Breves (pág. 6)
Jornal de Espiritismo nº 68 · Outubro 2015Página 67 min
A Associação Médico-Espírita Internacional (AME INT), em parceria com a Associação Médico-Espírita de Portugal (AME-Portugal) e com a editora “Verdade e Luz” organizaram as IX Jornadas Portuguesas de Medicina e Espiritualidade, em 25 e 26 de outubro, cujo tema principal foi “Da alma ao corpo físico: a saúde integral”. Previamente pensado para ser realizado no auditório da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa (capacidade para 700 lugares), foi necessário deslocar o evento para a Aula Magna (cidade universitária) em Lisboa com capacidade para aproximadamente 1600 lugares, lugares esses que estiveram praticamente preenchidos.
O evento iniciou com a abertura solene, que ficou a cargo do coro in- fantil de Santo Amaro de Oeiras, que com o seu conhecido talento brindou os presentes com algumas músicas que serviram de epígrafe para os trabalhos do dia. A Dr.ª Marlene Nobre, presidente da AME- Brasil e da AME-Internacional, proferiu palavras dirigidas aos presentes, mostrando a sua satisfação por estar novamente em Portugal em mais umas jornadas de Medicina e Espiritu- alidade, e de poder ver a crescente procura, adesão e aceitação das mesmas em no nosso www.
adeportugal.org curso básico de espiritismo on-line em Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal Jornadas de medicina e espiritualidade Realizou-se na tarde do passado dia 20 de setembro, no auditório da ACR, em Vale de Cambra, o VII Festival “Árias de Mudança”, organizado pela ACEMI. Foi uma tarde especial, povoada de música e canto – formas de arte que elevam o espírito e geram comunhão. Mas o que é a música, afinal?
«A maioria dos grandes mestres desta arte na Terra concordaram que a música não é para ser explicada, mas para ser sentida»! Sobre este assunto, vale a pena escutarmos Rossini (espírito) que, em vida terrena, foi um proeminente compositor erudito italiano, autor de peças imortais, tais como «O Barbeiro de Sevilha» e «Guilherme Tell», quando afirma que a música é do mundo dos espíritos. As entidades elevadas que dominam a técnica musical e produzem por ação direta com o fluido cósmico, cujas vibrações penetram no âmago dos seres e se confunde com a prece, glorificando a Deus e levando ao êxtase aqueles que são capazes de concebê-la.
Tal configuração ressoa no éter de maneira que nenhum instrumento humano jamais será Cultivar o espírito através da arte capaz de imitar ao menos aproximado. O mesmo Rossini chama ainda a nossa atenção para a importância da música espírita como utensílio de elevação espiritual e coletiva. Deve-se concluir daí que a música é essen- cialmente moralizadora, uma vez que traz a harmonia às almas e que a harmonia as eleva e engrandece.
» (In «A Música Segundo o Espiritismo», de Ery Lopes). Depois deste preâmbulo fácil será explicar por que a ACEMI organiza este tipo de eventos, sempre com sucesso, ao qual se associam, com muito entusiasmo, numerosos e bons colaboradores. A apresentação de todos esses colaboradores esteve a cargo dos diretores da associação, Lurdes Lourenço e António Pinho da Silva. O Grupo de Teatro da ACEMI transportou-nos através dos séculos, interpretando e dando vida à música, dos primários até aos nossos dias, sob o tema “História da Música”, com a qualidade a que já nos habituaram.
Cantalegre, grupo constituído por Filomena Cabêdo e Lencastre, João Tiago e João Paulo, pela sexta vez consecutiva quis associar-se a nós para, mais uma vez, nos encantar com a sua arte. Bem hajam pela disponibilidade e entusiasmo! A música clássica, através do canto lírico do contratenor Luís Peças, acompanhado por João Santos, aplaudidos de pé pela assembleia, foi outro momento alto de subtis vibrações. O jovem Nuno Rocha, da Academia de Música de Arouca, enriqueceu o programa com a exe- cução, em trompa, de peças do seu reportório.
CantoCambra, com elenco reforçado, cantou e encantou, com um reportório vasto e variado de música tradicional. Armindo Costa já havia prometido, antes da atuação, que iriam dar o seu melhor, “com músicas que não são nada fáceis de tocar”. Pois a nós não nos pareceu terem grau de dificuldade elevado, tal foi a fluidez e harmonia com que interpretaram todos os temas. Cavatina – música – canto – mensagens, com os títulos sugestivos “Vem do Além”, “Nova Alvorada” e “Alma Gémea”, entre outros, contribuiu, como sempre tem feito, para a elevação espiritual do ambiente que se vivia.
JANEIRO.FEVEREIRO.2015 país. Após a prece de abertura da Dr.ª Maria Paula Silva, foi o Dr. Luís Portela que presenteou o auditório com uma conferência intitulada “Ser espiritual: da evidência à ciência”. Abordou a questão da importância da espiritualidade para o homem nos dias de hoje, bem como a importância da ciência acompanhar e colaborar com a investigação nesta área em reconhecido crescimento. De seguida, a Dr.ª Marlene Nobre apresentou- nos um trabalho que está a ser desenvolvido sobre a “Análise cientifica das cartas psicogra- fadas por Chico Xavier e as evidencias da vida após a morte”.
Após esta apresentação, seguiu- se outra a cargo do Dr. Décio Iandoli, intitulada “Aspectos Históricos e Culturais da Glândula Pineal: uma comparação entre o Espiritismo da década de 1940 e os achados científicos actuais”. Com este estudo comprovou que bem antes da ciência sequer conhecer a função da glândula pineal (até 1960 era considerada um órgão sem função), já na obra mediúnica “Missionários da Luz” ditada pelo espírito André Luiz, psicografada por Francisco Cândido Xavier em 1945, se abordava a importância deste ór- gão, bem como grande parte das suas funções.
O início da tarde foi brindado com uma palestra da Dr.ª Maria Paula Silva sobre o trabalho de dois grandes vultos espíritas, intitulada “António Freire e Ernesto Bozzano, pioneiros na pesquisa da sobrevivência da alma”. Seguiu-se ainda o juiz Haroldo Dutra com a palestra “Pensa- mento e vida” e ainda um excelente trabalho português apresentado pela Dr.ª Maria Inez Ruvina intitulado “Anamnese Espiritual com foco na imortalidade da alma: o paradigma médico-espírita aplicado ao paciente”.
Com este trabalho, a Dr. Maria Inez defende que será importante, para o tratamento do doente, reunir à sua história clínica a sua anamnese espiritual. Contudo, esta anamnese obedece regras sobre quando e a quem realizar. Uma interessante visão que fez pensar muitos profissionais de saúde. Ainda nessa tarde fomos contemplados com uma palestra intitulada “Vícios e intrusão espiritual”, proferida pelo Dr. Roberto Lúcio de Souza.
Através da sua experiência enquanto médico psiquiatra, no Hospital Espírita André Luiz em Belo Horizonte, enriqueceu a palestra com exemplos e casos reais. O segundo dia, começou com uma brilhante apresentação do juiz Haroldo Dutra intitulada “A cura do cego de Betsaida” seguida de uma re- flexão da Dr.ª Irvênia Prada sobre o tema “Me- diunidade: histórico e evolução”. Ainda neste dia ouve o privilégio de ouvir mais apresentações de palestrantes portuguesas, com trabalho realizado em Portugal.
Destacamos o trabalho da Dr.ª Maria Paula Silva com o tema “Aspetos espirituais da SIDA” e o trabalho desenvolvido pela enfermeira Cristina Pereira “Pensamento, oração e saúde”. Também a Dr.ª Gláucia Lima esteve presente, presenteando-nos com o tema “Livre arbítrio e saúde mental”. Para finalizar o segundo dia, o Dr. Décio Iandoli, na sua conferência “Na come- moração dos 150 anos: os desafios da vivência do evangelho”, fez uma apresentação profunda e bem sistematizada sobre a importância não só do estudo mas também da vivência do evangelho.
Por fim, a Dr.ª Marlene Nobre, conseguiu co- mover todo o auditório, com o seu relato emo- cionado e sincero sobre a vida de Chico Xavier. O privilégio de ter partilhado muitos anos com Chico permitiram enriquecer com histórias a sua palestra intitulada “Na comemoração dos 150 anos: o evangelho de Chico Xavier”. Após esta palestra houve espaço para se responder às questões que foram colocadas ao longo destes dias de estudo e reflexão.
Por Ivo Ribeiro Para finalizar e aumentar ainda mais a boa disposição de toda a assembleia, tivemos um momento de risoterapia, graças ao contri- buto valiosíssimo e multifacetado de Eveline Cerqueira Carvalho Cunha, que nos ensinou que “rir é o melhor remédio”: é natural, fácil de tomar, gratuito, não tem limites de dosagem nem contra-indicações e influencia positivamente os que nos rodeiam. Não vamos esquecer o convite que nos deixou: pormos em prática o SS – Servir Sorrindo!
Mesmo sem recurso a qualquer júri de avalia- ção, não temo afirmar, pelo que vi e ouvi, que todos ficámos muito agradados e comungá- mos inteiramente da afirmação sintética e esclarecedora do jovenzinho Francisco Miguel: “gostei muiiiiito!”… E foi assim o VII Árias de Mudança. Saímos de lá mais ricos interiormente, com maior entusiasmo para vivermos o dia-a-dia e – quem sabe? – com mais energia para não desanimarmos, na nossa missão de intervir nas diversas áreas da sociedade e mudarmos, para melhor, o mundo em que peregrinamos.
