Julho.agosto
Jornal de Espiritismo nº 59 · Julho 2013Página 84 min
JULHO.AGOSTO 2013 Laços de família O curso básico de espiritismo acessível a todos via internet continua a funcionar, agora optimizado de tal maneira que se torna possível aceitar mais inscrições. Inteiramente gratuito, cada um dos dez cadernos temáticos agrega um fórum onde os inscritos podem deixar uma pergunta, que oportunamente será respondida por um dos “tutores”, palavra que refere os companheiros que nos seus tempos pós-profissionais assumiram a responsabilidade de fazer o acompanhamento de quem se inscreve neste curso.
No fito de partilhar com os leitores algumas das perguntas e algumas das respostas, passamos a descrever em jeito de entrevista os assuntos levantados. Deus verificou a minha família? “Quando li pela primeira vez “Família, uma ideia genial de Deus”, sorri e pensei exatamente o que muitos, ao olharem para suas relações familiares, devem imaginar: “Deus esqueceu - -se de verificar a minha família!” Será mesmo assim?“. A pergunta tinha sido colocada por Emerson, há já quatro anos, quando frequentou o curso básico de espiritismo que a Associação de Divulgadores Espiritismo de Portugal (ADEP) oferece há mais de uma década via internet.
Explica melhor: “Muitas vezes, preferimos conviver com a família vizinha, com a dos amigos e até colocamos ou nos colocam como “as ovelhas-negras” daquele grupo, ou as “ovelhas desgarradas”, enfim, “os diferentes ora somos nós, ora são eles.” Só rindo... O que está errado? Há realmente algo errado? O que Deus pretende ao permitir tantos desencontros numa família? Enfim, o que é a família? No dicionário temos vários conceitos.
Ora, são pessoas do mesmo sangue, ora as que vivem numa mesma casa e possuem algum parentesco, ora é o grupo de indivíduos que professam o mesmo credo, a mesma profissão, com os interesses comuns. Verificamos também as explicações sociológicas, onde a comunidade constituída por um homem e uma mulher com os ditos “laços matrimoniais”, gerando filhos, são chamados de família nuclear. Já para outros filósofos, a formação acima descrita só pode ser assim considerada, quando alcançam características próprias das famílias de onde vieram.
Bem, assim ou assado, como se fala popularmente, o que interessa mesmo é que “a uniãoea afeição que existem entre pessoas parentes são um índice da simpatia anterior que as aproximou... e Deus permite que, nas famílias, ocorram essas encarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos, com o duplo objetivo de servir de prova para uns e, para outros, de meio de progresso...”. Exposta o tema, uma tutora responde: “Viva, Emerson!
Vejo que faz aqui uma reflexão bem profunda sobre a família e a complexidade das suas relações. Estou a ler um livro que é um manancial e aconselho-o vivamente: “Sexo, Problemas e Soluções”, de Emídio Brasileiro e Marislei Brasileiro, publicado pela AB Editora. No capítulo III, Sexualidade e Casamento, apresenta, sob a forma de perguntas e respostas, os seguintes conceitos: “152. O que é o matrimónio? É a união entre um homem e uma mulher, identificados por ideias e sentimentos, que visa à formação de um núcleo familiar destinado a promover a evolução espiritual de tantos quantos dele façam parte.
158. Qual é o verdadeiro sentido da família, conforme os princípios da Lei Natural? A família é uma das manifestações da Lei Natural, que ocorre através da Lei da Sociedade e que se destina, para a Humanidade, ao aprendizado do amor ao próximo e do aperfeiçoamento da vida moral, e para os animais, ao desenvolvimento do instinto primitivo. 169. O que pensar das uniões matrimoniais em que os cônjuges pertencem a níveis evolutivos bastante diferenciados?
A razão dessas uniões é a de ajustar os níveis de identidade emocional, ideológica e espiritual entre os cônjuges, a fim de se atingir o objetivo, ao qual se destina o matrimónio.” Espero que o meu contributo seja uma motivação para a leitura deste livro. É caro porque é um livro de estudo, mas verá que vale a pena. Os autores revelam muito bom senso, o que não é para admirar uma vez que são trabalhadores da Mansão do Caminho, de Divaldo Franco.
Um abraço!”. Do reino animal para o reino hominal Guida pede esclarecimentos para melhor poder compreender a passagem do princípio inteligente do reino animal para o reino hominal. Um tutor expõe o ponto de vista: “Face ao que sabemos, em termos de evolução da vida material e aos conhecimentos que a doutrina espírita nos proporciona, repare que entre seres vivos há espécies mais próximas em relação a outras. Estamos a colher experiências sobre os séculos na espécie (animal!)
Homo sapiens. A dita cuja enquadra-se no grupo dos símios, como os orangotangos e os chimpanzés. É natural que num passado não tão longínquo como isso pelo menos alguns de nós tenhamos feito o percurso Confesso que em pleno século XXI, com todo o conhecimento angariado, ainda se vejam nações erguerem o estandarte dos canhões e das bombas, sabendo-se que todos os conflitos podem ser efetivamente resolvidos com diálogo, com senso de justiça e humanidade entre as partes.
