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Capa da edição nº 57 do Jornal de Espiritismo

57Jornal de Espiritismo nº 57

Abril 2013 · 19 secções · ≈ 70 min de leitura

Esta edição aborda a crise económica, o papel do espiritismo em tempos conturbados e a mediunidade, com foco especial no suicídio. Apresenta uma entrevista com Vanessa Anseloni e artigos sobre a filosofia penal espírita, a economia e a tragédia da discoteca. O editorial ressalta a importância da educação espiritual e da prevenção, comparando-a à farmacologia. O 'Correio' responde a leitores sobre depressão e instabilidade emocional, desmistificando crenças populares e orientando sobre a busca por ajuda espírita séria e gratuita.

Espiritismo
Crise económica
Suicídio
Mediunidade
Saúde mental
Educação espiritual

Capa

Página 13 min

57 ANOIX JDE JORNALDEESPIRITISMOMAR Ç O . ABRIL . 2 0 1 3 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 Vanessa Cristina Zilli Anseloni nasceu em 20 de abril de 1972 na cidade de São Paulo, no Brasil. Atualmente reside nos EUA onde desenvolve investigação científica na área das neurociências – nos tempos livres colabora ativamente no movimento espírita através da Spiritist Society of Baltimore.

17 LITERATURA Filosofia penal dos espíritas 12 OPINIÃO Economia e espiritismo Não se tem falado noutra coisa: crise, dinheiro, taxas de juro, agências de “rating”, bolsa de valores, troika, FMI, euro, dólar, etc. Para quem nunca foi versado em economia, o pânico é generalizado, onde a opinião substitui o facto... 10 OPINIÃO Nada é definitivo Embora o leitor possa achar que estejamos pretendendo generalizar, o que dizemos é que nem tudo é definitivo, já que os princípios da doutrina espírita são colunas inamovíveis, diante da lógica com a qual eles foram assentados.

08 CRÓNICA A tragédia da discoteca Cerca de 200 jovens desencarnaram numa madrugada de domingo de janeiro passado no Brasil quando um incêndio causado acidentalmente por músicos durante um espectáculo em Santa Maria… Durante os anos 80 e 90 do século passado, ouvi, pela primeira vez e recorrentemente, referências ao livro do professor da Universidade de Havana, Fernando Ortiz. Era algo que me deixava admirado, pois Cuba não deixava de ser um país ostracizado pelo mundo dito livre… 09 ENTREVISTA foto loucomotiv Vanessa Anseloni: uma neurocientista espírita foto loucomotiv O suicídio na ótica espírita foi tema tratado com honras de TV nacional no passado dia 23 de janeiro, pelas 16h00 no programa “Fátima Lopes”.

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Editorial

Página 22 min

vida feliz no mundo espiritual. Os casos atendidos mais dramáticos são sempre os de quem escolheu partir pelo suicídio. Grande é o serviço de educação que o Dias maiores MARÇO.ABRIL 2013 ída no caminho, o mestre tirou o escorpião da água e salvou-lhe a vida. Aproveitou para explicar: — Não mude sua natureza se alguém lhe faz algum mal; apenas tome precauções. Alguns perseguem a felicidade, outros a criam. Quando a vida lhe apresentar mil razões para chorar, mostre- lhe que tem mil e uma razões para sorrir.

Preocupe-se mais com a sua consciência do que com sua reputação. Porque a sua consciência é o que é, e a sua reputação é o que os outros pensam de si. E o que os outros pensam… é mais problema deles do que seu. (mensagem de autor desconhecido recebida por e-mail) espiritismo, ou doutrina espírita, tem ainda pela frente. Respaldado pelo exemplo discreto mas atuante de quem o compreende, será capaz cada vez mais de influir na abertura de luzes maiores face a uma humanidade cujo paradigma denso se fragiliza face ao porvir.

Porém, a verdade é que sem o esforço próprio, tranquilo mas sábio à sua medida, pouco se adianta. Lembra a história da farmacologia que o famoso investigador Pasteur percebia a dialética peculiar entre “o fator agente infecioso e o fator hospedeiro. Se damos antibiótico mas o doente não é capaz de lutar por si só, o antibiótico não é eficaz. Está provado. Então Pasteur disse uma verdade que por vezes hoje se esquece: o melhor no processo de cura é a prevenção, é manter-se lúcido, com bom senso e aplicar boas regras de vida no dia-a- -dia”.

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Correio Março.abril

Página 34 min

CORREIO MARÇO.ABRIL 2013 Cofre aberto? Chegam muitas perguntas ao correio electrónico e o missivista de serviço, Mário, não tem mãos a medir, sempre com a fraternidade imperturbável nos seus tempos pós-profissionais. Aleatoriamente quase, escolhemos duas perguntas e duas respostas. Sandra escreveu: «Começo por pedir desculpa na forma como me vou exprimir, mas tudo isto é novidade para mim, estou muito confusa e não sei no que acreditar.

Tenho depressão diagnosticada desde o ano de 2004 e desde então tem sido muito difícil: altos e baixos que afetam muito o meu dia-a - -dia. O mais difícil é quando me sinto muito cansada, corpo muito pesado, dores de cabeça. Procurei uma senhora para que me pudesse dar esperança de melhorias. Disse que tenho o “cofre aberto” e que é isso que me vai causando tudo isto. Sou céptica em muita coisa mas a senhora referiu determinados aspetos da minha vida que penso ser impossível ter conhecimento.

Estou confusa e assustada. A senhora disse que teria de fazer uma “limpeza”, que já fiz. Tomei um pó na comida que me fez vomitar e diarreia, contudo, não saiu nada de estranho como me tinha sido dito. A senhora diz que tenho de ir ter mais vezes com ela para mesma me ajudar a lidar com isto e sofrer menos. A senhora é muito simples e tem poucos estudos, dificultando assim que a mesma explique tudo isto de forma mais clara.

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Breves

Página 43 min

No dia 1 de dezembro, na sede da Federação Espírita Portuguesa, na região de Lisboa, realizou-se a última assembleia geral do ano passado, constando na sua ordem de trabalhos, a aprovação de contas para o ano 2013 e a eleição dos corpos sociais para o biénio 2013/2014. O encontro decorreu na sede da Federação Espírita Portuguesa em bom ambiente, contando com a representatividade de quase duas dezenas de grupos federados.

Eis a lista eleita: Assembleia Geral – presidente, Associação Espírita de Leiria, Maria Isabel Saraiva; 1.º secretário, Comunhão Espírita Cristã de Lisboa, Maria Manuela Vasconcelos; 2.º secretário, Associação Espírita de Quarteira, José Joaquim Assembleia geral eleitoral FEP Esteves Teiga. No Conselho Fiscal, presidente, Centro Espírita Casa do Caminho, Joaquim Monteiro Martins; 1.º secretário, Centro Espírita Perdão e Caridade, António Esteves Santos; relator, Associação Espírita São Brás, Duarte M.

Palma. No Conselho Diretivo, presidente, Centro Espírita Luz Eterna, Vítor Mora Féria; vice-presidente, Fraternidade Espírita Cristã, Paulo Alexandre G. Henriques; tesoureiro, Escola Beneficência Caridade Espírita, Isaías Pinho de Sousa; 1.º secretário, Associação Beneficência e Fraternidade, Manuel Ferreira da Costa; 2.º secretário, Associação Cultural Espírita Santarém, António M. Mendonça. Façachegar assuas notícias «Damos a conhecer os eventos de cariz mais abrangente para evitar que haja marcações coincidentes em data, possibilitando assim a deslocação e participação dos interessados, nas várias partes do país», lê-se no boletim electrónico da FEP.

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Breves (pág. 5)

Página 54 min

Lisboa: seminário sobre saúde, física quântica e espiritualidade Dia 9 de março o auditório da Faculdade Medicina Dentária de Lisboa, entre as 9h00 e as 18h00, recebe um seminário sobre saúde, física quântica e espiritualidade. Do programa constam conferências sobre «O valor terapêutico do perdão», pelo doutor Francisco Cajazeiras, «A somatização das emoções», pela doutora Katia Marabuco, com um painel inicial pelas 11h30 que se ocupa das «Doenças, vistas sob o prisma médico-espírita».

Será abordado o tema «Catalepsia, letargia e morte aparente» e os «Aspetos espirituais do cancro». Às 15h00 há um seminário de física quântica, conduzido pelo professor André Luiz Ramos. As sínteses biográficas dos oradores vão de seguida: Katia Marabuco, médica oncologista, doutora em medicina, presidente da Associação Médico-Espírita do Piauí (Brasil), conferencista espírita e escritora. Francisco Cajazeiras, médico clínico e cirurgião geral, professor universitário, presidente da Associação Médico- -Espírita do Ceará (Brasil), escritor e orador espírita.

Professor André Luiz Oliveira Ramos, formado em física, professor universitário, com mestrado em física pela USP-São Paulo (Brasil), orador espírita. Para ajudar a custear as despesas inerentes da organização a inscrição custa 8 euros. Informações : http://www.verdadeluz.com/GeraPaginas.asp?V_ ListaPagina=588 Reservas : http://www.verdadeluz.com/reserva.asp Telefones para informações (segunda a sexta: 14h00/19h00): 21 412 10 62, 21 412 33 37, 91 694 36 25, 96 905 57 62.

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Breves (pág. 6)

Página 66 min

O Centro de Cultura Espírita (CCE) de Caldas da Rainha fez 10 anos de exigência, em janeiro de 2013. Durante este mês tem sempre convidados especiais. Nas duas últimas semanas estiveram dois médicos espíritas, um de Beja e outro de Águeda. Depois de no dia 4 de Janeiro ter sido passado o filme “E a Vida Continua”, que já leva milhões de espetadores no Brasil, com atores conhecidos das telenovelas, como por exemplo Lima Duarte, entre outros, no dia 11 de janeiro foi a vez da psiquiatra Gláucia Lima Bonet ter apresentado um tema muito atual “Suicídio versus Depressão à luz da doutrina espírita”, tema este que encheu por completo o salão do CCE e num ambiente alegre e descontraído fez-se uma tertúlia de mais de 1h30, onde a distinta psiquiatra abordou de forma técnica as causas, estatísticas acerca do suicídio bem como da depressão e explanou com rara simplicidade e clareza os conceitos espíritas em www.

adeportugal.org curso básico de espiritismo on-line em Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal Centro de Cultura Espírita: uma década de trabalho torno da temática, explicando que com as evidências da imortalidade do Espírito não há razão para o suicídio que só leva a mais sofrimento quem o comete com consequências nefastas em vidas posteriores. Esta psiquiatra apresentou uma ideia arejada de Deus-Amor, à luz do Espiritismo, explicando que o conhecimento desta doutrina funciona como grande proteção contra tendências depressivas e/ou suicidas pois que o homem entende de onde veio, para onde vai, o que está a fazer na Terra, a causa das dissemelhanças e busca assim, com esse entendimento uma resignação ativa, na certeza da imortalidade.

Referiu ainda a necessidade do auto-amor, da auto - -estima, de fazermos o bem pelo bem, da caridade, da alegria de servir e de ser útil ao próximo como caminhos de elevação espiritual e de satisfação pessoal, levando o ser humano a sentir-se mais realizado nesta sociedade que faz do ouro o seu Deus. No dia 18 de janeiro foi a vez do médico Luténio Faria, de Águeda, abordar a temática “União conjugal à luz do espiritismo”, onde como uma apresentação bem-disposta, e profunda, conseguiu levar a mensagem no meio de algumas gargalhadas ao retratar situações do quotidiano, apresentando a união conjugal como um caminho de evolução espiritual em conjunto, onde não deve imperar o egoísmo dos dias de hoje, mas sim a tolerância mútua, o amor que aceita o outro como ele é, a compreensãoea aceitação do outro com as suas características.

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Consultório

Página 71 min

Da origem das doenças à predisposição orgânica da mediunidade Conhecendo bem a doutrina espírita, Gláucia Lima, psiquiatra, dá continuidade a esta secção do jornal: responde a duas perguntas nesta edição. foto loucomotivOuvi uma vez alguém afirmar que todas as doenças têm origem no corpo espiritual. Pensei numa doença contagiosa e achei que não fazia sentido. À luz dos seus conhecimentos, que opinião tem sobre isso?

Dr.ª Gláucia Lima – O nosso corpo espiritual ou perispírito é a matriz do nosso corpo físico exercendo o papel de aglutinador da matéria ou de modelo organizador biológico no processo de formação biológica e seleção genética. Por conseguinte, exerce uma influência direta e constante desde a nossa formação celular ou fecundação. Esta influência perispiritual mantém-se ao longo da nossa existência, permanentemente, não havendo propriamente uma separação entre corpo físico e corpo espiritual, estando os mesmos inter - -relacionados num envolvimento energético, dinâmico e interativo.

Não podemos esquecer que somos um espírito e temos um corpo físico e este responde às necessidades do nosso SER espiritual, mediadas pelo perispírito. Logo, tudo aquilo que nos atinge na presente existência tem origem na nossa necessidade existencial. Torna-se fácil compreender esta assertiva se falamos de uma doença crónica, cujos hábitos de vida podem adoecer o espírito e isto ter repercussões no corpo físico, adoecendo-o.

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Crónica Março.abril

Página 83 min

CRÓNICA MARÇO.ABRIL 2013 terá? Cada pai, cada mãe, cada familiar, cada pessoa envolvida deverá achar o seu significado. Alguns talvez terão notícias de algum evento passado que terá desembocado nesse drama; outros extrairão dessa dor, um motivo de luta para mais segurança em locais de lazer; outros acharão novos valores e farão de seu sofrimento uma bandeira para ajudar outros que estejam no mesmo sofrimento e assim por diante.

Oremos por essas pessoas, ofereçamos nossas melhores vibrações para os que foram e para os que ficaram e ainda para os que se fizeram de alguma forma responsáveis por esse evento trágico. Mas tenhamos delicadeza ao tratar da dor do próximo! Não ofereçamos respostas fechadas, apressadas, categóricas, deterministas. Ofereçamos amor, respeito e àqueles que quiserem, um estudo aberto e não dogmático, da filosofia espírita.

Por Dora Incontri In http://doraincontri.com/2013/01/28/ reflexoes-espiritas-sobre-a-tragedia-de- santa-maria lias enlutadas com a tragédia de Santa Maria? • Que a morte não existe e que esses jovens continuam a viver e que poderão mais dia, menos dia, dar notícias de suas condições; • Que a morte traumática deixa marcas para quem fica e para quem foi e que todos precisam de amparo e oração; • Que o sofrimento deve ter algum significado existencial, que cada um precisa descobrir e transformá-lo em motivo de ascensão… • Que a fé, o contato com a Espiritualidade, seja ela qual for, dá forças ao indivíduo, para superar um trauma dessa magnitude.

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Entrevista

Página 96 min

foto arquivo Vanessa nasceu em família espírita: «O meu tataravô Attilio Pioltini, emigrante italiano no Brasil, tornara-se espírita e formara com amigos da família De Santis o Centro Espírita Luz e Caridade na cidade de Itobi, no interior do estado de São Paulo. Comecei a participar nas atividades espíritas desde cedo com os meus familiares, principalmente na companhia dos meus avós Amália Pioltini e Santo António Zilli».

Aos «15 anos, comecei a evangelizar crianças de periferia junto a centro espírita da cidade de Ribeirão Preto, no Brasil». Profissionalmente, obteve a licenciatura em «Psicologia e o doutoramento em Neurociências, ambos pela Universidade de São Paulo. Atualmente trabalho como neurocientista e professora na University of Maryland em Baltimore, EUA». Na lide espírita, «fundámos o Spiritist Society of Baltimore e presidimos a esta instituição de 1998 a 2012.

Fundámos o Spiritist Society of Virginia em 2007, o qual coordenamos até o presente momento. Fundamos a Kardec Radio e coordenamos o corpo editorial da Spiritist Magazine, periódico do Conselho Espírita Internacional», adianta. Outras perguntas surgiram. Quem é a Vanessa Anseloni, de onde veio e porque está nos EUA? Vanessa AnseloniChegamos aos EUA em 16 de janeiro de 1998 a convite da Universidade de Maryland, a fim de estabelecermos uma colaboração científica.

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Opinião

Página 102 min

Além disso, convém notar que em parte alguma o ensino espírita foi dado integralmente; ele diz respeito a tão grande número de observações, a assuntos tão diferentes, exigindo conhecimentos e aptidões mediúnicas especiais, que impossível era acharem-se reunidas num mesmo ponto todas as condições necessárias. Nada é definitivo nas obras básicas “[...] elaboramos um plano de organização para o qual aproveitamos a experiência do passado, a fim de evitar os escolhos contra os quais se têm chocado a maioria das doutrinas que apareceram no mundo”.

(KARDEC, 1868) foto loucomotiv MARÇO.ABRIL 2013 obra. (A Gênese, cap. I, item 50). (KARDEC, 2007e, p. 48). Além disso, convém notar que em parte alguma o ensino espírita foi dado integralmente; ele diz respeito a tão grande número de observações, a assuntos tão diferentes, exigindo conhecimentos e aptidões mediúnicas especiais, que impossível era acharem-se reunidas num mesmo ponto todas as condições necessárias. Tendo o ensino que ser coletivo e não individual, os Espíritos dividiram o trabalho [não só no espaço senão também no tempo], disseminando os assuntos de estudo e observação como, em algumas fábricas, a confecção de cada parte de um mesmo objeto é repartida por diversos operários.

A revelação faz-se assim parcialmente em diversos lugares e por uma multidão de intermediários e é dessa maneira que prossegue ainda, pois que nem tudo foi revelado. («A Génese», cap. I, item 52). (KARDEC, 2007e, p. 49). O Espiritismo não se afastará da verdade e nada terá a temer das opiniões contraditórias, enquanto sua teoria científica e sua doutrina moral forem uma dedução dos fatos escrupulosamente e conscientemente observados, N enhuma ciência existe que haja saído prontinha do cérebro de um homem.

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Opinião (pág. 11)

Página 116 min

não poderia ser senão a obra do tempo; ela é feita gradualmente, à medida que os princípios são elucidados. Não será senão quando a Doutrina houver abarcado todas as partes que ela comporta, que formará um todo harmonioso, e será somente então que se poderá julgar verdadeiramente o Espiritismo. [...] Não se deve pedir às coisas senão aquilo que elas podem dar, à medida que elas estão em estado de produzir; não se pode exigir de uma criança o que se pode esperar de um adulto, nem de uma árvore jovem, recentemente plantada, o que produzirá quando estiver em toda a sua força.

O Espiritismo, em via de elaboração, não poderia dar senão resultados individuais; os resultados coletivos e gerais serão os frutos do Espiritismo completo que se desenvolverá sucessivamente. Se bem que o Espiritismo não haja dito ainda a sua última palavra sobre todos os pontos, ele se aproxima de seu complemento, e o momento não está longe em que lhe será necessário dar uma base forte e durável, suscetível, no entanto, de receber todos os desenvolvimentos que as circunstâncias ulteriores comportarem, e dando toda segurança àqueles que se perguntam quem lhe tomará as rédeas depois de nós».

(«Revista Espírita» 1868, artigo Constituição Transitória do Espiritismo, item I – Considerações preliminares, 1º, 3º e 4ª §§) (KARDEC, 1993j, p. 369-370). «O programa da doutrina não será, pois, invariável senão sobre os princípios passados ao estado de verdades constatadas; para os outros, ela não os admitirá, como sempre o fez, senãoatítulo de hipóteses até a confirmação. Se lhe for demonstrado que ela está no erro sobre um ponto, ela se modificará sobre esse ponto».

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Opinião (pág. 12)

Página 124 min

Economia e espiritismo Ultimamente não se tem falado noutra coisa: crise, dinheiro, taxas de juro, agências de “rating”, bolsa de valores, troika, FMI, euro, dólar, etc. Para quem nunca foi versado em economia, o pânico é generalizado, onde a opinião substitui o facto, o boato substitui a probabilidade, a incerteza entranha-se no imo do ser humano como praga inevitável. Se é verdade que existem situações sociais graves, importa identificar a causa e, esta, radica no orgulho e no egoísmo do ser humano, que vivendo na matéria, da matéria e para a matéria, desconhecendo a sua génese espiritual, embrenha-se em caminhos egoístas, querendo ter cada vez mais, sem olhar a meios.

Vivemos numa época de capitalismo selvagem, onde o ser humano pouco ou nada vale se comparado com as contas bancárias de cada um. O Espiritismo, na sua tríplice vertente de ciência, filosofia e moral, tem como princípios básicos, a existência de Deus, a imortalidade do Espírito, a comunicabilidade dos Espíritos, a reencarnaçãoea pluralidade dos mundos habitados. Sabendo que somos espíritos imortais, que voltaremos a ter novas existências carnais, o ser humano superar- se-á, libertar-se-á do materialismo anestesiante Demonstrando através da pesquisa a imortalidade e a reencarnação, tais paradigmas (outrora crenças e hoje evidências científicas) mudarão inevitavelmente o figurino social muito em breve.

Ian Stevenson, um dos mais notáveis psiquiatras americanos, afirmou na Casa do Médico, no Porto, aquando da sua participação no simpósio “Aquém e Além do Cérebro”, que hoje em dia é perfeitamente possível acreditar na reencarnação com base em provas. Realçou o nobre cientista que, o que mais o entristecia era uma certa indiferença por parte dos cientistas materialistas, em relação a uma descoberta (imortalidade e reencarnação) que, quando for reconhecida oficialmente, operará na Terra uma revolução com impacto superior ao que a revolução industrial teve.

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Opinião (pág. 13)

Página 134 min

No caso de Verónica, pelo contrário, esse processo já tinha sido despoletado anos antes, quando conhecera o Cristo. Porém, encontrava-se longe de estar concluído, pois as oportunidades evolutivas de cada encarnação são muito mais extensas do que aquelas que à partida consideramos. A história de Verónica, a mulher hemorrágica, começou assim. Verónica abandonara a sua cidade natal com a marca do ferimento humilhante.

Todos a consideravam impura ao ter sido condenada por Deus e, por tal, merecedora de desprezo por todo o judeu zeloso. Recorrera a médicos locais e forasteiros, a curandeiros, consultara sacerdotes, deixara-se exorcizar, mas a enfermidade resistia a qualquer remédio. Submetera-se a experiências várias, seguira os preceitos da lei judaica, tudo inutilmente. O seu mal era um castigo imposto pelo Deus único. Vencida por doze anos de anemia incessante, até mesmo diante dos médicos sentia o constrangimento que lhe impunha a doença.

Vivia escondida, obrigada a ocultar o seu ferimento. Sem mais esperanças e depois de ter gasto tudo quanto possuía, resolvera rumar até Cafarnaum. Ouvira falar de Jesus, de seus prodígios, de como suas mãos restituíam saúde e esperança aos enfermos. Dirigiu-se à casa de Simão, à residência dos filhos de Zebedeu, e às praias do Mar da Galileia, sem sucesso – mas que perseverança! Finalmente encontra o caminho da residência de Jairo.

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Opinião (pág. 14)

Página 144 min

As palavras do repórter asseguravam que o capturado era um déspota sanguinário mas as imagens mostravam um homem assustado numa posição vulnerável, vítima indefesa da agressão bárbara de uma multidão que exultava a sua sede por vingança. Confundido, o meu filho de dez anos perguntou-me: “Pai, quem são os bons e quem são os maus?” Limitar a compreensão do mundo a uma visão ingénua de bons e maus, colocando-se sistematicamente no lugar dos bons, é a forma ingénua que uma criança encontra para dar algum sentido à disparidade de atitudes e emoções que ela vai aprendendo a reconhecer.

A maturidade, a experiência e o conhecimento de nós próprios, deveria levar-nos a abandonar este preconceito maniqueísta, entendendo que será preciso muito mais do que impressões para descobrir o que é para lá daquilo que parece. No entanto, na maior parte das situações continuamos a limitar a complexidade do comportamento humano a um simplismo estranho de preto e branco, bom e mau, certo e errado, definindo aqueles que nos rodeiam pelas suas atitudes visíveis mas que acabam por ser reduzidos ao que mostram de pior.

Naturalmente indignados diante do que está mal, lamentamos e expomos verbalmente as máculas do criminoso, do delinquente, do tirano, do pedinte, do drogado, do egoísta, do invejoso e do manipulador, mas dificilmente vamos mais além dos lamentos e condenações. Dessa forma, não ficamos habilitados a compreender. Compreender não é o mesmo do que aceitar ou pactuar com os comportamentos alheios mas refletir com base em todos os elementos da explicação.

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Opinião (pág. 15)

Página 152 min

Mais tarde, poucas horas antes de ser preso à ordem dos judeus, o Bom Pastor anteviu a renegação do apóstolo; mas sábio, generoso, também antecipadamente lha perdoou. Segundo os dicionários, perdoar é desobrigarmos o ofensor do que seja seu dever para connosco – arrependimento, reparação, etc.; e em geral tem-se por muito difícil. No entanto, considerar difícil o perdão é uma perspetiva errónea: não pode ser difícil, ou não é perdão.

Entre memórias pitorescas da adolescência, destaco um professor inesquecível pela sua jovialidade e bom humor. Ao iniciarmos a primeira aula sobre equações matemáticas, ansiosos e inseguros pelo papão de dificuldade com que nos tinham amedrontado os condiscípulos de anos mais adiantados, os nossos temores esfumaram-se com a abordagem descontraída que aquele professor fez à matéria: “resolver equações não tem dificuldade; o que pode custar é pôr em equação os dados dum problema”.

No decorrer das aulas fomos verificando isso mesmo: assimilados os métodos apropriados, resolver equações, em si, não oferecia embaraço especial. Os principiantes na arte de velejar também se surpreendem ao aprender como a força do vento atua nas velas: dois terços por sucção e apenas um terço por impulsão, detalhe a levar em conta nalgumas manobras de navegação. Perdão difícil é pois questão mal colocada, pela natureza do perdãoeo modo como funciona: ele envolve paz íntima, ausência de esforço ou indecisão e angústia entre mágoa sentida e o dever moral de perdoar.

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Com a voz alterada, falando aos gritos, extravasamos toda a nossa “rai

Página 165 min

Com a voz alterada, falando aos gritos, extravasamos toda a nossa “raiva” diante de uma situação que reputamos inaceitável. Passados aqueles tristes momentos de completa perda de controlo emocional, chega o remorso. Aí pensamos com calma no ocorrido e chegamos à conclusão que tudo não passou de momento mesmo, que o melhor é desculpar-se e tocar a vida em frente. Em razão da nossa imperfeição moral este tipo de situação é, infelizmente, muito comum, bem como o seu desfecho.

No entanto, nem sempre os nossos desequilíbrios são tão visíveis assim. O pensamento é algo que não chama a atenção e é o responsável direto pelas ações físicas que praticamos, por desequilíbrios que provocamos e pela sensação de atmosfera pesada e grosseira que sentimos muitas vezes. Quem dá atenção para um pensamento desabonador que temos sobre outra pessoa? Quem está ligado no fato de que pensamos sem parar, 24 horas por dia?

Existem certas situações na vida que chamam muito a atenção pelo grau do seu alcance e outras nem tanto: quantas vezes, num repente, vem o desequilíbrio e passamos a discutir um acontecimento, por mais banal que ele seja e acabamos por provocar um conflito ou ofensas pessoais graves? foto loucomotiv Pensamos tanto e tão ininterruptamente, que não nos damos conta da sua enorme influência em nossos atos. O pensamento não é algo abstrato, ele existe e qualquer que seja a sua natureza emite energia e como causa que é vai ter um efeito.

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Março.abril 2013 Literatura

Página 171 min

MARÇO.ABRIL 2013 LITERATURA A filosofia penal dos espíritas Durante os anos 80 e 90 do século passado, ouvi, pela primeira vez e recorrentemente, referências ao livro do professor da Universidade de Havana, Fernando Ortiz. foto arquivo IMPRESSÃO DIGITAL

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Entrevista a dirigentes Joaquim Pereira, de Caldas da Rainha, tem 62 a

Página 184 min

WWW Entrevista a dirigentes Joaquim Pereira, de Caldas da Rainha, tem 62 anos e é funcionário público reformado. foto direitos reservados Joaquim Pereira, de Caldas da Rainha, tem 62 anos e é funcionário público reformado. Como conheceu o espiritismo? Joaquim Pereira – A necessidade de encontrar respostas para algumas questões pessoais, levaram-me a procurar soluções na literatura Yoga e mais tarde na literatura espírita.

Até que, Divaldo Pereira Franco veio às Caldas fazer uma palestra, na Câmara Municipal. O auditório cedido gratuitamente pela autarquia estava superlotado, para grande surpresa minha. Esse encontro foi muito gratificante e decisivo. Acabei a procurar um centro espírita e comecei a assistir às palestras com alguma regularidade. Frequenta alguma associação atualmente? Joaquim PereiraAtualmente frequento a Associação de Fraternidade Laborinho, vulgo Projeto Laborinho, na Nazaré, e estudo no Centro Cultural Espírita, de Caldas da Rainha.

Qual a sua opinião acerca do «Jornal de Espiritismo»? Joaquim PereiraÉ um jornal simpático, de leitura fácil e com informação útil sobre as muitas atividades que vão acontecendo por esse país fora. Para além da diversidade dos temas apresentados as páginas deste jornal apresentam uma secção que me agrada em particular. Faz a abordagem mediúnica que se manifesta em pessoas que desconhecem o fenómeno. Que afinal não é exclusivo, nem antinatural.

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vocábulo desencarnação (e não desencarne), que define o processo de de

Página 195 min

É o vocábulo desencarnação (e não desencarne), que define o processo de desencarnar, deixar a carne, passar para o mundo espiritual? Está a circular na Internet um pequeno trailer de um desenho animado sobre Chico Xavier, intitulado «Little Great Chico» (o pequeno grande Chico), que foi colocado anonimamente no Youtube? Na «Revue Spirite», Ano 5-Novembro 1862-n.º 11, Allan Kardec publica a fórmula de uma pomada, para problemas de pele, ditada pelos Espíritos à médium Ermance Dufaux, composta por: açafrão, cominho, cera amarela e óleo de amêndoas doces?

É o fenómeno da empatia, presente em todos os seres e em todos os domínios do Universo que, na opinião de Emmanuel, explica que as plantas manifestem sensações semelhantes à da pessoa que cuida delas e as ama? Com o lançamento de «O Livro dos Médiuns» em 1861, Allan Kardec criou o termo médium, palavra que vem do latim, adoptando-a para designar toda a pessoa que sente a influência dos Espíritos em qualquer grau de intensidade?

- Não, mãe. Não vou regar as plantas. Não gosto da natureza! Só dá trabalho! - Filha, a natureza não são apenas as plantas. A natureza inclui as plantas, os animais, as flores, a água, o ar, a chuva, o mar, o céu, as nuvens... - Não me interessa, mãe. Por mim a natureza não precisava de existir. A mãe da Márcia silenciou por alguns minutos. - E se ela não existisse para ti, por um dia? - Por mim tudo bemdisse a garota.

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