Editorial Janeiro.fevereiro.2015
Jornal de Espiritismo nº 68 · Outubro 2015Página 23 min
EDITORIAL JANEIRO.FEVEREIRO.2015 Lembro-me que há um par de anos me apareceu uma moça desenquadrada no curso básico de espiritismo, loura, com todos os afinamentos da cosmética e dourados de currículo na ponta da língua. Formadora de empreendedorismo. Para mim, valia tanto, e não era pouco, como a pessoa mais simples e menos lustrosa da sala. Percebi que estava lá porque o irmão se teria suicidado, e insistia na perda.
Perda do irmão, perdas sobre perdas – ela acha- va que a vida era um chorrilho de perdas sucessivas... Não cheguei a explicar-lhe com calma o lado realista da questão, ela falava em torrente e eu só ouvia com a fraternidade que vamos aprendendo com os espíri- tos mais adiantados. Aquela taça nunca mais esvaziava para poder receber novos dados. Como tantas outras pessoas, vi partir entes queridos, não vai lá muito tempo.
A minha mãe fez um ano e o meu irmão um pouco mais. O meu pai nesta data já me parece um veterano da Espiritualidade, pois partiu muito antes, embora a ternura e a saudade se mantenham imensas. Tenho saudades de todos, como nunca no percurso. Partilho um desafio que tenho tomado para mim próprio, sem desânimo – lidar com essa afetividade sem precisar da dor. A lei de amor que manda em todos os universos se for bem vivenciada por cada um não carregará sofrimento.
A procura da harmonia da nossa conduta interior face às leis naturais vai-nos liber- tando disso. Se houver dor, não estamos a ver na perfeição o que se passou ou o que se está a passar. Podemos sempre apren- der e requalificar as atitudes interiores. Cada dia, cada sol. Não será só nos dias de lágrima incontida que eles nos visitarão se puderem, para dar o seu abraço do invisível feito luz, o olhar cuidadoso de apoio nas lutas que atravessamos, já que sabem que estes poucos anos de aprendizagem terrena funcionam como um concentrado de bên- çãos que não é justo desaproveitar.
É tão evidente que todos caminhamos há tanto, tanto tempo numa estrada chama- da amor. Coragem! Venceremos… Texto: Jorge Gomes Viver como as flores Era uma vez um jovem que caminhava ao lado do seu mestre. Perguntou: - Mestre, como faço para não me abor- recer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indi- ferentes, outras mentirosas... sofro com as que caluniam... - Pois viva como as flores!
- advertiu o mestre. - Como é viver como as flores? - pergun- tou o discípulo. Continuou o mestre, apontando lírios que cresciam no jardim: - Repare nestas flores. Elas nascem no esterco, entretanto são puras e perfuma- das. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não per- mitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas... É justo angus- tiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros nos importunem.
Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora... Não se deixe contaminar por tudo aquilo que o rodeia... Assim, você estará vivendo como as flores! Fonte: http://contoseparabolas.no.sapo. pt/03outros/varios1.htm foto loucomotiv FICHA TÉCNICA Jornal de Espiritismo Periódico Bimestral Director: Ulisses Lopes Editor: ADEP Redator: Jorge Gomes Maquetagem: www.
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