Crónica
Jornal de Espiritismo nº 58 · Maio 2013Página 152 min
Falava-se da Lei de Causa e Efeito, onde cada um de nós, na condição natural de espíritos eternos, colhemos nesta vida e após a morte do corpo de carne, de acordo com aquilo que semearmos no passado e no nosso hoje. Já há 2 mil anos Jesus de Nazaré ensinara à humanidade tal lei, ao referir que “A semeadura é livre mas a colheita é obrigatória”, ensinando- -nos que cada um de nós colherá, quer no mundo espiritual quer em vidas futuras, de acordo com aquilo que tiver semeado no seu passado.
Na perspetiva da continuidade da vida para além da morte do corpo físico, aliás conforme as evidências científicas de hoje apontam, é justo e lógico que assim seja, pois sendo espíritos eternos, nós somos hoje o que fomos ontem e assim sucessivamente, já que a Natureza não dá saltos evolutivos. A evolução faz-se gradativamente, paulatinamente, daí a necessidade de trabalharmos o nosso mundo íntimo, de modo a que quando a vida nos chamar para novo plano existencial (o plano espiritual), possamos fazer essa transição o mais serenamente possível, no que concerne ao nosso estado de alma, ao nosso íntimo.
A meio da conversa, a pergunta estalou: “E os políticos para onde vão no mundo espiritual, aqueles que roubam o povo, que enganam, que recebem reformas chorudas?” Rimo-nos pela espontaneidade da pergunta sem maldade, bem como da sua atualidade. Lembrámo-nos de um facto passado com o prof. dr. Raul Teixeira, físico, professor universitário, espírita, conferencista de alto nível e médium de bons recursos. Certo dia ia efetuar uma conferência numa cidade do Brasil, e ao dirigir-se para almoçar num restaurante, com os seus anfitriões, enquanto esperavam que o semáforo abrisse para atravessarem larga avenida, ele via uma mulher andrajosa ali ao lado, no caixote do lixo a procurar comida e a separar o lixo mais limpo do mais sujo.
Tal cena causou-lhe tamanha impressão, que perdeu a vontade de almoçar, pese embora a necessidade de o fazer. Enquanto se tentava recompor mentalmente, já no restaurante, pensando naquele ser que nada tinha, e ele ali num restaurante com os seus amigos, apareceu-lhe, através do fenómeno da vidência espiritual, um espírito amigo que o acompanha na sua tarefa doutrinária, que o acalmou, referindo que mesmo que fosse dar comida limpa àquela senhora ela recusaria.
E o Espírito, em breves pinceladas contou a história daquela mulher, que nesta vida era a reencarnação de um famoso político brasileiro, ainda hoje muito conceituado, e que por ter prejudicado tanto o povo, tinha reencarnado numa condição miserável, devido ao mecanismo do complexo de culpa que fez, após a morte do corpo de carne, no mundo espiritual (onde não conseguimos esconder nada, nem de nós, nem dos outros), voltando numa condição miserável para aprender a valorizar aquilo que ele tanto desprezara na vida anterior: as dificuldades financeiras do próximo.
Curiosamente, o nome desse famoso político estava afixado nesse local, dando nome à avenida, e essa mulher, foto loucomotiv A conversa seguia animada, em saudável debate de ideias, após mais uma aula do Curso Básico de Espiritismo, gratuito, como qualquer atividade numa associação espírita. MAIO.
