Opinião (pág. 13)
Jornal de Espiritismo nº 58 · Maio 2013Página 134 min
Ter medo é algo tão normal que mesmo aqueles que costumamos admirar pela sua coragem e valentia sentem com frequência! No entanto, quando o medo deixa de ser um sentimento que se experimenta e se transforma numa emoção que domina o indivíduo, ele deixa de ser saudável para se transformar num fator depressivo que paralisa e perturba. Ao deixar que ele condicione a liberdade para agir e escolher, o medo torna-se num pavoroso buraco negro que impede a luz de se exteriorizar, enclausurando a imensa potência de vida que reside em cada um.
Ao percebermos que uma determinada situação irá nos magoar, como não sentir medo da dor? Ao sentirmos que um desatino da vida pode aniquilar os nossos sonhos, tirar-nos quem mais amamos, deixar-nos sem sustento ou arruinar tudo aquilo que construímos, como não sentir medo do sofrimento? Ao reconhecermos a nossa fragilidade como não ter medo da morte? Ao expormos as nossas debilidades e limitações diante dos outros, como não sentir medo do ridículo, da vulgaridade e da rejeição?
Ao escolher, ao tomar decisões, quando trocamos o certo pelo incerto, como não sentir medo de estarmos enganados? É normal o medo. Mas será saudável fugir da nossa verdade íntima e abdicar de perseguir os nossos sonhos, por medo? Não tentar por medo de não ser capaz, evitar o amor e os afectos com medo da desilusão ou de ser magoado, não expor aquilo que sentimos por medo do que os outros vão pensar, não fazer o que a consciência nos grita aos ouvidos por medo de não sermos aceites ou não mudar o que está mal com medo do fracasso?
Quando o medo paralisa a ação consciente, rejeitamos os convites que a vida nos faz, colocamos condicionalismos à nossa liberdade e limitamos a nossa potência de vida, abdicando do que nos poderia fazer felizes para permanecer iludidos numa segurança parecida à que um pássaro sente numa bela gaiola dourada suspensa num alpendre limpo e envernizado. Na mitologia grega, Phobos, filho de Aresdeus da guerrae de Afroditedeusa do amoré personificação do medo paralisante.
Phobos acompanhava o seu pai nos campos de batalha, mas em vez de inspirar à confrontação, incitava os combatentes a fugirem da luta. Esta é a característica mais inibidora do medo: incutindo uma incontrolável sensação de vulnerabilidade, ele incita à desistência, a voltar atrás, a não enfrentar os riscos que os desafios diários colocam. Desafios difíceis muitas vezes mas que acompanhados pelo medo tomam uma dimensão desmesurada, congelando qualquer vontade de superação.
A doutrina espírita, assente num paradigma espiritual que encara a vida como um “continuum” de oportunidades e experiências que promovem a educação e sublimação do Espírito em vidas sucessivas, não tem a pretensão de erradicar o medo mas ajudar a vivenciá-lo de forma mais saudável, oferecendo mais e melhores motivações para confrontar e vencer os medos: A fé aliada ao conhecimento e à razão. O conhecimento da realidade espiritual, a certeza de que a morte não existe, de que Deus é um pai amoroso que em todas as situações inspira ao crescimento e à transcendência sobre todos os obstáculos que limitam a expressão do que somos, são tónicos que nos protegem do medo.
O principal objetivo da nossa trajetória como Espíritos é a aprendizagem, a evolução, já que dessa evolução depende uma maior aproximação àquilo que chamamos de felicidade. E não existe ambiente mais apropriado à aprendizagem do que esta vida. É normal o medo. Mas será saudável fugir da nossa verdade íntima e abdicar de perseguir os nossos sonhos, por medo? Sendo uma vida cheia de vicissitudes, incertezas e lições duras, estas oferecem- -nos a todos os instantes experiências iluminativas que nos dão a oportunidade de aprender, mudar e crescer ao longo de toda a jornada.
A vida é um processo interminável que nos estimula a investir, desabrochar, desenvolver e prosperar. E é exatamente para isso que aqui estamos. Só que o medo limita a potência de vida que Deus colocou à nossa disposição, faz-nos agir como aquele servo preguiçoso que foi esconder o seu talento na terra com medo que os ladrões foto loucomotiv O medo e o talento escondido Todos carregamos medos. Uns mais silenciosos outros mais perturbadores, dentro de nós convivem os mais diversos receios sobre ameaças reais ou imaginárias que a concretizarem-se nos provocariam sofrimento.
MAIO.JUNHO 2013 são sancionadas, então começam as faltas maiores e logo delitos cada vez mais graves. Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas. Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados pela maioria das pessoas (que deixa de sair das suas casas por temor a criminalidade), estes mesmos espaços abandonados pelas pessoas são progressivamente ocupados pelos delinquentes.
A Teoria das Janelas Partidas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metro de Nova Iorque, o qual se tinha convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: grafitis a deteriorarem o lugar, lixo espalhado nas estações, alcoolismo entre o público, evasões ao pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metro um lugar seguro.
Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, presidente do município de Nova Iorque, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metro, impulsionou uma política de Tolerância Zero.
