Atualidade Setembro.outubro.2014
Jornal de Espiritismo nº 66 · Setembro 2014Página 116 min
ATUALIDADE SETEMBRO.OUTUBRO.2014 guém na Terra que saiba falar português e tenha acesso à internet pode inscrever-se – sempre sem custos – e frequentá-lo. O curso on-line contou até hoje com alguns milhares de inscritos (6485), embora nem todos tenham concluído a formação, apenas 828 o fizeram (taxa de 13%). São incontáveis os comentários deixados na plataforma Moodle, que sustenta o curso, seja no questionário final seja nos diversos fóruns criados para que haja mais interação entre os formandos, como os fóruns próprios de cada um dos cadernos e um outro complementar, o fórum convívio.
É muito fácil encontrar opiniões afáveis. Na região do Porto Ilídia opina sobre o curso, depois de o completar: «Está perfeito para os iniciantes da doutrina espírita. Para melhorar os seus conhecimentos, basta irem aos centros espíritas». O mesmo faz além-mar Rosana, que é enfermeira em Porto Velho, Rondónia, no Brasil, que diz, simpática, que o curso deveria «tratar um pouco mais de mediunidade». Hélia escreve: «Gostava de ter aprofundado alguns assuntos, contudo acho mais importante haver um 2.
º curso». Filipe, de Óbidos, manifesta que deveria «aprofundar questões relacionadas com processos de desencarne, cidades e hospitais espirituais»… e vai por aí fora. No final, quem conclui todos os testes dos cadernos do curso tem condições de descarregar os ficheiros correspondentes a um CD com o curso e dezenas de livros espíritas. Origens Na década de 1980, além-mar da cidade de Curitiba, no Paraná, no Brasil, um grupo de pessoas resolveu fazer esta síntese formativa em 10 cadernos, com base nos livros de Allan Kardec e obras complementares.
Na altura o mais aproximado de computador que existia era mesmo uma máquina de escrever. Falava-se então de dactilografia. Tudo isto começou em Portugal na década de 1980, em Braga, na então chamada Associação Espírita Luz e Caridade, a mesma que hoje se chama Associação Sociocultural Espirita de Braga (ASEB), na mesma morada, e agora com o dobro do espaço. Noémia Margarido, da ASEB, falou com dirigentes desta associação nessa época, Ernesto e Inácia.
Apurou o seguinte: «Em inícios de 1981, um professor chamado Manuel Machado foi colocado em Braga e foi ao nosso centro. Falou de um curso que trouxe do BrasilCOEM (Centro de Orientação e Educação Mediúnica), 1.ª edição, de 1978, do Centro Espírita Luz Eterna, em Curitiba, Paraná, Brasil». De facto, «em 1 de abril de 1981 teve início esse curso sob orientação de Manuel Machado, numas instalações cedidas por Ernesto, em Ferreiros, Braga», diz Noémia e continua: «Frequentei esse curso desde o início, que funcionou muito bem com uma turma de cerca de 30 pessoas».
Acontece que depois, «em outubro desse ano, Machado foi para Leiria e na associação continuámos como foi possível, passando eu a ser orientadora da reunião». Foi precisamente nessa altura que Ernesto escreveu uma carta para Curitiba (não havia ainda internet). Perguntava se tinham um curso mais básico que o COEM que pudessem ceder. Na resposta diziam que estavam a trabalhar num curso dessa ordem. Quando estivesse pronto, enviá-lo-iam.
O 1.º caderno chegou pelo correio «em início de 1982, logo que o finalizaram, e depois foram enviando um por mês, até ao último. Chamava-se PBDE (Programa Básico de Doutrina Espírita)». «A nossa associação arrancou logo com o primeiro, penso que me março ou abril», isso porque «em maio já estávamos a dar o 3.º caderno». «Fui eu que orientei» as reuniões, diz Noémia, «mas eram também os alunos, não todos, que preparavam as aulas expositivas e as transmitiam à turma.
Desde aí, nunca mais deixou de ser ministrado na nossa associação, alguns anos até com duas turmas». Depois «sempre que conhecíamos alguém de outras associações falávamos nele e, se se interessassem, enviávamos fotocópias. Mais tarde, em 1999, foi a ADEP que passou a fazer isso». Com o passar dos anos, constituindo- se através do entusiasmo de José Carlos Lucas uma primeira associação espírita em Caldas da Ranha, o CBE replicou-se aí.
Em poucos anos, isso ocorreu nos arredores da cidade do Porto, em Rio Tinto, e depois no Porto. O curso básico de espiritismo também está há mais de uma década disponível na internet. Este suporte tem especial interesse para toda a Lusofonia, ou seja, onde houver alguém na Terra que saiba falar português e tenha acesso à internet pode inscrever-se – sempre sem custos – e frequentá-lo. Por essa altura estava para se constituir a Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) e tinha chegado em força a internet ao cidadão comum.
Nos meses anteriores ao seu surgimento, um dos planeamentos foi o CBE on-line. Pensou-se que os cadernos do curso poderiam ficar num site e através de tutores far-se-ia ensino à distância através de acompanhamento por e-mail e correção de testes pelo mesmo processo. Mas… meu Deus, passar a computador aquelas fotocópias de fotocópias, os 10 cadernos do curso, nos tempos pós-profissionais de uma só pessoa, isso era dose de leão!
Havia um caminho: através do próprio exemplo, propusemos entre a turma presencial em Rio Tinto e a das Caldas da Rainha, aceitando mais nove colaboradores, que cada um copiasse um dos cadernos passando-o para o computador e rapidamente conseguiríamos dispor dos textos do curso no word para o lançar num site na internet. E não é que funcionou bem? O problema ficou resolvido, sem tantas gralhas como isso. Hoje o funcionamento do curso on- line não exige tanto tempo dos tutores como naquela altura.
Há alguns anos, a dado momento, com elevada afluência de inscrições, uma dúzia de tutores não conseguiam dar conta do recado e acompanhar diariamente nos seus tempos livres os inscritos. O talento de Vasco salvou a tarefa e, através da plataforma Moodle passou a correção automática dos testes para a máquina informática. Por estes dias, a ADEP estará a criar no seu canal no Youtube uma secção com as reuniões presenciais do curso básico disponíveis em formato de vídeo, com os cadernos a serem dados por diversos monitores.
Depois vai querer espreitar! Podemos adiantar que há já um caderno novo, introdutório, o chamado caderno zero. Abrir caminho Em “Obras Póstumas”, Allan Kardec faz-se ouvir ainda hoje: “Um curso regular de Espiritismo seria professado com o objetivo de desenvolver os princípios da ciência e de propagar o gosto pelos estudos sérios. Esse curso teria a vantagem de fundar a unidade de princípios, de fazer adeptos esclarecidos capazes de difundir as ideias espíritas, e desenvolver um grande número de médiuns.
Olho esse curso como podendo exercer uma influência capital sobre o futuro do Espiritismo, e sobre as suas consequências”. (Projeto 1868) Este ou outro qualquer curso não é de facto uma panaceia. Se a informação oferecida não for entendida e aplicada, não funciona. Depois, este tipo de enquadramento abre de facto caminhos à continuação por prazo indeterminado do estudo, bibliográfico e não só, desta área do conhecimento.
É um primeiro passo? Sim, é isso. E sem o dito cujo nenhuma longa caminhada será iniciada algum dia. Texto: Jorge Gomes foto CELEBrasil Parte da equipa que implantou o COEM em Curitiba, no Brasil: Mareli Edla de Meira Albach; Maderli Silveira Costa; Clarisse Augusta Silveira Costa e Maria Thereza de Meira Albach. Parte da equipa que implantou o COEM em Curitiba, no Brasil: Mareli Edla de Meira Albach; Maderli Silveira Costa; Clarisse Augusta Silveira Costa e Maria Thereza de Meira Albach.
