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podemos auxiliar, o cultivo de ressentimentos, o invariável pessimismo

Jornal de Espiritismo nº 6 · 2004Página 115 min

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o culto da tristeza, entre outros estados de alma nefastos são exemplo disso.

Imaginemos que juntamos diante da nossa atenção, com detalhes, todos os milhões de casos de obsessão que se desdobraram na Terra no século passado.

Seria possível, na sua diversidade, apurar, juntar os elementos que todos eles tivessem tido de comum, ou seja, que partilhassem entre si?

É evidente que sim. O resultado seria o que resumimos no diagrama do fundo da página anterior.

Comparemos uma obsessão a uma aeronave

em voo. O combustível que lhe permite deslocar-se seria a ignorância. Como se combate a ignorância?

Com amor e conhecimento, o que não exclui a necessária disciplina...

O que é fundamental nesse diagrama? Esclarecer o obsessor? Ou esclarecer o obsidiado para que ele possa mais facilmente cumprir a sua parte no processo de ajuda? A resposta aponta para a segunda opção. Porquê? Porque se apenas esclarecemos o espírito obsessor, ele segue a sua vida. Porém, sendo uma obsessão por afinidade, logo vem outro com as características afins e temos o obsidiado em aflição de novo, com um obsessor idêntico. Contudo, se esclarecermos o obsidiado, ajudamos em simultâneo o obsessor, e fazemos com que as causas da obsessão fiquem impossibilitadas de alcançar a elevação de comportamento mental que o ex-obsidiado passará a manter.

Obsessão, essencialmente, em médiuns ostensivos ou não, é afinidade de pensamentos e sentimentos.

Nem sempre existem as condições adequadas para constituir uma reunião mediúnica de desobsessão. Mas, como se compreende com o diagrama acima, não se torna fundamental no processo desobsessivo a prática mediúnica ostensiva.

Uma reunião de estudo do Evangelho, em clima de fraternidade, pode redundar em resultados excelentes, ao contrário do que poderia também ocorrer numa reunião mediúnica convencional de teor vibratório inconsistente.

Mais do que fórmulas de serviço conta a autoridade moral do grupo e o seu funcionamento seguro.

Nós e os espíritos desencarnados

Diante do exposto, isso quer dizer que os

espíritos têm sempre uma influência perniciosa sobre nós?

Não. Podem ter boa influência, se forem espíritos desencarnados esclarecidos. Neste caso, respeitam sempre o nosso livre-arbítrio, ao invés dos obsessores.

Os espíritos têm influência sobre nós na medida em que concordamos e damos força às sugestões que eles nos façam, para o bem e para o mal. Não têm influência na medida em que percebemos as opções, as juntamos às nossas e elegemos a mais acertada de acordo com o eterno bem.

Insista-se: somos um joguete, marionetas sem vontade própria, nas mãos deles?

Podemos concordar com o que nos sugerem ou não, sejam eles maus ou bons espíritos. Quanto mais concordarmos com más opções mais nos sujeitamos ao magnetismo da influência dos espíritos mais ignorantes. Se desenvolvermos bons sentimentos no nosso Íntimo deixamos de ser vulneráveis às más influenciações.

Andamos aqui ao sabor das vontades dos espíritos desencarnados?

Andamos aqui para, no exercício do livrearbítrio, nos enriquecermos, através da experiência e da angariação de conhecimentos, de amor e sabedoria. Nesse percurso, estamos sujeitos a diversas influências de espíritos encarnados e desencarnados. Cabe-nos, porém, a nós próprios as escolhas que queremos realmente fazer.

Justo é concluir: é fundamental estudar o assunto com tranquilidade. Tudo se resume, no final de contas, a aprender a iluminar a consciência com tudo aquilo que nos traga paz, boas vibrações ao coração.

Ou seja, temos que aprender alguma coisa sobre concentração. É sobre o que nos propomos escrever na próxima edição deste jornal.

Texto: Jorge Gomesjorge.jeQclix.pt Cartoon: Reinaldo barros

mulher: “Fala com o senhor doutor

O caso que narramos é verídico. A família é das nossas relações e merecedora da nossa estima e consideração. Abstemo-nos de tecer considerações permitindo a cada um tirar as suas próprias conclusões.

Depois de alguns ataques seguidos, num curto espaço de dias, ele fora levado ao bloco de urgências do hospital. O médico de serviço decidiu interná-lo para observações.

Apesar da atenção, da gentileza e da solicitude do pessoal de serviço, o seu comportamento era rude, agressivo e revoltado. Eram todos incompetentes, tudo estava mal, nada era do seu agrado.

Além da linguagem imprópria que a todos indignava, ameaçava constantemente fugir da enfermaria, rebelando-se contra todas as instruções dos médicos e

Porque a situação se tornava insustentável, à falta de melhor alternativa, decidiram os médicos sujeitá-lo à maca, por meio de braçadeiras de couro, de que ele tentava livrar-se, sacudindo o corpo violentamente. No relatório escreveram: “Doente mal educado e pouco cooperante”.

A família, constrangida e desgostosa, visitava-o todos os dias, tentando demonstrar-lhe que era devido ao seu procedimento incorrecto que tinham sido tomadas aquelas medidas excepcionais, em seu próprio benefício.

Passaram-se três longos dias angustiosos. Ao visitá-lo, naquela tarde, a família ficou intrigada por encontrá-lo sereno e calmo, apesar de bem cintado à cama.

Depois de um diálogo trivial, sobre os mais diversos assuntos, disse ele: “Esteve aqui uma senhora enfermeira vestida de bata azul.

Não se parecia com estas. Foi muito simpática e atenciosa. Era muito bonita. Soltou-me da cama e levou-me a passear. Saímos do hospital e fomos à rua”.

- “Saíste do hospital com uma enfermeira?” - disse a mulher espantada. Os familiares entreolharam-se - “E onde é que foram?”

- “Fomos até ao mar. Estivemos sentados a conversar durante muito tempo. O dia estava bonito”. Os seus olhos pareceram perderse num ponto distante.

-“De muita coisa. Não me lembro bem... Foi uma conversa muito interessante. Ela disse-me que o passeio me faria bem. É verdade, estou melhor. Se eu tiver juízo ela virá buscar-me outra vez para passearmos novamente. Sabes que me deu umas massagens nas pernas? Estou mais leve.” Após uma pausa breve, denotando

e diz-lhe que eu saí com a senhora enfermeira: não foi sem autorização. Ela disse que eu não me devia preocupar porque estava tudo bem”.

- “Mas quem é essa senhora enfermeira?”, perguntou a mulher, perante a firme convicção denotada.

-“Não sei. Não é nenhuma destas que trabalha aqui... Ela disse que hoje me vem buscar novamente. Vamos passear na praia; tenho de portar-me bem””.

O tempo escoara-se rapidamente. A hora das visitas terminara. À família saiu comentando aquela súbita mudança de atitude e a visita daquela estranha enfermeira que tivera o condão de o transformar.

Na manhã seguinte o telefone tocava. Do hospital comunicavam a notícia inesperada: desencarnara tranquilamente naquela noite.

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