opinião Anjos da Guarda Todos nós já ouvimos falar em “anjos da guarda
Jornal de Espiritismo nº 6 · 2004Página 138 min
Todos nós já ouvimos falar em “anjos da guarda”, mas será que sabemos quem ou o que eles realmente são? Serão seres superiores, muito acima de nós, como “minideuses”? Serão privilegiados de Deus só pelo facto de guardarem alguém? Receberão algum prémio monetário como paga pelo seu trabalho? E, mais importante ainda, serão culpados pelos nossos fracassos e dores?
De acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa (e também com o glossário do Curso Básico de Espiritismo da ADEP), Anjo vem do latim angelu e do grego ággelos, e é uma criatura de natureza puramente espiritual que se supõe habitar o “céu” e que tem funções de mensageiro entre Deus e o homem. Anjo da Guarda é o Espírito protector encarregue de velar individualmente por cada um dos encarnados. Este aspecto vai de encontro ao que O Livro dos Espíritos explica ser a missão do anjo protector, a de “guiar o seu protegido pela senda do bem, auxiliá-lo com seus conselhos, consolá-lo nas suas aflições, levantar-lhe o ânimo nas provas da vida”.
Acima de tudo, o nosso anjo da guarda é um espírito como todos nós, mas visto ter uma maior consciência das suas responsabilidades, e tendo uma evolução razoável, habilita-se a orientar aqueles que se encontram em nível inferior. Isto já nos mostra que o facto de ser anjo da guarda não faz dele um ser perfeito, apesar de ser sempre de um grau superior ao do seu protegido e com um poder ou virtude a mais, concedido por Deus.
A partir do momento em que um espírito aceita o encargo de zelar por alguém, essa função passa a ser uma responsabilidade que não pode deixar de assumir. No entanto, e para que a obrigação lhe seja mais leve e agradável, ele tem o direito de escolher para proteger pessoas que lhe sejam queridas ou simpáticas. Daí se justificar que, geralmente, o nosso anjo da guarda nos seja familiar e o reconheçamos ao retornar à Espiritualidade, uma vez que ele está afectivamente ligado a nós.
O anjo da guarda acompanha o seu protegido desde o seu nascimento até à sua morte, permanecendo com ele na vida espiritual, após o desencarne, e até por vezes ao longo de várias existências corpóreas (que na verdade, são fases curtíssimas da vida do espírito). No entanto, ele não fica fatalmente preso à criatura confiada à sua protecção, sendo frequentemente possível que o espírito deixe a sua função por necessidade de desempenhar outras missões, sendo então substituído por outro.
Apesar de ser protector de uma pessoa, o anjo da guarda não deixa de ter a possibilidade de proteger outras pessoas que também lhe sejam queridas, embora o faça, como é lógico, com menor exclusividade. Assim se entende que, cada um de nós, além do anjo da guarda
O anjo da guarda não é só individual. Também as sociedades, as cidades, os países, têm uma entidade guardiã que direcciona o trabalho dessas individualidades colectivas.
E nome, será que ele tem um nome? Não nos é possível saber o nome do nosso anjo da guarda, nome esse que para nós poderá ser desconhecido. Assim, podemos dar-lhe um nome que nos agrade ou nos inspire confiança, como por exemplo, o de um espírito superior. Quando o invocarmos por esse nome, ele nos atenderá.
Será que um anjo da guarda ganha algo quando é bem sucedido, ou seja, quando consegue trazer ao bom caminho o seu protegido? Para ele, esse sucesso constitui um mérito que lhe é levado em conta, seja para seu progresso, seja para sua felicidade. Como é normal, ele sente-se realizado quando vê bem sucedidos os seus esforços, para ele é um triunfo, bem como o sucesso de um aluno é um triunfo para o seu professor.
pessoal, tenha todo um grupo de espíritos que simpatizam connosco (podendo algum deles ser o anjo protector de alguém), que nos dedicam afecto e se interessam por nós. No entanto, a acção dos espíritos que nos querem bem é sempre regulada de modo a não sufocar o nosso livre-arbítrio, pois se fizessem tudo em nosso lugar, não aprenderíamos a ter responsabilidade e não saberíamos andar no caminho que nos conduz ao nosso Pai querido.
Ao contrário do que muitos de nós pensamos, o nosso mentor não está connosco 24 horas por dia. Ele aconselha-nos e orienta-nos nos momentos mais importantes da nossa vida, e atende ao nosso chamado quando lhe pedimos conforto e auxílio, bem como quando agradecemos pelas alegrias do dia. Se pensarmos bem, e tendo em conta que ele é um espírito que, como nós, tem uma vida, com trabalho a realizar e projectos pessoais, é normal que não nos acompanhe em certos momentos, como por exemplo, quando vamos às compras (a não ser que algo aconteça nessa viagem que implique a sua presença), podendo ele tratar da sua vida.
Seria egoísta da nossa parte querê-lo preso a nós todo o tempo, não acham? O importante é que, nos momentos cruciais, ele não nos faltará.
Quando se verifica um fracasso no trabalho do espírito protector, a culpa não é dele, relacionando-se muito mais com a indisciplina e a desobediência de seus protegidos. Por exemplo, se uma menina de 4 anos é estuprada por um doente mental, haverá falha do anjo da guarda? Na realidade, o indivíduo que se encontra nessas condições é quase impermeável à acção do seu protector e do da menina. Aqui, acima de tudo, há um descuido por parte dos encarnados responsáveis pela menina, ignorando as inspirações de protecção e alerta por parte da Espiritualidade.
Quanto ao suicida, dá-se algo semelhante, é difícil que ele receba o auxílio do seu protector se o seu espaço mental está totalmente ocupado pela ideia do suicídio, para além do suporte extra que recebe de outras entidades forçando essa fixação mental.
Quando o espírito protector vê que os seus conselhos são inúteis e que o seu protegido decide submeter-se à influência de espíritos inferiores, afasta-se. No entanto, não o abandona completamente, dando-lhe sempre apoio e voltando assim que o encarnado o crie condições de receber o seu auxílio. Tendo em
E será que temos sempre, ao longo de nossa evolução, um anjo da guarda? Na verdade, chegará um momento em que o homem, como espírito, atinge o ponto de poder gozar de uma autonomia muito maior. No entanto, isso não se verifica na Terra.
Mas há algo que devemos ter em consideração antes de tudo: não só aqueles que não vemos são anjos da guarda. Aqueles que, mesmo encarnados, nos querem bem e nos ajudam, são verdadeiros anjos protectores para nós. Em O Livro dos Espíritos, o Espírito de Verdade deixa a seguinte mensagem: “(...) Não vos parece grandemente consoladora a ideia de terdes sempre junto de vós seres que vos são superiores, prontos sempre a vos aconselhar e amparar, a vos ajudar na ascensão da abrupta montanha do bem; mais sinceros e dedicados amigos do que todos os que mais intimamente se vos liguem na Terra?
Eles se acham ao vosso lado por ordem de Deus. Foi Deus quem aí os colocou e, aí permanecendo por amor de Deus, desempenham bela, porém penosa missão. Sim, onde quer que estejais, estarão convosco.
conta então que o encarnado é que tapa os ouvidos, o mentor não é responsável pelo insucesso do seu protegido, uma vez que dá o seu melhor e não depende de si ser ouvido ou ignorado.
No entanto, quando o homem segue o mau caminho, o anjo da guarda lamenta a situação, não fica insensível a ela. Mas a sua aflição não é semelhante à nossa na Terra, pois ele sabe que todo o mal tem remédio e todo o progresso adiado hoje será uma realidade de amanhã. Há quem tenha aquela ideia de que temos, num ombro, um anjinho que nos indica o caminho do bem, e no outro ombro, um diabinho que nos indica o caminho do mal.
À realidade não funciona bem assim, mas também não é muito diferente. Sabemos que existem bons amigos que, juntamente com o anjo da guarda, nos dão bons conselhos e nos ajudam, mas é verdade também que contamos com uma série de espíritos inferiores que fazem ou tentam fazer precisamente o contrário. Só que, quando eles se ligam a nós e nos acompanham, isso deve-se ao facto de serem atendidos por nós em suas façanhas e trapaças.
Se fossem ignorados e optássemos por ouvir apenas os bons amigos, os maus acabariam por desistir, pois seríamos uma perda de tempo para eles. Gera-se então uma verdadeira luta entre o bem e o mal, em ambos os lados nos dão ideias e nós escolhemos quem vence aquele por quem nos deixarmos influenciar. Mas então, como podemos nós usufruir dos conselhos e da ajuda do nosso anjo da guarda? Muito simples! Átravés da oração, conversando com ele para que nos inspire através de pressentimentos (que muitas vezes são já indicações suas, mas que nem sempre compreendemos), ligando-nos mentalmente a Deus, podendo assim em nosso espírito ouvir e sentir o eco de suas sábias palavras.
Diz-nos O Livro dos Espíritos: “Os Espíritos protectores nos ajudam com seus conselhos, mediante a voz da consciência que fazem ressoar em nosso Íntimo. Como, porém, nem sempre ligamos a isso a devida importância, outros conselhos mais directos eles nos dão, servindo-se das pessoas que nos cercam.
nos hospitais, nem nos lugares de devassidão, nem na solidão, estais separados desses amigos a quem não podeis ver, mas cujo brando influxo vossa alma sente, ao mesmo tempo que lhe ouve os ponderados conselhos.
“Ah! Se conhecêsseis bem esta verdade! Quanto vos ajudaria nos momentos de crise! Quanto vos livraria dos maus Espíritos! Mas quantas vezes, no dia solene, não se verá esse anjo constrangido a vos observar: “Não te aconselhei isto? Entretanto, não o fizeste. Não te mostrei o abismo? Contudo, nele te precipitaste! (...) Interrogai os vossos anjos rdiães; estabelecei entre eles e vós essa terna intimidade que reina entre os melhores amigos.
Não penseis em lhes ocultar nada, pois que eles têm o olhar de Deus e não podeis enganá-los. (...) Vamos, homens, coragem! (...) Caminhai! Tendes guias, segui-os, que a meta não vos pode faltar, porquanto essa meta é o próprio Deus. (...) Cada anjo da guarda tem o seu protegido, pelo qual vela, como o pai pelo filho. Alegra-se, quando o vê no bom caminho; sofre, quando lhe ele despreza os conselhos.

