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Capa da edição nº 68 do Jornal de Espiritismo

68Jornal de Espiritismo nº 68

Outubro 2015 · 20 secções · ≈ 79 min de leitura

Esta edição do Jornal de Espiritismo aborda a temática da morte e da perda de entes queridos, com reflexões sobre como a lei de amor e a vivência em consonância com as leis naturais podem aliviar o sofrimento. Inclui artigos sobre a obsessão do Capitão Ahab por Moby Dick como metáfora, um breve inquérito sobre as obras de Kardec em Portugal, as novidades do Congresso Espírita Mundial e um caso de xenoglossia. A secção 'Correio' responde a questões de leitores sobre fenómenos paranormais, a natureza divina de Jesus e o conceito de 'cofre aberto' em mediunidade, incentivando o estudo da doutrina espírita para encontrar entendimento e paz.

Espiritismo
Morte
Mediunidade
Kardec
Jesus
Xenoglossia

Capa

Página 12 min

68 ANOXII JDE JORNALDEESPIRITISMOJANEIRO . FEVEREIRO . 2 0 1 5 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 Imagine um diálogo com os livros de Allan Kardec que começa assim: “quero ter medo da morte”. E “O Livro dos Espíritos”, na sua paciência, pergunta sorrindo: “E porquê esse desejo agora se nunca na tua vida tiveste tal medo?”. 16 LITERATURA NO RASTO DE MOBY DICK Numa das perseguições mais minuciosas da história da grande literatura, o escritor Herman Melville transporta-nos a bordo do baleeiro Peacock para que acompanhemos de perto a obsessão do seu capitão por Moby Dick, a lendária baleia branca que lhe levara a perna esquerda numa caçada anterior.

10 INQUÉRITO O LIVRO E AS ASSOCIAÇÕES: PERGUNTAS & RESPOSTAS Kardec foi prolixo e as suas obras são essenciais na compreensão desta filosofia de vida. Apercebemo- -nos que correu o país um inquérito relacionado com ele, iniciativa não de uma associação mas um indivíduo: fomos falar com Jorge Santos 12 ENTREVISTA VEM AÍ O CONGRESSO ESPÍRITA MUNDIAL! Lisboa vai acolher o próximo Congresso Espírita Mundial entre 7 e 9 de outubro de 2016: a organização está a cargo da Federação Espírita Portuguesa que trabalha em parceria com Confederação Espírita Internacional.

13 PESQUISA UM CASO DE XENOGLOSSIA O termo xenoglossia foi proposto por Charles Richet, médico francês, pesquisador de fenómenos psíquicos, criador da Metapsíquica e Prémio Nobel de Medicina de 1913. 15 CRÓNICA foto loucomotiv Salto imortal tive quando os tinha por cá. Mas, na verdade, aqui entre nós, tenho percebido que nunca perdemos os nossos entes queridos, muito menos pelo decesso. A lei de amor que manda em todos os universos se for bem vivenciada por cada um não carregará sofrimento.

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Editorial Janeiro.fevereiro.2015

Página 23 min

EDITORIAL JANEIRO.FEVEREIRO.2015 Lembro-me que há um par de anos me apareceu uma moça desenquadrada no curso básico de espiritismo, loura, com todos os afinamentos da cosmética e dourados de currículo na ponta da língua. Formadora de empreendedorismo. Para mim, valia tanto, e não era pouco, como a pessoa mais simples e menos lustrosa da sala. Percebi que estava lá porque o irmão se teria suicidado, e insistia na perda.

Perda do irmão, perdas sobre perdas – ela acha- va que a vida era um chorrilho de perdas sucessivas... Não cheguei a explicar-lhe com calma o lado realista da questão, ela falava em torrente e eu só ouvia com a fraternidade que vamos aprendendo com os espíri- tos mais adiantados. Aquela taça nunca mais esvaziava para poder receber novos dados. Como tantas outras pessoas, vi partir entes queridos, não vai lá muito tempo.

A minha mãe fez um ano e o meu irmão um pouco mais. O meu pai nesta data já me parece um veterano da Espiritualidade, pois partiu muito antes, embora a ternura e a saudade se mantenham imensas. Tenho saudades de todos, como nunca no percurso. Partilho um desafio que tenho tomado para mim próprio, sem desânimo – lidar com essa afetividade sem precisar da dor. A lei de amor que manda em todos os universos se for bem vivenciada por cada um não carregará sofrimento.

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Correio Janeiro.fevereiro.2015

Página 35 min

CORREIO JANEIRO.FEVEREIRO.2015 Desobsessões diretas? A correspondência sucede-se e o missivista de serviço responde prontamente… Em 23 de outubro António tem o cuidado de escrever por carta de correio algumas perguntas: «Passo a expor o seguinte: 1) Uma pessoa muito amiga deu-me conhecimento que se estavam a passar com ela determinados fenómenos para- normais (?), a saber: barulhos, panca- das em madeiras, umas vezes fortes, outras fracas e presenças que pressente no quarto, factos estes e outros às noi- tes, o que ocasiona na pessoa estados de ansiedade e medo.

Tal situação gera conflito psicológico, muito em especial situações de pânico, considerando que a pessoa em questão vive só. Aconselhei- -a a se dirigir a um centro espirita. Assim o fez. Disseram-lhe que iam proceder a uma terapêutica mediúnica à distância (?) e que só informariam mais tarde do que se tratava (?) É correto este procedimento? Mais a informaram que a pessoa jamais, de momento, saberia a causa e que os guias espirituais iam ajudar à distância, (?)

que os médiuns se reúnem numa sala isolada apenas com os guias espi- rituais a seu lado para procederem ao plano de ajuda. Solicito-vos pois o favor de um esclarecimento por escrito. 2) Quando a pessoa minha amiga pro- nunciou o nome de Jesus Cristo como Pessoa Divina – Deus! – foi informada que Jesus Cristo não era Deus! Ora, nunca li em obras de Kardec, Leon Denis e outros espiritualistas que Jesus Cristo não é Deus.

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FEP Evangelização espírita infanto-juvenil Tem por objetivo de criar u

Página 44 min

FEP Evangelização espírita infanto-juvenil Tem por objetivo de criar um Programa de Evangelização Espírita infanto-juvenil, com- preendendo um conjunto de ações que visam auxiliar na implementação ou complementa- ção das aulas de Evangelização Espírita, para os diferentes escalões etários, bem como na formação do evangelizador espírita. Destacamos a importância da reflexão sobre a qualificação do evangelizador, de modo a que se permita um processo ensino- aprendizagem correto, não ficando apenas dependentes da boa vontade de quem quer colaborar com os mais novos.

Necessário será a formação destes valiosos elementos, em prol da dignidade e adequação dos temas e métodos às diferentes faixas etárias. As ações de intervenção visam também o en- volvimento das Casas Espíritas, incentivando a reflexão sobre estes assuntos que devem fazer parte das preocupações e projetos de cada casa. É oportuno lembrar: “(…) a tarefa de Evange- lização Espírita Infanto-Juvenil é do mais alto significado dentre as atividades desenvolvidas pelas Instituições Espíritas, na sua ampla e valiosa programação de apoio à obra educa- tiva do homem.

” (O Que é a Evangelização? Fundamentos da Evangelização Espírita da Infância e da Juventude, FEB, 1987). Seguindo os níveis de exigência e as valências estabelecidas pelo Ministério da Educação, para o ensino em Portugal, o GCNDIJ, esta- beleceu a divisão etária para a formação de grupos de estudos e o respetivo programa/ JANEIRO.FEVEREIRO.2015 A Federação Espírita Portuguesa (FEP) constituiu o GCNDIJGrupo Coordenador Nacional do Departamento Infanto-Juvenil (DIJ), formado por representantes de diversas partes do país.

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Breves

Página 54 min

No próximo dia 5 de janeiro de 2015, a Ponte de LuzAssociação Sociocultural Espírita de Cascais (Ponte de Luz-ASEC) comemora o seu 3.º aniversário. Com esta efeméride fecha-se o segundo ciclo anual de atividades abertas ao público, com resultados que poderão animar a todos os companheiros que se proponham a dinamizar novos projetos. Durante o ano de 2012 o grupo de fundadores manteve-se concentrado em definir a estru- tura do projeto e os objetivos a curto, médio e longo prazo da associação, empenhando-se simultaneamente em renovar e aprimorar a formação necessária para o cumprimento das atividades essenciais de uma associação espírita.

A reflexão evangélica, a fluidoterapia e a palestra pública, complementadas pelo estudo de Introdução à Doutrina Espírita, do Evan- gelho Segundo o Espiritismo e da educação mediúnica, foram os projetos disponibilizados no início de 2013, o 1.º de abertura ao público. Ao longo destes dois anos optou-se por criar uma forte dinâmica formativa, assegurando o acompanhamento de turmas entre os 10 e 15 companheiros. Com o terminus do ano de 2014, a Ponte de Luz-ASEC alcançaonúmero confortável de 30 trabalhadores formados, distribuídos pelas habituais tarefas do passe, reflexão evangélica e respectivo apoio, palestras, irradiação à distância, trabalho mediúnico e apoio aos mais jovens.

Seguindo as orientações de Kardec, a instrução continua a ser, nesta fase, a aposta prioritária da Ponte de Luz-ASEC. Para além do curso de passe (10 horas iniciais com reci- clagens semestrais), são ainda disponibilizados de forma sequencial o Curso de Introdução (que incide sobre o período percursor do Espiritismo, os pilares e princípios fundamentais da doutrina); o Curso Geral (abordagem metodológica sobre o Espiritismo enquanto ciência que diverge em partes experimental e filosófica, e finalizado com a iniciação ao estudo do Evangelho); o Curso de estudo do Evangelho Segundo o Espiritismo (estudo dos itens da obra, complementada com uma dúzia de obras específicas de autores espirituais em con- formidade às suas referências); e o Curso de estudo e educação mediúnica (com a compre- ensão dos mecanismos e leis subjacentes ao desenvolvimento prático da mediunidade e sua aplicação).

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Breves (pág. 6)

Página 67 min

A Associação Médico-Espírita Internacional (AME INT), em parceria com a Associação Médico-Espírita de Portugal (AME-Portugal) e com a editora “Verdade e Luz” organizaram as IX Jornadas Portuguesas de Medicina e Espiritualidade, em 25 e 26 de outubro, cujo tema principal foi “Da alma ao corpo físico: a saúde integral”. Previamente pensado para ser realizado no auditório da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa (capacidade para 700 lugares), foi necessário deslocar o evento para a Aula Magna (cidade universitária) em Lisboa com capacidade para aproximadamente 1600 lugares, lugares esses que estiveram praticamente preenchidos.

O evento iniciou com a abertura solene, que ficou a cargo do coro in- fantil de Santo Amaro de Oeiras, que com o seu conhecido talento brindou os presentes com algumas músicas que serviram de epígrafe para os trabalhos do dia. A Dr.ª Marlene Nobre, presidente da AME- Brasil e da AME-Internacional, proferiu palavras dirigidas aos presentes, mostrando a sua satisfação por estar novamente em Portugal em mais umas jornadas de Medicina e Espiritu- alidade, e de poder ver a crescente procura, adesão e aceitação das mesmas em no nosso www.

adeportugal.org curso básico de espiritismo on-line em Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal Jornadas de medicina e espiritualidade Realizou-se na tarde do passado dia 20 de setembro, no auditório da ACR, em Vale de Cambra, o VII Festival “Árias de Mudança”, organizado pela ACEMI. Foi uma tarde especial, povoada de música e canto – formas de arte que elevam o espírito e geram comunhão. Mas o que é a música, afinal?

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Notícias

Página 72 min

Espiritismo nos Açores foto arquivo A Associação Espírita Terceirense (AET), na Ilha Terceira, Açores comemorou os seus 16 anos de existência com simples evento na sua sede, rodeados de frequen- tadores, trabalhadores e amigos. Nesse momento alto, dia 30 de outubro esteve presente o presidente da Federa- ção Espírita Portuguesa, Vítor Féria, eomédium baiano Divaldo Franco, que fez notável palestra, pelas 21h00 no Teatro Angrense, que rapidamente juntou 200 pessoas, grande parte delas jovens.

Antes da palestra houve ainda o ensejo de breve bosquejo histórico do Espiritismo nos Açores, efetuado por Paulo Mourinha, um vídeo de homenagem a Divaldo Franco, um teatrinho com as crianças espíritas e a concessão do título de sócio benemérito da AET a Divaldo Franco, Vítor Féria e D. Clélia. Esteves Teiga fez as honras da casa, como apresentador, levando o brilho que lhe é característica a um evento de alto nível.

No dia 1 de novembro, a AET levou a cabo as suas IV Jornadas de Cultura Espírita, no Centro Cultural de Angra do Heroísmo, subordinadas ao tema “Ciência e Espiritu- alidade”, onde mais uma vez a qualidade dos trabalhos apresentados foi grande, bem como a sua profundidade, num dia muito agradável, onde a amizade foi o prato do dia. Pedro Silva falou sobre o poder da prece e respetivas provas científicas, seguindo-se Paulo Mourinha que abordou o pensa- mento à luz da ciência e da espiritualida- de.

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Reportagem

Página 84 min

Infânciaejuventude: formaçãoeeducaçãoespírita Ao nos movimentarmos nelas, esclare- cidos quanto às suas causas e efeitos, podemos aprender a escolher melhor, tornarmo-nos seres mais conscientes, responsáveis, autónomos. Enfim, mais fe- lizes, num caminho com Deus pautando as nossas escolhas pelo Evangelho de Jesus. A relevância deste conhecimento nas nossas vidas, as formas de nos auxiliar- mos aprendendo em conjunto e auxiliando assim os mais jovens foi o mote para mais um Encontro Nacional de Evangelizadores Infanto-juvenis, num evento que teve lugar no passado dia 2 de novembro, na sede da Federação Espírita Portuguesa, na cidade de Amadora, contando com a presença de mais de 70 participantes de diferentes regi- ões do país, incluindo a Ilha da Madeira.

Como já apanágio fomos calorosamente acolhidos. Dando início aos trabalhos, o presidente da FEP, Vítor Féria, relembrou a todos a importância deste trabalho na Casa Espírita demonstrando o apoio e disponibilidade da Federação, em todo este processo de Formação e Educação espírita, nomeadamente, com a criação do Grupo de Coordenação Nacional do Departamento Infanto-juvenil (GCNDIJ) e os materiais didáticos associados.

Com o tema “Familiares e Educandos na Casa Espírita”, Reinaldo Barros trouxe-nos uma importante reflexão sobre os diver- sos papéis do Centro Espírita, utilizando a analogia deste como um “farol de amor e luz”. Desta forma, atraindo a si e lançando em torno de si, a luz da esperança e do consolo, enquanto educador, socializa- dor, regenerador, moralizador, promotor de mudanças e difusor de ideias. Nestes diversos papéis, salientou a importância da Evangelização Infanto-juvenil, enquanto dinamizador na construção de almas e de futuros.

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Consultório Janeiro.fevereiro.2015

Página 96 min

CONSULTÓRIO JANEIRO.FEVEREIRO.2015 Amediunidadeanula avontade? «Ouve-se perguntar com alguma frequên- cia», diz Carlos Filipe, de Coimbra, «ao longo dos anos: podem os Espíritos domi- nar completamente o médium a ponto dos médiuns perderem a sua vontade?». Dr.ª Gláucia Lima – Devemos entender o médium como “medianeiro”, aquele que serve de intermediário para o intercâmbio espiritual, logo, os Espíritos, deverão em situações “normais” estar subordinados ao controlo do médium.

Quando digo em situações normais, refiro- -me a duas condições que devem ser pro- movidas para o bom exercício desta prática: 1. A educação da mediunidade – que visa proporcionar o conhecimento acerca da mediunidade e a prática bem orientada, fornecendo as ferramentas necessárias para um desenvolvimento bem direcionado do intercâmbio espiritual. 2. O equilíbrio mental do médium – que no domínio da sua vontade, juízo de realidade e razão, livre de processos obsessivos, terá capacidade de discernimento para não se deixar influenciar, dominar, por processos de viciação mental, próprios da fascinação, subjugação ou possessão, que podem ocor- rer na iniciação ou decorrer do mediunato (vivência da mediunidade coerente com os princípios da doutrina espírita).

Sabemos que o “livre-arbítrio” é uma aqui- sição do Ser humano, podendo estar tolhido ou diminuído, pelas influências espirituais, nomeadamente, naqueles, em que a influ- ência se defina de uma forma persistente e perniciosa, como caracterizada nos fenóme- nos obsessivos. Paradoxalmente, na pergunta 459, de “O Livro dos Espíritos”, Kardec pergunta: “In- fluem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?”, e os Espíritos respon- dem: “Muito mais do que imaginais.

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Nasceu no Porto a 8 de agosto

Página 105 min

de 1960. Desde a sua licenciatura em Engenharia Química que Jorge Santos reparte, até ao presente, a sua carreira profissional entre a gestãoeo ensino. Nos tempos livres aprecia colaborar com o CECA, que procura em 2007. Inicia então os estudos doutriná- rios. Em 2008 é convidado para integrar a equipa de trabalho desta associação sem fins lucrativos, mas desde 2009 que tem mantido uma colaboração regular com outros centros espíritas de Portugal na qualidade de expositor.

Jorge Santos é hoje formador e responsável pelos departamen- tos de Expositores Espíritas e Livraria/Biblio- teca na associação que integra. Passemos às perguntas. - Como surgiu a ideia de dirigir esse inquérito às associações espíritas por- tuguesas? Jorge Santos – Talvez seja por deficiência de formação académica e profissional, mas, como espírita, há já algum tempo que se me colocam algumas questões a respeito do movimento espírita português, como por exemplo: Quantos somos?

Como nos O livro e as associações: perguntas & respostas O livro espírita, se fosse o caso, merecia um monumento pelo serviço de esclarecimento que proporciona. Traduzido em tantas línguas, contam-se milhares de títulos, sendo obviamente umas centenas mais uteis que outros. Kardec foi prolixo e as suas obras são essenciais na compreensão desta filosofia de vida. Nos últimos meses apercebemo- nos que correu o país um inquérito relacionado com ele, iniciativa não de uma associação mas um indivíduo.

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inquérito poderia ser mais completo

Página 114 min

Decerto ponderou essa hipótese, que comentário faz a essa observação? Jorge Santos – Sim, claro que poderia. Inicialmente a ideia era, na verdade, fazer algo mais, digamos, “completo”. Contudo, não desejava que o inquérito fosse maça- dor para as pessoas, fazendo, por exemplo, que tivessem de ocupar muito tempo na sua resposta. Assim, no sentido de conhecer e caracteri- zar, o melhor quanto possível, o movimento espirita português, entendi, com o total apoio do centro espírita com que colaboro, organizar uma série de inquéritos temáti- cos, a partir dos quais irei obter as respostas às questões de que falei há pouco.

Este é, portanto, o primeiro deles. E, por ser o primeiro, o objetivo era, por um lado, JANEIRO.FEVEREIRO.2015 saber quantos somos e, por outro procurar conhecer se lemos, o que lemos e “quanto” lemos (longe de mim pensar que quantida- de é qualidade…). A escolha da leitura como segundo tema deste primeiro inquérito teve por base a lição transmitida por Emmanuel na questão n.º 204 da sua obra “O Consolador”, psico- grafada pelo médium Francisco Cândido Xavier: “O sentimento e a sabedoria são as duas asas com que a alma se elevará para a perfeição infinita”, onde ambas, como observa Emmanuel, são imprescindíveis ao nosso progresso, o que comprova, de forma inequívoca, a importância do estudo e da leitura no processo de crescimento da criatura humana em busca da perfeição possível.

Em conclusão, e aproveitando o ensejo, endereço um convite, não só a essa com- panheira de ideal espírita, como a todos os que irão ler este artigo, que me façam chegar as suas propostas de temas que entendam importantes ver analisados em próximos inquéritos. (endereço do CECA ao meu cuidado). - A partir das respostas obtidas que conclusões principais se poderão extrair sobre o papel das associações espíritas na disponibilização do livro espírita?

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Entrevista

Página 125 min

Vítor Féria, presidente do Conselho Diretivo da FEP, afirma que este congresso é «um evento inesquecível, a não perder», pois é uma «oportunidade única poder participar num congresso internacional tão perto de casa». Na mesma linha de ideias, Charles Kempf, secretário-geral do CEI, apela a pessoas interessadas de diversos países: «Aproveito a oportunidade para convidar a todos para se juntarem a nós, em Portugal, Lisboa, em 2016.

Façam as suas inscrições logo que possível». O evento, embora esteja à distância de quase dois anos, já tem site. Pode acompanhá-lo em http://8cem.com. Para já, conversamos com Vítor Féria numa entrevista exclusiva dedciada aos leitores do JDE. -Em 2016 vai acontecer algo pouco fre- quente em Portugal: um congresso mundial. Além dessa, que outras razões poderão levar os leitores a inscrever-se? Vítor Féria – Um Congresso Espírita Mundial é sempre uma oportunidade especial para troca de experiências e convívio com outras culturas e saberes do mundo.

Em Portu- gal não será fácil termos novamente essa oportunidade antes de um período longo de tempo, talvez uns 50 anos, já que os países aderentes à Confederação Espírita Inter- nacional (CEI) são em número crescente e a organização de eventos desta natureza é rotativa, e passará a ter uma periodicidade de cinco anos entre cada evento. Razão mais do que suficiente, pensamos, para aproveitar- mos esta oportunidade. -É uma inscrição cara para o evento em causa?

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Pesquisa

Página 135 min

Com isso ele queria distinguir, de modo preciso, a mediunidade poliglota propria- mente dita (pela qual os médiuns falam ou escrevem em línguas que eles ignoram totalmente e, às vezes, também, ignoradas de todos os presentes) dos casos afins, contudo, radicalmente diversos, da “glosso- lalia” (nos quais os pacientes sonambúlicos, falam ou escrevem em pseudolínguas inexistentes, elaboradas nos recessos de suas subconsciências, pseudolínguas que não raro se revelam orgânicas, por serem conformes às regras gramaticais).

Durante a nossa participação no I FORE- BLU (Fórum Espírita de Blumenau), de 13 a 15 de setembro de 2013, que teve lugar na cidade de Blumenau – Santa Catarina, Bra- sil, durante as palestras que se sucediam por diferentes expositores, o médium de psicografia, José Araújo, exercia a atividade psicográfica. Fui convidado pelo mesmo a sentar-me ao seu lado, na mesa ao lado do palco onde ocorriam as palestras. Pude assistir bem de perto ao fenómeno de psicografia mecâni- ca, quando o médium escrevia em velocida- de célere.

Primeiro várias páginas em Francês que, foram assinadas pelo espírito de Rémy Chauvin, endereçada ao padre François Brune que reside em Paris, França. O suposto Espírito comunicante solicitava-me que enviasse a missiva a este nosso amigo comum. Em seguida, assisti a mais um transe psico- gráfico. Desta vez, a mensagem era escrita em idioma português e atribuída ao Espírito de Hemendra Nat Benerjee, renomado pesquisador indiano que viveu na cidade de Jaipur, no estado de Rajasthan, que se notabilizou com as pesquisas empreendidas em torno do fenómeno da reencarnação.

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Opinião

Página 144 min

Esta, oriunda do reino mineral e das for- mas biológicas mais rudimentares, cum- pre em todos os aspectos a sua evolução, o que as religiões dogmáticas relutam em aceitar. A noção de evolução biológica dos seres sagrou-se já como dado adquirido no mundo da ciência; mas opõem-se-lhe insensatamente algumas correntes religio- sas, interpretando a Bíblia sem acatar um princípio base que ela mesma consagra: “a letra mata mas o espírito vivifica” (2ª Co- ríntios 3.

6). Sem essa meridiana luz, não entendem a perfeita compatibilidade entre criação e evolução, invadindo a net com textos atraentes que rejeitam o evolucionis- mo e exaltam o criacionismo, como se um excluísse o outro _ o que realmente não acontece, de modo nenhum. Nessa matéria, tem a igreja católica mos- trado mais lucidez. Por muito tempo ana- tematizou as teorias de Charles Darwin, mas um membro seu _ o jesuíta Pierre Teilhard de Chardin (1991-1955), paleon- tólogo darwinista de que hoje se orgulha mas anteriormente proscrevera e proibira de leccionar _ contribuiu valiosamente para firmar a teoria da evolução.

Esta, nas primeiras décadas do século 20 ainda não estava cabalmente fundamentada, e mui- tos cientistas recusavam-na por ausência dum elo de transição, convincente, entre o macaco e o Homem. Na China, longe de grandes centros culturais europeus donde fora afastado, Chardin descobriu em 1929 o primeiro de vários fósseis que supriam aquele hiato (Homo pekinensis) e robuste- ceu decisivamente a tese de evolução das espécies, sendo convidado para leccionar na Universidade de Nova Iorque.

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Crónica

Página 154 min

Imagine um diálogo com os livros de Allan Kardec que começa assim: “quero ter medo da morte”. E O Livro dos Espíritos, na sua paciência, per- gunta sorrindo: “E porquê esse desejo agora se nunca na tua vida tiveste tal medo?”. Sem jeito, insistimos: “tenho um familiar que sofre de hipocondria. Sendo uma das causas desse distúr- bio o medo da morte, acho que só vou conseguir ajudá-lo se perceber exacta- mente o que ele sente, já que ele rejeita o Espiritismo ou qualquer espiritualis- mo”.

Neste ponto do diálogo, damo-nos conta de que já fomos levados pela conversa da mente. E a mente tem de perder a capacidade de atrair a nossa atenção. Além disso, sabemos que existe uma presença que é constante, que não está a pensar, que não tem emoções, que é completa e livre, e essa presença é o verdadeiro ser do pensar, do sentir, do imaginar e do perceber. É a essa presença que Léon Denis chama de “consciência profunda”, onde está inscrita a lei de Deus (LE, q.

621), que se revela à “consciência normal”. Essa consciência profunda não vai e vem, é a presença perene e permanente em cada momento. Isto precisa de ser reconhecido e só acontece quando não agarramos os pensamentos e resisti- mos à curiosidade de seguir a mente como espelho do que somos. Nesse momento, estamos em conexão com Deus, em lembrança e em contempla- ção. Essa lembrança é permanecer, de forma firme, sem objectificação e sem esquecimento no conhecimento de que somos criaturas de Deus, do amor Dele e “mergulhados no fluido divino” (“A Génese”, cap.

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obsessão do Capitão Ahab é um excelente ponto de partida para uma refl

Página 165 min

A obsessão do Capitão Ahab é um excelente ponto de partida para uma reflexão sobre a ideia de justiça e os impulsos vingativos ainda latentes na nossa sociedade. Cego pela vontade de vingança, o capitão Ahab não ficara apenas privado de uma das suas pernas, a baleia roubara-lhe também a sanidade e os valores que o fizeram um homem respeitado. Já no final da epo- peia, ainda antes de Moby Dick afundar o baleeiro e destruir quase toda a tripulação, o imediato Starbuck procurou em último recurso despertar a lucidez atordoada do capitão: “- Oh, Ahab!

Não é muito tarde, mesmo hoje, ao terceiro dia, para desistir! Vê! Moby Dick não te procura. És tu, tu, quem loucamente o persegues!”. Starbuck procurava que o capitão enxergasse o óbvio. Para além da enormidade apresentada e do violento instinto selvagem, nada havia de maléfico naquela baleia branca rasgada por cicatrizes profundas e cravejada de velhos arpões, símbolos pouco gloriosos da vitória sobre incontáveis tentativas de captura.

O único monstro que existia em Moby Dick era projectado pelo distúrbio obsessivo de um homem magoado. A obsessão do Capitão Ahab é um excelente ponto de partida para uma reflexão sobre a ideia de justiça e os impulsos vingativos ainda latentes na nossa sociedade. Nas épocas longínquas das fases primitivas da humanidade, a vingança era a lança afiada da justiça, punindo-se o agressor de uma forma desproporcional ao crime como castigo pelo desrespeito revelado.

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Literatura / Vídeo Janeiro.fevereiro.2015

Página 175 min

LITERATURA / VÍDEO JANEIRO.FEVEREIRO.2015 Paulo e Estêvão Simon é um rapaz de 12 anos como qualquer outro: divertido, sonhador e muito perspicaz. Só que este simpático adolescente padece da síndrome de Morquio, uma doença genética rara que se caracte- riza por uma espécie de ananismo e indisfarçável deformidade corporal. No entanto, se essa condicionante afeta o tamanho do seu corpo, não tem qual- quer efeito sobre a graciosidade da sua alma.

Simon não permite nunca que o seu aspecto, a voz estranha e as limi- tações físicas e motoras lhe sirvam de desculpa para o que não consegue al- cançar. Acompanhado do seu insepará- vel amigo Joe, está sempre pronto para iniciar novas aventuras que acabam por descambar invariavelmente em sari- lhos e confusões hilariantes. A amizade entre Joe e Simon é o elo que une toda a história, criando uma cumplicidade a toda a prova que lhes serve de apoio para se elevarem acima das dificulda- des e superarem os diferentes desa- fios e discriminações que a vida lhes coloca: Joe, sendo filho de mãe solteira e pai incógnito numa comunidade tão pequena; Simon sofrendo a desconsi- deraçãoeo preconceito desde o dia em que nasceu, mesmo por parte daqueles que tinham a obrigação de o proteger e orientar.

Enfrentando com compre- «Paulo e Estêvão» é uma obra recebida pela psicografia ímpar de Francisco Cândido Xavier em 1941; autêntico presente da Espiritualidade superior aos “vivos da Terra”. Foi considerada a segunda melhor obra espírita publicada no século XX, conforme indicação dos mais diversos estudiosos do Espiritis- mo: escritores e dirigentes espíritas de todas as instituições espíritas a nível estadual e federal do Brasil.

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direitos reservados Maria Filomena Peixoto tem 68 anos, é enfermeira a

Página 183 min

foto direitos reservados Maria Filomena Peixoto tem 68 anos, é enfermeira aposentada e mora em Torres Vedras. Como conheceu o Espiritismo? Maria Filomena Peixoto – Há muito que se falava nesta doutrina em minha casa, mas sem dúvida nenhuma com pareceres um pouco diferentes, porque o que eu sabia era um pouco errado sobre ela. Era como se fosse um “bicho-de-sete-cabeças”, ao ponto de eu desistir a certos feitos que me deixaram marcas.

Principalmente a nível psicológico. Mas graças a Deus consegui continuar para a frente com um sistema próprio, um pouco fora do normal. Até que um dia por acaso a minha filha perguntou- me se queria ir com a Zezinha a Caldas. Disse logo que sim e foi assim que estabeleci com muita coragem assistir e aprender realmente o que era a doutrina espírita. Hoje, mesmo sendo ainda leiga sobre ela, estou muito feliz por ter conseguido afastar alguns “fantasmas” que me incomodavam.

Que associação frequenta? Maria Filomena Peixoto – Saí de Caldas para frequentar o centro espírita de Torres, onde me encontro há mais ou menos um ano. Que pensa do «Jornal de Espiritismo» publicado pela ADEP? Maria Filomena Peixoto – Para dizer a verdade tenho lido muito pouco do «Jornal de Espiritismo», mas o pouco que leio acho muito bom e especial. Tem temas muito bons e alguns deles fazem-nos pensar um pouco mais.

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No mausoléu de José Maria Fernandez Colavida (o Kardec espanhol), no c

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No mausoléu de José Maria Fernandez Colavida (o Kardec espanhol), no cemitério de Montjuic em Barcelona, se encontra a inscrição – “Nascer, morrer, voltar a nascer e progredir sempre, tal é a lei”? Mesmo vivendo vegetativamente o Espírito resgata no corpo os débi- tos contraídos, libertando-se dos erros do passado? A primeira inscrição para as Jornadas de Cultura Espírita a realizar em Óbidos em Maio do próximo ano foi de Sebastião Cristóvão Saraiva Pereira, de Caldas da Rainha?

A mãe de Divaldo Pereira Franco apareceu ao filho dez dias após a sua desen- carnação? Um homem ia buscar água ao poço e le- vava dois baldes grandes, pendurados em cada ponta de um pau que ele carregava às costas, atravessado nos ombros. Enquanto um dos baldes era perfeito e chegava ao fim do caminho cheio de água, o outro, que já estava rachado, chegava apenas com metade da água, pois a outra metade caía pelo caminho.

Foi assim durante vários anos. O poço era longe da casa e o homem tinha de fazer várias vezes aquele caminho. O balde perfeito sentia-se o melhor do mundo. O balde rachado andava triste e sentia-se envergonhado por não conse- guir fazer o seu trabalho na perfeição. Certa vez, junto do poço, o balde rachado disse para o dono: -Sinto vergonha e peço-lhe desculpa. -Porquê? – perguntou o homem. – Porque estás envergonhado e pedes desculpa?

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