Voltar à edição
Capa da edição nº 59 do Jornal de Espiritismo

59Jornal de Espiritismo nº 59

Julho 2013 · 20 secções · ≈ 70 min de leitura

A edição 59 do Jornal de Espiritismo aborda a relação entre mediunidade e glândula pineal, aprofundando-se na possibilidade de uma terapia espírita. Inclui artigos sobre pessimismo, com reflexões sobre o sofrimento humano, e literatura que questiona se os animais possuem alma. Traz também entrevistas e consultórios, respondendo a dúvidas sobre o Espiritismo, procedimentos fúnebres e a importância do cuidado com o "jardim interior" de cada um, mesmo na busca pela perfeição.

Mediunidade
Doutrina Espírita
Pessimismo
Vida após a Morte
Espiritismo
Comportamento

Capa

Página 12 min

59 ANOIX JDE JORNALDEESPIRITISMOJULHO . AGOSTO . 2 0 1 3 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 Psiquiatra que nos seus tempos livres estuda desde jovem a doutrina espírita, Gláucia Lima responde às perguntas entretanto colocadas sobre a relação entre a glândula pineal e a mediunidade, alargando a resposta à eventual existência de uma terapia espírita.

17 LITERATURA Os animais têm alma? 13 CRÓNICA Deus e o pessimismo Sentado à frente da televisão, fui recentemente surpreendido por um “spot” publicitário da TV que exibia, sem pudor, imagens aterradoras de sofrimento e miséria humana no seu mais doloroso grau… 10 EVENTO Jornadas de Cultura Espírita: gosta? Merece um “Like”? É o que estamos habituados a fazer nas redes sociais da internet, que representa o interesse da pessoa numa página, mas nas Jornadas que realizámos gostamos sempre de receber a opinião de todos.

08 ENTREVISTA Perguntas do curso básico de espiritismo “Quando li pela primeira vez “Família, uma ideia genial de Deus”, sorri e pensei o que muitos, ao olharem para as suas relações familiares, devem imaginar: “Deus esqueceu de verificar a minha família.” Será mesmo assim?” Ernesto Bozzano foi um dos notáveis pesquisadores após Kardec. Distinto discípulo de Herbert Spencer (1820-1903), legou-nos mais de uma centena de trabalhos sobre a fenomenologia espírita, cujas conclusões eram sempre fundamentadas em factos.

Ouvir artigoContinuar a ler “Capa” →

Editorial

Página 24 min

Melhor estraga JULHO.AGOSTO 2013 presença de tanta gente, elas bailavam o ar, apresentando um belo espetáculo. De quem era esse jardim? De Rosinha e Pedrinho. Todas as tardes ao chegarem da escola, guardavam o material escolar, colocavam roupas de jardineiro e iam tratar do jardim. Como eram ainda pequenos, seus pais atribuíram-lhes esta tarefa. Mas eles não consideravam só um dever, pois cuidavam com alegria.

Numa tarde, quando lá se dirigiam, Pedrinho disse: - Rosinha, verifica se apareceram algumas ervas daninhas. Retira-as porque elas prejudicam o jardim. - Sim, - respondeu ela. Enquanto eu cuido desta parte, tu vais revolvendo a terra, deixando-a fofa. Lembras-te que o vento trouxe uma sementinha, que encontrando a terra fofa aqui se aconchegou germinando, transformando- -se numa linda flor? - É verdade. Hoje ela encanta o nosso jardim.

Quem sabe se o vento não trará outra? Em breve há de haver o concurso do jardim mais bem cuidado. Quem sabe se ganharemos? - Olha Pedrinho! Apareceram algumas ervas daninhas! - Rosinha, não podemos descuidar. hoje, mais careca do que já anunciava vir a ser, a recordo numa moldura de simpatia imorredoura. Por vezes, por razões várias, mais A festa das borboletas Entre o início da tarefa e o seu final, cuidado que toque as fronteiras da paranóia pode bloquear o serviço, e tudo fica por fazer.

Ouvir artigoContinuar a ler “Editorial” →

Correio Julho.agosto

Página 35 min

CORREIO JULHO.AGOSTO 2013 Contato de médium de confiança? Entre os numerosos e-mails recebidos, selecionamos aleatoriamente alguns que podem eventualmente representar também alguns alvitres do interesse dos leitores. Carlos escreve em 16 de maio: «Boa noite, como referência ao bom nome que a vossa casa possui, peço o(s) contato(s) de médiun(s) vidente de confiança na zona de Coimbra com o objetivo de a consultar a fim de receber conselhos para minha vida.

Grato pela vossa atenção». E a resposta inevitável seguiu: «Olá Carlos, gratos pelo seu contato. O propósito do Espiritismo não é oferecer conselhos pessoais, mas sim conselhos gerais, que interessam a todos e estão de acordo com os ensinamentos de Jesus de Nazaré. Sempre de forma gratuita e sem compromissos, pois o Espiritismo é uma atividade a que nos dedicamos nos tempos livres das nossas profissões. Na sua região, tem por exemplo esta associação (…).

Receba o nosso abraço amigo e disponha sempre». O que fazer quando um familiar desencarna? Beatriz escreveu em 26 de abril: «Olá, gostava de saber o que é que se faz quando um familiar desencarna. Contratamos um padre, cremamos essa pessoa, deixamo-la num “congelador” de hospital ou de morgue…». Resposta do missivista de serviço: «Olá, para a doutrina espírita, cada família deve proceder com o seu ente querido conforme achar melhor.

Ouvir artigoContinuar a ler “Correio Julho.agosto” →

FEP Em Novembro, nos dias 16 e 17, teremos a alegria de nos podermos r

Página 41 min

FEP Em Novembro, nos dias 16 e 17, teremos a alegria de nos podermos reunir, em Leiria, na Associação Espírita, para partilharmos um tema que a todos toca: a mediunidade, numa visão de futuro. Pretendemos abordar o tema em vertentes diversas e para tal convidámos palestrantes com experiência nas diferentes áreas. Seremos também privilegiados com a presençaeo saber inspirado de nosso querido amigo Divaldo Franco, que tanto de si nos tem ofertado e se prontificou, de imediato, a incluir esta data na sua agenda, para se poder juntar a nós.

Faremos a divulgação de outras informações mais detalhadas, ao longo dos meses, quer através do Boletim Informativo da FEP, quer através de circulares que faremos cgegar a todos quantos, ao se inscreverem, nos informem seu endereço A mediunidade numa visão de futuro CAPACITAÇÃO PARA TRABALHADORES 11 maio, 2013 No sábado, 11 de maio, entre as 15 e as 17h00, terá lugar na Sede da FEP, uma ação de formação para trabalhadores da Casa Espírita relacionados com a área de contabilidade.

Inscreva-se já. Contactos: geral@feportuguesa.pt | 214 975 754 Valor inscrição: GRATUITO JULHO.AGOSTO 2013 ENCONTRO ESPÍRITADO ALGARVE O Encontro Espírita do Algarve, organizado pelo Núcleo Famíliar Espírita do Mentor Amigo, terá lugar já no próximo domingo 12 de Maio, no Hotel Eva, em Faro. Serão momentos de alegre convívio e troca de saberes. Contactos: 965 053 743 | nfe_mentoramigo@ sapo.pt Valor inscrição: 10€ eletrónico.

Ouvir artigoContinuar a ler “FEP Em Novembro, nos dias 16 e 17, teremos a alegria de nos podermos r” →

Breves

Página 54 min

Grémio Povoense O Grémio Povoense, sito na Póvoa de Santa Iria, perto de Lisboa, Portugal, convidou José Lucas, membro da ADEP, para uma conferência subordinada ao tema A VIDA PARA ALÉM DA MORTE. Numa noite fria e chuvosa estiveram presentes cerca de 60 pessoas, de todas as idades, tendo decorrido a conferência em ambiente de grande entendimento, serenidade, seguindo-se muitas questões que se prologaram quase até à uma da manhã.

De realçar o espírito de abertura da direção do Grémio Povoense, bem como dos presentes, pois muitos deles ouviam falar de espiritismo pela primeira vez. De realçar o ambiente amigo que se fazia sentir apesar das diferentes ideias das pessoas presentes, bem como a qualidade do debate, dentro de um espírito de grande respeito mútuo. Encontro Espírita do Algarve Aconteceu no dia 12 de maio, no auditório do hotel Eva, na capital do Algarve, o IV ENCONTRO ESPÍRITA DO ALGARVE, que teve como tema central a ser desenvolvido em subtemas “A COMPREENSÃO DA VIDA DEPOIS DA VIDAA IMPORTÂNCIA DA OBRA DE ANDRÉ LUIZ”.

Abriu o evento Mariana Rosado, com palavras de agradecimento incentivo a todos os presentes, como também aos participantes do mesmo. Um agradável momento musical com a pianista Luísa Fernandes, acompanhando a soprano Ana Maria Palma, encheu o ar de doces melodias, preparando assim o ambiente para os trabalhos que iriam ser apresentados ao longo do dia. Assim, como convidada de honra, Maria Júlia Ramalho deu início ao que seria um agradável desfilar de temas desenvolvidos cada um com o toque pessoal dos participantes.

Ouvir artigoContinuar a ler “Breves” →

Notícia

Página 67 min

Organizado pelo GEEAK (Grupo de Estudos Espíritas Allan Kardec) e pela AME GEEAK – Associação de Médicos Espíritas de Coimbra, teve lugar nos passados dias 25 e 26 de maio, no Centro de Eventos de Valle de Canas, o 3.º Congresso Projecto Saúde e Luz – visão ampla do ser integral. O congresso teve a participação de cerca de 270 pessoas, entre palestrantes e assistentes. Os oradores, oriundos de várias cidades de Portugal e ainda do Brasil e de Itália, levaram ao evento um carácter universalista e um portfólio de conhecimentos extraordinários, abordando diversos temas direta ou indiretamente ligados à doutrina espírita.

O evento iniciou-se com um maravilhoso momento cultural, com a intervenção do coro da Federação Espírita Portuguesa (FEP), em embrião, e com a inclusão de amigos congressistas que desejaram associar-se ao momento. Cerca das 15h00 de sábado do dia 25 foi declarado aberto o Congresso, pela Dr.ª Tirsa Santos e pelo Dr. Jorge Costa, ambos voluntários do GEEAK que convidaram o presidente da FEP, Vítor Mora Féria, a endereçar palavras de boas vindas a todos os participantes.

O presidente manifestou a sua alegria pelo crescente aumento do movimento Espírita Português, tendo realçado o papel muito meritório que em particular o GEEAK tem tido, no contributo para a divulgação da doutrina espírita, www.adeportugal.org curso básico de espiritismo on-line em Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal Coimbra: Projeto Saúde e Luz e também como exemplo de organização, dedicação e disciplina.

Ouvir artigoContinuar a ler “Notícia” →

Consultório

Página 72 min

Glândulapineal“versus”terapiaespírita foto arquivo No jornal de março, quando respondeu sobre a predisposição orgânica para a mediunidade, falou do papel da glândula pineal. Poderia falar mais sobre isso? Dr.ª Gláucia Lima – André Luiz, no livro «Missionários da Luz», define a glândula pineal como “a glândula da vida espiritual”. Descreve atividades espirituais em que os médiuns enquanto em intercâmbio espiritual estão com a glândula pineal a emitir intensa luminosidade, fazendo pensar ser esta uma ponto “G” da espiritualidade.

Está glândula é também conhecida como “epífise”, mas, preferimos chamá-la de “pineal” para não confundi-la com a “hipófise” outra importante glândula do sistema nervoso central. A pineal está localizada entre os dois hemisférios, tem o tamanho de uma ervilha (cinza-avermelhada), pesa cerca 150 mg de massa, tem a forma de um cone de pinha (pinea) e no adulto mede 8 mm de comprimento por 4 mm de largura, pesando 0,1 a 0,2 gramas.

Apesar de sua anatomia tão discreta está sempre envolta por um misticismo, sendo até citada em várias doutrinas, desde 3 há mil anos a. C. Parece exercer um papel importante na regulação dos ciclos circadianos (principalmente o sono) e no controlo de atividades sexuais e da reprodução. Normalmente, no adulto, esta glândula encontra-se calcificada, podendo ser vista através de um raio-X normal. Existe o relato de que, durante o transe mediúnico, as ondas eletromagnéticas que existem da interação entre espírito comunicante x médium fazem vibrar esta glândula, constituída por cristais de apatita.

Ouvir artigoContinuar a ler “Consultório” →

Julho.agosto

Página 84 min

JULHO.AGOSTO 2013 Laços de família O curso básico de espiritismo acessível a todos via internet continua a funcionar, agora optimizado de tal maneira que se torna possível aceitar mais inscrições. Inteiramente gratuito, cada um dos dez cadernos temáticos agrega um fórum onde os inscritos podem deixar uma pergunta, que oportunamente será respondida por um dos “tutores”, palavra que refere os companheiros que nos seus tempos pós-profissionais assumiram a responsabilidade de fazer o acompanhamento de quem se inscreve neste curso.

No fito de partilhar com os leitores algumas das perguntas e algumas das respostas, passamos a descrever em jeito de entrevista os assuntos levantados. Deus verificou a minha família? “Quando li pela primeira vez “Família, uma ideia genial de Deus”, sorri e pensei exatamente o que muitos, ao olharem para suas relações familiares, devem imaginar: “Deus esqueceu - -se de verificar a minha família!” Será mesmo assim?“. A pergunta tinha sido colocada por Emerson, há já quatro anos, quando frequentou o curso básico de espiritismo que a Associação de Divulgadores Espiritismo de Portugal (ADEP) oferece há mais de uma década via internet.

Explica melhor: “Muitas vezes, preferimos conviver com a família vizinha, com a dos amigos e até colocamos ou nos colocam como “as ovelhas-negras” daquele grupo, ou as “ovelhas desgarradas”, enfim, “os diferentes ora somos nós, ora são eles.” Só rindo... O que está errado? Há realmente algo errado? O que Deus pretende ao permitir tantos desencontros numa família? Enfim, o que é a família? No dicionário temos vários conceitos.

Ouvir artigoContinuar a ler “Julho.agosto” →

Entrevista Julho.agosto

Página 93 min

ENTREVISTA JULHO.AGOSTO 2013 evolutivo em várias espécies de hominídeos, de que serve uma espécie hoje extinta de ser humano, o Homo neanderthalensis, conhecido como homem de Neanderthal. Ambas estas espécies se cruzaram geneticamente e hoje os nossos corpos materiais partilham ADN comum. Supomos que o corpo espiritual, ou perispírito, admita uma compatibilidade afim. Num outro exemplo, veja isto, entre espécies do grupo dos cães (canídeos).

O nome científico do cão é Canis lupus familiaris. O do lobo europeu é Canis lupus lupus, apesar do aspeto morfológico diferente. O nome científico de um dos chacais africanos é Canis aureus. Os três últimos são do mesmo género: Canis (cão em latim). O restritivo de espécie, depois do género, é em 2 lupus e no chacal aureus (dourado). Será compreensível uma passagem reencarnatória mais rápida entre o lobo europeu eocão doméstico do que entre estes e o chacal, embora possa haver aproximações sucessivas, com todo o tempo necessário para essas modificações do corpo espiritual.

Acresce dizer que a nossa noção de tempo é uma ilusão. O tempo de vida material, mesmo que dure 70 anos, é um momento fugaz no tempo do universo, em cuja amplitude Deus processa a nossa evolução. Talvez se consiga mais rapidamente ver o surgimento de uma grande montanha ou a abertura de um mar do que assistir a estes processos da evolução das espécies. Mas na verdade não sabemos com suficiente certeza. Não sei se ajudei, mas espero tê-lo feito.

Ouvir artigoContinuar a ler “Entrevista Julho.agosto” →

Evento

Página 102 min

Merece um Gosto (“Like”)? É o que estamos habituados a fazer nas redes sociais da internet, que representa o interesse da pessoa numa determinada página. Mas nas Jornadas que realizámos recentemente, e como é habitual, também gostamos sempre de receber a opinião de todos, porque há sempre margens para melhorar, opiniões e ideias para o evento futuro. Temos invariavelmente todo o gosto em ler o que nos envia. Dentro desta ideia, dirigimos um inquérito aos participantes, sendo as respostas sintetizadas neste artigo, com alguns gráficos.

Através de respostas quantitativas, conseguimos traduzir em indicadores simples de perceber, a partir de uma amostra bastante significativa de 76 pessoas – o auditório de 200 lugares sentados lotou –, em relação a este evento. Falta ainda agregara a estes dados, no momento de fecho desta edição do jornal, os inquéritos recebidos em papel, ou seja, sem chegarem pela internet. No que toca ao espaço das jornadas, o mesmo auditório municipal de Óbidos desde há vários anos, 47% dos participantes achou muito bom e 43% achou bom.

Quanto às condições técnicas, 38% considerou-as muito boas e 54% considerou-as boas. Em matéria de organização, 89% acharam muito boa e 11% apenas boa. Sendo tudo voluntariado, sem qualquer tipo de remuneração, é um resultado fantástico. E a qualidade das conferências, a verdadeira razão que faz encher o auditório? Bem, as respostas deram estes resultados: 58% acharam muito boas e 42% acharam boas. Quanto aos livros disponíveis, 49% avaliaram-nos em muito bons e 46% em bons.

Ouvir artigoContinuar a ler “Evento” →

Evento (pág. 11)

Página 111 min

fotos arquivo tro às expectativas de quem está atento e quer participar em tal iniciativa, que deverá desenrolar-se, renovada, provavelmente em meados de abril do ano que vem. Esta informação que partilhamos agora com os leitores é naturalmente relevante para a organização do evento, mas é informação útil também para outras instituições espíritas que organizam atividades, a fim de poderem aproximar ainda mais o seu trabalho das espectativas dos mais interessados no assunto.

Estas jornadas de cultura espírita foram um êxito graças à enorme equipa de colaboradores, tanto no plano físico como espiritual, que procuraram servir a sociedade com um contributo de esclarecimento e tornar melhor o mundo que nos rodeia. Não se esqueça que pode escutar as várias conferências no canal de vídeo da ADEP no Youtube, via internet. Por Vasco Marques e JG JULHO.

Ouvir artigo

Opinião

Página 129 min

De tempos a tempos surge o debate sobre como definir Espiritismo. Moral ou religião? Qual a sua relação com a religiosidade? E sobretudo, qual a importância deste debate? São expostos argumentos commumente sustentados num conjunto circunscrito de textos e que, por ausência de novidade, dão azo à exposição de convicções pessoais que pretendem os seus autores sejam representativas da doutrina espírita. De nossa parte, apresentamos somente uma síntese de um conjunto de reflexões resultado de pesquisas em torno do tema.

Cumpre começar por esclarecer que o assunto está longe de ser novidade. Já no final do século XIX tal diferença de opiniões conduziu a um extremar público de ideias que despontou numa intensa desarmonia, quebrando a união entre a falange de espíritas. O problema não adveio tanto do debate de opiniões, mas da falta de verdade, respeito intelectual e fraternidade com que foi feito, levando a que tertúlias e artigos fossem formulados para “atacar” opiniões divergentes e seus autores, bem ao estilo incendiário da época.

Entre 1875 e 1895 prolongou-se a disputa entre “científicos” e “místicos”, mais tarde apelidados de “religiosos”. Mas o que os distinguia? Na segunda metade do século XIX foi ganhando adeptos uma ala mais científica, que privilegiava o aperfeiçoamento do método (de investigação) em todas as práticas. Não abdicando de um questionamento constante, entendiam a Codificação como um compêndio ultrapassado que carecia de atualização.

Ouvir artigoContinuar a ler “Opinião” →

Opinião (pág. 13)

Página 135 min

Combalido pela extrema violência e dura realidade do que me era mostrado, a conclusão veio na forma retumbante de uma frase do brilhante poeta e dramaturgo Irlandês Oscar Wilde, sobre uma tela enlutada de desilusão: “Ao criar o Homem, Deus sobrestimou a sua capacidade.” Perturbou-me não tanto o simplismo desta visão divina mas sobretudo o pessimismo no potencial humano. Responsabilizar de alguma forma Deus pela ignorância e pela crueldade do homem é um equívoco que não é de hoje.

No século XIII, reinou em Leão e Castela, D. Afonso X, conhecido pelo cognome “El Sábio”. Afonso, avô do rei português D. Dinis, para além de monarca e jurista, foi um distinto poeta, amante das artes, da natureza e das ciências astronómicas. Os historiadores consideram-no um dos mais notáveis reis de Castela e de Espanha, admirado pelo empenho demonstrado na área científica e cultural, apesar de alguns estudiosos o acusarem de ser mais habilidoso com as artes e ciências do que propriamente com os problemas políticos do reino.

O palácio real, em Toledo, assemelhava-se a uma oficina escola, uma academia de artes e ciências astronómicas frequentada por estudiosos árabes, cristãos e judeus, partilhando ideias, informações e teorias. No entanto, apesar das contribuições significativas para o desenvolvimento do reino, o povo de Castela desconfiava do seu rei. Conta a lenda que, o irreverente monarca, quando estudava Astronomia com os outros sábios, teria dito: “Se eu tivesse sido conselheiro de Deus no momento da criação, tinha-lhe dado valiosos conselhos!

Ouvir artigoContinuar a ler “Opinião (pág. 13)” →

Opinião (pág. 14)

Página 142 min

O Bom Pastor desaconselhou-as no relacionamento humano, exortando as vítimas a prescindirem delas como um direito seu, e optarem pelo perdão, amor, indulgência. Mas no aspeto de leis cósmicas (sentido profundo da letra bíblica), não as aboliu ou quereria sequer suspender-lhes a vigência imutável. Corroborou-as até, ensinando: “na medida em que julgardes, sereis julgados”, “a cada um segundo as suas obras”, “quem com ferro fere, com ferfoto loucomotiv morte do ímpio, mas sim que se converta e viva” (Ezequiel 33:11), e jamais programaria criaturas senão para o Bem eterno, sustentado, para que todos tendemos evolutivamente.

O que designamos “pecado” nunca poderia ser eterno e irreparável; os seres mais endurecidos e perversos que imaginemos, inevitavelmente desiludidos pelas quimeras do mal e compelidos à depuração pelo tempo que seja necessário, alcançarão irreversivelmente a harmonia eterna, soberana exigência do determinismo do Bem. Nos anos 60 do século passado, um prémio Nobel de medicina (Jacques Monod) concluía pelo acaso do Universo, no livro ACASO E NECESSIDADE.

A conclusão lógica da sua argumentação parecia-me justamente o oposto; continuo a preferir a companhia de Einstein, quando afirmava que Deus “não joga aos dados”: a criação não é acaso, mas um seu exacto desígnio. Em vésperas dum dia de Finados, prestigioso teólogo interrogava-se quanto ao destino deles, confessando ignorá-lo para lá das certezas da sua infância, na catequese. Mas acrescentava lucidamente: “confio que o amor que Deus nos tem é mais sábio e mais poderoso do que a morte, do que o pecado, do que as nossas vãs antropologias” (Frei Bento Domingues, jornal PÚBLICO, 31/ out/2010).

Ouvir artigoContinuar a ler “Opinião (pág. 14)” →

Crónica

Página 152 min

David Fontana, um académico britânico nascido em 1934 em Middlesex, Inglaterra, e desencarnado (falecido) em 18 de Outubro de 2010, foi um conceituado académico, escritor, e cientista de renome mundial, que, pela sua grandeza, acabou por passar despercebido por muita gente (típico das almas nobres). Foi professor de Psicologia na Universidade de Cardiff, na John Moores University em Liverpool, na Universidade do Algarve e Universidade do Minho, em Portugal.

Membro da British Psychological Society, publicou mais de duas dezenas de livros, relacionados com a espiritualidade e as suas pesquisas. Foi Presidente do Survival Research Commitee, que se dedica à pesquisa da sobrevivência. Fontana pesquisou os fenómenos na fronteira com a espiritualidade, como a mediunidade, os casos de “poltergheist” e a Transcomunicação Instrumental (TCI), tendo sido presidente da mais conceituada sociedade de pesquisas psíquicas do mundo, a famosa Society for Psychical Research (SPR), de 1995 a 1998.

David Fontana seguia a psicologia transpessoal, tendo participado em muitas conferências, um pouco por todo o mundo, nomeadamente na British Psychological Society, tendo sido o 1º presidente da secção de Transpessoal desta Sociedade, desde 1996 a 2001. Da sua obra literária destacam-se entre outros, “Livro do Meditador: Um guia completo para técnicas de meditação orientais e ocidentais (1992)”, “Aprenda a Meditar: Um Guia Prático de autodescoberta”, “Psicologia, Religião e Espiritualidade (2003)”, “Existe vida após a morte:?

Ouvir artigoContinuar a ler “Crónica” →

atitude de quem entende a morte carnal com uma passagem para a outra m

Página 167 min

A atitude de quem entende a morte carnal com uma passagem para a outra margem do rio da vida é serena, tranquila, envolta em pensamentos nobres e espiritualizados, calando defeitos do defunto, e relembrando apenas as coisas boas da sua vida, de modo a facilitar a sua transição para o mundo espiritual. José veio de Angola. Lembra-se, na traquinice dos seus então dez anos de idade, que ir a um velório era uma alegria. Seguia os pais.

Não havia capelas mortuárias, o corpo era velado na sala da casa dos familiares e, ao lado, havia sempre uma mesa bem posta, tipo aniversário, com sumos, comidas, bolos, etc. Joana, há pouco tempo viu o marido com 30 anos de idade, fulminado pelo cancro. O velório e funeral foram uma tortura, mil e um beijos, mil e uma vezes a repetir e a ouvir a mesma coisa. Maria, conhecedora do espiritismo, aproveitou a desencarnação (falecimento) da sua mãe para fazer do velório e do funeral algo de nobre e digno: no velório, tinha música de fundo, música clássica, ambiente calmo, tranquilo, vestidos normalmente, sem as cores negras habituais.

“Foi uma maravilha”, referia a própria, que ainda hoje sente saudades (no bom sentido) da mãe. Vera viu a vida carnal do irmão, ceifada, por um acidente rodoviário, sem que ninguém contasse. Fui ao velório, e fiquei chocado com a falta de respeito pelo defunto, tamanha era a balbúrdia no espaço do velório, com conversas, risos, anedotas, etc. Julieta vive no Algarve, é espírita conhecida. Já foi convidada para orientar vários funerais, onde, de uma forma calma e lúcida, incentiva os presentes à oração Os velórios e enterros são uma prática da qual ninguém pode fugir, mas que variam conforme as culturas de cada povo e conforme o esclarecimento espiritual que tenhamos acerca da morte do corpo carnal.

Ouvir artigoContinuar a ler “atitude de quem entende a morte carnal com uma passagem para a outra m” →

Vídeo / Literatura

Página 173 min

VÍDEO / LITERATURA O “Som do Coração”, no seu título original “August Rush”, é uma encantadora fábula moderna que nos inspira pelo poder da música mas, ao mesmo tempo, consegue criar um enredo com o seu lado mágico que aguça a nossa sensibilidade. O Som do Coração JULHO.AGOSTO 2013 Distinto discípulo do positivista Herbert Spencer (1820-1903), legou-nos mais de uma centena de trabalhos sobre a fenomenologia espírita, cujo estudo e conclusões eram sempre fundamentados em factos.

Esta obra foi traduzida e prefaciada pelo seu estudioso e admirador Dr. Francisco Klörs Werneck. Os mais reconhecidos estudiosos e militantes espíritas do século XX, como Carlos Imbassahy, Deolindo Amorim, Herculano Pires, Yvonne do Amaral Pereira, Francisco Cândido Xavier a Divaldo Pereira Franco, citavam e citam- -no como uma referência incontornável da Ciência Espírita. A presente monografia resultou, na maioria do seu conteúdo, de uma paciente e minuciosa pesquisa de testemunhos idóneos catalogados pela Society for Psychical Research (Sociedade de Pesquisas Psíquicas) de Londres e da revista “Light”, que comprova à saciedade que os animais, também nossos irmãos segundo o inspirado de Assis, possuem memória, sentimentos, faculdades telepáticas, percepções extra-sensoriais, e que ainda se podem manifestar após a morte do corpo.

Perante tais factos, concluímos que estes possuem, igualmente, uma alma, distinta do seu envoltório físico. Não dizemos que possuem espírito porque ainda não atingiram a condição hominal; falta-lhes para tal um longo caminho a percorrer, necessitando de entrar no plano da razão, da responsabilidade dos seus próprios actos. O instinto é o seu guia. Ainda não conquistaram o livre-arbítrio para poderem ser responsáveis pelas suas atitudes e escolhas, mas estão a caminho.

Ouvir artigoContinuar a ler “Vídeo / Literatura” →

Entrevista a dirigentes Maria GoretiConheci o espiritismo através do m

Página 183 min

WWW Entrevista a dirigentes Maria GoretiConheci o espiritismo através do meu pai, um dos fundadores da ASEB. Na altura, não me apercebi da importância que a doutrina espírita poderia ter na minha vida e no meu quotidiano. foto direitos reservados Que centro espírita frequenta? Maria GoretiFrequento a Associação Sociocultural Espírita de Braga. O que pensa do “Jornal de Espiritismo? Maria GoretiÉ um jornal muito interessante.

Acho-o muito importante para a divulgação do espiritismo, para além de que é muito acessível, esclarecedor e de leitura fácil e agradável. O conhecimento do espiritismo mudou alguma algo na sua vida? Maria GoretiMudou muito. Comecei a gostar mais de mim, da vida e dos outros. Através do espiritismo comecei a perceber o sentido da vida. Percebi, ainda, que é normal errar, já que somos ainda seres imperfeitos que, através das vidas sucessivas, teremos oportunidade de corrigir esses mesmos erros e de nos tornarmos seres mais felizes.

Entrevista a frequentadores Sidney Oliveira Santos conta 40 anos e é empresário. Colabora nos seus tempos livres na Associação de Fraternidade Laborinho, na Nazaré. foto direitos reservados Como conheceu o espiritismo? Sidney SantosEu costumo dizer que ainda não conheço como gostaria, mas faço um grande esforço para conhecê-la a cada dia através dos estudos, pesquisas, trabalhos e contatos com amigos de jornada; o caminho da descoberta ou conhecimento do espiritismo é imenso, por esta razão o meu conhecimento tem sido gradual dia a dia desde a minha adolescência.

Ouvir artigoContinuar a ler “Entrevista a dirigentes Maria GoretiConheci o espiritismo através do m” →

Para reaproveitar o papel, Chico Xavier, quando vivia em Pedro Leopold

Página 194 min

Para reaproveitar o papel, Chico Xavier, quando vivia em Pedro Leopoldo, preenchia as páginas em branco com textos assinados pelo seu Guia, passava a limpo os originais, datilografava na máquina emprestada pelo patrão e apagava, de seguida, o que tinha escrito a lápis? Uma grande parte das pessoas que passaram por experiências de quase-morte declararam ter alterado os seus pontos de vista em relação ao mundo e aos outros, sendo as mudanças de comportamento significativamente positivas?

A importância da evangelização espírita infantil reside no facto de, como nos dizem os Espíritos, ser na fase da infância que o Espírito é mais acessível às impressões que recebe? Os Espíritos podem tornar-se visíveis e tangíveis aos animais, o que não significa que estes sejam médiuns? Foi por se encontrar numa fase de depressão, melancolia e tristeza que Divaldinho de Matos, autor e expositor espírita, procurou, com 17 anos, pela primeira vez, ajuda num Centro Espírita?

Era uma vez um menino chamado Afonso que, com nove anos, mostrava-se já muito preguiçoso e muito indeciso. Em tudo o que fazia na vida faltava-lhe persistência e para os estudos as coisas complicavam-se ainda mais. Não colaborava em tarefa nenhuma. Chegava a casa, não fazia os trabalhos da escola e, até mesmo nas tarefas de casa, para ajudar a mãeeo pai, recusava e fugia para a rua para que não tivessem oportunidade de lhe darem qualquer tipo de trabalho.

Ouvir artigoContinuar a ler “Para reaproveitar o papel, Chico Xavier, quando vivia em Pedro Leopold” →