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Pelo contrário seu propósito, ainda como Teoria Científica, é o de pro

Jornal de Espiritismo nº 58 · Maio 2013Página 167 min

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Pelo contrário seu propósito, ainda como Teoria Científica, é o de promover a reforma íntima da criatura, através do amor e do esclarecimento, e assume como modelo e guia, Jesus E se dúvidas restassem sobre o propósito dessa escolha, o Cristo já o havia previsto e o Espírito de Verdade o recordou, ser este o advento da Consolação prometida. A aplicação do método científico durante a parte experimental da doutrina, proporcionou-lhe o corpo metodológico que lhe firmou a credibilidade para os que a pretendem estudar sob este prisma.

Contudo, a espiritualidade afirma que o seu objetivo está longe de se esgotar na prática científica. Pelo contrário seu propósito, ainda como Teoria Científica, é o de promover a reforma íntima da criatura, através do amor e do esclarecimento, e assume como modelo e guia, Jesus. É possível que logo aqui surjam dúvidas sobre como cumprir a tarefa. No fundo, como amar e instruir simultaneamente, e de acordo com a verdade?

Mais uma vez, a pergunta não é inovadora no percurso da Humanidade. Mas para lhe encontrar a resposta, basta-nos perscrutar o passado. Lucas em 2:21, relata que oito dias após o nascimento, Jesus é levado ao templo para ser submetido ao ritual judeu da circuncisão. Porém, à versão perpetuada pelos evangelistas não chegou todo o Ao compilar as diferentes obras da codificação, Kardec deixou a cada um que opta por viver no preceito da doutrina dos espíritos, o mais elementar roteiro: reviver o cristianismo.

foto arquivo conteúdo. Parte do diálogo a que aqui é feita alusão ocorre em privado, suficentemente afastado de terceiros para não se ter tornado percetível. É a mediunidade abençoada de Chico Xavier e o testemunho de Humberto de Campos que nos esclarecem a respeito. Logo nos instantes após a descida do Messias ao corpo de carne, o velho ancião Simeão interpelava Jesus recém-nascido sobre o porquê da escolha de trono tão humilde, para quem tinha por missão tanto modificar.

Porque não ter vindo como imperador ou como magistrado, como faraó até, ou mesmo como senhor do sinédrio? Questionava o velho judeu se o Mestre optaria por despontar junto aos donos do poder político, a quem deveria dominar para impor novas leis, ou se entre os sábios a quem revolucionaria os discursos; ou ainda se no meio dos ricos, dispondo de dinheiro para a edificação de magníficos templos, onde todos pudessem orar juntos.

Com o bebé Jesus entre os braços, isolados num canto do recinto, Simeão não vislumbrava naquele momento nem o método nem tão pouco a via pela qual a mudança se iria operar. Mas sobretudo, o ancião de barbas brancas julgava-se em diálogo mudo, não crendo na impossibilidade de obter resposta pois, o Escolhido, não passava de um recém-nascido. Talvez as interpelações fossem mais de natureza reflexiva do que, propriamente, indagando por uma resposta; talvez!

porque se assim não fosse, poderia logo ter percebido que, ainda que limitado pela imaturidade do aparelho fónico, Jesus compreendia já perfeitamente o diálogo que lhe era dirigido. O justo judeu lhe havia perguntadoonde melhor seriam representados os interesses do Criador? E o Cristo, em resposta, levantou a sua mão direita e bateu inúmeras vezes no peito oprimido daquele ancião que o embalava comovidamente. A resposta era clara.

Jesus não se propunha a agir sobre as instituições terrenas; cabia-lhe antes representar o Pai “no coração dos homens”. Estudando a mensagem deixada aqueles que O pretendem seguir, não nos devem restar dúvidas sobre qual o objeto de nossa atenção, enquanto cristãos que buscamos viver de acordo com a verdade imortal. Orientemos o amor que pudermos dispensar e o conhecimento de que já somos portadores, não para as conceções políticas, para as teorias económicas ou para as opções opinativas de diversa ordem; outras instituições existem para o fazer.

Escolhamos antes como destino maior de nossa entrega, o coração dos homens. Por Hugo Guinote Onde servir? Jesus e Simeão OPINIÃO MAIO.JUNHO 2013 Apesar de ter sido nomeado para vários óscares, o filme não venceu em nenhuma das categorias e foi considerado à época um fracasso de bilheteira. Curiosamente, foi apenas quando, em 1974, caiu em domínio púbico e começou a ser transmitido sem custos pelas televisões generalistas que a película conquistou a notoriedade que hoje a acompanha.

É um filme emocionante e inspirador que já faz parte da tradição de Natal de um grande número de famílias americanas que se juntam nessa época para assistirem a “Do céu caiu uma estrela” pela enésima vez. O filme conta a história de George Bailey, um homem inteligente e audacioso que se sente desperdiçado na pequena cidade de Bedford Falls. Desde miúdo que alimentava o sonho de frequentar uma faculdade de arquitetura, conhecer locais exóticos, aventurar-se por culturas desconhecidas, ser famoso, muito rico e conquistar o mundo.

O que estava completamente fora dos seus planos era dar seguimento ao negócio do pai, uma pequena casa de empréstimos que tinha como principal mérito contrariar o monopólio comercial e financeiro de Henry Potter, o homem mais rico e avarento da cidade. George sonhava com voos muito mais altos do que esses, voos que estivessem mais de acordo com as suas capacidades intelectuais, saciassem a sua ambição e sede de conhecer.

Mas as circunstâncias pareciam não favorecer os seus desejos. Após a morte do pai, ele teve de adiar as suas aspirações mais íntimas para gerir temporariamente a pequena casa de empréstimos, impedindo assim que toda a cidade ficasse nas mãos do odioso Potter. Mas, nos tempos seguintes, o destino não deixou de soprar contra os sonhos de George, colocando-lhe sucessivos desafios e escolhas difíceis, em que ele era obrigado a decidir entre seguir a sua vontade mais íntima e aquilo que mais beneficiava a comunidade de Bedford Falls.

Dividido entre recorrer a uma atitude mais egoísta ou comprometer-se com um bem maior, optou sempre por ficar na sua cidade, sacrificando os seus desejos e vivendo uma vida simples e comedida. O que deveria ser temporário foi passando a definitivo e os sonhos transformaram-se numa quimera. Ao longo dos anos, George sentia uma grande nostalgia pelo que deixara para trás, especialmente quando era confrontado com as notícias do sucesso empresarial e pessoal dos seus amigos de infância à volta do mundo.

Agravando tudo isso, já durante a II Guerra Mundial, uma rotura financeira, provocada pelo desaparecimento acidental do dinheiro da casa de empréstimos, fez desabar a vida de George. Ao perceber que seria responsabilizado pelo desfalque, que provavelmente seria preso, a sua empresa abriria falência e que Potter iria finalmente apoderar-se da sua cidade, ele teve uma crise de desespero. Todos os seus sacrifícios pareciam ter sido em vão.

Atormentado por essa ideia, passou a acreditar que o mundo seria bem melhor se ele não tivesse nascido e ficou bem próximo do precipício da auto- -destruição. Mas Deus, ouvindo as preces da sua mulher, filhos e de tantos amigos que ele acumulou ao longo da vida, decidiu enviar um anjo com a missão de salvar aquele homem bom. Para que ele percebesse o quanto estava enganado sobre a inutilidade da sua vida e pudesse valorizar tudo o que tinha e tudo realizou, o anjo mostrou-lhe o que seria da sua comunidade se George Bailey nunca tivesse nascido.

É nessa altura que ele reconhece a dimensão do seu erro de percepção. Este filme foi realizado logo após a II Guerra Mundial, numa altura em que a sociedade americana lutava para curar as violentas cicatrizes deixadas pela Grande Depressão e pelas atrocidades praticadas durante o enorme pesadelo humano que foi a segunda grande guerra. Hollywood, ao seu jeito, procurava levantar o ânimo da América com filmes que mostravam como a vida é extraordinária mesmo quando não se parece com aquilo que idealizamos.

Frank Capra conseguiu ir muito mais longe e ofereceu ao mundo um filme sem data e sem barreiras, uma história emocionante que toca o coração de cada espectador de forma diferente. Porque cada um de nós, à sua maneira, é George Bailey. Cada um de nós luta contra as suas próprias dificuldades e limitações, contra os desejos e sonhos não concretizados, sobretudo contra a ideia de uma vida pouco significativa. E submersos nesses conflitos, por vezes perdemos de vista toda a beleza que está à nossa frente, deixamos de sentir a extraordinária bênção que é o amor daqueles que nos amam.

Nessas alturas, é fácil esquecermos o quanto já percorremos, o quanto já conquistamos, o que de fantástico já empreendemos e o que de maravilhoso a vida nos proporciona. Somos arrastados pela tristeza e pelo pessimismo porque deixamos de conseguir ver a vida como um plano divino e precioso que procura extrair o melhor que temos para dar. “Do Céu Caiu uma Estrela” é um filme que nos recorda como a vida é fantástica mesmo durante os momentos mais difíceis.

É um dos filmes da minha vida. Título Original: “It’s a Wonderfull Life” Realizado por Frank Capra EUA, 1946 - 145 min.