58 — índice de conteúdos

Opinião (pág. 14)

Jornal de Espiritismo nº 58 · Maio 2013Página 144 min

Partilhar
Idioma

Deixou duas viaturas abandonadas na via pública, duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até na cor. Uma ficou estacionada em Bronx, na altura uma zona pobre e conflituosa de Nova Iorque, e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia. Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipa de especialistas em psicologia social a querer estudar a conduta das pessoas em cada local.

Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Ficou sem as rodas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta. É comum atribuir à pobreza as causas de delito. Atribuição em que coincidem as posições ideológicas mais conservadoras (da direita e da esquerda).

Contudo, a experiência em questão não terminou aí. Quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os investigadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto. O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre. Porque é que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro é capaz de disparar todo um processo delituoso?

Não se trata de pobreza. Evidentemente é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais. Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação que vai quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras, como o “vale tudo”. Cada novo ataque que a viatura sofre reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de atos, cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.

Em experiências posteriores (James Q. Wilson e George Kelling) desenvolveram a Teoria das Janelas Partidas, a mesma que de um ponto de vista criminalístico conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, o lixo, a desordem e a violência são maiores. Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali serão gerados delitos a curto prazo.

Se se cometem “pequenas faltas” (estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar-se um semáforo vermelho) e as mesmas não foto loucomotiv A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à lei e às normas de convivência urbana. O resultado prático foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova Iorque. A expressão Tolerância Zero soa a uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança.

Não se trata de linchar o delinquente, nem da prepotência do polícia; de facto, a respeito dos abusos de autoridade deve também aplicar-se a tolerância zero. Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana. Essa é uma teoria interessante e pode ser comprovada na nossa vida diária, seja no nosso bairro, na vila ou condomínio em que vivemos, não só nas cidades grandes.

A tolerância zero colocou Nova Iorque na lista das cidades seguras. Esta teoria pode também explicar o que acontece noutros países com corrupção, impunidade, imoralidade, criminalidade, vandalismo, etc. Pense nisso! Por autor desconhecido – em circulação na internet. Em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de psicologia social. MAIO.JUNHO 2013 por um mecanismo de fixação inconsciente, não largava aquele local onde outrora lhe prestaram grandes homenagens.

Não era um castigo divino, mas sim uma decorrência da lei de causa e efeito, onde cada um colhe de acordo com os seus atos, pensamentos e sentimentos. Sendo o Espiritismo uma ciência de observação e uma filosofia de consequências morais, cujos princípios têm vindo a ser confirmados por muitos cientistas que se dedicam à pesquisa do Espírito, como seria bem diferente o nosso planeta se todos aqueles que roubam, que enganam, que se aproveitam do poder que têm, que exploram os empregados, se conhecessem a reencarnação (hoje uma evidência científica), a imortalidade do espírito e a comunicabilidade dos espíritos...

Tentar escamotear a situação com um simples “eu não acredito nisso”, não vai alterar a responsabilidade que cada um de nós tem sobre os seus pensamentos, sentimentos e atitudes. Esse conhecimento dar-lhes-ia um novo rumo existencial, na certeza de que todos os nossos atos se repercutirão inevitavelmente sobre nós, para o bem ou para o mal, conforme a qualidade dos mesmos, nesta vida, no mundo espiritual e em vidas futuras.

Estudando e pesquisando o Espiritismo, qualquer pessoa pode aferir das mesmas descobertas, demonstrando assim a universalidade dos ensinamentos que os Espíritos deram. Tentar escamotear a situação com um simples “eu não acredito nisso”, não vai alterar a responsabilidade que cada um de nós tem sobre os seus pensamentos, sentimentos e atitudes. Gostaríamos de poder responder a quem nos questionou, que os políticos e todos os homens de poder no nosso planeta Terra, se sentiriam felizes no mundo espiritual, ao sentirem o seu dever cumprido, em prol do povo que lideraram, com justiça, com lealdade.

Mas, infelizmente, essa ainda não é a nossa realidade e também não será, com profunda pena nossa, a realidade futura dos atores políticos que nos governam na Terra, em futuras reencarnações, onde terão de reparar os seus erros e abusos com dolorosas expiações. Por José Lucas Bibliografia: Kardec, Allan - “O Livro dos Espíritos” E para onde vão os políticos?