitalidade física, emocional e espiritual? Se uma pessoa tem uma simples gripe, teria essa gripe origem no corpo espiritual? A nível etiológico, é claro que não Se uma pessoa tem uma simples gripe, teria essa gripe origem no corpo espiritual?
A nível etiológico, é claro que não. Mas, a nível de predisposição num contexto do ser bio-psico-energético-espiritual, poderíamos dizer que sim. Somos um ser integral, e não divido em partes: corpo x mente x espírito. Não podemos hoje em dia pensar em saúde física dissociada da saúde mental e espiritual. Por evolução dos conceitos da dicotomia mente x corpo, hoje aboliu-se o conceito de doença psicossomática, não porque nos tempos modernos já não se aceitem as doenças com origem na mente, psico (mente) soma (corpo), mas, porque este conceito evoluiu e já não se concebe as doenças que não tenham um componente psíquico.
Por fim, não podemos entender a saúde aquém de um modelo integral. Logo, teremos que enxergar a doença neste mesmo modelo. O nosso corpo físico interage, com o nosso corpo espiritual num fio contínuo, através do perispírito, é nesta interação que a vida acontece em nós, se manifesta através do nosso corpo físico. - Allan Kardec, em “O Livro dos Médiuns”, refere haver uma predisposição orgânica para as faculdades mediúnicas.
Que comentário nos pode oferecer sobre isso? Dr.ª Gláucia Lima – Allan Kardec afirmou em várias passagens da codificação (o conjunto de livros que publicou) que a mediunidade tinha uma “predisposição orgânica”. Esta assertiva vem sendo repetida e reafirmada sem muitas vezes tentarmos perceber ao que se refere esta tal predisposição ou propensão física.
