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Correio Julho.agosto

Jornal de Espiritismo nº 59 · Julho 2013Página 35 min

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CORREIO JULHO.AGOSTO 2013 Contato de médium de confiança? Entre os numerosos e-mails recebidos, selecionamos aleatoriamente alguns que podem eventualmente representar também alguns alvitres do interesse dos leitores. Carlos escreve em 16 de maio: «Boa noite, como referência ao bom nome que a vossa casa possui, peço o(s) contato(s) de médiun(s) vidente de confiança na zona de Coimbra com o objetivo de a consultar a fim de receber conselhos para minha vida.

Grato pela vossa atenção». E a resposta inevitável seguiu: «Olá Carlos, gratos pelo seu contato. O propósito do Espiritismo não é oferecer conselhos pessoais, mas sim conselhos gerais, que interessam a todos e estão de acordo com os ensinamentos de Jesus de Nazaré. Sempre de forma gratuita e sem compromissos, pois o Espiritismo é uma atividade a que nos dedicamos nos tempos livres das nossas profissões. Na sua região, tem por exemplo esta associação (…).

Receba o nosso abraço amigo e disponha sempre». O que fazer quando um familiar desencarna? Beatriz escreveu em 26 de abril: «Olá, gostava de saber o que é que se faz quando um familiar desencarna. Contratamos um padre, cremamos essa pessoa, deixamo-la num “congelador” de hospital ou de morgue…». Resposta do missivista de serviço: «Olá, para a doutrina espírita, cada família deve proceder com o seu ente querido conforme achar melhor.

Ou conforme tenha sido a vontade dele em vida. Se se tratar de uma pessoa que pertenceu a uma religião, devem ser administrados os ritos respetivos e a pessoa deve ser enterrada ou cremada, conforme for costume da confissão religiosa em causa. Nós, espíritas, não temos doutrina relativa a procedimentos fúnebres. Não somos uma religião no sentido comum do termo, e por isso não temos prescrições rituais de espécie alguma.

As pessoas que conhecemos e que são espíritas, quando morrem, costumam ter um funeral como qualquer outro, mas sem cerimónias religiosas. Os amigos acompanham o funeral e o corpo é enterrado no cemitério ou cremado, conforme a vontade de cada um ou da família. Não é muito habitual fazermos romagens de saudade às campas de ninguém, mas também não temos nada contra esse procedimento, que demonstra respeito e carinho pelo falecido.

É digno prestar-se homenagem fúnebre e respeitar-se o corpo, mas o que conta para nós é o Espírito. Quando o corpo morre, é como um casulo que fica abandonado. E o Espírito é como a borboleta que sai do casulo e voa nas alturas, ao sol radioso do meio-dia. Para nós a morte é simplesmente o acontecimento feliz do Espírito que deixa o corpo e volta ao seu verdadeiro elemento, o mundo espiritual. Também choramos, como qualquer outra pessoa, quando surge o falecimento de alguém que amamos.

Choramos de saudade porque se dá uma separação, mas sabemos que a separação é temporária e procuramos ter ânimo. Oramos por quem partiu e desejamos que quando chegar a nossa vez possamos partir em paz e reencontrar os que amamos. Abraço amigo!». Com seis anos, embora não visse absolutamente nada, sabia com certeza quase absoluta que “espíritos pretos” andavam no meu quarto, o que fazia com que tivesse verdadeiros ataques de pânico debaixo dos cobertores Ouvia vozes Em 14 de maio escreve Susana: «Cada vez mais me sinto mais envolvida no Espiritismo e como tal cada vez surgem mais interrogações.

Gostaria de pedir ajuda na orientação de leituras que tenho necessidade de fazer de modo a compreender alguns fenómenos que ocorreram comigo e sobre os quais preciso de esclarecimento. Há uma semana vi o filme “O Nosso Lar”, ao mesmo tempo que li o livro, que aliás é bem mais interessante, como é habitual. A questão é que, ao ver o filme, recordei uns episódios da minha infância que nunca compreendi, mas gostava de compreender: com seis anos, embora não visse absolutamente nada, sabia com certeza quase absoluta que “espíritos pretos” andavam no meu quarto, o que fazia com que tivesse verdadeiros ataques de pânico debaixo dos cobertores; mais tarde com 12/13 anos ouvia vozes “que saíam” das paredes da minha sala, o que fazia com que tivesse enxaquecas enormes ou em alternativa tivesse de fugir para a rua de modo a parar de ouvi-las.

Aqui entra o filme. As vozes que eu ouvia, os gritos, os murmúrios eram como os do Umbral. Na semana passada comentei com uma amiga este episódio e ela informou-me que certos espíritos trazem memórias do Umbral. Eu compreendo que tal seja possível, como é obvio, mas preciso de saber mais». Resposta: «Olá Susana. Compreende - -se que nem sempre temos as respostas claras que gostávamos de ter quando questões dessas emergem no fluxo da nossa curiosidade.

Com frequência é assim do nosso ponto de vista porque há experiências que afluem à nossa consciência à semelhança dos icebergues: apenas vemos acima da água um pequeno pormenor, por maior que nos pareça, ficando o bojo imenso dessa massa oculto sob a água. Por vezes, só quando temos condições, mais tarde, de rever o fenómeno com outros nexos de causalidade é que se faz a compreensão plena desses fragmentos de experiências que nos despertam tanta curiosidade.

A hipótese que a amiga colocou é uma ajuda; outra será também alguma sintonia esporádica que haja obtido com ligações de experiências de vida que a passagem atual recomendou ficassem sob o véu do aparente esquecimento. Enquanto o assunto não se esclarece completamente, será útil reter este alvitreos passos em que avançamos na presente existência sugerem que atendamos o conselho de Paulo de Tarso numa das suas cartas: «Observai tudo, retende o bem».

Na verdade, todos haveremos de reconhecer que as experiências que nos afastem do medo, que consubstancia necessidade de adquirir maior confiança em Deus, ou de outros sentimentos infelizes, são invariavelmente preferíveis, pois levantam-nos para sintonias propícias ao bem estar interior, às afinidades com os nossos verdadeiros amigos espirituais e ao trabalho fraterno, parente próximo de todas as virtudes que Jesus exemplificou.

Susana, mais não saberemos de momento dizer, mas à medida que mais alargamos os nossos conhecimentos ganhamos novos recursos, sempre valiosos no universo que queremos criar dentro de nós em matéria de harmonização com a Espiritualidade superior».