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Opinião

Jornal de Espiritismo nº 58 · Maio 2013Página 125 min

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Dinâmica energética no resgate coletivo Nas semanas que se sucederam ao infeliz episódio de incêndio em uma boate, no Brasil, no Rio Grande do Sul, ocasionando o desencarne coletivo de 241 pessoas, nós temos lido, em conceituados jornais e revistas espíritas conceitos e explicações extremamente tímidas no que concerne às causas do lamentável evento. Desde as primeiras obras psicografadas por Chico Xavier no século passado já eram mencionados os fenómenos de fluxo das energias, as sintonias entre campos vibratórios do psicossoma e o magnetismo impresso nas moléculas do corpo espiritual.

Campos energéticos que atraem outros semelhantes pelo automatismo da Lei de Ação e Reação. Estamos em pleno século XXI e, constrangidos, observamos o deficiente conhecimento desta fenomenologia por significativo segmento dos adeptos do Espiritismo. Associando-se ao precário estudo, há uma excessiva preocupaçãoanão atribuir-se o fenómeno da “culpa” às vítimas correlacionando o fato às vidas pretéritas. Prefere-se uma postura semelhante às religiões tradicionais, entendendo que o fenómeno decorreu do livre-arbítrio de todos e de uma mera fatalidade.

A doutrina espírita não é assim. É verdade que a Espiritualidade Superior não arquiteta uma meticulosa ação que reúne, num mesmo lugar, criminosos de ontem para se tornarem vítimas de iguais sofrimentos causados a terceiros. Sucede sim, é a Espiritualidade Superior amparar amorosamente aqueles que trazem na sua estrutura, nos seus tecidos perispirituais o magnetismo que os ligará automaticamente a um determinado fato.

Os campos vibracionais do perispírito são geradores de ondas que exteriorizam arquivos pretéritos e essas energias buscam, pelo automatismo da natureza, situações pontuais. Sucede sim, é a Espiritualidade Superior amparar amorosamente aqueles que trazem na sua estrutura, nos seus tecidos perispirituais o magnetismo que os ligará automaticamente a um determinado fato. Também, é verdade que atribuir a mera causalidade fatos de tamanha gravidade como desencarnes coletivos seria demonstrar o desconhecimento da Lei Universal e do mecanismo perfeito e automático da dinâmica energética que todos seres geram com atos, pensamentos e sentimentos.

Em função da foto arquivo falta de profundo mergulho em obras como “Mecanismos da mediunidade” e “Evolução em dois mundos “ lemos posturas, aparentemente modernas, de críticas às explicações do resgate coletivo, tais como no circo em Niterói R.J., quando o emérito Chico Xavier recebeu, psicograficamente, informações de que também num circo romano aquelas pessoas participaram em atrocidades. Existem no perispírito, de cada um de nós, trilhões de núcleos energéticos que armazenam os detalhes do “modus vivendi” das mais longínquas encarnações.

Cada núcleo destes emite uma frequência de onda com características específicas. O conjunto dessas energias gera uma vibrante psicosfera que determinará fragilidades, tendências, vocações e valores, os quais pela Lei de Ação e Reação proporcionam altíssimas probabilidades de sermos atraídos á determinados eventos. A conceção de um Deus antropomórfico, pleno de emoções, embora esteja distante da real proposta da filosofia espírita é, infelizmente, ainda uma realidade em nosso meio.

Ainda existem entre nós os que imaginam Deus como interveniente em questões específicas e até mínimas de uma pessoa. Deus é Inteligência e Amor Universal, imutável e as suas Leis são as Leis Naturais de um automatismo perfeito. Nós próprios somos co-criadores e construtores do nosso destino. O papel dos espíritos superiores que supervisionam as reencarnações não é nem organizar incêndios em circos nem enviar para tais locais pessoas para pagarem o mal que fizeram, como uma pena de talião, “olho por olho dente por dente”.

Não há necessidade de se regatar o mal com sofrimento nem este é o mecanismo do Amor Universal, sem dúvida é trabalhando e amando que se resgata, preferencialmente. Só abrirá a porta da dor quem não buscou a porta do labor e do amor. Apesar disto, enquanto existirem catástrofes no nosso orbe, a dinâmica das energias determinará uma tendência a magneticamente atrair a esses locais os seres que trazem nos seus campos perispirituais as moléculas cujas vibrações têm a frequência, comprimento de onda, brilho, luminosidade, cor e odor específicos compatíveis com o evento.

Cabe aos Espíritos de luz, intuir-nos a modificarmos ou atenuarmos as nossas energias levando a que nos isentemos das situações que não são inexoráveis, mas evitáveis por posturas psíquicas de elevado nível vibratório. Amemos muito e estudemos mais. Por Dr. Ricardo Di Bernardi MAIO.JUNHO 2013 o tomassem ou que uma desventura qualquer o levasse para longe de si. Uma ave presa numa gaiola será mesmo um pássaro? É verdade que mantém a aparência de uma ave, está mais protegida dos predadores, não sofre as agruras do inverno nem as vicissitudes da escassez, mas sem a liberdade para exprimir a sua essência mais verdadeira, será mesmo pássaro?

Esquecida de como procurar alimento ou proteger o seu ninho, impedida de sentir as carícias do vento norte ao planar por cima das árvores e das flores, de depenicar os bagos maduros, cantar pendurada nos ramos de loureiro, cumprir os seus ritos de acasalamento e beber dos charcos marcados na pedra, que animal será aquele? Assim somos nós quando deixamos que o medo nos prenda na sua gaiola dourada. Ao ficarmos aquém daquilo que somos, abre-se um campo fértil à desilusão, promovendo a insegurança, o sentimento de inferioridade e a falta de confiança nas capacidades próprias, tornando essas características predominantes na relação estabelecida com os outros e com a própria vida.

Assim, começa a fazer-se sentir um desfasamento entre o que se vive e o que poderia ser vivido, entre o que fazemos e a nossa potência de vida. A tristeza e a angústia vão-se instalando vindas não se sabe de onde e a depressão ameaça tornar-se uma dolorosa realidade. Isto por termos sufocado a essência divina que em nós aspira à transcendência e à superação. Essa superação só pode ser conseguida no confronto com os nossos limites, pelo esforço de superação dos desafios que produzirá em nós, experiência e conhecimentocrescimento.

Enfrentar os medos, as desilusões, as injustiças e as dores, por maiores que sejam, é um salto de fé. Fé em nós próprios e no amor supremo que sustém o Universo. Desenterra os teus talentos e investe- -os sem medo. Deus aguarda ansioso a realização dos teus sonhos. O mundo torna-se um lugar melhor sempre que alguém, vencendo os seus medos, segue a sua consciência rumo à felicidade.