Voltar à edição
Capa da edição nº 62 do Jornal de Espiritismo

62Jornal de Espiritismo nº 62

Maio 2014 · 20 secções · ≈ 65 min de leitura

A edição nº 62 do Jornal de Espiritismo explora temas como a continuidade da vida após a morte, a importância da renovação e da luz interior. Destaca-se a necessidade de clarificar o Espiritismo perante a desinformação, exemplificada pela carta à RTP sobre o programa "Zigzag". Aborda também a origem de rituais como o batismo, mostrando como as tradições se adaptaram ao longo do tempo. O jornal ressalta a mensagem de esperança e o papel do esforço individual na evolução espiritual.

Espiritismo
Morte e Vida Espiritual
Mídia e Espiritismo
Tradições e Doutrina
Renovação Interior

Capa

Página 13 min

62 ANOXI JDE JORNALDEESPIRITISMOJANEIRO . FEVEREIRO . 2 0 1 4 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 A morte do corpo material parece reter no inconsciente de cada um a ideia do tributo da maior dor do percurso que cessa: a experiência, contudo, ensina que viver na Terra numa experiência corporal inclui vários momentos mais difíceis do que o da partida para a vida espiritual.

Veja as perguntas que poderia fazer sobre este assunto! 16 OPINIÃO UMOLHARSOBREOMAU-OLHADO 10 NOTÍCIA CONGRESSO ESPÍRITA PORTUGUÊS No fim-de-semana de 16 e 17 de novembro decorreu na Associação Espírita de Leiria o Congresso Espírita Português sob a égide da Federação Espírita Portuguesa: “Mediunidade, uma visão de futuro. 12 CONSULTÓRIO CASOS Gláucia Lima, psiquiatra que nos seus tempos livres estuda a doutrina espírita, dá continuidade a esta secção do jornal.

3 CORREIO SESSÃO “ESPÍRITA” NO ZIGZAG Em 5 de novembro o programa de TV “Zigzag”, que passa na RTP, referiu de forma equivocada a palavra espírita. Seguiu o alerta! O Espiritismo não é compatível com crendices. Mas ele não se fica pela negação dos fenómenos, procurando descobrir o que existe de verdade nestas situações. 10 SOCIEDADE foto loucomotiv Desencarnar é recomeçar foto loucomotiv Ainda anoitece cedo, é verdade, mas ninguém se iluda: vêm aí dias maiores.

Ouvir artigoContinuar a ler “Capa” →

Editorial

Página 23 min

Dias maiores JANEIRO.FEVEREIRO 2014 para poder me abrigar, e deixou-a arder. Deus, não tem compaixão de mim?”. Nesse momento, uma mão pousou no seu ombro e ele ouviu uma voz dizer: “Vamos rapaz?”. Ele virou-se para ver quem estava a falar, e qual não foi a surpresa quando viu na sua frente um marinheiro a dizer: “Vamos rapaz, nós viemos buscar-te”. “Mas como é possível? Como souberam que estava aqui?”. “Ora, amigo!

Vimos os sinais de fumaça a pedir socorro. O capitão ordenou que o navio parasse e me mandou vir busca-lo naquele barco ali adiante.” Os dois entraram no barco e assim o homem foi para o navio que o levaria em segurança de volta para os seus entes queridos. Quantas vezes a nossa “casa arde” e gritamos como aquele homem gritou? Em Romanos 8:28 lemos que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus. Às vezes, é difícil aceitar isto, mas é assim mesmo.

É preciso crer e confiar! Fonte: www.omensageiro.com.br A casa queimada Entrar nestes ritmos e ver no novo ano um espaço singular, porém breve, para amadurecermos mais um tanto será uma boa dica! Entrar nestes ritmos e ver no novo ano um espaço singular, porém breve, para amadurecermos mais um tanto será uma boa dica! Diz Clarêncio na obra de André Luiz, com psicografia de Francisco Cândido Xavier: Sem amor no coração não teremos olhos para a luz.

Ouvir artigoContinuar a ler “Editorial” →

Correio Janeiro.fevereiro

Página 33 min

CORREIO JANEIRO.FEVEREIRO 2014 Sessão “Espírita” no ZIGZAG Em 5 de novembro passado o programa de TV dedicado à infância “Zigzag”, que passa na RTP, referiu de forma equivocada a palavra espírita. Mediante o alerta dado à Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), o seu presidente da direção, Ulisses Lopes, escreveu à produção… “Exm.ºs Senhores, a personagem Zacarias, do vosso programa ZIGZAG, na semana transata (28 de outubro a 1 de novembro) consultou um médium, daqueles que põem anúncios nos jornais e vendem comunicações com o Além (verdadeiras ou simuladas, não vem agora ao caso).

No programa, essa atividade (exibida como fraude, aliás) foi caracterizada como “sessão espírita”. o Espiritismo, e nada tem a ver com o quadro apresentado no ZIGZAG. Lembramos que a RTP já dedicou uma emissão do prestigiado programa “A Voz do Cidadão” a esta distinção, entre mediunismo (contacto ou suposto contacto com o Além) e Espiritismo (doutrina filosófica): http://www.youtube.com/ watch?v=RmRxAIruke8. Pedimos por isso que de futuro evitem cometer este erro, proveniente do preconceito e da desinformação que ainda existem.

C/ os melhores cumprimentos, Ulisses Lopes Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal www.adeportugal.org Em 21 de novembro , a ADEP recebeu por e-mail mensagem de Andrea Basílio (ZIGZAG) a esse respeito: “Ex.mo Senhor Ulisses Lopes, antes de mais obrigada pela sua participação sem a qual não poderíamos corrigir, aprender e evoluir. Nunca foi nossa intenção denegrir ou colocar em causa valores pois não é esse o nosso papel enquanto fornecedores de conteúdo, se tal aconteceu foi puramente involuntário e, por esse facto, pedimos desculpas.

Ouvir artigoContinuar a ler “Correio Janeiro.fevereiro” →

FEP Encontro Nacional de Evangelizadores Infanto-juvenis Esta foi a fr

Página 42 min

FEP Encontro Nacional de Evangelizadores Infanto-juvenis Esta foi a frase que serviu de lema ao ENEij 2013, Encontro Nacional de Evangelizadores Infanto-juvenis, que decorreu em 3 de novembro, domingo, na sede da Federação Espírita Portuguesa, na Amadora. Uma excelente oportunidade de trabalho, de partilha e de aprendizagem em salutar ambiente onde a educação das crianças e jovens à luz da doutrina espírita reuniu cerca de 125 participantes de diversos centros espíritas do país e Madeira, que voluntariamente se propõem a trabalhar a educação do ser, pela medicina da alma.

Os orientadores dos trabalhos foram os professores Alexandra Gomes, que tamfoto arquivo bém é psicóloga, Paulo Fregedo, responsável pelo Coro da FEP e Manuela Vieira e Reinaldo Barros, autores de livros de literatura espírita infanto-juvenil. Os temas abordados revestiram-se de enorme beleza e excelente conteúdo, abordando questões como a importância da educação, do útero à maioridade, a utilização de materiais didáticos, proporcionando assim uma melhor motivação e interação com a criança/jovem de forma a permitir uma aprendizagem metódica e consolidada.

Referiu-se a importância das artes na educação, promovendo a criatividade e a disciplina. Foi ainda dado a conhecer um projeto pioneiro criado no Funchal, trabalhando com os educadores para que a aprendizagem se faça desde cedo, no lar, em família, em sociedade, em conjugação com a frequência do centro espírita. Os princípios que esta doutrina explica – enquanto ciência estuda as suas causas e efeitos e enquanto moral se pauta pelo evangelho de Jesus – dão resposta às questões inerentes ao porvir da vida: “Quem somos?

Ouvir artigoContinuar a ler “FEP Encontro Nacional de Evangelizadores Infanto-juvenis Esta foi a fr” →

Breves

Página 55 min

Centenário da Associação Espírita de Lagos Ao longo de 2013 a Associação Espírita de Lagos comemorou o seu centenário. Entre as inúmeras atividades decorrentes da feliz data, passamos obtivemos o registo da representação intitulada “Auto das Rosas de Santa Maria”, de Cândido Guerreiro, que decorreu no dia 19 de outubro pelas 16h00 no Centro Cultural de Lagos. Esteves Teiga, ator envolvido na iniciativa, explicou que ”este texto é um hino aos algarvios pela sua participação nos Descobrimentos portugueses, mais especialmente ao marinheiro Gil Eanes, natural de Lagos, e que saído da “Baía de Lagos majestosa”, depois, de quinze tentativas, conseguiria dobrar o Cabo Bojador, o terrível cabo do qual se dizia “Quem passar o Cabo Não, passará ou não ”.

O convite surgiu da Associação Espírita de Lagos, mais propriamente de Julieta Marques, “atenta ao processo cultural e a tudo aquilo que possa dignificar o movimento espírita para a sociedade. Já o havíamos feito com outras peças, noutros eventos”. Curiosamente “este texto casava muito bem com o momento, e foi aplaudido de pé com uma sala completamente cheia, com grande regozijo da presidenta da Câmara de Lagos, que teceu grandes elogios ao texto, à representação e melhor ainda a todo o trabalho da Associação Espírita de Lagos, enquanto parceira social com a autarquia.

Depois ainda houve um momento de guitarra clássica, piano e o espetáculo “As mulheres do Evangelho “ pelo Grupo de Teatro desta associação lacobrigense”. Associação Sociocultural Espírita de Cascais Nos dias 28 e 29 de novembro na Associação Sociocultural Espírita de Cascais houve lugar a estas atividades: em 28 de novembro, 21h00 às 21h30, decorreu uma reflexão evangélica sobre o tema “Proveito dos sofrimentos para outrem”, por João Luiz Batista.

Ouvir artigoContinuar a ler “Breves” →

Breves (pág. 6)

Página 63 min

José Araújo, 49 anos, casado, pai de 4 filhos, avô de 2 netos, vive em Blumenau, Santa Catarina, Brasil. Ficou conhecido pelas mensagens que recebe mensalmente, em direto, via Internet, em transe profundo, inconsciente. Convidado por um grupo de portugueses, esteve em Portugal. No dia em que chegou, 2 de novembro de 2013, esteve nas Caldas da Rainha, rumando no dia seguinte para S. João de Ver (Norte) para um mini-seminário.

No dia 4, o Centro Espírita de Setúbal sobrelotou, acontecendo o mesmo em Évora no dia 5 e, em Olhão, no dia 6. Portimão recebeu-o no dia seguinte, e no dia 8 foi a vez de S. Brás de Alporwww.adeportugal.org curso básico de espiritismo on-line em Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal Contacto com o além tel, para rumar no dia 9 a Lisboa, onde efetuou uma palestra na FEP (Amadora), local onde decorreu um excelente seminário sobre a “Arqueologia do Ser”, no domingo, dia 10 de novembro.

A sala do Centro Espírita na Marinha Grande foi pequena para o receber no dia 11 e, em Águeda, estavam cerca de 400 pessoas no dia 13. Dia 14 foi a vez de Viseu e, dia 15, nas Caldas da Rainha, a sala ficou a abarrotar com mais de 200 pessoas. Esteve ainda presente no Congresso Espírita Português, em Leiria, nos dias 16 e 17. Embora tivesse vindo apenas na qualidade de palestrante, com temas muito interessantes, inovadores e diversificados, em todos os locais acabou por receber mensagens dos Espíritos, que estão disponíveis no “site” do centro espírita que frequenta no Brasil e onde qualquer pessoa poderá verificar os textos recebidoswww.

Ouvir artigoContinuar a ler “Breves (pág. 6)” →

Homenagem

Página 73 min

Nilson de Souza Pereira: obrigado! A sua vida foi um grande exemplo de vivência de amor pleno, total humildade e abnegação. Deixou muitas pegadas luminosas que podem ser vistas e sentidas na Mansão do Caminho, obra que fundou e dirigiu durante 67 anos, junto de Divaldo pereira Franco. Nilson de Souza Pereira, popularmente conhecido como tio Nilson, nasceu em 26.10.1924, no subúrbio ferroviário de Plataforma, na cidade do Salvador, Bahia.

De origem humilde, porém detentor daquela sabedoria peculiar aos homens de bem. Profissionalmente foi bancário, telegrafista do Ministério da Marinha e funcionário público dos Correios e Telégrafos. A partir de 1945, vinculou-se ao médium Divaldo Franco. Ambos eram jovens, com 20 anos e 18 anos, respectivamente. Juntos e orientados pela Mentora Joanna de Ângelis, edificaram a admirável obra que é o Centro Espírita Caminho da Redenção, fundado em 7.

9.1947, cujo epicentro é o seu Departamento Social Mansão do Caminho, fundado em 15.08.1952. Tio Nilson foi o presidente e administrador dessa grande obra que tem alcançado plenamente seus objetivos, exigindo, porém, muito trabalho e dedicação de todos que a conduzem. No ano de 2007, como reconhecimento ao seu incansável labor na área de assistência social e solidariedade humana, Tio Nilson recebeu das mãos do prefeito João Henrique, em bonita solenidade, a honrosa “Medalha 2 de Julho.

Ouvir artigoContinuar a ler “Homenagem” →

Opinião

Página 83 min

Desencarnar é recomeçar O Espírito que acabara de envolver a médium há poucos minutos ainda estava confuso. Pai de família, a partir de certa altura reparou que quando falava à esposa e aos filhos, eles «não lhe respondiam», disse. Mais: já nem lhe punham prato na mesa, insistiu. A dado momento gizou na sua mente esta indagação: «Que terei feito eu de tão errado para eles nem olharem para mim quando lhes dirijo a palavra?

». Nesta reunião mediúnica, passada já há uns anos, o caso ficou na memória. A sessão realizada uma vez por semana destinava-se a ajudar espíritos desencarnados ainda em confusão depois da morte corporal. Numa conversa tranquila, através de um médium psicofónico, processava-se o esclarecimento que permitisse à entidade espiritual ver e ouvir em torno dela os amigos da Espiritualidade desejosos de a ajudar, a fim de seguir com normalidade um percurso evolutivo no plano espiritual.

A imersão da mente em pensamentos e sentimentos pouco elevados limita as perceções e isso é particularmente funcional quando já estamos desligados do corpo material por efeito da desencarnação, que mais não é do que a morte do corpo físico. Este pai de família desencarnado pertencia ao numeroso grupo de espíritos confusos que se sentiam vivos, com corpo espiritual. Estão longe de pensar, por isso, que teriam morrido – nem sequer assistiram ao seu funeral.

Ouvir artigoContinuar a ler “Opinião” →

Opinião (pág. 9)

Página 94 min

foto arquivo inferno e céu como nos ensinam desde miúdos, porém, gostava de perceber «para onde vai a nossa consciência, o espírito, quando o corpo material morre». Tudo parece funcionar por afinidades. Imagine que seja assim: carteiristas de cá encontram-se com carteiristas de lá, até que queiram deixar de o ser. Alcoólicos de cá juntam-se a alcoólicos de lá, até que se saturem dessa experiência e trabalhem para se libertar desse condicionamento desequilibrador.

Quem gosta de estudar a natureza junta-se a quem partilha esse interesse pessoal. Etc. Todos eles geram as paisagens espirituais coletivas compatíveis. Foi daí que surgiram as descrições de antanho do inferno e do céu, que já existiam antes da chegada do cristianismo, como Allan Kardec explica no livro «O Céueo Inferno». Contudo, é certo que os espíritos esclarecidos e equilibrados podem ter vocações diferentes e viver em urbes onde partilhem a estima que nutrem uns pelos outros, pois a afinidade evolutiva ganha mais-valia sobre as tendências pessoais.

Traumas da desencarnação Paula quer saber – uma situação difícil no decesso pode deixar traumas para outras vidas corporais? Depende. Nalguns casos isso pode acontecer, mas há de esbater-se no tempo, vida após vida, sobretudo se não houver reforços do trauma. Noutros casos, não se passa nada, corre tudo bem a posteriori. Os dados mais acessíveis sobre este item residem em obras publicadas sobre regressão de memória na vertente psicoterapêutica.

Ouvir artigoContinuar a ler “Opinião (pág. 9)” →

Reportagem

Página 102 min

Congresso Espírita Português faculdade humana. Os trabalhos começaram com a interpretação de vários temas de repertório erudito pelo contratenor Luís Peças que deixou maravilhada a plateia. Depois, seguiram-se as boas-vindas do presidente do conselho diretivo da Federação, Vítor Féria. A conferência de abertura soltou o discurso iluminado de Divaldo Pereira Franco. O brilhante orador abordou assuntos diversos num ritmo que prendeu a atenção de todos e, no final, foi aplaudido de pé pelos presentes.

Foram abordadas as dificuldades enfrentadas pelos médiuns no passado e no presente, ante três adversários essenciais: os de natureza científica, os de base religiosa e os defluentes da ignorância popular. Uma explanação rica de detalhes, baseada em suportes de cariz científico e evangélico que levam o ouvinte a ponderar e a reformular valores. A excelência do discurso deste orador abriu espaço para que diversos palestrantes começassem a cobrir o programa do evento de índole nacional.

M. Costa e António Mendonça deram uma perspetiva da mediunidade na história da humanidade nesta tarde de sábado, seguindo-se Isabel Saraiva da Associação Espírita de Leiria, com o assunto “Médiuns e obsessão”. Carlos Alberto Ferreira, do Centro Espírita Perdão e Caridade, de Lisboa, explicou o que é “O bom médium”. “Estudo sistematizado da mediunidade”, da União Espírita da Região do Porto, levou ao auditório a voz de José Augusto e Luténio Faria, médico que nos tempos livres coordena a Associação Espírita Consolação e Vida, de Águeda, dissertou sobre a problemática da “Mediunidade na infância”.

Ouvir artigoContinuar a ler “Reportagem” →

Reportagem (pág. 11)

Página 114 min

Avaliação Cada congressista recebeu uma pasta com documentação alusiva ao certame. Ali encontrava-se também um questionário com vista a que se torne mais fácil melhorar alguns aspetos em eventos futuros. A escala dos gráficos em baixo vai da seguinte maneira: 1, pobre; 2, aceitável; 3, suficiente; 4, bom; 5, excelente. título “Mediunidade nos relacionamentos”. “Mediunidade na saúde física” foi matéria exposta pelo cirurgião David Brandão, que nos seus tempos pós-profissionais colabora com o Grupo Espírita Allan Kardec, de Coimbra.

Gláucia Lima, psiquiatra, desdobrou de forma muito competente o tema “Mediunidade na saúde mental – transtorno ou caminho?”. O mesmo assunto foi abordado logo a seguir num ângulo diferente, memória e perceção, por Paulo Mourinha. Rui Marta, psicólogo clínico, dirigente do Centro Espírita a Casa do Caminho nos seus tempos livres, nos arredores de Lisboa, diferenciou aspetos que podem levar a uma confusão de coisas diferentes, esquizofrenia e mediunidade, ficando entendido no fio condutor das palestras anteriores que a prática disciplinada e educada da faculdade mediúnica está devidamente esclarecida hoje em dia pela investigação como uma prática que, longe de levar a perturbações do comportamento, pelo contrário, se torna benéfica para o próprio e os que o cercam, dentro de condições estudadas.

Como tinha feito na abertura, Divaldo Pereira Franco, encerrou o evento, elucidando sobre os aspetos consoladores de uma prática mediúnica séria que leva o ser humano a compreender a sua natureza espiritual, respondendo com clareza às velhas perguntas que acompanham a humanidade – Quem somos? De onde viemos? Que fazemos aqui? Para onde vamos? A primeira atuação oficial em público do Coro e Orquestra Eletroacústica da Federação Espírita Portuguesa, chefiada pelo maestro Paulo Fregedo, surgiu no fecho do congresso e agradou sobremaneira.

Ouvir artigoContinuar a ler “Reportagem (pág. 11)” →

Consultório

Página 125 min

Maria Armanda – Vejo e sinto os espíritos desde criança, mas não tenho afinidade com o espiritismo, sinto medo. Devo praticar a mediunidade? Gláucia Lima – Cara leitora, em “O Livro dos Médiuns”, Kardec, o codificador do espiritismo, afirma: “Se bem que cada um traga em si o gérmen das qualidades necessárias para se tornar médium, tais qualidades existem em graus muito diferentes”(LM, pág 16). Diz-nos também que apesar de todos termos em nós esta potencialidade nem todos a desenvolvemos, existindo no ser humano com uma finalidade precípua.

Muitos são chamados a desenvolverem a faculdade mediúnica ao longo da vida, mas, por desconhecimento, preconceito, vergonha, medo ou falta de tempo, como refere o espírito André Luiz, no livro “Os Mensageiros”, cap. 28, pelo médium Chico Xavier, desculpam-se com variados pretextos, o chamado “desculpismo”, afastando-se dos compromissos espirituais assumidos antes desta vida, tendo como consequência ao desencarnarem um “despertar doloroso”.

Fala-nos também o espírito Manoel Philomeno de Miranda, através da psicografia de Divaldo Pereira Franco, no livro “Mediunidade – Desafios e Bênçãos”: “Diariamente aportam nas praias da imortalidade dezenas de milhares de náufragos do barco orgânico... Entre esses irmãos mais infelizes pela responsabilidade própria destacam - -se os portadores do mandato mediúnico, que se deixaram corromper e fracassaram lamentavelmente”.

Ouvir artigoContinuar a ler “Consultório” →

Opinião (pág. 13)

Página 132 min

Porque é que, quando parte da nossa mente nos injuria, não ouvimos a outra parte que nos pede um carinho para nós? O autoamor é a raiz da vida que escondemos nas terras do nosso ego, das nossas ações, pensamentos e emoções. A ausência e/ou abandono desta raiz é uma das origens de doenças, depressões e da nossa separação de Deus. O homem é sempre chamado a reencontrar-se com a sua natureza divina. Isso é mostrado no Evangelho com a história do paralítico de Bethzatha, uma representação do autoperdão e autoamor que devem orientar-nos na ativação da vontade.

No caso do paralítico, foi Jesus que ativou essa vontade no homem que se desapegou do seu sofrimento, dependência e paralisia (desmotivação) para uma vida plena. Este despertar para as realizações a nosso favor só acontece quando o espírito aprende com as experiências passadas, reconetando-se com Deus. A aprendizagem, ou pedagogia, nas palavras do sociólogo Durkheim, é a preparação racional das nossas escolhas. Levar a cama, como Jesus ordenou ao paralítico, é tomar para si a essência dessas escolhas, amando cada etapa da aprendizagem.

Daí a necessidade da reconexão com o amor de Deus, pois, tal como Jesus reencontrou o paralítico louvando o Criador no templo de Jerusalém, a nossa “saúde é a realização da conexão criatura-criador” . Mas há um único e soberano motivo para nos amarmos: somos uma manifestação de Deus. “Toma o teu catre e anda” Por vezes, a nossa mente sugere-nos motivos para não gostarmos de nós, para nos afundarmos em desalentos. Mas há um único e soberano motivo para nos amarmos: somos uma manifestação de Deus.

Ouvir artigoContinuar a ler “Opinião (pág. 13)” →

Opinião (pág. 14)

Página 143 min

Jesus de Nazaré, Príncipe da Paz e pedagogo incomparável, naquilo que fazia (no falar, agir, viver, morrer) tanto emanava doçura como sabedoria e solidez. No século passado, a moral do seu discurso não persuadia o renomado filósofo ateu sir Bertrand Russel (ensaio “Por Que Não Sou Cristão”, 1927). E por muita elevação que nós, cristãos, encontremos no aspecto moral da doutrina de Jesus, o Rabi nazareno sagrou-se como muito mais do que um moralista.

A sua vida irrepreensível, a profundeza ímpar do Seu magistério, testemunham a dimensão altíssima da sua inspiração; dessas culminâncias manava a energia do singular potencial comunicativo que impregnava o discurso do divino Amigo, tornando a sua moralidade muito mais do que “mores” (isto é: usos e costumes convencionados, sujeitos a mudar com o tempo, com o espaço, com as culturas humanas); pois tratava-se duma moral universal, permanente, suprassocial, de elevado teor místico (longe de conotar-se ao sentido negativo do termo misticismo).

Pelo discernir metafísico e vivência espiritual, acede-se a noções da docência de Jesus mais fecundas do que permitiria a simples reflexão moral. Dessa perspectiva, já nada se afigura piegas ou mercantil no enunciado da bem-aventurança em pauta, nem em qualquer ensinamento do Bom Pastor. Os misericordiosos alcançarão misericórdia, sim; porque a tónica da misericórdia (distinta de mero acto externo de doação) implica um estado harmonioso de exultação interior que em absoluto prescinde de prémios: ele próprio embebido no venturoso reino de Deus, sacia plenamente sem carecer de mais recompensas.

Ouvir artigoContinuar a ler “Opinião (pág. 14)” →

Opinião (pág. 15)

Página 153 min

Quando René Descartes nos brindou com a célebre frase “Penso, logo existo”, o filósofo, não somente estava nos ensinando a raciocinar sobre como chegar à uma verdade inquestionável, mas, mesmo que inconsciente, ele resumiu o poder do pensamento que dá forma às mais variadas realidades materiais e espirituais dos homens. E junto a Descartes, nós espíritas completamos o raciocínio afirmando: “Penso, logo vibro, logo crio, logo vivencio” ou “Existo conforme o que penso”.

“O pensamento ou fluxo energético do campo espiritual se gradua nos mais diversos tipos de ondas desde os raios superultra-curtos em que se exprimem as legiões angélicas, até às ondas curtas, médias e longas em que se exterioriza a mente humana” (1). O pensamento é ilimitado, livre e materializa os nossos desejos mais secretos com intenções para o bem ou para o mal. Além disso, sempre que pensamos criamos as formas-pensamento – criações mentais ou ideoplastias, e influenciamos, ainda, nossos centros de força – os chakras, bloqueando-os com energias densas ou abrindo-os às vibrações elevadas.

O pensamento é ininterrupto e supera a velocidade da luz: “...Imaginemos agora o pensamento, força viva e atuante, cuja velocidade supera a da luz. Emitido por nós, volta inevitavelmente a nós mesmos, compelindo-nos a viver, de maneira espontânea, em sua onda de formas criadoras, que naturalmente se nos fixam no espírito quando alimentadas pelo combustível de nosso desejo ou de nossa atenção. Daí, a necessidade imperiosa de nos situarmos nos ideais mais nobres e nos propósitos mais puros da vida, porque energias atraem energias da mesma natureza...

Ouvir artigoContinuar a ler “Opinião (pág. 15)” →

Assim, podemos definir o mau-olhado como uma intensa vibração mental d

Página 166 min

Assim, podemos definir o mau-olhado como uma intensa vibração mental direcionada, de alguém que vive dominado por sentimentos de competitividade, inveja, ciúme ou antipatia. Como se o mal pudesse sair dos olhos como dardos envenenados e, instalando - -se de forma corrosiva no corpo da vítima, almejasse provocar azar, destruir relacionamentos, arrasar o amor-próprio, originando depressões, doenças e aniquilando qualquer possibilidade de alguém roçar a felicidade.

O Espiritismo, sendo fé raciocinada, não é compatível com crendices e superstições. No entanto, ele não se fica pela negação dos fenómenos, procurando descobrir o que existe de verdade nestas situações. Assim, tendo uma visão mais ampla sobre a vida, o Espiritismo compreende o mau- olhado como um fenómeno predominantemente anímico. As evidências empíricas e mediúnicas não nos permitem negar que seja possível “enviar mal” aos outros.

Mais ainda, que existam pessoas que aliam um magnetismo muito forte com emoções corrosivas e que descarregam essa onda de pensamentos perversos na direção daqueles a quem dirigem esse olhar. A origem do fenómeno, no entanto, não está no olhar, mas na mente. O que pensamos e sentimos são focos energéticos que podem ser direcionados de acordo com a vontade, criando ondas mentais corresponden¬tes à natureza dos pensamentos que cultivamos.

Ouvir artigoContinuar a ler “Assim, podemos definir o mau-olhado como uma intensa vibração mental d” →

Vídeo / Literatura

Página 171 min

VÍDEO / LITERATURA Além da Vida Obra mediúnica do espírito João, psicografada por Fernando Lobo dos Santos, com prefácio de Joanna de Ângelis – Divaldo Pereira Franco datado de 2006, editada pelo GEEAK – Grupo de Estudo Espíritas Allan Kardec. Trata-se de um romance em que dois dos cinco princípios fundamentais do Espiritismo estão bem sublinhados: a imortalidade da alma e a pluralidade das existências. A lei biológica — a reencarnação — e a lei moral — a acção e reacção — que integra este último princípio, estão bem ilustradas com o percurso das suas personagens ao longo de várias civilizações, desde a Antiguidade Clássica (Roma e Cartago) até à aurora da restauração da independência de Portugal do jugo filipino, no século XVII, onde se inclui as viagens marítimas, no caso ao Brasil, em busca das riquezas fáceis com o sacrifício dos escravos africanos.

As descrições das molduras geográficas e sociais das diversas épocas em que encontramos as personagens centrais revelam grande conhecimento histórico, geográfico e antropológico do autor espiritual, que nos leva a acompanhar a caminhada de vários Espíritos através da reencarnação, das sombras do passado para a luz do futuro. Temas, como a violência no circo romano; as touradas, ainda tão do agrado de muitas pessoas, como vestígios atávicos dos tempos de Roma antiga; a Inquisição; as viagens marítimas; são muito bem descritas, levando o leitor a ver-se na pele das personalidades, como se viajássemos com elas no espaço e no tempo.

As questões das minorias, no caso, a etnia cigana, e da escravatura são muito bem colocadas, assim como a componente ecológica bem vincada, com um respeito profundo por todos os seres da Natureza. Concluímos que estamos perante uma obra com uma grande componente instrutiva e sobretudo, educativa, que dignifica a Doutrina dos Espíritos. Por Carlos Alberto Ferreira Teias das Almas JANEIRO.

Ouvir artigo

Entrevista a dirigentes Nilza Pacheco conta 65 anos e é técnica de Saú

Página 185 min

WWW Entrevista a dirigentes Nilza Pacheco conta 65 anos e é técnica de Saúde. Vive na cidade do Porto. foto direitos reservados Como conheceu o Espiritismo? Nilza Pacheco – Tive contacto com o fenómeno desde menina, o que foi para mim muito confuso. Não percebia o que se estava a passar e a explicação era escassa nessa altura. Fui crescendo e coloquei de lado essa situação pois queria viver a vida de uma jovem, até que um célebre dia, e já com família, surgiu um problema.

Tive alguns avisos. Achei estranho e recorri a um médium na zona de Leiria, onde comecei a compreender e a estudar esta doutrina. Foi pela dor que voltei para a doutrina espírita. F requenta algum centro espírita? Qual? Nilza Pacheco – Sim o IPC. Q ual a sua opinião acerca do “Jornal de Espiritismo”? Nilza Pacheco – Embora só tenha lido dois exemplares, gostei de toda a sua matéria, artigos bem elaborados, simples, acessível a qualquer leitor menos esclarecido, transmitindo a vontade de conhecer e frequentar esta maravilhosa doutrina.

D o que já conhece do espiritismo mudou alguma coisa na sua vida? Nilza Pacheco – Sim, nestes 40 anos tenho vivido passo a passo o crescimento interior. Tem sido difícil e como tudo que é difícil tem o seu lado gostoso, continuar a fazer progredir o meu conhecimento nos muitos livros que tenho lido, palestras ao vivo e via net, em Portugal e Brasil, mas continuo a ser uma aprendiz. Tudo o que tenho assimilado contribuiu para a mudança do meu relacionamento com o meu eu e principalmente com o outro meu irmão de caminho.

Ouvir artigoContinuar a ler “Entrevista a dirigentes Nilza Pacheco conta 65 anos e é técnica de Saú” →

Amélia Cardia, a primeira médica portuguesa (1855-1938), com consultór

Página 195 min

Amélia Cardia, a primeira médica portuguesa (1855-1938), com consultório na Praça de Camões, em Lisboa, onde as consultas eram gratuitas ao sábado, sendo muito procurada pelas mulheres portuguesas, fez parte dos primeiros corpos sociais da Federação Espírita Portuguesa, tendo dirigido a «Revista Espírita» da FEP durante cinco anos? Como fundo do selo comemorativo do Centenário de Francisco Cândido Xavier, lançado no Brasil, há o detalhe de uma carta psicografada pelo médium (reprodução de um manuscrito de Chico Xavier, do livro “Mensagens de Inês de Castro”)?

Durante o Evangelho no Lar, em que participem crianças, podemos ler-lhe pequenos textos de livros espíritas que estejam dentro dos interesses da sua faixa etária e explicar-lhes a mensagem que contêm? Nilson de Sousa Pereira, co-fundador da Obra Social Mansão do Caminho, em Salvador, no Brasil, foi, em 30 de dezembro de 2005 agraciado com o título de Embaixador da Paz no Mundo, concedido pela “Ambassade Universelle pour la Paix”, em Genebra (Suíça), capital da Organização Mundial da Paz, ligada à ONU, tornando-se assim o 206.

º Embaixador da Paz no Mundo? Espiritismo e Mediunidade são coisas diferentes, pois o Espiritismo é a doutrina ditada pelos Espíritos, enquanto a mediunidade é uma faculdade inerente ao ser humano, independentemente das suas convicções pessoais? Alice adorava brincar, correr, saltar, andar de bicicleta e tudo o resto que uma menina de seis anos gosta de fazer. À noite, quando chegava a casa depois de um dia cheio, de escola e de brincadeira, já só pensava em sentar-se frente à televisão, comer e ir direitinha para a sua cama.

Ouvir artigoContinuar a ler “Amélia Cardia, a primeira médica portuguesa (1855-1938), com consultór” →