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Jornal de Espiritismo nº 62 · Maio 2014Página 125 min

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Maria Armanda – Vejo e sinto os espíritos desde criança, mas não tenho afinidade com o espiritismo, sinto medo. Devo praticar a mediunidade? Gláucia Lima – Cara leitora, em “O Livro dos Médiuns”, Kardec, o codificador do espiritismo, afirma: “Se bem que cada um traga em si o gérmen das qualidades necessárias para se tornar médium, tais qualidades existem em graus muito diferentes”(LM, pág 16). Diz-nos também que apesar de todos termos em nós esta potencialidade nem todos a desenvolvemos, existindo no ser humano com uma finalidade precípua.

Muitos são chamados a desenvolverem a faculdade mediúnica ao longo da vida, mas, por desconhecimento, preconceito, vergonha, medo ou falta de tempo, como refere o espírito André Luiz, no livro “Os Mensageiros”, cap. 28, pelo médium Chico Xavier, desculpam-se com variados pretextos, o chamado “desculpismo”, afastando-se dos compromissos espirituais assumidos antes desta vida, tendo como consequência ao desencarnarem um “despertar doloroso”.

Fala-nos também o espírito Manoel Philomeno de Miranda, através da psicografia de Divaldo Pereira Franco, no livro “Mediunidade – Desafios e Bênçãos”: “Diariamente aportam nas praias da imortalidade dezenas de milhares de náufragos do barco orgânico... Entre esses irmãos mais infelizes pela responsabilidade própria destacam - -se os portadores do mandato mediúnico, que se deixaram corromper e fracassaram lamentavelmente”.

Recomendo que conheça a doutrina espírita, as suas obras básicas, pois, antes de praticar a mediunidade, no centro espírita, deve-se conhecer e estudar, através do curso básico da mediunidade, aquilo que não se domina. Tendo o domínio da sua faculdade mediúnica, através da educação da mediunidade – o que requer sobretudo disciplina, dedicação, vontade de auxiliar o próximo, abnegação – o candidato à prática mediúnica poderá estar preparado para perceber o alcance do instrumento que tem nas suas mãos e, assim, fazer uma escolha mais acertada acerca da sua prática ou não.

Comparo este caso com o de um filho que diz ao seu pai que não quer estudar mais, com receio das novas disciplinas, o que demonstra a sua dificuldade de lidar com o desafio do desconhecido. Apesar da mediunidade não ser património do espiritismo e ser também praticada em várias outras doutrinas e escolas espiritualistas, entendemos que é na doutrina espírita que ela encontra o seu maior código de orientação e conduta para os seus praticantes e iniciantes, “O Livro dos Médiuns”, pautada na prática do bem e do amor ao próximo ensinado pelo Mestre Jesus.

João Manuel – Tenho um filho de 10 anos. Levei o meu filho a um centro espírita e disseram-lhe que era médium. Devo mesmo levá-lo? Gláucia Lima – A mediunidade pode desabrochar no indivíduo em várias fases da vida. Na infância, na adolescência, na idade adulta e na velhice. Só na idade adulta, em que já há maturidade da personalidade do indivíduo, é que se deve estimular o desenvolvimento da mediunidade. Muitas crianças, e às vezes ainda na primeira infância, demonstram sinais da faculdade mediúnica, registam a presença dos seres desencarnados, através da visão e ou da audição.

Frequentemente ouvimos o relato de crianças que brincam com “amigos imaginários”, descrevendo-os pormenorizadamente. O que para a psicologia é fruto da imaginação infantil e necessidade das Devo praticar a mediunidade? mesmas em compensar as suas carências afetivas latentes. Muitas crianças têm espontaneamente a faculdade mediúnica na infância e aos poucos com a maioridade vai-se desvanecendo. Hermínio de Miranda, no seu livro “Nossos filhos são Espíritos” esclarece: “Não é sempre que tais faculdades, em criança, têm o desdobramento previsto nesta ou naquela forma de mediunidade”...

Nem todas as pessoas dotadas de faculdade mediúnica têm, necessariamente, tarefas específicas neste campo, ou seja, nem sempre estão programadas para o exercício ativo e pleno no intercâmbio regular entre espíritos e as pessoas encarnadas”. Podemos assim depreender que uma criança de 10, 12, 14 anos... , ainda que possua sintomas de mediunidade necessita de evangelizaçãoenão da prática da mediunidade. Muitas crianças, e às vezes ainda na primeira infância, demonstram sinais da faculdade mediúnica, registam a presença dos seres desencarnados, através da visão e ou da audição.

Se um jovem, adolescente despertar sintomas da mediunidade, estes não devem ser estimulados se não houver a maturidade emocional, necessária à prática. Pelo contrário, os sintomas devem ser acalmados através do passe, reunião de estudo do evangelho no lar, evitando também processos de influenciação deletéria por invigilância própria da idade e condição. Por exceção, alguns dos grandes médiuns que conhecemos como Divaldo Pereira Franco, Chico Xavier, Yvone Pereira, todos eles começaram a ter os seus primeiros ensaios mediúnicos a volta dos 4 ou 5 anos de idade, mas tinham na sua vida uma grande missão, dedicaram as suas vidas à doutrina espírita e ao mandato mediúnico e, como tal, vieram com uma meta reencarnatória a cumprir no trabalho mediúnico.

As crianças e os Jovens que buscam a casa espírita, médiuns ou não, devem ser direcionados à evangelização, como instrumento de aprendizagem do Espírito e se a faculdade mediúnica se mantiver como ferramenta de evolução, no médium então, mais educado, poderá servir no tempo certo como ponte de intercâmbio entre os dois mundos, dirigida para a prática da caridade e auxílio ao próximo. foto loucomotiv JANEIRO.FEVEREIRO 2014 Gláucia Lima, psiquiatra que nos seus tempos livres estuda desde jovem a doutrina espírita, dá continuidade a esta secção do jornal, respondendo a um par de perguntas entretanto colocadas.

buscamos coisas ou ideias de autonegação, vamos parecer sempre limitados. Num momento de felicidade, estamos presentes, o mundo continua presente, mas a divisão entre buscador e buscado dissolve-se. A felicidade não é adquirir algo, mas sim não alimentar um pensamento de limitaçãoenão depender das sugestões da nossa mente. Aquilo que eu sou é livre de limitação aqui e agora quando não seguimos as modificações e sugestões da mente e do corpo, quando não carregamos em nós todas as responsabilidades do mundo.

Ora, faça este exercício: o que acontece se não olharmos para o que corpo e mente nos sugerem? Que limitação existe em si se não seguir nenhuma dessas sugestões? Se não se identificar com o que o seu corpo e mente dizem, percebe que não tem limitação alguma. Porque a sua natureza é divina. Disse Jesus: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (João, 10:10).