Com a voz alterada, falando aos gritos, extravasamos toda a nossa “rai
Jornal de Espiritismo nº 57 · Abril 2013Página 165 min
Com a voz alterada, falando aos gritos, extravasamos toda a nossa “raiva” diante de uma situação que reputamos inaceitável. Passados aqueles tristes momentos de completa perda de controlo emocional, chega o remorso. Aí pensamos com calma no ocorrido e chegamos à conclusão que tudo não passou de momento mesmo, que o melhor é desculpar-se e tocar a vida em frente. Em razão da nossa imperfeição moral este tipo de situação é, infelizmente, muito comum, bem como o seu desfecho.
No entanto, nem sempre os nossos desequilíbrios são tão visíveis assim. O pensamento é algo que não chama a atenção e é o responsável direto pelas ações físicas que praticamos, por desequilíbrios que provocamos e pela sensação de atmosfera pesada e grosseira que sentimos muitas vezes. Quem dá atenção para um pensamento desabonador que temos sobre outra pessoa? Quem está ligado no fato de que pensamos sem parar, 24 horas por dia?
Existem certas situações na vida que chamam muito a atenção pelo grau do seu alcance e outras nem tanto: quantas vezes, num repente, vem o desequilíbrio e passamos a discutir um acontecimento, por mais banal que ele seja e acabamos por provocar um conflito ou ofensas pessoais graves? foto loucomotiv Pensamos tanto e tão ininterruptamente, que não nos damos conta da sua enorme influência em nossos atos. O pensamento não é algo abstrato, ele existe e qualquer que seja a sua natureza emite energia e como causa que é vai ter um efeito.
O pensamento é força criativa ou destrutiva, dependendo da direção que lhe dermos. Ele pode equilibrar-nos ou causar perigosos desequilíbrios. Os espíritos chegam até nós pelos nossos pensamentos. Se pensarmos no bem, teremos boas companhias. Em razão da nossa imperfeição moral, sentimo-nos mais atraídos pelos pensamentos chulos, carregados de egoísmo e orgulho. Para vencer esse pensar cheio de inveja e maledicência é preciso esforço e isso consegue-se melhorando as leituras, as conversas entre amigos e familiares.
É importante pensar com otimismo em relação ao futuro pessoal e coletivo. Diante de insucessos confie na providência Divina, pois esta dar-nos-á novas oportunidades de remissão. É mais fácil criticar os erros alheios do que procurar compreender as suas razões. É difícil encarar ou aceitar quando alguém aponta as nossas falhas e aí atiramos pensamentos negativos sobre aquele que quer abrir os nossos olhos. Se ainda não temos a capacidade de manter o pensamento equilibrado e vibrando no bem, pelo menos precisamos compreender que é assim que deve ser.
O pensamento pode trazer-nos alegrias ou tristezas. É natural querer ser feliz, então é forçoso educar os nossos pensamentos. Se Jesus, nosso divino amigo não fosse quem é, poderia ter ficado melindrado connosco quando o entregamos para julgamento, o negamos antes que o galo cantasse, quando tripudiamos sobre as suas feridas. Mas o seu pensamento foi de perdão, paz e compreensão. Sereno estava e sereno permaneceu orando a Deus e pedindo por nós.
Se ainda não temos a capacidade de manter o pensamento equilibrado e vibrando no bem, pelo menos precisamos compreender que é assim que deve ser. Que todos nós possamos pensar com harmonia para modificar nosso tónus vibratório. Conseguiremos isso colocando como objetivo de vida o ensinamento de Jesus: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Por Jorge Jossi Wagner Ribeirão Preto SP, Brasil Educar o pensamento MARÇO.
ABRIL 2013 OPINIÃO Era algo que me deixava admirado, pois Cuba não deixava de ser um país ostracizado pelo mundo dito livre que tinha banido, por decreto e a exemplo dos seus protetores, tudo o que considerasse «ópio do povo». No entanto, logo me apercebi que tinha ponderado o tempo pela nossa curta e presente existência, e que muito antes da tomada do poder pelos revolucionários em janeiro de 1959, Cuba teve um pujante movimento espírita que nunca poderia ser totalmente extinto, uma vez que a fenomenologia a ele associada faz parte da Natureza.
Portanto, não foi o acaso ou o capricho dos homens que levou a que hoje a «Pérola das Caraíbas» abrigasse o 7.º Congresso Espírita Mundial, em Havana, nos dias 22 a 24 de março próximo. As referências ao professor Fernando Ortiz e ao seu livro não eram feitas por quaisquer pessoas; eram feitas por intelectuais espíritas de nome, como Herculano Pires, Deolindo Amorim e Carlos Imbassahy, o tradutor da presente obra para a língua portuguesa.
Nunca, durante as décadas referidas, tivera a oportunidade de conhecer tal livro, mas recentemente veio-me ter às mãos um exemplar da sua 2.ª edição pela LAKE, Livraria Allan Kardec Editora, de 1998 (São Paulo), com o subtítulo «Estudo de filosofia jurídica». Fiquei também a saber que o antropólogo, jurista, etnólogo, sociólogo e político cubano o escreveu em 1951, e que logo foi traduzido pelo Dr. Imbassahy [pai], tendo sido posteriormente publicado, ainda durante o mesmo ano, no Brasil.
Assim, compreendi plenamente por que motivo Cuba, hoje a caminho da abertura ao mundo, vai ser o palco do próximo Congresso Espírita Mundial, pois homens como Ortiz, que não era espírita, disseminaram, a mãos cheias, o legado de Allan Kardec junto da classe mais culta da sociedade. O intelectual cubano não era uma pessoa comum. Para além do saber enciclopédico, viajara pela Europa onde contactou com a obra notável do codificador do Espiritismo, que ele próprio designava por «Léon Hippolite Denizard Rivail», e também com as obras dos seus discípulos fiéis, nomeadamente César Lombroso (1835-1909).
Ortiz analisa e compara as questões da criminalidade, penalidade, livre-arbítrio, causalidade e justiça modernas com as teses espíritas. Trata-se de um trabalho de notável investigação que, embora elaborado por personalidade não espírita mas livre de preconceitos, analisou e esmiuçou «O Livro dos Espíritos» como poucos espíritas o saberiam fazer. Começa, assim, a sua apresentação aos leitores: «Há quatro lustros [1926], nas aulas de minha muito querida Universidade de Havana, cursava eu os estudos de Direito Penal, no programa do Professor González Lanuza, naquela época o mais científico nos domínios espanhóis; iniciava-me, então, nas ideias do positivismo criminológico, e intercalava, nessas leituras escolares, obras muito alheias à Universidade, obras essas que o acaso punha ao meu alcance ou que minha curiosidade investigadora buscava com fervor.
Entre estas últimas estavam as leituras religiosas, que ainda agora me produzem especial deleite e me despertam no ânimo singular interesse. Foi, então, que conheci os livros fundamentais do Espiritismo, escritos por Léon Hippolite Denizard Rivail, ou seja Allan Kardec, como lhe aprazia chamar-se, revivendo o nome com que, segundo dizia, foi conhecido no mundo, em encarnação anterior dos tempos druídicos.» A obra, em pauta, traduzida por Carlos Imbassahy (1883-1969), está enriquecida por um prefácio intitulado «Fernando Ortiz e a criminologia moderna», da autoria do saudoso Deolindo Amorim, membro da Sociedade Brasileira de Filosofia.
Fernando Ortiz Fernández, de seu nome completo, nasceu em Havana, a 16 de julho de 1881, e desencarnou na mesma cidade a 10 de abril de 1969. De espírito aberto, foi considerado um dos maiores intelectuais da América Latina, chegando mesmo a ser indicado para o Prémio Nobel da Paz de 1955, embora nesse ano este prémio não tenha sido atribuído a ninguém.
