Nasceu no Porto a 8 de agosto
Jornal de Espiritismo nº 68 · Outubro 2015Página 105 min
de 1960. Desde a sua licenciatura em Engenharia Química que Jorge Santos reparte, até ao presente, a sua carreira profissional entre a gestãoeo ensino. Nos tempos livres aprecia colaborar com o CECA, que procura em 2007. Inicia então os estudos doutriná- rios. Em 2008 é convidado para integrar a equipa de trabalho desta associação sem fins lucrativos, mas desde 2009 que tem mantido uma colaboração regular com outros centros espíritas de Portugal na qualidade de expositor.
Jorge Santos é hoje formador e responsável pelos departamen- tos de Expositores Espíritas e Livraria/Biblio- teca na associação que integra. Passemos às perguntas. - Como surgiu a ideia de dirigir esse inquérito às associações espíritas por- tuguesas? Jorge Santos – Talvez seja por deficiência de formação académica e profissional, mas, como espírita, há já algum tempo que se me colocam algumas questões a respeito do movimento espírita português, como por exemplo: Quantos somos?
Como nos O livro e as associações: perguntas & respostas O livro espírita, se fosse o caso, merecia um monumento pelo serviço de esclarecimento que proporciona. Traduzido em tantas línguas, contam-se milhares de títulos, sendo obviamente umas centenas mais uteis que outros. Kardec foi prolixo e as suas obras são essenciais na compreensão desta filosofia de vida. Nos últimos meses apercebemo- nos que correu o país um inquérito relacionado com ele, iniciativa não de uma associação mas um indivíduo.
Fomos falar com Jorge Santos, a pessoa em causa, atualmente um dos dirigentes do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), sedeado na cidade do Porto. caracterizamos? O que e quanto lemos, que nos instrua, no âmbito da doutrina? Como estamos no Movimento? Etc. Assim, e como o movimento espírita português somos todos nós, nada como perguntar às associações aquelas minhas dúvidas que, uma vez respondidas por todos, podem vir a ser uma mais-valia para todos nós espíritas e, por consequência, para o nosso movimento.
- Quais as conclusões mais relevantes que conseguiu obter? Jorge Santo s – Durante o inquérito conta- tei telefonicamente praticamente todas as casas espíritas e fui agraciado com tantas manifestações de carinho e de alento que, se no final a adesão tivesse sido pequena e poucas conclusões pudessem ter sido tira- das, só por isso teria valido, e muito, a pena levar a cabo este projeto. Em termos de conclusões que se podem tirar das respostas recebidas, e dado que este inquérito não teve na sua génese um estudo prévio, no sentido de vir a ser, a posteriori, trabalhado estatisticamente, apenas posso apresentar os elementos recolhidos, de forma a que as conclu- sões apresentadas não apresentem um grande erro.
Assim, face aos 50,5% de respostas, ou seja, as 55 instituições espíritas que res- ponderam ao inquérito, apresentam uma frequência média de 9 mil pessoas por mês e, destas, cerca de 2mil frequen- tam-nas de forma irregular. Este inquérito apresenta duas lacunas, entre outras: uma foi não ter questiona- do a idade média e a outra o sexo, em termos percentuais, de quem frequenta as instituições espíritas. Outro dado relevante é o de 3 dos 19 distri- tos existentes em Portugal, nomeadamente Lisboa, Porto e Aveiro, possuírem 48,6% do número total de instituições espíritas existentes (ver Tabela 1).
De acordo com a Tabela 4, podemos concluir que foi exata- mente nestes distritos onde se detetou o maior número de não participações. Assim, o seu somatório indica-nos que 28 das instituições aí existentes não colabo- raram, o que, só por si, representa 51,9 % do total nas “não participações” (54 no seu total). Se ponderarmos este número em termos do Total Nacional de Instituições Espíritas (109) ele é, ainda, relevante 25,7%.
No entanto, como se pode ver na Tabela 5, enquanto 5 distritos tiveram uma parti- cipação de 100%, em apenas 3 ocorreu o oposto. Relativamente ao tempo de existência das instituições espíritas em Portugal, pode- mos ver na Tabela 6 que, das 55 respostas obtidas, a média de idades é de 19 anos, sendo que a mais antiga existe há 87 anos, enquanto tem apenas 1 ano a mais recente. No que concerne à leitura, último aspeto abordado neste inquérito, temos que, enquanto 94,5% das Instituições vendem livros espíritas, apenas 80% vendem revistas e/ou jornais espíritas.
Por último, podemos observar no gráfico 3 que, entre os fatores que se opõem à leitu- ra, a “falta de hábitos de leitura” e o “preço do livro espírita” são, respetivamente 45% e 33%, os dois fatores mais importantes. - Surpreendeu-o a adesão em matéria de respostas, pela negativa ou pela positiva? Jorge Santos – Sim, surpreendeu-me a adesão ao inquérito, mas pela positiva. Quando esta ideia começou a ganhar corpo, era opinião de amigos, que estão no movimento espírita há muitos mais anos que eu, de que se a participação fosse na casa dos 35% já seria muito bom… Ora, tive praticamente 51% de participação o que é ótimo e me deixa muito feliz.
Claro que existe uma percentagem conside- rável de associações espíritas portuguesas que não disseram presente, mas o impor- tante é, com base nesta dinâmica positiva que emerge da significativa participação, vermos o que é necessário fazer para nos focarmos no que é verdadeiramente im- portante. Ora, na vida o importante é, sem dúvida, trabalharmos todos os dias para aprendermos a “amar o próximo, como a nós mesmos”, deixando cair tudo o resto, pois é acessório, e assim enquanto espíritas cumprirmos Kardec, pois, trabalhando esse amor, iremos unir-nos!
É necessário buscar a eficiência das con- quistas do Movimento de Unificação na divulgação do Espiritismo; trabalharmos em prol desta que para nós é uma boa causa numa unidade dinâmica e não numa unicidade desmotivadora. Obviamente, que isto implica que saiamos das nossas zonas de conforto, mas não é isso mesmo que o espiritismo nos ensina, como por exemplo na questão 642 de “O Livro dos Espíritos”: “é necessário que não só nos afastemos do mal, mas que façamos o bem no limite das nossas forças”?
- Ouvimos um comentário de uma dirigente associativa que referiu que o fotos arquivo JANEIRO.FEVEREIRO.
