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Entrevista

Jornal de Espiritismo nº 57 · Abril 2013Página 96 min

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foto arquivo Vanessa nasceu em família espírita: «O meu tataravô Attilio Pioltini, emigrante italiano no Brasil, tornara-se espírita e formara com amigos da família De Santis o Centro Espírita Luz e Caridade na cidade de Itobi, no interior do estado de São Paulo. Comecei a participar nas atividades espíritas desde cedo com os meus familiares, principalmente na companhia dos meus avós Amália Pioltini e Santo António Zilli».

Aos «15 anos, comecei a evangelizar crianças de periferia junto a centro espírita da cidade de Ribeirão Preto, no Brasil». Profissionalmente, obteve a licenciatura em «Psicologia e o doutoramento em Neurociências, ambos pela Universidade de São Paulo. Atualmente trabalho como neurocientista e professora na University of Maryland em Baltimore, EUA». Na lide espírita, «fundámos o Spiritist Society of Baltimore e presidimos a esta instituição de 1998 a 2012.

Fundámos o Spiritist Society of Virginia em 2007, o qual coordenamos até o presente momento. Fundamos a Kardec Radio e coordenamos o corpo editorial da Spiritist Magazine, periódico do Conselho Espírita Internacional», adianta. Outras perguntas surgiram. Quem é a Vanessa Anseloni, de onde veio e porque está nos EUA? Vanessa AnseloniChegamos aos EUA em 16 de janeiro de 1998 a convite da Universidade de Maryland, a fim de estabelecermos uma colaboração científica.

Após o sucesso dos projetos, convidaram-nos a permanecer até ao presente momento. Mas, de fato, foi o trabalho espírita que nos convenceu a ficar em território americano, uma vez que o grupo espírita de Baltimore (hoje Spiritist Society of Baltimore) iniciado em outubro de 1998, com ajuda dos amigos Jorge Godinho Nery e sua esposa Antónia Helena Nery, estava em crescente movimento. Com as necessidades crescentes da disseminação dos trabalhos espíritas em língua inglesa, resolvemos permancer definitivamente em terras norte-americanas.

Que atividades desenvolve na área espírita? Vanessa AnseloniColaboro como palestrante, passista, médium, mormente de psicofonia e psicografia, bem como damos formação a passistas, palestrantes, evangelizadores de crianças e jovens, bem como apoiamos a formação de grupos. Com a carência de grupos aqui nos EUA, temos de fazer de tudo um pouco. Fazemos traduções dos livros espíritas recebidos por Chico Xavier, Divaldo Franco, Raul Teixeira, etc.

A primeira atividade espírita que realizamos nos EUA foi como evangelizadora de jovens. Que atividades desenvolve profissionalmente? Vanessa AnseloniSou neurocientista e psicóloga. Junto a University of Maryland, sou diretora do Programa de Ciências Comportamentais, em que o objetivo central é ensinar alunos de odontologia como lidar com os pacientes de forma compassiva. Como neuroscientista, o nosso foco é estudar os mecanismos da dor neonatal, bem como a neuropatia ocasionada pelo cancro.

Que pesquisa está a desenvolver ou desenvolveu ultimamente, profissionalmente e como espírita? Vanessa AnseloniPor termos papel acentuado na disseminação dos trabalhos espíritas nos EUA, temos buscado não nos envolver diretamente com as pesquisas que tenham intersecção, a fim de evitar quaisquer descrétidos à pesquisa devido ao nosso envolvimento com o espiritismo. Como sabe, a neutralidade é busca incessante das ciências.

No entanto, apoiamos a todos os que seguem nesta direção. Na sua opinião para que serve o Espiritismo? Vanessa AnseloniO Espiritismo é verdadeira bênção, um presente de Deus oferecido à Humanidade. Com múltiplas funções, ele consola o que tem fome de sabedoria, tanto como o que tem sede de amor. Como reage a comunidade científica nos EUA ao espiritismo? Vanessa Anseloni – Vemos uma abertura crescente, pouco a pouco, principalmente no que diz respeito a como o espiritismo, na sua prática, pode ajudar na saúde integral.

Através de diversos eventos que coordenamos via a Spiritist Society of Baltimore, o United States Spiritist Symposium (principalmente em 2009), a Spiritist Magazine (com artigos e entrevistas), e mais recentemente via a Kardec Radio, vamos vendo o diálogo entre a comunidade científica e o espiritismo a estreitar-se. E o fenómeno desta integração tem encontrado respaldo na humanidade terrestre, pois que, por exemplo, em 2012, um dos programas da Kardec Radio com o neurocientista Andrew Newberg teve audiência inédita mundial de mais de 60 mil ouvintes.

E quanto à eventualidade da existência do Espírito? Vanessa AnseloniAcreditamos que há cientistas que estão a chegar lá, apesar de nunca ser este o foco dos estudos, o qual seria ainda imponderável com os métodos que adotam. Há necessidade da mudança de paradigma para que tal venha a acontencer. O Espiritismo transformou a sua vida? Vanessa AnseloniDiria que transforma a cada dia, pois na química inevitável do viver a cada dia, próximo do catalizador que é a mensagem espírita, a transformação do nosso ser é algo que flui, muitas vezes com naturalidade, outras através do empurrão da dor, abençoada amiga.

Palavras finais que deseje dar aos leitores do «Jornal de Espiritismo», que tem tiragem em papel e on-line para todo o mundo? Vanessa AnseloniPrezados leitores do excelente «Jornal de Espiritismo», agradecemos a Deus por este meio de comunicação das ideias e ideais espíritas. Na honra de vivermos no planeta Terra nesta hora histórica da transição planetária, rumo a um mundo de regeneração, vamos escutar o chamado do Mestre, nosso Governador Divino, e seguir como “ovelhas” mansas e pacíficas, a fim de que os grilhões da dor possam diminuir na Terra.

Oremos uns pelos outros, certos de que somos interdependentes neste mundo, juntamente com a nossa irmandade espiritual. E aremos, semeemos, para que o Senhor encontre a obra acabada. Deus nos ampare sempre com o seu amor incondicional. Por José Lucas Vanessa Anseloni: uma neurocientista espírita MARÇO.ABRIL 2013 Vemos uma abertura crescente, pouco a pouco, principalmente no que diz respeito a como o espiritismo, na sua prática, pode ajudar na saúde integral.

Embora, pelo título, o leitor possa achar que estejamos pretendendo generalizar, na verdade, o que estamos a querer dizer é que nem tudo é definitivo, já que os princípios da doutrina espírita são colunas inamovíveis, diante da lógica com a qual eles foram assentados. Não iremos estender-nos muito, pois queremos apenas transcrever trechos de várias falas de Kardec, às quais muitos companheiros não estão a dar o devido valor.

Vejamos. «Mas, dir-se-á, ao lado destes fatos [referindo-se às manifestações espíritas] tendes uma teoria, uma doutrina; quem vos diz que essa teoria não sofrerá variações; que a de hoje será a mesma em alguns anos? - Sem dúvida, pode sofrer modificações em seus detalhes, em consequência de novas observações. Mas estando o princípio doravante adquirido, não pode variar e ainda menos ser anulado; aí está o essencial. Desde Copérnico e Galileu, calculou-se melhor o movimento da Terra e dos astros, mas o fato do movimento permaneceu com o princípio».

(«Revista Espírita» de fevereiro de 1865, artigo Da Perpetuidade do Espiritismo, §§ 9º e 10) (KARDEC, 2000c, p. 40). «O Espiritismo não se afastará da verdade e nada terá a temer das opiniões contraditórias, enquanto sua teoria científica e sua doutrina moral forem uma dedução dos fatos escrupulosamente e conscientemente observados, sem preconceitos nem sistemas preconcebidos. Foi diante de uma observação mais completa que todas as teorias prematuras e arriscadas, eclodidas na origem dos fenómenos espíritas modernos, caíram e vieram fundir-se na imponente unidade que existe e contra a qual não se obstinam mais senão raras individualidades, que diminuem todos os dias.

As lacunas que a teoria atual pode ainda encerrar se encherão do mesmo modo. O Espiritismo está longe de ter dito a última palavra, quanto às suas consequências, mas é inabalável na sua base, porque esta base se assenta sobre os fatos» («Revista Espírita» de fevereiro de 1865, artigo Da Perpetuidade do Espiritismo, § 13). (KARDEC, 2000c, p. 41). «O Livro dos Espíritos» não é um tratado completo do Espiritismo; não faz senão colocar-lhe as bases e os pontos fundamentais, que devem desenvolver - -se sucessivamente pelo estudo e pela observação».

(«Revista Espírita» de julho de 1866, artigo Visão Retrospetiva das existências dos Espíritos, 3º§) (KARDEC, p. 223). «O Espiritismo teve, como todas as coisas, seu período de criação, e até que todas as questões, principais e acessórias, que a ele se ligam, tivessem sido resolvidas, ele não pôde dar senão resultados incompletos; pode-se lhe entrever o objetivo, pressentir-lhe as consequências, mas unicamente de maneira vaga.