Correio
Jornal de Espiritismo nº 58 · Maio 2013Página 35 min
or MAIO.JUNHO 2013 Por uma “vida interessante” e que se passa com as “celebrações religiosas”? As mensagens chegam todos os dias, de gente que desconhecemos, normalmente a enfrentar problemas difíceis. Não seria para menos no momento que o país atravessa, mas ninguém fica sem uma resposta fraterna plena de votos de que tudo se harmonize. Fica a certeza de que o apoio espiritual nunca entra em falência. Se cada um fizer a sua parte Deus fará o resto.
Em 19 de março Ricardo escreveu: «Chamo-me Ricardo e tenho 35 anos. A minha vida sempre foi um pouco desinteressante, além de já ter tentado o suicídio quando era mais jovem esse pensamento continua comigo, além de que já estou desempregado há mais de 5 anos, e não consigo arranjar emprego nem tenho algum tipo de subsídio que me ajude materialmente. Vivo com os meus pais, o que ajuda, senão estaria a morar na rua. Sou solteiro, nunca tive sorte na minha vida e preciso de orientação e ajuda, se vos for possível.
Também não me dá jeito ir aos locais espíritas já que não recebo nenhuma ajuda financeira e são um pouco distantes para ir a pé. Estou desorientado por vezes falo coisas sem sentido e nexo e só me apetece desistir de tudo não tenho forças para nada. Espero que me possam ajudar. Obrigado». A resposta seguiu: «Olá Ricardo, a situação da Europa e do mundo não está famosa. Há desemprego, há muitas dificuldades económicas e muitas pessoas estão desesperadas.
Infelizmente, de tempos a tempos há períodos assim. Aqui na Europa a última vez foi nos anos 40, quando a Alemanha nazi declarou guerra ao mundo e cometeu atrocidades como o holocausto. Não é nada fácil, passar por desafios assim. Mas desistir da vida é bem pior. Quem deixa esta vida antes do tempo marcado por Deus não resolve os seus problemas, apenas os agrava. Se mais não puder fazer neste período difícil, aconselhamos-lhe a leitura das obras espíritas: http://www.
adeportugal.org/adep/index. php/downloads/livros-pdf/codificacao - -espirita E o curso básico de Espiritismo: www.ade portugal.org/cbe Quanto a frequentar uma associação espírita, talvez se lhes enviar um e-mail eles encontrem quem lhe dê boleia. Veja na página da ADEP: www.adeportugal.org. Sabemos que é difícil, mas lembre-se de que Deus não dá a ninguém uma carga superior às suas forças. Há quem esteja ainda pior, por estranho que lhe possa parecer.
Tenha muita paciência, força e coragem. Ficamos a orar por si e a «torcer» para que leve esta prova difícil de vencida». Em 28 de março, Luísa escreveu: «Podia esclarecer-me? Tenho algumas dúvidas. Ando no espiritismo já há dois anos, um pouco confusa. Se o espiritismo não é uma religião, então o que é? Pergunto a algumas pessoas que eram católicas praticantes como eu e agora se lhe pergunto se vão à missa elas respondem que são espiritas e que não vão á igreja católica desde que são espiritas.
Então o espiritismo e ou não e uma religião? Como veem os espíritas a páscoa e o natal? Como o comemoramé feita uma oração em casa referente a esse dia, devemos nós fazer uma oração especial baseada só no «Evangelho Segundo o Espiritismo» ou podemos ler tambémabíblia? Como consegue compreender sou nova no espiritismo e hoje o facto de ir à missa já não me diz nada, pois a minha maneira de pensar hoje em dia é outra, totalmente diferente de há dois anos».
Resposta: «Olá Luísa, as religiões têm rituais, sacerdotes, altares, sacramentos, dogmas inquestionáveis, datas festivas, vestes especiais, acreditam em mistérios e milagres, acreditam no sobrenatural e defendem que a fé não se deve basear na racionalidade e na ciência. As religiões têm também tradições, tais como as procissões, as rezas especiais para ocasiões especiais, o não comer determinados alimentos, regras de vestuário, etc.
O Espiritismo só é religião no sentido filosófico. Ou seja: enquanto as religiões tradicionais fazem um culto exterior, o Espiritismo faz um culto interior. O Espiritismo é filosofia espiritualista, é cultura. Por exemplo: na Páscoa os judeus comemoram a sua libertação do cativeiro no Egipto, e têm uma ceia especial, onde partilham pão e vinho, cânticos e orações (foi a comemoração que Jesus fez na sua última ceia). Os católicos na Páscoa comemoram a morte e ressurreição de Jesus, com missa pascal, jejum na sexta - -feira santa, as procissões e a via sacra.
No Espiritismo não há comemoração ritual de Páscoa, nem de Natal, nem de nenhuma outra ocasião. Para o Espiritismo, o Natal é o tempo em que se lembra o nascimento de Jesus, e cada espírita celebra-o como entender. Ou não o celebra. A Páscoa, para o Espiritismo, é o tempo e que se recorda que Jesus não morreu, apenas o seu corpo morreu; e que Jesus apareceu em Espírito aos seus amigos ainda durante algumas semanas e está vivo, como toda a gente cujo corpo morre.
Cada espírita lembra a ocasião à sua maneira, sem orações ou rituais exteriores. A maior parte dos espíritas tem origem católica e família católica, pelo que é natural que façam o presépio eaárvore de Natal, e que se reúnam à família para o almoço de Páscoa. Se se recusassem a participar nesse convívio familiar seria fanatismo. Um espírita respeita todas as religiões e formas de pensar, e não deve recusar-se a conviver ou a visitar locais de culto católicos, judaicos, budistas, muçulmanos, hinduístas, etc.
O que não faz sentido é uma pessoa que seja espírita frequentar cultos religiosos de forma regular e como crente, porque tal contraria a lógica. Por exemplo: faz sentido uma pessoa ir ao centro espírita ouvir dizer que a alma é imortal, que não haverá dia do juízo final, que não existe diabo, que existe reencarnação, que existe vida em outros mundos/ planetas, que Adão e Eva são figuras simbólicas, etc., e a seguir ir à missa para ouvir dizer que após a morte se fica a dormir à espera do dia da ressurreição, que quem não se portar bem vai para o inferno ser atormentado por toda a Eternidade, que só se vive uma vida, que só há vida na Terra, que Adão e Eva existiram mesmo, que quando nascemos vimos «manchados» pelo pecado original de Adão e Eva, etc.?
Fará sentido acreditar em coisas que se contradizem entre si mesmas? Da parte do Espiritismo não há regras impostas, não se obriga ninguém a nada nem se proíbe ninguém de nada, mas pela lógica, não faz sentido acreditar numa coisa e na coisa oposta ao mesmo tempo. Entendemos que há muitas pessoas que no Espiritismo sentem a falta da parte exterior, do ritual, do que se vê. No Espiritismo tratamos de ideias. Por isso não há casamento espírita, baptismo espírita, confissão espírita, extrema-unção espírita, velório espírita, etc.
Para nós tudo se processa no campo das ideias, do pensamento, dos valores morais. Talvez por isso haja pessoas que acabam por se desencantar com esta doutrina. Mas é a própria natureza do Espiritismo ser assim, livre de «ornamentos», livre de formas e formalidades. Abraço amigo e disponha sempre!».
