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Opinião (pág. 9)

Jornal de Espiritismo nº 62 · Maio 2014Página 94 min

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foto arquivo inferno e céu como nos ensinam desde miúdos, porém, gostava de perceber «para onde vai a nossa consciência, o espírito, quando o corpo material morre». Tudo parece funcionar por afinidades. Imagine que seja assim: carteiristas de cá encontram-se com carteiristas de lá, até que queiram deixar de o ser. Alcoólicos de cá juntam-se a alcoólicos de lá, até que se saturem dessa experiência e trabalhem para se libertar desse condicionamento desequilibrador.

Quem gosta de estudar a natureza junta-se a quem partilha esse interesse pessoal. Etc. Todos eles geram as paisagens espirituais coletivas compatíveis. Foi daí que surgiram as descrições de antanho do inferno e do céu, que já existiam antes da chegada do cristianismo, como Allan Kardec explica no livro «O Céueo Inferno». Contudo, é certo que os espíritos esclarecidos e equilibrados podem ter vocações diferentes e viver em urbes onde partilhem a estima que nutrem uns pelos outros, pois a afinidade evolutiva ganha mais-valia sobre as tendências pessoais.

Traumas da desencarnação Paula quer saber – uma situação difícil no decesso pode deixar traumas para outras vidas corporais? Depende. Nalguns casos isso pode acontecer, mas há de esbater-se no tempo, vida após vida, sobretudo se não houver reforços do trauma. Noutros casos, não se passa nada, corre tudo bem a posteriori. Os dados mais acessíveis sobre este item residem em obras publicadas sobre regressão de memória na vertente psicoterapêutica.

Lesões perispirituais Filipa cedeu o seu lugar de sentada há já um tempo. O auditório lotou e está de pé, à direita junto à parede. Pergunta: numa lesão que deixe marcas no corpo espiritual – por exemplo, num caso de suicídio – como se processa o registo desse dano, ou deixa ele de se registar, sendo o caso? Tudo indica que as lesões no corpo espiritual não têm autonomia própria, uma vez que quer corpo físico quer corpo espiritual (perispírito) funcionam invariavelmente como telas de projeção de matrizes ou, se quiser, vórtices radicados na mente (no espírito).

Logo, se existe esse núcleo irradiador de desarmonia pelo seu desajuste com as leis naturais que regem a nossa evolução, o perispírito reflete o dano; se esse núcleo de perturbação não existe ou foi progressivamente reduzido, não o refletirá. Mas tudo se cura com o tempo e o aprendizado. Visitar quem partiu Um senhor de idade madura indaga: «Deixei de ter necessidade de ir tantas JANEIRO.FEVEREIRO 2014 A morte do corpo material parece reter no inconsciente de cada um a ideia do tributo da maior dor do percurso que cessa: a experiência, contudo, ensina que viver na Terra numa experiência corporal inclui vários momentos mais difíceis do que o da partida para a vida espiritual.

vezes ao túmulo dos meus entes queridos, ao contrário de antigamente em que sentia necessidade de ir lá com frequência. Estou a estranhar. Há algo de errado comigo»? Se sentimos amor por eles não importa o lugar, eles não ficarão indiferentes, pelo contrário, sentir-se-ão estimulados, fortalecidos para se ajustarem cada vez melhor à sua vida natural, que é a vida espiritual. O que conta é o que sentimos quando pensamos neles.

Se sentimos amor por eles não importa o lugar, eles não ficarão indiferentes, pelo contrário, sentir - -se-ão estimulados, fortalecidos para se ajustarem cada vez melhor à sua vida natural, que é a vida espiritual. Na verdade, a vida material é que é a “anormal”. O nosso habitat natural reside em estar fora do corpo físico – a passagem terrena é um regime de exceção, uma bolsa de estudo se quiser – mas temos muitas vantagens em passar pela Terra nesta dimensão mais densa pelos testes, experiências e renovação de oportunidades de crescimento e amadurecimento interior que esta “viagem” proporciona.

Por isso nunca a devemos abreviar, sob pena de complicarmos com dor o nosso percurso a curto prazo. A experiência é frequente quando se atendem casos de suicidas pela mediunidade; nestes casos “morrer” dói mais que viver, é claro. Mas até isso passado largo período de tempo se ultrapassa. Não se passa nada de mal consigo. Decerto alcançou uma compreensão diferente sobre a vida espiritual e percebeu que o lugar onde ficou o corpo físico dos seus entes queridos não é o mesmo em que eles estão e vivem, continuando a amar e aprender.

Cremação Alguém pergunta também: a cremação é adequada ou nem por isso? Depende. Se o espírito já estiver completamente desligado do corpo físico não sentirá nada do que passa com este. Por outro lado, se ainda houver alguma ligação entre o corpo espiritual e o corpo físico, poderá ter ecos de sensibilidade e isso será indesejável. Como é compreensível, os casos de suicídio são os mais demorados no que toca ao desligamento entre o corpo físico e o corpo espiritual.

Texto: Jorge Gomes O vasto auditório encheu com cerca de 350 pessoas inscritas, oriundas de 36 associações, umas federadas e outras ainda não. Mediunidade, uma sensibilidade de foro espiritual que todos têm, embora uns de forma mais expressiva que outros, é tema clássico dos estudos espíritas que abre um campo de pesquisa e reflexão muito interessante a quem o aborda com seriedade.