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Editorial

Jornal de Espiritismo nº 58 · Maio 2013Página 23 min

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Família: cooperação e amor MAIO.JUNHO 2013 única barra. Em seguida, enterrou-a em mata cerrada. À noite, solitário e esquivo, contemplava, em êxtase, seu tesouro. Algo de tio Patinhas, o milionário sovina das histórias em quadrinhos, que se deleita mergulhando num tanque cheio de moedas. Um dia foi seguido por amigo do alheio. Quando se afastou, após a adoração rotineira, o gatuno desenterrou o ouro e escafedeu-se.

O avarento quase enlouqueceu tamanho o seu desespero. Um vizinho, ao saber do fato, ponderou: – Não sei por que está tão transtornado! Afinal, se no lugar do ouro estivesse uma pedra seria a mesma coisa. Aquela riqueza não tinha nenhuma serventia para si… Difícil encontrar na atualidade pessoas dispostas a enterrar seus haveres. Raras os têm sobrando. Além disso, seria correr risco inútil. As instituições financeiras guardam com segurança o nosso dinheiro.

Até produzem rendimentos, sem surpresas desagradáveis, salvo quando têm o mau gosto de quebrar, por incompetência ou corrupção. Não obstante, muita gente costuma enterrar um bem muito mais precioso, uma riqueza inestimável – a existência. Se nos dermos ao trabalho de analisar a jornada terrestre, com as suas abençoadas agradecem aos pais, juntam-se os tios, os avós e os laços familiares evocam os afetos, para que o principal não se olvide.

A atração surge por mecanismos automáticos e só se aguenta com a cooperação. Com esta aprende-se a respeitar o espaço dos outros, a ceder algo de nós próprios, ensaia- -se o altruísmo. Mas só o amor liberta verdadeiramente o ser. São as blandícias da alma. Não existe para ser enunciado, num golpe de asa percebe- -se que vale apenas quando sentido. E por muito enviesada ou cristalina possa ser a qualquer visão do mundo, em toda a parte, no plano material ou no plano extrafísico, se o mantemos em vista no imo de nós próprios, conquistamos os horizontes mais amplos dos afetos imorredouros e da sabedoria cristalina, nossas metas sucessivas em qualquer tempo e lugar.

Fazemos votos de que a sua leitura desta edição possa ir por aí! Texto: Jorge Gomes Património inútil Estava enunciada a ideia da família espiritual, muito mais abrangente do que a de consanguinidade. foto loucomotiv possibilidades de edificação, perceberemos como é valiosa. Traz-nos inúmeros benefícios: * O esquecimento do passado ajuda-nos a superar paixões e fixações que precipitaram os nossos fracassos. * A convivência com desafetos transmutados em familiares favorece retificações e reconciliações indispensáveis.

* O contato com companheiros do pretérito, nas experiências do lar e na atividade social, estreita os laços de afetividade. * A armadura de carne inibe as perceções espirituais, minimizando a influência de adversários desencarnados. * As necessidades do corpo induzem à bênção do trabalho. * O esforço pela subsistência desenvolve a inteligência. * As limitações físicas refreiam os impulsos inferiores. * As enfermidades depuram a alma.

* As lutas fortalecem a vontade. * A morte impõe oportuno balanço existencial, sinalizando onde estamos, na jornada evolutiva. No entanto, à semelhança do unha-de-fome de Esopo, muita gente troca o tesouro das oportunidades de edificação por uma barra luzente de efémeras realizações, cuidando apenas de seus interesses, de seus negócios, de suas ambições… Quando tudo corre bem, há os que se deslumbram com essa “riqueza”, como aquele lavrador da passagem evangélica.

Construiu grandes celeiros, guardou neles toda a sua produção e proclamou para si mesmo (Lucas, 12:18-20): – Tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te… Mas Deus lhe disse: – Insensato, esta noite pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim acontece com aquele que se apega às ilusões humanas, buscando realizações de brilho efémero. Um dia vem o indefectível ladrão – a morte –, e lhe rouba o corpo.

Indigente na vida espiritual, desespera - -se. Chora, inconformado. Recusa-se a aceitar a nova situação. Esopo lhe diria: – Porquê o lamento? Houvesse você estagiado nas entranhas de uma pedra e o resultado seria quase o mesmo. A experiência humana pouco lhe serviu! No livro “Luzes no Caminho” de Richard Simonetti. FICHA TÉCNICA Jornal de Espiritismo Periódico Bimestral Director: Ulisses Lopes Editor: ADEP Redator: Jorge Gomes Maquetagem: Pedro Oliveira Fotografia: Loucomotiv e Arquivo Tiragem: 2000 Exemplares Registado no Instituto da Comunicação Social com o n.

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