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Jornal de Espiritismo nº 6 · 2004Página 175 min
Setembro/Outubro de 2004 | Ano | | N.º 6 | Jornal bimestral da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal | Director: Ulisses Lopes | Preço: € 0,50
Psiquiatra e professor universitário, Iso Teixeira na sua página faz uma breve análise sobre a resposta doutrinária do Espiritismo a tão polémico tema!
Cátia Martins explica quem sãoeo que fazem os espíritos benfeitores dedicados a tarefas de orientação individual.
Hoje, falar de temas relacionados com a sexualidade ainda constrange muitas pessoas. Os preconceitos, tão enraizados nas nossas mentes, ainda nos levam à discriminação. Como encara o Espiritismo o assunto? Cecília Morais reflecte sobre o tema.
Reinaldo Barros traz-nos histórias do dia-a-dia. Após a leitura, compreendemos que a indiferença consegue matar...
Fax: 22 7419279 gabisousasQnetvisao.pt
ENTREVISTA COM DAVID FONTANA
David Fontana é vice-presidente da Sociedade de Pesquisas Psiquicas, de Londres, e presidente do Comité para a Pesquisa da Sobrevivência. Participou em Vigo, na vizinha Espanha, na Conferência Internacional acerca da fm Sobrevivência am Morte Físicã; em
Concedeu-nmnos est entrevista | exclusiva.
OBSESSÃO: FENÓMENO DOS NOSSOS DIAS
O que causa as obsessões? Como conviver com elas? Ao ler o artigo, é bom perceber que não andamos à mercê dos espíritos desencarnados ignorantes, a não ser que queiramos...
A.S. DUARTE, LDA. SAMILApartado 35
e-mailasduarteQmail.telepac.pt
Não é bem uma novidade: desde que Allan Kardec trouxe à luz deste mundo a codificação espírita, exposta nas várias obras que publicou ao longo da sua produtiva passagem pela Terra, a morte deixou de ser o papão terrível que afunda no mar do nada absoluto a existência do ser.
Com o seu trabalho, em meados do século XIX, pontos básicos como a imortalidade da alma, a comunicação dos espíritos, a reencarnação, a existência de Deus — a «inteligência suprema, causa primária de todas as coisas» —, a lei de causa e efeito ou a pluralidade os mundos habitados, no vocabulário histórico, mantêm-se frescos e cheios de vitalidade como no primeiro dia em que foram revelados e depois amadurecidos.
Por isso, para além da área dos estudos espíritas, há técnicos da ciência oficial, com respeitáveis currículos académicos, que surgem a repescar, porventura até com outra linguagem, essas mesmas verdades que estão à vista de quem se esforçar por as encontrar.
David Fontana, professor universitário que nos dá uma entrevista nesta edição, é um exemplo notável disso mesmo. Na Casa do Médico, no Porto, há um par de anos, eu próprio assisti à sua palestra no auditório em inglês a argumentar com uma solidez admirável sobre a colocação da hipótese da comunicação dos «mortos» como algo tratável nos austeros laboratórios da ciência oficial: uma aragem impressionante vinda de quem não é espírita...
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Jorge Gomes jorge.je&clix.pt
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Assinaturas Jornal de Espiritisma Apartado 161
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Ficha técnica Jornal de Espiritismo Periódico bimestral
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Por afinidade, João Xavier de Almeida trata de algum modo esta área temática na sua crónica «Materialismo x espiritualismo», sempre culta
Frederico Honório escreve sobre Deus, o criador incriado, e inicia o seu artigo com uma grande verdade, que necessita a cada dia de ser mais Espiritismo recomenda o amor entre as criaturas, ente da crença religiosa». Há evidências que apesar da * demasiado sublinhar. ém, desde a edição anterior, uma página dedicada a Ds. Esta secção conta com dois autores: Salvador Martín, ronselho Directivo da Federação Espírita Espanhola, e pquez, que preside ao Conselho Directivo do Centro lia Domingo Soler, da cidade de Barcelona.
ainda mais do que isto nesta edição! hsceu há 200 anos: no dia 3 de Outubro há que lembrar 5 dois séculos, a doutrina espírita progrediu de forma Só depende dos próprios espíritas o futuro desse a característica dominante da divulgação terá de ser plo de fraternidade, para que o discurso não se esvazie. ar por aqui. Boa leitura!
que iria se afirmar com o tempo. Nada aconteceu!
Na verdade, a borboleta passou o resto da sua vida a rastejar com um corpo murcho e as asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar.
O que o homem não compreendia, na sua gentileza e vontade de ajudar, era que o casulo apertado e o esforço necessário para a borboleta passar através da pequena abertura era o modo pelo qual o fluido do corpo da borboleta viria a irrigar as suas asas, de modo que ela estaria quase pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo. Algumas vezes, o esforço é Justamente o que precisamos na nossa vida. Se Deus nos permitisse passar através de nossas várias vidas sem quaisquer obstáculos, ele nos deixaria aleijados. Não poderíamos ser tão fortes como seremos amanhã...
Nota: o livro «E para o resto da vida...», de Wallace Leal V. Rodrigues, inclui história parecida. Fonte: http:/ / www.cvdee.org.br
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Oficinas de S. JoséBraga Para assistir a uma sessão ou reunião espírita basta ir a um centro da especialidade!
Sim, mas apenas às sessões públicas: palestras, atendimento ao visitante do centro para esclarecimentos...
Até as crianças podem ir com esse fito, também, mas de preferência à sessão (reunião) de infância espírita, onde alguém com preparação pedagógica mínima conta uma história de fundo moral, solicita actividades aos pequeninos como desenho e canções, de forma a fixar desde cedo a importância de viver em paz.
Mas a maior parte das pessoas não sabe. Falando de sessão espírita liga logo a «falar com os mortos». Ou seja, referem-se a sessão mediúnica! Ora, as reuniões mediúnicas espíritas são desde logo privadas, não são abertas ao público. Seria muito problemático pelo impacto, entre outros, psicológico negativo que teria. A esse propósito, em 8 de Julho, recebemos no e-mail do jornal esta mensagem: «Eu, António, venho
por este meio pedir a alguém se haveria alguma possibilidade de me dirigir a uma associação e fazer uma sessão de espiritismo de modo a entrar em contacto com uma entidade já falecida, que neste caso é a minha mãe. Pedia também que se houvesse essa possibilidade
Em plena sessão espírita: curso básico de espiritismo de 2004, numa das associações das Caldas da Rainha. Foto, José Lucas
que fosse num dia não muito tarde ou então a um sábado não muito
à noite ,visto que eu sou de Aveiro e o meu meio de deslocação é o comboio e de noite não costuma haver muitos comboios. Dava-me jeito mais cedo. Também pergunto se é preciso pagar alguma coisa: é que a situação cá para o meu lado não é das melhores. Pedia também
a morada e uma orientação para lá ir ter, como é a primeira
Notícias em fecho de edição: Leiria
vez..Espero resposta assim que possível.»
Dois dias depois seguiu a resposta: «Caro amigo: Tudo de bom. AÀ ADEP é uma associação que tem um objectivo, a divulgação da doutrina espírita em Portugal. Nesse sentido deve deslocar-se a uma associação espírita. AÍ em Aveiro e arredores existem várias, conforme indicamos em anexo, pelo que não será difícil encontrar uma de que goste. Aí poderá solicitar orientação e um pedido de ajuda para a sua mãe.
Desde já adiantamos que o contacto com o mundo espiritual não é assim, tipo chamada telefónica. É isso sim um contacto que vem de lá para cá e quando isso é possível e autorizado pelo mundo espiritual superior. Quanto ao pagamento, fique descansado, pois qualquer associação espírita idónea não cobra dinheiro, sobrevivendo apenas com as quotas dos seus sócios.
Se for a algum lugar onde lhe cobrem pelo apoio prestado decerto não esteve numa associação espírita, mesmo que tivesse esse nome.»
LEIRIA: NOVA SEDE A Associação Espírita de Leiria vai inaugurar a sua nova sede no próximo dia 11 de Setembro de 2004, pelas 09H30, convidando, na sua circular, todas as pessoas que se desejem associar a este acto.
A nova sede fica na Rua das Cervas, s/n.º, Barosa, 2400 Leiria (Apartado 4039, 2410-901 Leiria).
Os contactos desta associação são os seguintes: Telefone: 244- 815 934 - Fax: 244-815 103, Telemóvel: 962 984 388, E-mail: ass.esp.leiriaQ&pluricanal.net
XI FORUM ESPIRITA A Associação Espírita de Leiria, vai levar a cabo o XT FORUM ESPIRITA NACIONAL nos
próximos dias 11 e 12 de Setembro, data em que se comemora a constituição jurídica desta associação. Para este ano esta associação convidou Sérgio Felipe Oliveira, psiquiatra, espírita, cientista, pesquisador junto da Universidade de São Paulo, Brasil. Especialista no estudo e mapeamento da glândula pineal, Sérgio é o actual presidente da Associação Médico Espírita de São Paulo, que abordará em Leiria o tema "Fenomenologia orgânica e psíquica da mediunidade". Paralelamente, estará igualmente em Portugal o médium brasileiro que efectua pintura mediúnica, José Medrado, da Baía, Brasil, entre
outros possíveis convidados. O programa será o seguinte: dia 11 de Setembro, 14H00 Recepção, 14H30 - Abertura do Fórum, 16H00 - Intervalo, 16H30 - Continuação das actividades, 18H00 - Intervalo, 18H30 - Continuação das actividades, 20H00 - Jantar, 21H00 - Peça de teatro espírita. Dia 12 de Setembro, 9H30 Reinício das actividades, 11H00 - Intervalo, 12H30 - Almoço,
14H00 - Reinício das actividades, 17H00 Encerramento.
Este fórum realiza-se já na nova sede da Associação Espírita de Leiria.
Fonte: José Lucas lucasOclix.pt
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Basta enviar a notícia para| — 919 BRAGA (portes incluídos).
adep(Qadeportugal.org e, para além de ser enviada por e-mail, será inserida na Agenda do movimento espírita português, no respectivo dia e mês, facilitando assim a consulta de eventos espíritas nacionais. Para consultar a Agenda basta aceder a www.adeportugal.org
Estudos psico(pato)lógicos, psiquiátricos e de saúde mental à luz do Espiritismo. Façajáa(s) sua(s) pergunta(s)!
Aflição da leitora e a propaganda contra o aborto...
Em 20 de Junho passado, recebemos a seguinte mensagem electrónica: "Senhor Dr. Iso Teixeira, quando tinha 18 anos, ainda estudante universitária Efiquei grávida do meu namorado, e por vergonha, "medo" da família e falta de dinheiro, resolvemos abortar. Passadas quase duas décadas, não consigo esquecer esse facto, embora à época, pensasse que era a melhor e mais fácil opção para todos os problemas que surgissem. Como católica, não tive o que necessitava; carinho, amor e entendimento.
Mais tarde, voltei-me para o Espiritismo, mas apesar da doutrina espírita ser libertadora, de esperança e de amor, eu fui severamente condenada e crucificadaEpelos espíritas de um determinado centro, e me afastei.ESerá que sou uma assassina e não tenho maisEÉ perdão?" M.J.
Alerto os senhores leitores, que encaminharem as suas perguntas para esta coluna, para que não deixem de inserir o nome completo (ou pseudónimo completo, preservando a privacidade), e a cidade e o distrito em que residem. O tema aqui tratado, o aborto, é muito polémico. Médicos, psicólogos, leigos, religiosos, dividemse quanto à questão fundamental: é ou não um crime O assunto é tratado passionalmente, quando deveria ser estudado à luz da razão e é isto que tentaremos fazer, à luz da doutrina espírita.
Temos perfeita consciência de que nossa opinião aqui defendida terá muitos contraditores, não almejamos a unanimidade; embora amparada doutrinariamente, trata-se de opinião pessoal... Aborto é a morte do feto no ventre de sua mãe, produzida durante qualquer etapa, que vai desde a fecundação (união do espermatozóide e do óvulo) até ao momento em que o bebé deveria nascer. O aborto pode ser espontâneo (quando a morte do feto é provocada por alguma anomalia ou disfunção, não prevista, nem desejada, por exemplo, incompatibilidade sanguínea de factor Rh da mãe, alterações anatómicas do colo uterino, etc.)
Metade vítimas,metade cúmplices, como toda a gente.
de O Livro dos Espíritos (OLE).
É preciso ressaltar que há uma diferença fundamental entre a transgressão da Lei Divina e a transgressão de lei humana. Quando a mãe ou qualquer pessoa "impede uma alma de passar pelas provas de que o corpo devia ser o instrumento" (cf. resposta à questão 358 "in fine" de OLE) estará transgredindo a Lei Divina. O crime está em se transgredir a Lei Divina e não na morte do feto em si, pois o espírito reencarnante nada sofre (cf.
se depreende das respostas às questões 346 e 357 de OLE, de ALLAN KARDEC). Já a lei terrena depende da sociedade em que é estabelecida. O Código Penal brasileiro considera crime o facto, em si, de se impedir o produto da concepção de vir ao mundo e não de impedir a alma de passar pelas provas ou expiações que porventura tenha de resgatar.
Nalguns livros, palestras e programas radiofónicos espíritas, a questão do aborto (que é polémica) é tratada radicalmente, quase como uma pena de talião para quem pratica o aborto. A lei de causa e efeito não deve ser confundida com a pena de talião, aquela dependerá das condições espirituais de cada um, não há fatalismo espiritual matemático que diga: para cada aborto, uma dívida para a próxima encarnação, não!
|| A nossa leitora portuguesa, M. ]., afirma: "eu fui severamente condenada e crucificadaÊpelos || espíritas de um determinado centro, e me afastei" e conclui aflitivamente: 1) "Será que sou uma assassina e não tenho maisÊ perdão?". O trauma psíquico em si produzido, em quem pratica o aborto, pode trazer sérias consequências psicopatológicas, dependendo da sensibilidade individual: depressão reactiva, início reaccional de um processo esquizofrénico, transtornos de ansiedade, etc. Ora, o Espiritismo não tem dogmas!
A melhor forma de nos reconciliarmos com a Lei Divina é o Amor a DEUS e a Prática do Amor ao próximo, nisto está
deliberadamente por meios domésticos, químicos e cirúrgicos). As variedades de tipos de abortos domésticos são inumeráveis. Tais variedades são descritas num portal católico da Internet, com endereço www.aciprensa.com, El Aborto. A visão católica é de que o aborto é um assassinato, um infanticídio, e nada é descrito em termos espirituais. E a nossa aflita leitora demonstra isso nas suas palavras: "Como católica, não tive o que necessitava: carinho, amor e entendimento". Em casos de excepção a Espiritualidade Superior manifestouse em defesa da vida da mãe. Estudemos a questão do ponto de vista espírita.
Diz a Espiritualidade Superior na resposta à questão 358 de O Livro dos Espíritos (OLE), de ALLAN KARDEC: " — Há sempre crime quando se transgride a lei de Deus. A mãe ou qualquer pessoa cometerá sempre um crime ao tirar a vida à criança antes do seu nascimento, porque isso é impedir a alma de passar pelas provas de que o corpo devia ser o instrumento". Contudo, a Espiritualidade Superior prevê uma condição em que seria admissível o aborto: quando se sacrifica o feto para salvar a mãe que estiver em perigo pelo nascimento da criançacf. questão 359
contida toda a LEI DIVINA. Se a leitora se submeteu a aborto na juventude; mas, ao longo de sua existência, praticou ou pratica actos louváveis de amor ao próximo, é possível que ainda nesta encarnação já tenha se reconciliado com Deus e não tenha mais débitos. É possível que a senhora tenha sofrido muito, com uma dor moral atroz e não seja necessário um resgate em outra existência.
Não somos, obviamente, a favor do aborto, contudo, discordamos da maneira sensacionalista, que pressuponha a punição, o castigo de Deus como forma de propaganda contra o aborto. E isto é feito pelos católicos, como na página da Internet que referimos, em que são apresentados "testemunhos gráficos", com fotos reais verdadeiramente macabras, que não as divulgamos aqui para não incorrermos no mesmo erro. Outros, dão ênfase ao social para defenderem a legalização, indiscriminada, do aborto.
E citam o filósofo JEAN PAUL SARTRE, que, embora, com uma obra filosófica rica, sem hipocrisia, não foi exemplo de moralidade! Acertadamente, diz ele sobre o aborto: Metade vítimas, Metade cúmplices, como toda a gente...
nossas dívidas pode ser realizada ainda nesta encarnação. A transformação íntima de MARIA MADALENA (Lc 8,2 e Mc 16,9) é o belo exemplo de conversão do amor sensual para o espiritual (cf. o excelente romance filosófico de J HERCULANO PIRESMadalena (Do amor sensual para o espiriítual). EDICEL, 5 ed., São Paulo, 1987). E a conversão de SAULO DE TARSO no caminho de Damasco é outro notável exemplo de transformação íntima na mesma existência...
Certamente, este acto irreflectido, caríssima leitora, não foi o único em sua vida e a sua admissão como erro já é um passo para sua evolução espiritual razão maior para aqui estarmos encarnados. O fundamental para o espírito é a transformação íntima e isto pode ser conseguido, pois contamos com a Misericórdia Divina, que não pune ninguém. Esta é a melhor forma de evitar-se o aborto: viver voltado para as coisas espirituais desde a infância.
A lei de causa e efeito não deve ser confundida com a "marca de Caim" nem com a "pena de talião". Antes de MOISÉS a lei era extremamente severa, primitiva, com a "marca de CAIM", por exemplo. Com MOISÉS predominou a "pena de talião", mais branda que a anterior. E, com JESUS, exemplificouse a Lei de Amor, de Misericórdia. Este abrandamento da lei terrena foi discutido por nós em nosso livro Agressividade: de CAIM aos "serial-killers" (Editora DPLSão Paulo, Brasil, 2003), ao qual remeto os leitores.
Actos irreflectidos de uma jovem irão comprometer, definitivamente, as existências actual e futuras! Não, setenta sete vezes não! Não será o início tardio do trabalho na seara do bem quem irá impedir que o trabalhador receba o seu salário; como JESUS exemplificou na parábola dos trabalhadores da vinha (Mt 20,1 - 16). Outra exemplificação de JESUS, em assunto correlato a este, foi no pecado de adultério, que a lei moisaica ordenava apedrejar, então, disse JESUS aos escribas e fariseus: "Quem dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra." (Jo 8,7).
Deus, pai infinitamente misericordioso, não castiga seus filhos com penas eternas, como acreditam os católicos, nem com ameaças fatalistas, como certos arautos do Espiritismo, distorcendo a pureza da doutrina ditada pelos Espíritos Superiores... Que as leitoras reflictam sobre a frase de JESUS, que serviria para os dias actuais, tanto para os católicos quanto para o actual movimento espírita: "Acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus!" [Mt 16,11 ("in fine")].
Texto: Dr. Iso Jorge TeixeiraCREMERJ: 52-14472- 7 - Livre-docente de Psicopatologia e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de JaneiroBrasil.
Faça a sua pergunta so%re saúde mental!
Dr. ISO JORGE TEIXEII::X E-mail: isojorge©b|ghosl:.(:o"nê:1 Correio postal: Apartado 4711-910 BRAGA PORTUGAL
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GRUPO DE ESTUDOS ESPÍRITAS ALLAN KARDEC
Decorreu nos dias 5 e 6 de Junho na aldeia do Parente, concelho de Oliveira do Hospital, um encontro de confraternização dos trabalhadores do Grupo de Estudos Espíritas Allan Kardec, de Coimbra.
O dia 5, sábado, foi exclusivo para as “meninas”. Depois da viagem matinal até ao local do Encontro, e do pequeno-almoço tomado, o dia começou com uma prece, seguida pela palestra da convidada especial, a nossa querida irmã Julieta Marques, dirigente da Associação Espírita de Lagos. Com o seu jeito sempre divertido, a palestra teve como tema principal “A Mulher”, lembrando várias personalidades femininas que marcaram o mundo, dentro e fora do Espiritismo.
Após o almoço, ninguém segurou as lágrimas com a visualização do belíssimo filme “São Francisco de Assis”. E a tarde prosseguiu, com muita conversa e boa disposição, fazendo daquele dia uma oportunidade abençoada de paz, harmonia e muita alegria.
E o domingo não foi diferente! Com a chegada dos “meninos” a boa disposição e alegria redobraram, e o convívio salutar preencheu
Nesta confraternização houve jogos tradicionais
Os “Jogos da Amizade” marcaram o dia. Foi bonito de ver a entreajuda entre os companheiros de equipa para que todos, em conjunto, conseguissem superar as diversas etapas que foram propostas: três etapas físicas e outras tantas que puseram à prova os “conhecimentos espíritas” dos grupos. Não podemos deixar passar em claro, o “banho” de Natureza que a todos foi concedido naqueles dias, nesta aldeia das faldas das Serras
do Açor e da Estrela, onde ainda se mantém uma sadia convivência HOMEM-MEIO, uma harmonia que se sente no ar e onde se respira saúde. Agradecemos a DEUS este salutar convívio, a Jesus todos os momentos espirituais, e à própria Espiritualidade tamanha bênção.
DIÁLOGOS ESPÍRITAS NO CENTRO ESPIRITA PERDÃO E CARIDADE
Nos DIÁLOGOS ESPÍRITAS, estuda-se e participa-se, colocando questões oportunas. Todos os primeiros domingos de cada mês no CEPCCentro Espírita Perdão e Caridade, na Rua Presidente Arriaga, 124/125 em Lisboa, entre as 17h00 e as 19h00. Telefone : 21/3975219 (entrada gratuita). O tema de Agosto foi REENCARNAÇÃAO E SUAS IMPLICAÇÕES e teve como expositor André Ginó. AÀ coordenação é de Carlos Alberto Ferreira e Antero Ricardo. Em 5 de Setembro o tema foi «Tabagismo no contexto espírita», pela expositora Ana Cristina Almeida.
CECA: INSCRIÇÕES PARA CURSOS NO PORTO
O CECA* - Centro Espírita Caridade por Amor abre à população do Porto o Curso de Básico de Espiritismo, gratuito. Com a duração de 10 meses, iniciou a 6 de Setembro e finalizará a 27 de Junho. Com a carga horária de 1 hora por semana, decorre às segundas-feiras, entre as 21h30 e 22h30. Apresentado em data-show, utilizando-se para isso as mais modernas tecnologias didácticas e pedagógicas, os interessados inscreveram-se por correio, e-mail ou pessoalmente. Abel Duarte e Luís de Almeida serão os monitores.
O CECACentro Espírita Caridade por Amorlevará à população metropolitana do Porto, o seu IX "Curso de Passes", totalmente GRATUITO. Com a duração de 2 meses, iniciará a 7 de Setembro e finalizará a 26 de Outubro.
Terá uma carga horária de 1 hora por semana e realizar-se-á todas as terças-feiras, entre as 21h30m e 22h30m. Será apresentado em datashow. Os interessados poderão inscrever-se por correio, e-mail ou pessoalmente. Armando Silva, Carlos dos Santos Ferreira e Pedro Miguel serão os monitores, mais informações em: CECACentro Espírita Caridade por Amor.
* CECACentro Espírita Caridade por AmorRua da Picaria, 59 — 1º Frente - 4050-478 Porto —- Portugal. Telefone: (+351) 91 216 00 15. Email: ceca&sapo.ptwww.ceca.web.pt
CENTRO DE ESTUDOS ESPIRITAS DA MADEIRA
José Lucas esteve na Ilha Madeira, onde estabeleceu contacto com o CENTRO DE ESTUDOS ESPÍRITAS DA MADEIRA, que na cidade do Funchal tem reuniões regulares, num local aprazível.
José António Câmara é o presidente deste grupo espírita. Refere que neste momento para além da organização do mesmo estão a levar a cabo várias actividades de estudo da doutrina espírita. Foi uma oportunidade para troca de
Elementos do grupo madeirense confraternizam com José Lucas
ideias dentro dos ideais espíritas, onde se pode respirar um ambiente de amizade. «Ficou a promessa de logo que possível retornarmos à Madeira, colaborando com outras actividades», afirma Lucas. Os interessados em frequentar este grupo poderão contactar José António Câmara, através do telefone 967948468 ou pelo e-mail leaopita&netmadeira.com
Correio postal: Apartado 6208, 9001-701 Funchal. Moarada: Rua Caminho da Achada, n.º 10 - Funchal.
ASSOCIAÇÃO ESPÍRITA TERCEIRENSE «GRUPO DIVALDO FRANCO»
Os espíritas açorianos, sedeados na Ilha Terceira, foram visitados por José Lucas há um par de meses. Diz: «Recebidos amavelmente pela família Sales, tivemos oportunidade de trocar ideias, bem como de conhecer a sede deste grupo espírita, bem organizado e com vontade de divulgar a doutrina espírita neste Portugal insular».
Ana Sales e a sua filha Ana Raquel mostram aqui o grupo espírita local que tem por nome ASSOCIAÇÃO ESPÍRITA TERCEIRENSE
Ana Sales e a sua filha Ana Raquel mostram às // instalações da associação espírita terceirense
«GRUPO DIVALDO FRANCO», com sede na Canada da Luciana, n.º 8 ASanta Luzia - 9700-016 ANGRA DO HEROÍSMOILHA TERCEIRAAÇORES. Internet: aeterceirenseOyahoo.com.br ou
omaildabidu&Oyahoo.com.br. Telefones 295628881 e 969882610.
ESCOLA DE BENEEICÉNCIA E CARIDADE ESPIRITA: CONVIVIO EM JULHO
Este centro espírita juntou numa quinta os seus colaboradores e frequentadores, acompanhados das respectivas famílias, e promoveu um convívio que iniciou pelas 11h00 com uma palestra.
Seguiu-se um piquenique e, após o almoço, houve lugar a jogos, música e teatralizações. O bom humor e ainda alguns jogos
tradicionais deram espaço a um convívio salutar neste domingo, dia 19 de Julho, a exemplo do
Convívio da Escola de Beneficência e Caridade Espírita, de S. João de Ver: meninas do grupo de jovens tocam flauta
que esta associação de S. João de Ver tem feito noutros anos.
3264703; 93-8466898 - Internet: www.ccespirita.orgE-mail: cce&ccespirita.org
25.º ANIVERSÁRIO DA COMUNHÃO ESPÍRITA CRISTÃ
A Comunhão Espírita Cristã de Rio Tinto (CEC) comemorou no passado dia 31 de Julho o 25.º aniversário da sua existência. Nesta data tão especial para esta associação, todos os presentes tiveram a oportunidade de escutar os relatos de alguns dos sócios-fundadores e trabalhadores mais antigos e assim ficar a conhecer mais em pormenor a história deste centro espírita desde a sua criação, os anos
vividos em instalações provisoriamente cedidas por amigos e finalmente a concretização do sonho da inauguração da sede própria da CEC em Dezembro de 1994.
O convidado de honra das celebrações foi o presidente da Federação Espírita Portuguesa, Arnaldo Costeira, que teve oportunidade de palestrar para os presentes deixando a sua mensagem de felicitações e incentivo para que cada vez mais e melhor os centros espíritas possam levar a palavra consoladora e esclarecedora do Espiritismo à humanidade. Os trabalhos foram depois encerrados pela actual presidente da direcção da CEC, Isabel Andrade, com uma mensagem de optimismo e esperança para o futuro tendo posteriormente todos os presentes sido convidados para desfrutarem de um agradável lanche-convívio ao ar livre.
Texto: José Miguel Cardoso Figueiredo
José Fernandes Pereira, na década de 1980, na Juventude Espírita Meimei, arredores do Porto. Desencarnou nessa — mesma décadaal i
CENTRO DECULTURA — [[[ [ aEm FA ESPÍRITA PRESENTE NA FEIRA DO LIVRO DE CALDAS
O Centro de Cultura Espírita* esteve presente na feira do livro que decorreu durante o mês — de Agosto, em Caldas da Rainha, no Museu | do Ciclista, em frente ao parque da cidade. Diversas pessoas que ainda não frequentam associações espíritas, interessadas em adquirir livros da especialidade, puderam assim deslocar-se a esta feira do livro e procurar novas leituras. * Rua Francisco Ramos, 34, r/c, 2500-831 Caldas da Rainha, www.ccespirita.orgEmail: cce&ccespirita.org , Tel.: 91-7058415; 93-
Uma das mais antigas associações do Grande Porto, no pós-25 de Abril de 1974, a Comunhão Espírita Cristã. Fundada por José Fernandes Pereira e Manuel Terroso Martins, este a usar da palavra na foto, comemorou o seu 25.º aniversário no passado dia 31 de Julho.
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DIRECÇÃO TÉCNICA: Dra. Filomena Cabêdo e Lencastre
MARINHA GRANDE- — LEIRIA * BATALHA * S. MAMEDE * ALQUEIDÃO DA SERRA
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onde cencade 300 pessoas visitam-no diariamentel!
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Centro Espírita Luz EternaOlhão
O Centro Espírita Luz Eterna, em Olhão, no Algarve, também tem a sua presença na Internet, como tantas outras
O site tem a seguinte estrutura: início, doutrina espírita, artigos, biblioteca virtual, campanhas, movimento espírita, notícias.
Logo na página principal encontra-se o anúncio da vinda de Divaldo Franco e um link para o seu site. Mais abaixo, pode ler-se um esclarecimento sobre “O que é o Espiritismo”, o que este revela, a sua abrangência e os seus ensinamentos fundamentais, e ainda acerca da prática espírita, deixando como frase final do texto: “O estudo das obras de Allan Kardec é fundamental para o correcto conhecimento da doutrina espírita.”
Na secção Doutrina Espírita, podemos consultar três textos interessantes: “A Doutrina Espírita”; “Origem, autoria e objectivo da Doutrina Espírita”; “Conheça o Espiritismo, uma nova era para a humanidade”. Todos eles são baseados na codificação do espiritismo. Na secção seguinte, Artigos, temos acesso a temas, tais como ” União e Trabalho”, “Difusão do Espiritismo”, “O Trabalho de Unificação”, “A Classificação dos Espíritas”, “Distorções, Problemas e Soluções”, “Orientações e Recomendações”, “O Homem de Bem” e “Os Bons Espíritas”.
Na secção Biblioteca Virtual, podemos ler uma breve biografia de Allan Kardec e fazer o
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to a 25 de Outubro, petas 16 horas o 30 mínutos, 6 » 26 do Outubs
DEUS, INTELIGÊNCIA SUPREMA, CAUSA PRIMEIRA DE TODAS AS COISAS
JESUS, OGUIA E MODELO A BASE FUNDAMENTAL |- O LIVRO DOS ESPÍRITOS O LIVRO DOS MÉDIUNS
O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
"FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO" Caridade tenembncia para vom todos, Indetgência para e imperdoigões des cutrve. pardo des eivadas: <a cm
* Conselho Fxpírita Internacioxal
FTederação Espirito Portuguesa
download da Codificação e da revista “O Reformador”. Existe também a secção Campanhas, de momento
não activa, por não estar a decorrer nenhuma campanha.
Quanto à secção Movimento Espírita, nela se pode ler um texto sobre “Trabalho Federativo e de Unificação do Movimento Espírita” encetado pela FEPFederação Espírita Portuguesa e que nos explica o que é, o que realiza, como se estrutura,Edirectrizes do trabalho federativo e de unificação do Movimento Espírita. Notícias: sector destinado a notícias de actividades espíritas em Faro, como por exemplo a vinda de Divaldo Franco nos dias 25 e 26 de Outubro deste ano.
Podemos também consultar o roteiro completo da visita de Divaldo ao nosso País. Importa destacar que também se pode ter acesso a algumas notícias do Brasil e do resto do mundo. Uma página na Internet simples, informativa e de rápido acesso.
Para visitar este site basta digitar este endereço no seu explorador de internet:
http:/ / www .geocities.com/ TheTropics/Cab ana/1567/
Para mais informações pode contactar o referido centro espírita: CELECentro Espírita Luz EternaR. de Santana, bloco D, r/c - 8700- 416 OLHAOTelf. (351) 289714313 - Algarve, Portugalcele&go.to
Não olhes ao tempo que perdes, Nas obras do bem-fazer
Irás mais tarde compreender.
Faz aquilo que queres para ti, Aos outros que te rodeiam
Ama a todos sem excepção, Principalmente os que te odeiam.
Assim como perdoas, Serás perdoado por Deus Procura assim fazer,
Agora é a oportunidade, Que tens do bem fazer.
Não a percas em futilidades, Para mais tarde o mal sofrer.
Se quiseres aprender sempre mais.
Mensagem psicografada no dia 10-7-2003 no Centro Espírita «A Casa da Esperança», Viana do Castelo, através da médium A.M. A. Silva.
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jornal de espiritismo — 7 entrevista
David Fontana — professor universitário afirma: a vida continua após a morte
David Fontana participou em Vigo, na vizinha Espanha, na Conferência Internacional acerca da Sobrevivência à Morte Física, de 23 a 25 de Abril. Autor de 26 livros de Psicologia, traduzidos em 25 línguas e docente universitário no Reino
Unido, concedeu-nos esta entrevista.
David Fontana tem um currículo notável. Doutorado em Psicologia é, actualmente, Membro Distinguido e Professor Convidado da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, e Professor de Psicologia Transpessoal na Universidade John Moores, em Liverpool, também no Reino Unido.
Para além disso, é Professor Convidado das Universidades do Minho e do Algarve, em Portugal. E ainda Membro da British Psychological Society e Conselheiro Psicológico contratado. O seu interesse pela pesquisa psíquica remonta aos tempos da sua juventude, sendo Presidente-fundador (actualmente Vicepresidente) da British Society for Psychical Research e Presidente da Comissão da Society Survival Research. Investigador da Mediunidade por largos anos, tem dedicado particular interesse aos casos de poltergeist e aos consequentes fenómenos físicos, escrevendo exaustivamente sobre o assunto.
David Fontana a firma: «O próximo passo é o de demonstrar, para satisfação dos cientistas cépticos, que parecem ser muito difíceis de convencer, que não se trata apenas de possíveis capacidades psíquicas, mas sim que a vida continua após a morte»
Electrónicas), durante muitos anos, mas só após ter começado a trabalhar com Anabela Cardoso, há cerca de três anos, é que se convenceu, finalmente, da paranormalidade desses fenómenos. Esteve presente nos estúdios de Anabela Cardoso, em Vigo e em Lion, quando foram obtidos resultados sob condições estritamente controladas. Acedendo ao convite desta investigadora, o Professor David Fontana faz, agora, parte da Equipa Editorial do «Jornal de TCID> (Transcomunicação Instrumental Instrumental Transcommunication) Com Anabela Cardoso, foi co-organizador do I Congresso Internacional sobre “Investigação sobre a Sobrevivência à Morte Física, com especial referência à Transcomunicação Instrumental”.
- Apresentou pesquisas com médiuns onde assistiu a materializações de seres espirituais e outros fenómenos que demonstram a imortalidade da alma. Onde é que elas ocorreram?
DF- Sim, decorreram em Inglaterra. Estamos a falar das investigações levadas a cabo pelo Grupo Scole, acerca da produção de fenómenos físicos, num compartimento especificamente preparado para fins científicos, pois situavase debaixo do solo, isolado com paredes de tijolos, de modo a que não pudesse haver interferência do exterior. Dois anos de investigação com este grupo, inicialmente uma vez por mês, durante cerca de três horas, em que tivemos oportunidade de verificar toda uma vasta gama de fenómenos, em condições em que não seria possível haver fraude.
- Onde se passou isso? DF- Em Scole, Norfolk. - Quando, exactamente? DF- Publicámos os nossos relatórios em 1999, tendo a investigação terminado no início desse ano. Este trabalho foi apresentado no Simpósio “Aquém e Além do Cérebro”, em Portugal, na cidade do Porto, na Casa do Médico, organizado pela Fundação Bial, no ano de 2002.
- O que pensa ser necessário fazer, actualmente, para alterar os paradigmas científicos, no que respeita à sobrevivência N do espírito como sendo uma “ realidade comprovada? DF- Penso que não há dúvidas, P temos evidências suficientes para demonstrar que esses acontecimentos paranormais acontecem. Demonstrámos isso em condições inequívocas. O próximo passo é o de demonstrar, para satisfação dos cientistas cépticos, que parecem ser muito difíceis de convencer, que não se trata apenas de possíveis capacidades
psíquicas, mas sim que a vida continua após a morte.
O grande problema, no momento, é que todos sabemos que temos mensagens muito boas, de médiuns, através da TCI, enfim, de várias formas, temos efectivamente mensagens muito boas de pessoas que já morreram. Mas ainda que os cientistas acreditem no paranormal, a verdade é que eles dizem que tudo isso é causado pelos “vivos”, pela mente dos vivos, e que a informação provém da telepatia, da clarividência, ou da psicoquinese, que é a capacidade que a mente tem de produzir fenómenos físicos.
Por isso, eles diriam que nós não obtivemos essas mensagens através de um gravador ou de um vídeo, mas sim que esses registos teriam sido causados pela acção da psicoquinese ou do paranormal, ou seja pela mente dos vivos. Não temos evidências formais de que a telepatia, a clarividência ou a psicoquinese dos “vivos” são suficientemente poderosas para produzir estes efeitos. E, por isso, o argumento que deve ser utilizado com convicção é que, se estes efeitos são produzidosporque o sãoo normal é que sejam produzidos pelos mortos, pelos espíritos, pelos falecidos, mais do que pelos vivos.
Aliás, não devemos chamá-los de mortos, porque, na verdade, eles estão bem vivos, uma vez que têm o poder de produzir tais fenómenos. Em complemento, é certo que obtivemos determinadas informações que nenhum dos vivos sabia. Obtivemos comunicações de pessoas que nem sequer conhecíamos, tendo pesquisado e chegado à conclusão que tinham existido e que os detalhes que nos tinham sido fornecidos estavam correctos. Vejamos, nenhum vivo possui necessidades emocionais de produzir essa espécie de informação detalhada.
Eles não conhecem as pessoas, nem quem são, nada conhecem do seu passado, não têm qualquer ligação com elas, ou qualquer coisa do género e, mesmo assim, a informação é totalmente verdadeira. Este é um argumento muito forte, pelo facto de ser proveniente de um falecido e não de um vivo. E há mais: convém sempre enfatizar que os médiuns, por exemplo, são os peritos, uma vez que é através deles que o contacto se estabelece, e que há pessoas que dizem pertencer a outros planos.
Isto não advém das suas mentes ou das mentes dos que os rodeiam. Os médiuns são os peritos, e temos também de respeitar o que eles nos transmitem através dos seus dons. — Haverá uma revolução no nosso mundo? Acredita que a Ciência criará algum instrumento para detectar as vibrações dos espíritos?
DF — Bem, os cientistas estão sempre a mudar e o desenvolvimento, agora com a TCI, sugere, mas sugere fortemente mesmo que, da maneira como estes instrumentos se desenvolvem, poderão ser abertas novas “avenidas” para as comunicações. Estou, na verdade, muito optimista acerca do que pode vir a acontecer com todo este trabalho no âmbito da TCI. A electrónica move forças tão rapidamente, que poderemos descobrir, acidentalmente, algum equipamento novo capaz de provocar efeitos muito melhores do que os conseguidos através da gravação em cassete, por fax, computador, etc.
, através dos quais temos vindo a obter mensagens há tanto tempo! — O médium brasileiro Francisco Cândido Xavier, por volta de 1948, recebeu vários livros psicografados de um espírito, André Luiz, que tinha sido médico em vida. Este médium não tinha estudos, era um homem muito pobre e, no entanto, psicografou uma quantidade considerável de livros desse médico, entre centenas de outros. André Luiz falou da comunicação entre vários planos no mundo espiritual, referindo a existência de uma espécie de equipamento que não conhecemos.
Penso que se assemelha um pouco ao que acaba de dizer.
DFSim, é correcto. Penso mesmo que essas mensagens foram recebidas há bastante tempo, mas seriam muito melhores se pudessem ser obtidas através de equipamento electrónico que, como disse, nesse tempo ainda não tinha sido inventado aqui na Terra. Entãoomédium não tinha qualquer possibilidade, também, de saber fosse o que fosse acerca disso, pela simples razão de que não existia ainda, havendo, por isso mesmo uma tão forte evidência da existência desse material no plano espiritual.
— Bem, mais uma ou duas questões, se me permite: que outras espécies de pesquisas se estão a desenvolver?
DFHá muito trabalho em curso, na Inglaterra, na área da mediunidade. Existe uma grande rede de pesquisas acerca da mediunidade mental e física, mas a TCI está muito mais avançada aqui, na parte continental da Europa, do que na Inglaterra. Por exemplo, em França, na Espanha e, em particular, na Itália, está muito mais desenvolvida. Na Inglaterra, a TCI tem sido um pouco relegada para segundo plano mas, por outro lado, a mediunidade tem muito mais aceitação do que na Europa continental e a verdade é que muitos dos grandes médiuns eram ingleses ou americanos.
Assim, podemos dizer que estamos a desenvolver um bom trabalho no aspecto da mediunidade mental e física, mas a minha esperança é que, também agora, se comecem a fazer mais pesquisas no campo da TCI, na Inglaterra. O problema é que os ingleses não conseguem ler o que se encontra publicado em italiano ou espanhol, quer sejam livros, quer sejam jornais. Mas quando toda essa literatura estiver disponível em inglês, estou seguro de que acreditarão e que haverá, dessa maneira, um investimento maior na pesquisa da TCI.
— Pensa que a Física pode ajudar a compreender tudo de que temos estado a falar?
DFSim, penso que a Física é uma ajuda, pelo menos a Física Quântica, porque é uma ciência que estuda a parte mais pequena do mundo, o mundo subatómico; ela reconhece que não existe matéria do modo como sempre a temos compreendido, mas sim que é composta por energia. No pequeno mundo subatómico, o tempo e o espaço agem de forma diferente, por isso as nossas leis físicas, aplicadas a esse mundo, até resultam, se pensarmos num mundo no interior dos átomos ou fora do espaço. Olhando para a astrofísica, encontraremos, de novo, as leis físicas, essas leis que não podem ser quebradas. Assim, há uma linha-limite aplicada ao mundo material, mas não ao mundo subatómico e nem ao mundo astral.
Há físicos que já têm a mente aberta a estas ideias e que nos ajudam a reconhecer que a matéria não é aquilo que pensávamos. E quanto mais analisamos tudo isto, o mistério torna-se cada vez maior e vamos tendo a
Na Inglaterra, a TCI tem sido um pouco relegada para segundo plano mas, por outro lado, a mediunidade tem muito mais aceitação do que na Europa continental e a verdade é que muitos dos grandes médiuns eram ingleses ou americanos
David Fontana: «Há muito trabalho em curso, no Reino Unido, na área da mediunidade. Existe uma grande rede de pesquisas acerca da mediunidade mental e física»
convicção que para isto tudo teve de haver um Criador.
Penso que a ideia de um Criador está assente e que a Consciência é algo primário, ou seja, a Consciência teve de vir primeiro e que a matéria não existia antes.
Físicos, como o Prof. Dr. Amit Goswam, dizem que a Consciência veio primeiro e que foi ela que criou o mundo material. Podemos, pois, chamar-lhe Consciência Divina ou Deus, como bem o entendermos.
— Professor, está a fazer alguma pesquisa, actualmente, no campo da TCI?
DFSobre a mediunidade? Sim, estamos a trabalhar com a mediunidade mental e física, na Inglaterra, onde se podem encontrar médiuns muitos bons, pode ter a certeza. — Sabemos que está a preparar um novo livro.... Podemos saber o título?
DFBem, temos um título ainda provisório... O livro sairá no próximo Outono, está na editora. Ainda não decidimos o título final, mas poderá ser: Is there an After Life? (Há uma Vida Depois da Morte?). O objectivo do livro é a demonstração das evidências de que há vida após a morte.
— Esperamos vir a ter a oportunidade de ler o seu livro. Muito obrigado.
Tradução: Sílvia Antunes. Fotografia e texto: José Lucas lucasOclix.pt Obsessões: testes da vida
médiuns? Médium é todo aquele que é capaz de ser intermediário entre o nosso plano — o dos espíritos e o plano espiritual. Pode ser médium a 5% ou a 10%, a 33% ou a 71% , ou até a 99,1%. Assim, como não capaz de, nalgum momento, receber uma influência de um espírito desencarnado, em algum grau, todos
s evidenciam a faculdade — persistente, mas sempre prejudicial, sobre — comportamentos. a notória — de uma maneira — algum espírito encarnado. Este último, por sua — No primeiro caso, podemos ter alguém que vez, é referido como obsidiado, ou seja, aquela — usou o poder que deteve numa vida passada
to o qãe cham ;JA6 outrót são os de existê desde q e da Tidrra. Há q ito diferente d htam-sd aos mil hã — lu médi ão. Diante das m Á ralíz os, há brtantof que vald i , inclhsive, en ediúmndica.
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Sistema obsessivo Sistema obsessivo
elementos estruturais elementos estruturais
obsidiado espírito obsessor
espírito obsessor — ignorância — õ ÁBE ignorância = |
podemos auxiliar, o cultivo de ressentimentos, o invariável pessimismo, o culto da tristeza, entre outros estados de alma nefastos são exemplo disso.
Imaginemos que juntamos diante da nossa atenção, com detalhes, todos os milhões de casos de obsessão que se desdobraram na Terra no século passado.
Seria possível, na sua diversidade, apurar, juntar os elementos que todos eles tivessem tido de comum, ou seja, que partilhassem entre si?
E evidente que sim. O resultado seria o que resumimos no diagrama do fundo da página anterior.
Comparemos uma obsessão a uma aeronave
em voo. O combustível que lhe permite deslocar-se seria a ignorância. Como se combate a ignorância?
Com amor e conhecimento, o que não exclui a necessária disciplina...
O que é fundamental nesse diagrama? Esclarecer o obsessor? Ou esclarecer o obsidiado para que ele possa mais facilmente cumprir a sua parte no processo de ajuda? A resposta aponta para a segunda opção. Porquê? Porque se apenas esclarecemos o espírito obsessor, ele segue a sua vida. Porém, sendo uma obsessão por afinidade, logo vem outro com as características afins e temos o obsidiado em aflição de novo, com um obsessor idêntico. Contudo, se esclarecermos o obsidiado, ajudamos em simultâneo o obsessor, e fazemos com que as causas da obsessão fiquem impossibilitadas de alcançar a elevação de comportamento mental que o ex-obsidiado passará a manter.
Obsessão, essencialmente, em médiuns ostensivos ou não, é afinidade de pensamentos e sentimentos.
Nem sempre existem as condições adequadas para constituir uma reunião mediúnica de desobsessão. Mas, como se compreende com o diagrama acima, não se torna fundamental no processo desobsessivo a prática mediúnica ostensiva.
Uma reunião de estudo do Evangelho, em clima de fraternidade, pode redundar em resultados excelentes, ao contrário do que poderia também ocorrer numa reunião mediúnica convencional de teor vibratório inconsistente.
Mais do que fórmulas de serviço conta a autoridade moral do grupo e o seu funcionamento seguro.
Nós e os espíritos desencarnados
Diante do exposto, isso quer dizer que os
espíritos têm sempre uma influência perniciosa sobre nós?
Não. Podem ter boa influência, se forem espíritos desencarnados esclarecidos. Neste caso, respeitam sempre o nosso livre-arbítrio, ao invés dos obsessores.
Os espíritos têm influência sobre nós na medida em que concordamos e damos força às sugestões que eles nos façam, para o bem e para o mal. Não têm influência na medida em que percebemos as opções, as juntamos às nossas e elegemos a mais acertada de acordo com o eterno bem.
Insista-se: somos um joguete, marionetas sem vontade própria, nas mãos deles?
Podemos concordar com o que nos sugerem ou não, sejam eles maus ou bons espíritos. Quanto mais concordarmos com más opções mais nos sujeitamos ao magnetismo da influência dos espíritos mais ignorantes. Se desenvolvermos bons sentimentos no nosso íntimo deixamos de ser vulneráveis às más influenciações.
Andamos aqui ao sabor das vontades dos espíritos desencarnados?
Andamos aqui para, no exercício do livrearbítrio, nos enriquecermos, através da experiência e da angariação de conhecimentos, de amor e sabedoria. Nesse percurso, estamos sujeitos a diversas influências de espíritos encarnados e desencarnados. Cabe-nos, porém, a nós próprios as escolhas que queremos realmente fazer.
Justo é concluir: é fundamental estudar o assunto com tranquilidade. Tudo se resume, no final de contas, a aprender a iluminar a consciência com tudo aquilo que nos traga paz, boas vibrações ao coração.
Ou seja, temos que aprender alguma coisa sobre concentração. E sobre o que nos propomos escrever na próxima edição deste jornal.
Texto: Jorge Gomesjorge.je&clix.pt Cartoon: Reinaldo barros
O caso que narramos é verídico. A família é das nossas relações e merecedora da nossa estima e consideração. Abstemo-nos de tecer considerações permitindo a cada um tirar as suas próprias conclusões.
Depois de alguns ataques seguidos, num curto espaço de dias, ele fora levado ao bloco de urgências do hospital. O médico de serviço decidiu interná-lo para observações.
Apesar da atenção, da gentileza e da solicitude do pessoal de serviço, o seu comportamento era rude, agressivo e revoltado. Eram todos incompetentes, tudo estava mal, nada era do seu agrado.
Além da linguagem imprópria que a todos indignava, ameaçava constantemente fugir da enfermaria, rebelando-se contra todas as instruções dos médicos e
Porque a situação se tornava insustentável, à falta de melhor alternativa, decidiram os médicos sujeitá-lo à maca, por meio de braçadeiras de couro, de que ele tentava livrar-se, sacudindo o corpo violentamente. No relatório escreveram: “Doente mal educado e pouco cooperante”.
A família, constrangida e desgostosa, visitava-o todos os dias, tentando demonstrar-lhe que era devido ao seu procedimento incorrecto que tinham sido tomadas aquelas medidas excepcionais, em seu próprio benefício.
Passaram-se três longos dias angustiosos. Ao visitá-lo, naquela tarde, a família ficou intrigada por encontrá-lo sereno e calmo, apesar de bem cintado à cama.
Depois de um diálogo trivial, sobre os mais diversos assuntos, disse ele: “Esteve aqui uma senhora enfermeira vestida de bata azul.
Não se parecia com estas. Foi muito simpática e atenciosa. Era muito bonita. Soltou-me da cama e levou-me a passear. Saímos do hospital e fomos à rua”.
- “Saíste do hospital com uma enfermeira?” - disse a mulher espantada. Os familiares entreolharam-se - “E onde é que foram?”
- “Fomos até ao mar. Estivemos sentados a conversar durante muito tempo. O dia estava bonito”. Os seus olhos pareceram perderse num ponto distante.
- “De muita coisa. Não me lembro bem... Foi uma conversa muito interessante. Ela disse-me que o passeio me faria bem. E verdade, estou melhor. Se eu tiver juízo ela virá buscar-me outra vez para passearmos novamente. Sabes que me deu umas massagens nas pernas? Estou mais leve.” Após uma pausa breve, denotando alguma preocupação, disse à
mulher: “Fala com o senhor doutor e diz-lhe que eu saí com a senhora enfermeira: não foi sem autorização. Ela disse que eu não me devia preocupar porque estava tudo bem”.
- “Mas quem é essa senhora enfermeira?”, perguntou a mulher, perante a firme convicção denotada.
- “Não sei. Não é nenhuma destas que trabalha aqui... Ela disse que hoje me vem buscar novamente. Vamos passear na praia; tenho de portar-me bem””.
O tempo escoara-se rapidamente. A hora das visitas terminara. À família saiu comentando aquela súbita mudança de atitude e a visita daquela estranha enfermeira que tivera o condão de o transformar.
Na manhã seguinte o telefone tocava. Do hospital comunicavam a notícia inesperada: desencarnara tranquilamente naquela noite.
Texto: Reinaldo Barros opinião
Antes de começar a dissertar acerca do tema em questão, queremos sublinhar o respeito que o Espiritismo tem para com as inúmeras religiões que existem no mundo, pois os postulados espíritas recomendam a liberdade de pensamento.
O Espiritismo recomenda o amor entre as criaturas, independentemente da crença religiosa. Jamais afirmou que é o dono da verdade, jamais se colocou acima de qualquer religiãoenão admite, em hipótese alguma, o julgamento da crença alheia. Muitas vezes, por erro humano, confunde-se a excelsa perfeição dos postulados da Lei do Amor, olvidando-se que o ser humano está muito longe da perfeição dos espíritos puros. E mesmo aquelas pessoas que afirmam não acreditar em Deus tem o seu tempo para reflectir acerca da Verdade.
Como costuma dizer uma uerida companheira da nossa instituição: “Toda a ?ruta tem o seu tempo para amadurecer!”. Vale lembrar que acreditar por acreditar não é o suficiente. Costumamos dizer que já não acreditamos, temos a certeza. Acreditar é ter fé que exista, ter a certeza é basear a fé em provas concretas que nos confirmam a existência. Nada mais do que Kardec tinha aconselhado: “ Fé inabalável é somente aquela que encara a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade.
” E necessário pesquisar, procurar a instrução no Conhecimento Cósmico para que a Fé seja fortaleza e não casebre desabrigado à forte tempestade. Reconhecemos que se determinada pessoa está feliz no Catolicismo, no Protestantismo, no Judaísmo ou qualquer outro ismo, deve continuar ao serviço do Amor e da Paz conforme a sua crença. Todas as religiões, doutrinas ou filosofias são boas, desde que processem uma transformação do homem para melhor.
Anotamos inúmeros pontos positivos que o religiosismo tradicional possui. No entanto existem pontos equivocados nos diversos segmentos, totalmente contrários à lógica, ao bom senso e à razão. A concepção de Deus, por exemplo, é um ponto em que a coerência choca com o que tem sido ensinado no decorrer de milénios. Por exemplo: As escrituras antigas afirmam que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, entretanto, o homem, na sua ignorância e vaidade, começou a inverter as coisas e achar que Deus é quem é semelhante a ele, inclusive possuindo as suas paixões e as suas imperfeições variadas.
Criouse um ser de barbas brancas, sentado num trono a controlar o que se passava no planeta. O homem chega a admitir e pregar Deus como violento, cruel, sanguinário, vingativo, vaidoso, mesquinho, irresponsável, inconsequente, machista ao extremo, apreciador de bajuladores, temperamental, de veneta e discriminador. No entanto sabemos que Deus é incomparavelmente superior ao melhor homem que já pisou na face da Terra, que, como nos avisam os Espíritos Superiores, n'O Livro dos Espíritos na uestão 625, foi Jesus.
Apetece referir a sábia palestra ãe Voltaire na Loja Maçónica Nove Irmãs, em Paris, ao receber o Grau 33: “Eu não creio no Deus que os homens fizeram, mas creio no Deus que fez os homens”. Deus é, por isso, soberanamente Bom, Misericordioso e Justo em todos os momentos e em todas as situações. Jamais castiga os seus filhos, pois, a Sua Justiça é praticada de forma totalmente diferente daquilo que o homem está acostumado a ver: E o próprio ser que errou que escolhe a sua sentença, em consciência e através da reencarnação expia esses erros, caminhando rumo à perfeição.
Existe algum sistema jurídico no nosso planeta mais justo que este? E podemos perguntar-nos: “Mas se sou eu a escolher o meu caminho, vou pedir sempre o luxo, o desafogo, a felicidade, a harmonia, etc., etc.!!” Mas destes valores alguns são transitórios e outros apenas se adquirem com dor e mérito próprio, sendo que o tempo escasseia neste planeta. Teremos outros mundos para evoluir e o Pai oferece-nos a Eternidade como bênção para que a trabalhemos na direcção que o Mestre nos indicou: “Sede pois perfeitos como perfeito é o Pai dos Céus”.
Não criou o trabalho como um castigo para os homens e sim como uma bênção sendo uma das Leis Naturais, tal como Ele não pára de trabalhar e de criar. Também é comum ouvirmos nos círculos em que nos cruzamos a questão: “Quem é Deus?”, o que Kardec observou estar errado pois Deus não é uma pessoa e sim tudo o que existe. Então, sabiamente, questionou os espíritos: “Que é Deus?”, questão muito mais racional.
porque o homem é espírito, parte divina do Pai Universal. Todos os seres fazem parte desta Centelha Divina desde a criação.
A forma como Deus criou o Homem, outro objecto de polémica, numa óptica observadora, coerente e racional, está muito além da estória infantil de Adão e Eva e que continuam a passar às pessoas como se elas todas fossem preguiçosas quanto a capacidade de raciocínio. Como poderiam existir apenas dois seres criados por Deus, terem dois filhos e depois um desses filhos fugir e encontrar uma mulher noutro local? A história da raça adâmica reporta-nos para o senso comum dos anjos caídos.
Na Revue Spirite de Março de 1860 encontramos o seguinte trecho de Allan Kardec: “(...) diz a Bíblia que o mundo foi criado em seis dias e fixa a data de cerca de 4000 anos antes da Era Cristã. Antes disso, a Terra não existia, fora tirada do nada. O texto é formal. E eis que a Ciência positiva, inexorável, vem provar o contrário. A formação do globo está escrita em caracteres imprescritíveis no mundo fóssil; e está provado que os seis dias da Criação são outros tantos períodos, talvez de várias centenas de anos cada um.
Isto não é um sistema, uma doutrina, uma opinião isolada: é um facto tão constante quanto o movimento da Terra, que a Teologia não pode deixar de admitir. Assim, só nas pequenas escolas é que se ensina que o mundo foi feito em seis vezes vinte e quatro horas, prova evidente do erro em que se pode cair, tomando ao pé da letra as expressões de uma linguagem frequentemente fíígumda. Teria sido a autoridade da Bíblia atingida, aos olhos dos teólogos?
Absolutamente. Eles se renderam à evidência e concluíram que o texto podia receber uma interpretação. Escavando os arquivos da Terra, a Ciência reconheceu a ordem na qual os diferentes seres vivos apareceram em sua superfície. A observação não deixa dúvidas, quanto às espécies orgânicas que dpertencem a cada período; e esta ordem está de acordo com o que é indicado no Génesis, com a diferença de que esta obra, em vez de ter saído miraculosamente das mãos de Deus em algumas horas, realizou-se, sempre por sua vontade, mas conforme as leis das forças da Natureza, em alguns milhões de anos.
Por isso será Deus menor e menos poderoso? Sua obra será menos sublime por não ter o prestígio da instantaneidade? Evidentemente não. Seria preciso fazer da Divindade uma ideia muito mesquinhu, para não reconhecer sua omnipotência nas leis eternas por ela estabelecidas para reger os mundos.
Deus jamais mataria ninguém. Ele não seria inconsequente para criar os seus filhos e destruílos, de forma discriminada, fazendo-os apodrecer e desintegrar sem nenhuma razão.
O homem é um espírito eterno e não um corpo frágil e perecível. À Cí)erda do corpo que usamos não implica na perda da individualidade e do património existencial e experimental adquirido. O Espiritismo, baseado no bom senso, jamais admite Deus como um velho vaidoso e inútil que, em determinado dia do nosso calendário, discriminará um grupo de bajuladores para ficar ao Seu lado, sem ter o que fazer, na ociosidade absoluta, tocando harpa para toda a eternidade e outra parte num tal inferno, queimando também eternamente.
Sinceramente, não sabemos o que vai queimar no inferno, porque o corpo, que era a parte material da pessoa, já foi totalmente desintegrado com a morte. Quem conhece a composição química do fogo e das verdades evangélicas, sabe que fogo só queima a matéria, e que o espírito não arde senão no fogo proporcionado pela consciência atormentada.
Deus deu-nos e continua a dar um mundo farto em recursos naturais que precisamos para o nosso aprendizado e a nossa sobrevivência.
O ar foi-nos entregue puro. Se o homem o polui é quem arca com as consequências e não pode alegar castigo algum da parte do Criador. Os rios e os mares também nos foram dados límpidos e sadios. Se nós os adulteramos, que arquemos com as consequências também.
Se um fumador adquire um enfizema pulmonar que lhe causa sofrimento, tem sentido culpar Deus por possível castigo? E um absurdo!
Se nós fugimos das coisas boas e sábias e preferimos de filmes violentos na televisão, damos preferência às reportagens sangrentas e escandalosas dos jornais, vivemos em constante mau humor e irritamento, alimentamos raiva das pessoas e de
coisas, sorvendo o prurido da inveja, é justo que acusemos Deus de nos castigar quando vêm até nós exactamente essas coisas com que tanto procuramos nos afinizar? ,
A Lei de Causa e Efeito é uma realidade! E a Lei Divina que está presente para sempre nas nossas vidas. Diz o povo sabiamente: “Quem semeia vento, colhe tempestades”, sublinhando o aviso do Rabonni: “Como fizeres, acharás!” Colhemos o que plantamos, sempre.
E preciso consciencializarmo-nos que Deus está em nós, que somos os únicos responsáveis pelos fardos e cruzes da nossa vida e parar de atribuir a responsabilidade pelas inúmeras asneiras que fazemos todos os dias, para castigos de Deus ou a tentações de Satanás, esse personagem que inventaram para atrapalhar e confundir a cabeça das pessoas. ,
Deus é Eterno, Imutável, Imaterial, Unico e Soberanamente Bom e Justo. E apesar de ser tão superior a nós, está muito perto de nós. Basta que queiramos percebê-Lo.
À pessoa, quando se aprofunda nos estudos espíritas, passa não apenas a crer em Deus, e sim a conhecer Deus, o que é muito mais importante, pois adquire fé raciocinada, incomparavelmente melhor que a fé cega. Vive muito mais feliz e tem consciência de onde veio, o que está a fazer aqui e para onde vai.
Não interessa, no estado evolutivo que nos encontramos, saber qual a natureza íntima do Pai. Se ainda nem a nossa conhecemos realmente. Mas interessa que o Criador viva em nós para podermos ser os co-criadores. Se olharmos às palavras de Sócrates, no conhece a ti mesmo, saberemos que transportamos aquilo que somos. Aliás, só podemos libertar-nos para sentir Deus quando mergulharmos nas profunc?ezas do conhecimento de nós mesmos e da Verdade que Liberta.
Tanto uma como a outra está dentro de nós em estado latente esperando a explosão da vontade e do livre-arbítrio. Enumerar aqui os atributos da Divindade, tal como está na Codificação, não nos interessaria pois que para as sabermos basta consultá-los, prática que deve ser, se não diária, pelo menos semanal. E por muitos que nos esforcemos por explicar nunca vamos conseguir realmente, pelo mesmo motivo alegado pelos espíritos superiores: a nossa compreensão e linguagem é ainda limitada para a grandeza inatingível do Criador.
E a Divindade, como está escrito, divide-se numa trindade em que concebemos três momentos. No primeiro momento Deus é Inteligência que idealizou a concepção da Lei Perfeita e os Princiã)io pelos quais se regeriam o Todo. Tal qual o Arquitecto planetário, salvaguardando-se a cósmica distância, o Pai elaboraria toda a existência assente na Sua perfeição.
No segundo momento, Deus é a Vontade Suprema, concretizadora de todo o Plano Divino. E num terceiro momento, Deus é a obra realizada, ou simplesmente tudo o que existe.
Se pensarmos desta forma temos descodificada a Santíssima Trindade do Catolicismo: Pai, Filho e Espírito Santo. O Pai é o Verbo ou a Inteligência. O Filho é o ser concebido e o Espírito Santo a sua Concepção ou a concepção do Todo.
As três pessoas da Trindade são iguais embora que apresentadas em momentos distintos. E assim se deu a Criação, nascida de dentro de Deus, por isso chamada de Filho, termo antropomórfico para que o entendimento da Verdade fosse acessível ao Homem. E a partir da Criação, Deus continuou a obra, e embora fosse de maneira diferente, a Trindade é Eterna como o Pai, pois continuará a existir sob a forma de Força Directora dos Universos num primeiro momento, Vontade Realizadora ( Até hoje o Pai cria sem descanso — Jesus), dando origem a novos sistemas e a Obra Ampliada, os infinitos sistemas criados noutros infinitos Universos. Assim se sintetiza a Divindade, segundo o entendimento humano.
Servimo-nos aqui de uma proposta feita por um mentor espiritual e que serve para nós como exemplo prático: “ Quando olhares as estrelas da abobada celestial ou a paisagem no cimo do relevo montanhoso e te sentires uma partícula ínfima, aí
está a grandeza do Pai!” Texto: Frederico HonórioAssociação Espírita Alvorada Nova Aveiro. Sugestões: frederico.honorioCnetvisao.pt * alvoradanova&iol.pt opinião
Todos nós já ouvimos falar em “anjos da guarda”, mas será que sabemos quem ou o que eles realmente são? Serão seres superiores, muito acima de nós, como “minideuses”? Serão privilegiados de Deus só pelo facto de guardarem alguém? Receberão algum prémio monetário como paga pelo seu trabalho? E, mais importante ainda, serão culpados pelos nossos fracassos e dores?
De acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa (e também com o glossário do Curso Básico de Espiritismo da ADEP), Anjo vem do latim angelu e do grego ággelos, e é uma criatura de natureza puramente espiritual que se supõe habitar o “céu” e que tem funções de mensageiro entre Deus e o homem. Anjo da Guarda é o Espírito protector encarregue de velar individualmente por cada um dos encarnados. Este aspecto vai de encontro ao que O Livro dos Espíritos explica ser a missão do anjo protector, a de “guiar o seu protegido pela senda do bem, auxiliá-lo com seus conselhos, consolá-lo nas suas aflições, levantar-lhe o ânimo nas provas da vida”.
Acima de tudo, o nosso anjo da guarda é um espírito como todos nós, mas visto ter uma maior consciência das suas responsabilidades, e tendo uma evolução razoável, habilita-se a orientar aqueles que se encontram em nível inferior. Isto já nos mostra que o facto de ser anjo da guarda não faz dele um ser perfeito, apesar de ser sempre de um grau superior ao do seu protegido e com um poder ou virtude a mais, concedido por Deus.
A partir do momento em que um espírito aceita o encargo de zelar por alguém, essa função passa a ser uma responsabilidade que não pode deixar de assumir. No entanto, e para que a obrigação lhe seja mais leve e agradável, ele tem o direito de escolher para proteger pessoas que lhe sejam queridas ou simpáticas. Daí se justificar que, geralmente, o nosso anjo da guarda nos seja familiar e o reconheçamos ao retornar à Espiritualidade, uma vez que ele está afectivamente ligado a nós.
O anjo da guarda acompanha o seu protegido desde o seu nascimento até à sua morte, permanecendo com ele na vida espiritual, após o desencarne, e até por vezes ao longo de várias existências corpóreas (que na verdade, são fases curtíssimas da vida do espírito). No entanto, ele não fica fatalmente preso à criatura confiada à sua protecção, sendo frequentemente possível que o espírito deixe a sua função por necessidade de desempenhar outras missões, sendo então substituído por outro.
Apesar de ser protector de uma pessoa, o anjo da guarda não deixa de ter a possibilidade de proteger outras pessoas que também lhe sejam queridas, embora o faça, como é lógico, com menor exclusividade. Assim se entende que, cada um de nós, além do anjo da guarda
O anjo da guarda não é só individual. Também as sociedades, as cidades, os países, têm uma entidade guardiã que direcciona o trabalho dessas individualidades colectivas.
E nome, será que ele tem um nome? Não nos é possível saber o nome do nosso anjo da guarda, nome esse que para nós poderá ser desconhecido. Assim, podemos dar-lhe um nome que nos agrade ou nos inspire confiança, como por exemplo, o de um espírito superior. Quando o invocarmos por esse nome, ele nos atenderá.
Será que um anjo da guarda ganha algo quando é bem sucedido, ou seja, quando consegue trazer ao bom caminho o seu protegido? Para ele, esse sucesso constitui um mérito que lhe é levado em conta, seja para seu progresso, seja para sua felicidade. Como é normal, ele sente-se realizado quando vê bem sucedidos os seus esforços, para ele é um triunfo, bem como o sucesso de um aluno é um triunfo para o seu professor.
pessoal, tenha todo um grupo de espíritos que simpatizam connosco (podendo algum deles ser o anjo protector de alguém), que nos dedicam afecto e se interessam por nós. No entanto, a acção dos espíritos que nos querem bem é sempre regulada de modo a não sufocar o nosso livre-arbítrio, pois se fizessem tudo em nosso lugar, não aprenderíamos a ter responsabilidade e não saberíamos andar no caminho que nos conduz ao nosso Pai querido.
Ao contrário do que muitos de nós pensamos, o nosso mentor não está connosco 24 horas por dia. Ele aconselha-nos e orienta-nos nos momentos mais importantes da nossa vida, e atende ao nosso chamado quando lhe pedimos conforto e auxílio, bem como quando agradecemos pelas alegrias do dia. Se pensarmos bem, e tendo em conta que ele é um espírito que, como nós, tem uma vida, com trabalho a realizar e projectos pessoais, é normal que não nos acompanhe em certos momentos, como por exemplo, quando vamos às compras (a não ser que algo aconteça nessa viagem que implique a sua presença), podendo ele tratar da sua vida.
Seria egoísta da nossa parte querê-lo preso a nós todo o tempo, não acham? O importante é que, nos momentos cruciais, ele não nos faltará.
Quando se verifica um fracasso no trabalho do espírito protector, a culpa não é dele, relacionando-se muito mais com a indisciplina e a desobediência de seus protegidos. Por exemplo, se uma menina de 4 anos é estuprada por um doente mental, haverá falha do anjo da guarda? Na realidade, o indivíduo que se encontra nessas condições é quase impermeável à acção do seu protector e do da menina. Aqui, acima de tudo, há um descuido por parte dos encarnados responsáveis pela menina, ignorando as inspirações de protecção e alerta por parte da Espiritualidade.
Quanto ao suicida, dá-se algo semelhante, é difícil que ele receba o auxílio do seu protector se o seu espaço mental está totalmente ocupado pela ideia do suicídio, para além do suporte extra que recebe de outras entidades forçando essa fixação mental.
Quando o espírito protector vê que os seus conselhos são inúteis e que o seu protegido decide submeter-se à influência de espíritos inferiores, afasta-se. No entanto, não o abandona completamente, dando-lhe sempre apoio e voltando assim que o encarnado o crie condições de receber o seu auxílio. Tendo em
E será que temos sempre, ao longo de nossa evolução, um anjo da guarda? Na verdade, chegará um momento em que o homem, como espírito, atinge o ponto de poder gozar de uma autonomia muito maior. No entanto, isso não se verifica na Terra.
Mas há algo que devemos ter em consideração antes de tudo: não só aqueles que não vemos são anjos da guarda. Aqueles que, mesmo encarnados, nos querem bem e nos ajudam, são verdadeiros anjos protectores para nós. Em O Livro dos Espiíritos, o Espírito de Verdade deixa a seguinte mensagem: “(...) Não vos parece grandemente consoladora a ideia de terdes sempre junto de vós seres que vos são superiores, prontos sempre a vos aconselhar e amparar, a vos ajudar na ascensão da abrupta montanha do bem; mais sinceros e dedicados amigos do que todos os que mais intimamente se vos liguem na Terra?
Eles se acham ao vosso lado por ordem de Deus. Foi Deus quem aí os colocou e, aí permanecendo por amor de Deus, desempenham bela, porém penosa missão. Sim, onde quer que estejais, estarão convosco.
conta então que o encarnado é que tapa os ouvidos, o mentor não é responsável pelo insucesso do seu protegido, uma vez que dá o seu melhor e não depende de si ser ouvido ou ignorado.
No entanto, quando o homem segue o mau caminho, o anjo da guarda lamenta a situação, não fica insensível a ela. Mas a sua aflição não é semelhante à nossa na Terra, pois ele sabe que todo o mal tem remédio e todo o progresso adiado hoje será uma realidade de amanhã. Há quem tenha aquela ideia de que temos, num ombro, um anjinho que nos indica o caminho do bem, e no outro ombro, um diabinho que nos indica o caminho do mal.
À realidade não funciona bem assim, mas também não é muito diferente. Sabemos que existem bons amigos que, juntamente com o anjo da guarda, nos dão bons conselhos e nos ajudam, mas é verdade também que contamos com uma série de espíritos inferiores que fazem ou tentam fazer precisamente o contrário. Só que, quando eles se ligam a nós e nos acompanham, isso deve-se ao facto de serem atendidos por nós em suas façanhas e trapaças.
Se fossem ignorados e optássemos por ouvir apenas os bons amigos, os maus acabariam por desistir, pois seríamos uma perda de tempo para eles. Gera-se então uma verdadeira luta entre o bem e o mal, em ambos os lados nos dão ideias e nós escolhemos quem vence aquele por quem nos deixarmos influenciar. Mas então, como podemos nós usufruir dos conselhos e da ajuda do nosso anjo da guarda? Muito simples! Através da oração, conversando com ele para que nos inspire através de pressentimentos (que muitas vezes são já indicações suas, mas que nem sempre compreendemos), ligando-nos mentalmente a Deus, podendo assim em nosso espírito ouvir e sentir o eco de suas sábias palavras.
Diz-nos O Livro dos Espíritos: “Os Espíritos protectores nos ajudam com seus conselhos, mediante a voz da consciência que fazem ressoar em nosso Íntimo. Como, porém, nem sempre ligamos a isso a devida importância, outros conselhos mais directos eles nos dão, servindo-se das pessoas que nos cercam. Examine cada um as diversas circunstâncias felizes ou infelizes de sua vida e verá que em muitas ocasiões recebeu conselhos de que se não aproveitou e que lhe teriam poupado muitos desgostos, se os houvera escutado”.
nos hospitais, nem nos lugares de devassidão, nem na solidão, estais separados desses amigos a quem não podeis ver, mas cujo brando influxo vossa alma sente, ao mesmo tempo que lhe ouve os ponderados conselhos.
“Ah! Se conhecêsseis bem esta verdade! Quanto vos ajudaria nos momentos de crise! Quanto vos livraria dos maus Espíritos! Mas quantas vezes, no dia solene, não se verá esse anjo constrangido a vos observar: “Não te aconselhei isto? Entretanto, não o fizeste. Não te mostrei o abismo? Contudo, nele te precipitaste! (...) Interrogai os vossos anjos guardiães; estabelecei entre eles e vós essa terna intimidade que reina entre os melhores amigos.
Não penseis em lhes ocultar nada, pois que eles têm o olhar de Deus e não podeis enganá-los. (...) Vamos, homens, coragem! (...) Caminhai! Tendes guias, segui-os, que a meta não vos pode faltar, porquanto essa meta é o próprio Deus. (...) Cada anjo da guarda tem o seu protegido, pelo qual vela, como o pai pelo filho. Alegra-se, quando o vê no bom caminho; sofre, quando lhe ele despreza os conselhos.
jornal de espiritisemo 13 opinião
Homens e mulheres representam espíritos cujas tendências e tarefas lhes determinam a sexualidade.
Quando dizemos que os espíritos não têm sexo, referimo-nos à alma e não ao espírito como um todo, pois este deve ser entendido pelo conjunto alma e perispírito, inseparáveis um do outro.
Sabemos que a sede do sexo se encontra na mente, na alma, e, que se manifesta pelo perispírito. Sabemos também que a sexualidade é um sistema bipolar, isto é, é a origem do sexo feminino e do sexo masculino, e, que a feminilidade e a masculinidade se definem, respectivamente, pela evidência de uma maior passividade ou de uma maior actividade característica do ser.
Analisando o percurso evolutivo do princípio inteligente e, consequentemente, a evolução anímica do ser, constatamos que o desenvolvimento da sexualidade é gradativo, passando pelos ciclos da assexualidade, da unissexualidade e do hermafroditismo. Na fase hominal, a bipolaridade sexual (masculina e feminina) apresenta-se definitiva e, no processo reencarnatório, o factor determinante da posição sexual que o espírito assume é a sua necessidade evolutiva.
Ao longo das sucessivas reencarnações, o Espírito pode marcar uma posição mental e consequentemente anatómica, na feminilidade ou na masculinidade; Depois, pela necessidade de adquirir novas experiências e evoluir, pode precisar de reencarnar em condições inversas às que assumiu para si.
Esta inversão de papéis, isto é, reencarnar num corpo que não corresponda ao seu estado mental, pode dar-se por imposição expiatória, por prova ou para dar melhor cumprimento a tarefas que se proponha realizar. Como nos diz Allan Kardec, "visto que lhes cumpre progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhes proporciona provações e deveres especiais e, com isso, ensejo de ganharem experiência. Aquele que só como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens."
Também pode o Espírito reencarnar num corpo com características sexuais intermédias aos dois sexos, o que se pensa acontecer apenas por questões expiatórias.
Seja como for, e excepto determinados casos, é o Espírito que YV escolhe, na erraticidade, o sexo do corpo * em que reencarnará. Se necessária a inversão de polaridade sexual, adapta o seu perispírito ao fim pretendido, por imposição mental e/ou com a ajuda de tecnologia apta para tal.
Infelizmente, nos dias de hoje, falar de sexo ou de temas relacionados com a sexualidade ainda constrange muitas pessoas. Os preconceítos, tão enraizados nas nossas mentes, ainda nos levam à discriminação, como por exemplo, para com os homossexuais. A homossexualidade define-se pela tendência de uma pessoa para manter relações afectivas
(ou não) com outra do mesmo sexo. Graças à Doutrina espírita, sabemos que o homossexual não é um doente (ou coisas piores, como se diz por aí), é apenas um espírito que encarnou num corpo que não corresponde ao seu estado mental. A homossexualidade não é uma doença, é uma opção que o livre-arbítrio nos permite tomar, é uma experiência no caminho evolutivo.
Como nos diz André Luiz, "homens e mulheres podem nascer homossexuais ou intersexos, como são susceptíveis de retomar o veículo físico na condição de mutilados ou inibidos em certos campos de manifestação, aditando que a alma reencarna, nessa ou naquela circunstância, para melhorar e aperfeiçoar-se". Diz-nos ainda que, "no mundo porvindouro os irmãos reencarnados, tanto em condições normais quanto em condições julgadas anormais, serão tratados em pé de igualdade, no mesmo nível de dignidade humana". Pois é, muitos de nós ainda perdemos tempo com preconceitos destes, mas arranjamos muitas vezes desculpas ou fingimos não ver o comportamento pouco adequado da maioria em questões da sexualidade.
Todos os dias milhares de pessoas são agredidas sexualmente, violadas e obrigadas ou induzidas à prática da prostituição; Todos os dias milhares as são enganas e magoadas no campo afectivo e/ou sexual.
Nestas situações, os lesados, caso não possuam
força e evolução mental, desarmonizam-se e podem chegar a estados de perturbação profunda ou até mesmo ao crime. Quanto aos que provocam, quer directa, quer indirectamente, tais situações, a Lei de Causa e Efeito encarregar-se-á de lhe dar os frutos daquilo que semearam ou encobriram.
Mas, não é só na condição de encarnados que cometemos loucuras no campo sexual, o desencarne não nos transforma naquilo que não somos. A única diferença é que lá não há procriação, mas o resto continua igual, continuaremos a satisfazer as nossas necessidades, quer sejam as mais nobres, quer sejam as menos ou até nada nobres. Sabe-se até, que alguns desencarnados mantêm relações sexuais com encarnados durante o sono destes, se proporcionadas condições para tal.
Na condição de encarnados, um dos objectivos da sexualidade, é a reprodução, para dar continuidade à humanidade no Planeta. No entanto, quer na condição de encarnados, quer na condição de desencarnados, a sexualidade visa um outro objectivo, conseguido por muito poucos neste nosso Planeta, que é a troca energética que revigora perispíritos e alimenta a alma.
A sexualidade tem a função de ensinar ao Homem a entrega de si mesmo a outrem, num aprendizado de doação, respeito, aceitação e responsabilidade.
Em relação à troca de energias na sexualidade podemos falar de três tipos de situação: 1. Quando não se verifica o envolvimento de um dos envolvidos, apenas o outro se satisfaz. Satisfação essa efémera e aparente pois geralmente trata-se apenas da busca da satisfação genital e não há permuta de energia visto não haver sintonia entre os dois seres;
2. Quando dois seres estão sintonizados mentalmente e têm o mesmo fim, mesmo não havendo verdadeiro afecto entre ambos, há troca e compensação energética (embora mais animal que espiritual) e, consequentemente revitalização perispitual e até mental para ambas as partes;
3. Quando dois seres, num sentimento de natureza superior, permutam, com ou sem contacto, energias no campo sexual, as suas mentes e os seus corpos alimentam-se de verdadeiro amor.
Para finalizar, nada melhor que dar atenção às palavras de Emmanuel:
"Não proibição, mas educação; Não abstinência imposta, mas emprego digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo;
Não indisciplina, mas controlo; Não impulso livre, mas responsabilidade. Sem isso, será enganar-nos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem necessárias, pelos mecanismos da reencarnação, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um."
Texto: Cecília Morais, Porto - 2004 cecilia.morais&portugalmail.com Bibliografia:
Allan Kardec: O Livro dos Espíritos Zalmino Zimmermann: Perispírito André Luiz: Sexo e Destino Emmanuel: Vida e Sexo Até quando a indiferença?
Por força das coisas, o progresso e o aperfeiçoamento da Humanidade é constante. “(...) Quando, porém, um povo não progride tão depressa como deveria, Deus o sujeita, de tempos a tempos, a um abalo físico ou moral que o transforma.”
que foram para o desemprego. Os números das estatísticas não se referem a coisas mas a pessoas, a famílias. Não é possível ficarmos indiferentes à sua sorte.
Uma mulher é levada a tribunal por ter passado a um supermercado um cheque sem cobertura no valor de 100 euros. Desempregada há poucos meses, mãe solteira de quatro filhos menores a seu cargo, sem apoios de ninguém, passou o cheque, em desespero, para dar de comer à família. Quando o caso foi a tribunal, o supermercado retirou a queixa porque um anónimo, tocado pela situação de desespero daquela mãe, pagou a despesa.
A opinião pública manifestou-se revoltada porque se ia prender uma mulher cujo único crime foi tentar arranjar comida para dar aos filhos. Outra mulher, de dezanove anos, mãe de dois filhos menores, um de sete meses e outro a uma semana de completar dois anos, sem trabalho há vários meses, angolana, imigrante ilegal, abandonada pelo companheiro, pai das crianças, de quem desconhece o paradeiro, “que nunca quis saber de nada e nunca ajudou”, a viver num quarto onde mal cabe uma cama, pelo qual paga uma renda mensal de 150 euros (já em atraso porque não tem dinheiro), vai ser levada a tribunal por ter abandonado os seus filhos nas traseiras de um posto da Guarda Nacional Republicana.
“ Abandoneios para os ajudar, por amor, porque não tenho condições para os criar”, na esperança de que tratassem bem deles.
A família e os amigos mostraram-se surpreendidos com a situação de extremo desespero a que esta mulher chegou. Ela já tinha lhes pedido comida e dinheiro mas nunca ninguém supôs que ela estivesse numa situação económica tão grave. Inquirida, disse que contactou várias vezes a segurança social mas que ninguém a ajudou. “Nem quiseram saber se eu tinha ou não condições.” Até hoje, nunca a contactaram. “Ninguém compreendeu que nós não podíamos passar a vida a pedir, a depender dos outros”.
Infelizmente, este não é um caso único. Há idosos abandonados nos hospitais porque as famílias já não têm como mantê-los em casa. Abandonamnos para não terem que os deixar morrer à fome. Na verdade, a indiferença mata.
Ao mesmo tempo que tudo isto sucede à nossa volta, ouvimos a notícia de que já é possível, em Portugal, através da Internet, escolher o parceiro para o seu cão, fazer-lhe o “casamento”, escolherlhe a “roupinha”, os adereços, dar-lhe banho, no mínimo, por 40 euros, etc. Em contraste com a vida miserável de muita gente desesperada, este negócio canino, segundo a sua proprietária, não se queixa da crise nem da falta de clientes.
Estranho mundo, este em que vivemos! Isto faz-nos lembrar uma história que ouvimos há vários anos. Contamo-la de memória. Um padre católico, referindo-se ao período da segunda grande guerra na Alemanha, disse: “Quando prenderam os judeus, nós calamo-nos porque não era connosco. Depois foram os ciganos e nada dissemos, porque não era connosco. Depois foram os protestantes e nós nada fizemos porque não era connosco. A tudo fomos fechando os olhos e nada dizendo porque não era connosco. Quando chegou a nossa vez de sermos perseguidos, era connosco, mas já não havia quem gritasse por nós.”
Por isso, porque a fraternidade e o amor ao próximo não devem esmorecer, escrevemos estas linhas. Não falamos dos casamentos cor-de-rosa, não tratamos das figuras públicas, não lembramos aqueles que por alguns dias, meses ou anos vivem no pedestal da fama ou no gozo da fortuna que a presente reencarnação lhes permite. Lembramos a multidão daqueles que vivem no anonimato, que estão ao nosso lado, com os quais convivemos, aos quais devemos prestar mais atenção para não virmos a dizer: “Realmente, pediu-nos dinheiro, às vezes comida, mas nunca pensamos que estivesse numa situação tão má”. Porque se hoje são os outros, amanhã poderemos ser nós.
“Ardente e desvairada cobiça despertam nos vossos corações os bens que Deus vos confiou. Já pensastes, quando vos deixais apegar imoderadamente a uma riqueza perecível e passageira como vós mesmos, que um dia tereis de prestar contas ao Senhor daquilo que vos veio d'Ele? Olvidais que, pela riqueza, vos revestistes do carácter sagrado de ministros da caridade na Terra, para serdes da aludida riqueza dispensadores inteligentes?
Portanto, quando somente em vossos proveito usais do que se vos confiou, que sois, senão depositários infiéis? O que é que resulta desse esquecimento voluntário dos vossos deveres? A morte, inflexível, inexorável, rasga o véu sob o qual vos ocultáveis e vos força a prestar contas ao amigo de que vos haveis esquecido e que nesse momento enverga diante de vós a toga de juiz.
1. Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. 3º Parte, Cap. III, Da Lei do Progresso, pergunta 783. FEB, 54º edição, 1981.
2. Idem. Idem. 3º Parte, Cap. III, Da Lei do Progresso, comentário à pergunta 783. FEB, 54º edição, 1981.
3. Ibidem. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. XVI, Não se Pode Servir a Deus e a Mamon: Desprendimento dos bens
terrenos. FEB, 97º edição, 1987, pp. 277-278.
Materialismo x espiritualismo
O mecanismo do descobrimento não é lógico e intelectualé uma iluminação subitânea, quase um êxtase. Em seguida, é certo, a inteligência analisa e a experiência confirma a intuição. ALBERT EINSTEIN
Ao longo da História, o materialismo tem-se erguido em vagas persistentes, colhendo naturais desaires na frustração endógena que o mina pela base, sem que contudo nada o impeça de contribuir também para a... espiritualidade humana. É desencadeado em vários contextos histórico-sociais: umas vezes, em reacção ao arrogante espiritualismo de religiões dominantes (o qual não raro, paradoxalmente ou não, enferma de um materialismo beato ou sacralizado); outras vezes, simplesmente por insensatez e orgulho dos mortais; outras, ainda, pelos grandes avanços pontuais da ciência humana, que triunfalmente, por algum tempo, aparentam resolver quase todas as dúvidas e acabar de vez com a ideia de Deus (por alguma razão, inexpugnável até hoje).
Tudo isso muito cientificamente, segundo metodologias próprias, materiais e materialistas; isto é, muito restritas. Quero dizer que a dita ciência se restringe a essas metodologiaso que é curtinhoe por muito que, mais ou menos foscamente, vislumbre algo além delas, os seus restritos critérios não lhe consentem a ousadia de tentar equacionar o que não lhes é mensurável.
A doutrina espírita é um dos recursos mais eficazes, se não o mais eficaz, que a sabedoria divina concedeu à Humanidade, para ela se resguardar dos danos e equívocos do materialismo. Não admira que o primeiro quesito da codificação espírita cuide de saber O que é Deus?, seguindo-se-lhe várias páginas quanto aos atributos da Divindade. A ciência académica, que a princípio negava sistematicamente a fenomenologia espírita, foi impelida a criar novas áreas, como a metapsíquica, a parapsicologia, a psicotrónica, que, mesmo assim, tardou em reconhecer como científicas.
Um jovem e prestigioso neurobiólogo português*, justo motivo de orgulho para os seus compatriotas, por ser uma autoridade mundial na área das suas pesquisas, declarou em entrevista recente crer na existência da alma; não como transcendente à matéria (o cérebro), mas como emergente deste, o que segundo ele em nada a diminui. Pessoalmente crente em Deus (como ele próprio diz inseguro, afinal, do seu materialismo intelectual mas não cultural nem imanente), afirma que o prosseguimento dos estudos da equipa de investigação neurobiológica que lidera irá talvez determinar um dia a existência, ou não, de Deus.
Considerando o mais elementar bom senso, não há por que regatear os melhores auspícios para o progresso e bem-estar da Humanidade, graças à investigação avançadíssima do nosso laureado compatriota. Sem contudo deixarmos de ponderar que já desde há décadas funciona perfeitamente, nos domínios da física quântica, o princípio de que “a matéria-prima do Universo é a mente”. Verificou-o laboratorialmente sir Arthur Edington, estabelecendo uma noção hoje pacífica entre OS seus pares académicos.
Um conferencista californiano da Christian Science cita a afirmação do prémio Nobel de física, Wolfgang Pauli, de que “a física se tornou
o estudo da estrutura da consciência”, no livro The Interpretation of Nature and PsycheImprensa Universitária de Princeton, p. 175. Citado pelo mesmo conferencista, Freeman Dyson, da Universidade de Princeton, declara: “Não podemos compreender a fundo a mecânica dos quanta, se não compreendermos também a natureza do pensamento” (The Crhristian Science Monitor, 14/6/1988, p. B 4). Já o filósofo grego Anaxágoras (500 - 428 a. C.), mesmo sem lograr dar expressão matemática à sua intuição (o que apenas veio a suceder 2500 anos mais tarde) intuiu lucidamente: “Tudo o que vemos é a materialização do invisível” e”“Aquilo que vemos, não é; e o que não vemos, é” (Divaldo Franco,
História da Paranormalidade Humana, conferência audiogravada pelos Estúdios Alvorada, Salvador, Brasil).
Acresce que a ciência humana, por mais altos píncaros que alcance, com a lógica em que se movimenta jamais provaria que Deus existe, ou que não existe. Não são contas do seu rosário, não faz disso o seu objectivo. Se acaso pretendesse fazê-lo, lembraria um invisual de nascença a quem descrevessem as maravilhas da luz, das cores, das formas: o cego, habituado aos apurados sentidos de que dispõe, ansiosamente apuraria mais ainda o seu excelente ouvido, por exemplo, para se deliciar com a impressão da luz e das cores; mas em vão, naturalmente, porque nunca poderia captá-la com o ouvido e sim se porventura lograsse criar e desenvolver o sentido da visão, o sentido apropriado para perceber a luz.
Também Deus nunca poderia ser objecto de míseros sentidos ou instrumentos materiais, ainda que apuradíssimos, mas unicamente do sentido ou compreensão espiritual (O Livro dos Espíritos, quesito 11).
Jesus, o Bom Pastor da Humanidade, nunca estudou física nuclear nem dispunha de aceleradores de partículas, nem de retortas ou quaisquer equipamentos laboratoriais, quando nas bodas de Caná modificou a composição molecular da água e a transmutou em vinho; quando fez aparecer uma moeda valiosa na boca dum peixe; quando fez cinco pães e dois
peixes saciarem uma multidão; quando sarou toda a espécie de enfermidades. Simplesmente, na sua condição crística invocou o Princípio Divino de tudo, o qual agiu sobre o fluido universal e lhe imprimiu a forma desejada. Junto aos discípulos, o Mestre insistiu em que não se tratava de milagres, mas que todos esses feitos estavam ao alcance deles. Tal como posteriormente eles constataram, e como sempre até aos nossos dias tem acontecido, no seio de várias religiões e fora delas.
Serão milagres, ou factos inexplicáveis, apenas numa perspectiva material e materialista. Do ponto de vista espiritual e divino, tudo é possível e natural, nada é milagroso ou minimamente prodigioso. O conhecido filósofo e filólogo Huberto Rohden (que em 1969 proferiu conferências em Portugal e aqui deixou discípulos e um centro de estudos), conviveu com o genial Albert Einstein na Universidade de Princeton e escreveu mais tarde sobre a sua vida e o seu pensamento.
Ouçamo-lo, para terminar: “Paradoxo, em grego, e absurdo, em latim, quer dizer ultramental, como são todas as grandes verdades. O que não é paradoxal não é integralmente verdadeiro. Os 81 aforismos do livro Tao Te King, de Lao-Tsé, primam por uma estupenda absurdidade. Einstein convida-nos a aceitar que o espaço é curvo; que a menor distância entre dois pontos não é a linha recta; que as medidas de tamanho variam com a velocidade; que um corpo em movimento diminui de volume mas aumenta de massa...
À luz da ciência analítica essas informações são incompreensíveis, mas à luz da matemática intuitiva elas são geniais. O próprio Einstein nunca explicou a Teoria da Relatividade. O que é explicável não é integralmente verdadeiro. O talento explica, implica e complica, mas o génio sabe intuitivamente o inexplicável. Uma intuição matemática não pode ser analisada pela ciência. A Realidade não é explicável pelas facticidades.
O mesmo acontece na mística, que é essencialmente idêntica à matemática; ambas são a consciência da Realidade. Os Mestres da mística exigem: que o Homem morra voluntariamente a fim de viver gloriosamente; que perca tudo para possuir tudo; que se esvasie para ser plenificado; que renuncie ao ter a fim de ser. Tudo isso é incompreensível, por ser genialmente verdadeiro. Há escritores eruditos que pretendem submeter as experiências místicas a uma análise científica, para saber se elas são verdadeiras.
De modo análogo poderia alguém perguntar quantos metros tem a verdade, qual o seu peso, qual a sua forma e a sua cor. O talento é uma expressão do nosso ego humano, mas o génio é uma invasão da alma do Universo no Homem”. Não obstante a clareza de Rohden, permitase-me apenas advertir algum leitor menos atento, que mística nada tem a ver com o termo “misticismo”, no seu conhecido sentido pejorativo.
Texto: João Xavier de Almeida
* Dr. Alcino Silva, entrevistado pela revista «Visão» em Agosto passado. inquérito
Cursos básicos de espiritismo
Várias associações espíritas estão a iniciar por esta altura novas turmas de inscritos em cursos espíritas. Colocadas algumas perguntas a uma das turmas finalistas, as respostas permitem algumas ilações.
Apurou-se que a maior parte das pessoas que se inscrevem nestes curso tomam conhecimento dos mesmos através de anúncio efectuado no auditório do centro espírita. Uma minoria sabe do curso através de um amigo que o informa. Fora deste inquérito, sabemos de fonte segura que pontualmente há quem se inscreva nestes cursos através de informação lida em jornais (geralmente regionais, exemplo: «Jornal das Caldas») e também por e-mail ou por visita ao site de uma associação onde essa informação está exposta.
Já tem sido sugerido que se envie para os jornais a abertura das inscrições do curso,
porque à partida não se sabe se se interessam e publicam, mesmo essa informação, acompanhada de uma síntese do que é e como funciona.
Há unanimidade neste ponto, no inquérito: «Queria adquirir mais conhecimentos». Esta a razão pela qual se inscreveram no curso básico.
Anunciar nas reuniões públicas dos centros espíritas será, na opinião da maioria dos inquiridos, o melhor método. Isto não exclui que se informe aos quatro ventos, não é? O que mais agrada neste curso?, perguntouse. Respondeu a maioria: «o que se aprende».
Queres paz no coração, mas gritas se te dizem
Como soube da abertura das 'O que mais lhe agrada no curso? inscrições? ODb quese D Ouxiu no Gªd);uãgfama auditório FAbportunidade OPor um u%ârxãlão amigo W QuItas razões O que mais atraiu nesse anúncio? R , Considerajá ter aprendido ” algo interessante? 0Só apalestra era pouco OSIM 5 Queria adquirir mas " conhecimentos ANAO Como acha que deveria ser Houve algo que desapontasse? anunciado um curso destes? DONasreuniões públicas do centro OSIM OPor e-mail e Miaitáois: ANÃO
Segue-se «a oportunidade de enfrentar um programa que começa com conhecimentos básicos e conduz no ano seguinte a minicursos de especialidade (ex: atendimento, palestrar, passe magnético, etc.)», do «convívio entre inscritos» e, por fim, «a oportunidade de falar», leia-se intervir.
Todos consideram ter «aprendido algo de interessante» e também todos, garantem, «não estão desapontados» com o curso. É bom sinal!...
Nota: estes resultados foram apurados junto da turma de 2004 da Comunhão Espírita Cristã, de Rio Tinto, monitorizada por Álvaro Miranda e Jorge Gomes.
Este curso compõe-se de 10 cadernos e baseiase sobretudo em «O Livro dos Espíritos». Os títulos de cada um dos cadernos são estes: O que é o Espiritismo? Doutrina Espírita: ciência, filosofia, moral. O Espiritismo e as doutrinas espiritualistas. Deus, espírito e matéria. O mundo dos espiíritos. Pluralidade das existências. Transmigrações progressivas, pluralidade dos mundos habitados. As leis morais |. As leis morais |l. Das esperanças e consolações.
No que respeita ao seu funcionamento numa associação espírita, ele tem as seguintes coordenadas: constitui-se uma turma de cerca de 20 inscritos (inscrição sempre grátis) que são coordenados por um ou dois monitores do curso. No final da apresentação, com recurso a meios didácticos, de cada um destes cadernos há um teste de respostas múltiplas, para autovaliação. A duração deste curso tende a ser de um ano lectivo.
O Curso Básico de Espiritismo tem origem remota, na década de 1980, em apostilas oriundas do Centro Espírita Luz Eterna, do Paraná, Brasil. À partir daí, Noémia Margarido e outros companheiros começaram a adaptá-lo, a enriquecê-lo, até que a ADEP pegou nele e o colocou, de forma inovadora, como o primeiro curso de espiritismo a distância pela internet, tanto quanto temos conhecimento.
Hoje, Vasco Marques desenvolveu com ele um trabalho notável, disponível no CD que a ADEP ofereceu aos centros espíritas que recebem o «Jornal de Espiritismo».
Também tu, no teu roteiro evolutivo, precisas de
fazer germinar a tua própria paz, trabalhando-a no buril das situações com que a vida te presenteia.
Queres paz na vida, mas esperneias se te tocam
Queres paz no dia-a-dia, mas reages com violência
A paz é algo que se constrói no quotidiano, tal como a estrutura de uma casa. Sem o cimento, o cascalho, o tijolo, a imponente mansão não desempenharia a sua tarefa.
