Assim, podemos definir o mau-olhado como uma intensa vibração mental d
Jornal de Espiritismo nº 62 · Maio 2014Página 166 min
Assim, podemos definir o mau-olhado como uma intensa vibração mental direcionada, de alguém que vive dominado por sentimentos de competitividade, inveja, ciúme ou antipatia. Como se o mal pudesse sair dos olhos como dardos envenenados e, instalando - -se de forma corrosiva no corpo da vítima, almejasse provocar azar, destruir relacionamentos, arrasar o amor-próprio, originando depressões, doenças e aniquilando qualquer possibilidade de alguém roçar a felicidade.
O Espiritismo, sendo fé raciocinada, não é compatível com crendices e superstições. No entanto, ele não se fica pela negação dos fenómenos, procurando descobrir o que existe de verdade nestas situações. Assim, tendo uma visão mais ampla sobre a vida, o Espiritismo compreende o mau- olhado como um fenómeno predominantemente anímico. As evidências empíricas e mediúnicas não nos permitem negar que seja possível “enviar mal” aos outros.
Mais ainda, que existam pessoas que aliam um magnetismo muito forte com emoções corrosivas e que descarregam essa onda de pensamentos perversos na direção daqueles a quem dirigem esse olhar. A origem do fenómeno, no entanto, não está no olhar, mas na mente. O que pensamos e sentimos são focos energéticos que podem ser direcionados de acordo com a vontade, criando ondas mentais corresponden¬tes à natureza dos pensamentos que cultivamos.
Assim, podemos definir o mau-olhado como uma intensa vibração mental direcionada, de alguém que vive dominado por sentimentos de competitividade, inveja, ciúme ou antipatia. Mas este não é um mal inevitável. Só pode ser concretizável se encontrar na “vítima” uma reciprocidade de sentimentos e condições de afinidade emocional que lhe ofereça condições propícias à germinação. Tal como nos garante Divaldo Franco: “Se nos elevarmos em pensamento através da oração e por meio da ação, nenhuma força, por mais negativa, mandada ou encontrada pode nos realizar qualquer mal.
” É fundamental que estes fenómenos sejam abordados com muita lucidez. A experiência demonstra que, não explicando todos os casos, o medo costuma aliar-se à auto-sugestão para se tornarem fatores desencadeadores de perturbação. Quantas vezes as pessoas perdem o sossego mental ao verem sombras em casa, ficam apavoradas com o aparecimento de um animal morto na soleira da casa, sentem calafrios e ficam em estado de alerta máximo ao perceberam que alguém as inveja e que lhes direciona um olhar mortífero?
A ansiedade passa a dominar as suas vidas. Com que consequências? Uma experiência curiosa foi realizada por pesquisadores ingleses com ratos selvagens e ratos domésticos, em que cada grupo foi colocado em jaulas separadas mas à vista uns dos outros. De imediato, os ratos selvagens passaram a ameaçar violentamente os domésticos com grunhidos e olhares agressivos. No dia seguinte, todos os ratos domésticos estavam mortos.
As autópsias mostraram que as glândulas supra-renais dos bichinhos estavam muito dilatadas, sinal de uma violenta pressão nervosa. Ou seja, os ratinhos morreram de stress apesar de estarem seguros nas suas jaulas. É o que acontece por vezes: o medo do mau-olhado provoca uma auto-sugestão tão intensa que dá origem a neuroses violentas que desequilibram todo o corpo físico e mental, tornando o indivíduo mais vulnerável a todo o género de influências negativas.
Paremos um pouco para refletir: O que pode a inveja ou o mau-olhado contra o amor de todos aqueles que nos amam? Que força poderá ter o mal que nos querem contra o amor de uma mãe? Que possibilidades de êxito terá contra o carinho e a envolvência afetiva de todos os que, aqui e do outro lado da vida, se preocupam connosco? Será que temos assim tanta falta de fé nas potencialidades do amor? É que se andarmos constantemente a procurar razões exteriores a nós que justifiquem o que nos acontece de mal, colocamo-nos a nós próprios num plano subalterno em relação à condução da nossa vida.
Em todos os momentos, precisamos assumir a responsabilidade pelas nossas fragilidades, pelo que criamos e construímos, pelas decisões e pelo caminho que trilhamos. É que por muito mal que alguém nos queira, por muito injustos que se possam mostrar, nós temos mecanismos para contornar isso e seguir adiante: Coragem, persistência, amor, fé! Só desta forma poderemos caminhar, libertos de superstições e crendices, sem a ajuda de patas de coelho, trevos de quatro folhas, pés de arruda ou banhos de sal grosso.
São procedimentos respeitáveis que foram úteis em tempos mas, em tempos remotos também já adoramos bezerros de ouro, sacrificamos pessoas e animais em nome de uma fé e de uma segurança íntima que não sabíamos manter de outra forma. Hoje, no entanto, a nossa fé precisa de ser outra. Por Carlos Miguel Um olhar sobre o mau-olhado OPINIÃO JANEIRO.FEVEREIRO 2013 O mau-olhado é, talvez, a crença popular mais difundida em todo o mundo: segundo ela, existem pessoas que dispõem da capacidade para, através do olhar, provocar danos a outros.
foto loucomotiv Além da Vida, “Hereafter” no seu título original, é um drama superiormente dirigido por Clint Eastwood e que nos transporta com delicadeza e muita sensibilidade numa viagem reflexiva sobre as complexas dimensões da vida a partir dos enigmáticos mistérios da morte. Abordando temas como a mediunidade, as experiências de quase-morte, o luto e a vida após a morte, o enredo caminha a um ritmo próprio através das histórias diferentes de três pessoas comuns, e fá-lo de uma forma consistente como se assistíssemos à lenta construção de um puzzle de resultado imprevisível.
George é um americano solitário dotado de uma mediunidade apurada mas que a encara como uma implacável maldição. Atormentado pela sensibilidade que dispõe para comunicar com os mortos, frustrado por não ser capaz de ter a vida normal com que sonhou, debate-se ao mesmo tempo para conseguir escapar às seduções do irmão, que vê nas suas capacidades uma possibilidade de fazer dinheiro fácil; Marie é uma jornalista parisiense que vê as suas ideias sobre a vida e morte viradas do avesso após uma experiência de quase-morte no tsunami da Ásia em dezembro de 2004.
Personalidade pública, vê-se atirada para uma posição de quase ostracismo pelos colegas ao passar a defender e a interessar-se por ideias que eles acham ridículas; Marcus é um pré-adolescente londrino, pacato e circunspeto, que perdendo de forma trágica o seu irmão gémeo, parte numa busca desesperada para satisfazer a sua sede de respostas. Somos transportados pelo luto de Marcus com um aperto no peito, sentindo a sua angústia pela carência de um suporte afectivo mas sobretudo pela crueldade na indiferença de vários charlatães que se tentam aproveitar do estado vulnerável em que ele se encontra.
“Além da Vida” foi um filme bastante mediatizado por abordar a mediunidade mas quem está à espera que este seja um filme propaganda à espiritualidade é bem capaz de ficar decepcionado. Clint Eastwood leva-nos de mão dada ao longo do enredo mas sem nunca cair na tentação de nos proteger da dura realidade. Fugindo aos confortáveis e polidos lugares- comuns, confronta-nos com as evidências mas também com a dúvida, com o lado científico sem esconder as fraudes, com as potencialidades de uma consciência mais desperta sem distorcer os conflitos existenciais e práticos que as novas ideias trazem aos que que têm a coragem de as defender.
Ainda bem que o fez, pois a representação da mediunidade e de outros temas espiritualistas de forma romantizada e descomprometida nem sempre é positiva para a sua divulgação e esclarecimento. A mediunidade está muito para além da satisfação dos interesses comezinhos habituais, a sua finalidade é bem maior do que as necessidades imediatas. Através desse intercâmbio com o plano espiritual, os médiuns interpretam, sentem e transmitem pensamentos, ideias, sensações que mostram as evidências da imortalidade da alma, difundem o conhecimento espiritual e promovem o progresso ético e moral da sociedade.
Com todas as dificuldades, desafios e responsabilidades que a sua sensibilidade lhes acarreta, os médiuns são auxiliares preciosos do processo da sensibilização da população mundial para as coisas do Espírito e para a realidade da vida após a morte. A mediunidade é uma tarefa pela elevação de si mesmo através do serviço em favor dos outros. Foi no momento em que compreendeu esta verdade tão simples que George descobriu um caminho interior para a paz que tanto procurava.
Título original: “Hereafter” Realizado por Clint Eastwood EUA, 2010 - 125 min.
