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atitude de quem entende a morte carnal com uma passagem para a outra m

Jornal de Espiritismo nº 59 · Julho 2013Página 167 min

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A atitude de quem entende a morte carnal com uma passagem para a outra margem do rio da vida é serena, tranquila, envolta em pensamentos nobres e espiritualizados, calando defeitos do defunto, e relembrando apenas as coisas boas da sua vida, de modo a facilitar a sua transição para o mundo espiritual. José veio de Angola. Lembra-se, na traquinice dos seus então dez anos de idade, que ir a um velório era uma alegria. Seguia os pais.

Não havia capelas mortuárias, o corpo era velado na sala da casa dos familiares e, ao lado, havia sempre uma mesa bem posta, tipo aniversário, com sumos, comidas, bolos, etc. Joana, há pouco tempo viu o marido com 30 anos de idade, fulminado pelo cancro. O velório e funeral foram uma tortura, mil e um beijos, mil e uma vezes a repetir e a ouvir a mesma coisa. Maria, conhecedora do espiritismo, aproveitou a desencarnação (falecimento) da sua mãe para fazer do velório e do funeral algo de nobre e digno: no velório, tinha música de fundo, música clássica, ambiente calmo, tranquilo, vestidos normalmente, sem as cores negras habituais.

“Foi uma maravilha”, referia a própria, que ainda hoje sente saudades (no bom sentido) da mãe. Vera viu a vida carnal do irmão, ceifada, por um acidente rodoviário, sem que ninguém contasse. Fui ao velório, e fiquei chocado com a falta de respeito pelo defunto, tamanha era a balbúrdia no espaço do velório, com conversas, risos, anedotas, etc. Julieta vive no Algarve, é espírita conhecida. Já foi convidada para orientar vários funerais, onde, de uma forma calma e lúcida, incentiva os presentes à oração Os velórios e enterros são uma prática da qual ninguém pode fugir, mas que variam conforme as culturas de cada povo e conforme o esclarecimento espiritual que tenhamos acerca da morte do corpo carnal.

O que tem o Espiritismo a dizer sobre isto? foto loucomotiv sincera, a leitura de um trecho espírita, a sua explicação, onde não falta a música suave, seja gravada ou ao vivo, com viola ou outro instrumento. Mas o que é que a doutrina espírita (ou Espiritismo) tem a ver com isto? A doutrina espírita, ou espiritismo (que não é mais uma religião nem mais uma seita), provou em 1857 que a imortalidade do Espírito é uma realidade, e desde então, inúmeros cientistas e pesquisadores, espíritas e não espíritas, têm comprovado as assertivas doutrinárias de meados do século XIX.

A morte carnal é apenas o largar de um corpo por parte do Espírito, corpo que já não lhe serve, tal como nós largamos um par de calças, para substituir por outro, quando crescemos e as calças já não servem. O corpo carnal é apenas o revestimento visível, para se poder interagir neste planeta, sendo que, uma vez esgotado, o Espírito continua a sua vida no mundo espiritual, reencarnando mais tarde num novo corpo carnal, trazendo os conhecimentos e tendências adquiridas em vidas passadas.

Uma coisa é a morte do corpo de carne (falência dos órgãos vitais), outra é a desencarnação (libertação do Espírito do seu corpo carnal). Nem sempre uma coincide com a outra. Quando o Espírito é muito materialista ou muito apegado aos seres que estão na Terra ou em outras situações, pode eventualmente ficar “ligado” mentalmente aos despojos carnais, durante um tempo indefinível, variando de caso para caso. Nesses casos, o Espírito sofre com o que ouve no seu velório, no seu funeral, as anedotas, as histórias da sua vida, as críticas que o atingem como lâminas, que avivam as feridas da alma.

Se queremos estar presentes num velório ou num funeral, devemos fazê-lo não por convenção social, mas sim por solidariedade para com os familiares do defunto, bem como pelo respeito ao mesmo. Tal, implica que na presença do féretro, que tenhamos uma atitude de respeito, normal, não necessitando de tristezas ou choros desnecessários, que só afligem quer os que cá ficam quer os que partem para o mundo espiritual. A atitude de quem entende a morte carnal com uma passagem para a outra margem do rio da vida é serena, tranquila, envolta em pensamentos nobres e espiritualizados, calando defeitos do defunto, e relembrando apenas as coisas boas da sua vida, de modo a facilitar a sua transição para o mundo espiritual.

Quanto ao resto, não deixam de ser apenas rituais mais ou menos folclóricos, de acordo com os hábitos culturais de cada nação. Ensina-nos a doutrina espírita que o momento é difícil para quem parte. Cumpre- -nos a caridade do silêncio, da serenidade, da alegria contida e, essencialmente da oração sincera em prol do ser humano que largou as vestimentas carnais, para adentrar mais uma vez a pátria espiritual, nesse processo reencarnatório que terminará um dia, quando formos espíritos puros.

Por José Lucas Velórios e enterros OPINIÃO JULHO.AGOSTO 2013 Atenção chorões! Não se afastem dos lenços de papel. É um filme familiar e despretensioso, que pegando na ideia da música como força curadora no Universo que nos une a todos, realça o poder da fé na perseguição dos nossos sonhos, mesmo quando ninguém acredita sermos capazes. É uma história comovente que procura juntar a genialidade da música, a magia do amor e a força da fé.

Só por isso, merece a nossa consideração e reconhecimento. Vivendo desde o dia do seu nascimento numa instituição de acolhimento, Evan é um miúdo especial que não desiste do sonho de encontrar os seus pais. Os seus pais eram artistas e conheceram- -se através da música. Dispondo de uma sensibilidade notável para a música, Evan tinha a certeza de que aquilo que ouvia vinha dos seus pais e que as notas que ele sentia dentro de si eram as mesmas que os pais ouviam.

Ele acreditava que algures eles estavam à sua espera e que a música era a forma de eles o ouvirem e de um dia todos se reencontrarem. Ele sentia a força da música em tudo o que o rodeava, quer fosse no vento elevando as folhas, no trânsito caótico ou no movimento indiscriminado das pessoas. Os sons do mundo eram uma sinfonia para os seus ouvidos, afirmando para quem desconfiava do seu dom: “A música está à nossa volta, tudo o que precisas é saber ouvir!

” Aos onze anos, e com o objectivo de aprender a tocar algum instrumento, Evan fugiu para Nova Iorque, passando a viver com um grupo de crianças de rua que ganhavam a vida a tocar em praças públicas e no metropolitano. Ao ter um contacto mais próximo com uma guitarra, o seu génio adormecido despertou do entorpecimento forçado, revelando o talento inato que a sua alma guardava. Na rua encontrou amigos verdadeiros mas também oportunistas que apenas pretendiam usar o seu talento em proveito próprio mas, a partir do momento em que ele começou a criar a sua música e surpreender todos com a sua genialidade, a mãeeo pai começaram a sentir um apelo íntimo para se reencontrarem e as suas vidas começam a ser orientadas para descobrirem Evan.

Com uma banda sonora notável, justamente nomeada para o Oscar de melhor banda sonora da Academia em 2008, este é um filme em que a música tem um papel muito importante, mas em que a fé é o elemento precioso que dá consistência a tudo o resto. Não trata de uma fé religiosa específica mas fé naquilo que não vemos mas que sentimos, nas forças ditas misteriosas que orientam, inspiram e nos ligam uns aos outros. Da certeza interior que nos inunda o peito mesmo quando todos à nossa volta gritam: “Esquece, isso não é possível!

”. Numa altura em que as dificuldades nos empurram para desilusão, depressãoeàs vezes até para o desespero, a fé é algo precioso de que não podemos prescindir. Evan tinha uma fé inabalável que a sua história não acabava daquela forma e sentia que iria encontrar os seus pais mesmo contra todas as probabilidades. De alguma forma seguia a máxima repetida até exaustão no filme “O Exótico Hotel Marigold”: “No fim, tudo vai dar certo.

Se ainda não deu certo, é porque ainda não chegou ao fim.” É necessária uma grande força interior e uma grande persistência para superar muitas das dificuldades e contrariedades que a vida nos reserva mas, quem persiste vence e quem ainda não venceu, não pode desistir: é preciso continuar a persistir até vencer porque se ainda não foi possível vencer é porque ainda não chegou ao fim. Fazem falta mais filmes como “O Som do Coração”: positivos, inspiradores, com um toque de espiritualidade que trazem boa disposição e optimismo num serão em família.

Junte toda a sua família e assista a este filme, vale bem a pena e não vai dar o seu tempo por perdido. Título Original: “August Rush” Realizado por Kirsten Sheridan EUA, 2007 - 114 min. Com: Freddie Highmore, Keri Russell, Jonathan Rhys Meyers e Robin Williams.