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inquérito poderia ser mais completo

Jornal de Espiritismo nº 68 · Outubro 2015Página 114 min

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Decerto ponderou essa hipótese, que comentário faz a essa observação? Jorge Santos – Sim, claro que poderia. Inicialmente a ideia era, na verdade, fazer algo mais, digamos, “completo”. Contudo, não desejava que o inquérito fosse maça- dor para as pessoas, fazendo, por exemplo, que tivessem de ocupar muito tempo na sua resposta. Assim, no sentido de conhecer e caracteri- zar, o melhor quanto possível, o movimento espirita português, entendi, com o total apoio do centro espírita com que colaboro, organizar uma série de inquéritos temáti- cos, a partir dos quais irei obter as respostas às questões de que falei há pouco.

Este é, portanto, o primeiro deles. E, por ser o primeiro, o objetivo era, por um lado, JANEIRO.FEVEREIRO.2015 saber quantos somos e, por outro procurar conhecer se lemos, o que lemos e “quanto” lemos (longe de mim pensar que quantida- de é qualidade…). A escolha da leitura como segundo tema deste primeiro inquérito teve por base a lição transmitida por Emmanuel na questão n.º 204 da sua obra “O Consolador”, psico- grafada pelo médium Francisco Cândido Xavier: “O sentimento e a sabedoria são as duas asas com que a alma se elevará para a perfeição infinita”, onde ambas, como observa Emmanuel, são imprescindíveis ao nosso progresso, o que comprova, de forma inequívoca, a importância do estudo e da leitura no processo de crescimento da criatura humana em busca da perfeição possível.

Em conclusão, e aproveitando o ensejo, endereço um convite, não só a essa com- panheira de ideal espírita, como a todos os que irão ler este artigo, que me façam chegar as suas propostas de temas que entendam importantes ver analisados em próximos inquéritos. (endereço do CECA ao meu cuidado). - A partir das respostas obtidas que conclusões principais se poderão extrair sobre o papel das associações espíritas na disponibilização do livro espírita?

Jorge Santos – No meu entender, o papel das associações espíritas na disponibiliza- ção do livro espírita não pode ser dissociado de todo o resto. Diz-se que temos de estar motivados para fazermos algo. O que é verdade. Contudo, esta motivação só existe quando entende- mos “o que”, “para que” e “por que” fazemos algo. Tudo isto para dizer que, a principal con- clusão que retirei destes quase três meses e meio de contato com as associações, em que falei telefonicamente com mais de 60%, é que existe um trabalho a desen- volver, no sentido de encontrar formas de, principalmente nestes tempos em que se torna economicamente difícil para uma grande maioria de nós as deslocações, por exemplo, trabalharmos as nossas motiva- ções, por via de nos sentirmos parte deste todo bem maior que é a divulgação do Espiritismo, num trabalho sereno, racional e de coração, o qual deverá ter por base o estudo e o entendimento da razão de que tudo tem importância na nossa evolução, nesta magnifica nova oportunidade de aprendizagem que o Pai nos concedeu ao nos permitir voltarmos “à escola” em mais uma nova encarnação.

Assim, uma vez animados por esta dinâmi- ca, tornar-se-á fácil que cada associação, que cada um nós obviamente (o todo é o somatório de todos nós…), seja um veículo dinamizador na disponibilização, não só do livro espírita, como em tudo o mais que está inerente à doutrina espírita. - Num tempo em que a internet domina, ainda há lugar para o livro espírita? Jorge Santos – Estaria tentado a respon- der que o livro espírita terá sempre o seu lugar… No entanto, e lembrando que uma amiga minha me diz que “sempre” é muito tempo (e é!)

(risos…), responderei que, na minha opinião, o livro espírita terá o seu lugar por muito tempo ainda. Para mim, o aparecimento dos e-books não constitui uma ameaça ao livro, apenas são um complemento, e bom, uma outra forma de ler, de aceder ao conhecimento. Mas nós, ainda, precisamos de “sentir” o livro, de sublinhar, de escrever as nossas dúvidas, as nossas notas e conclusões… Se bem que existe quem use o rato do com- putador com a mesma facilidade com que a maioria usa o lápis, o certo é que, mesmo entre essas pessoas, o livro, fisicamente falando, ainda tem o seu lugar… - Como comenta a sua relação com o li- vro na aproximação que fez inicialmente à doutrina espírita?

Jorge Santos – O livro teve, e tem, um papel muito importante, quer na minha aproximação à doutrina quer agora que oito anos são volvidos, ou seja, ainda conti- nuo na dita aproximação. Ele é aquele companheiro sem pressa, sem nenhuma espécie de exigência e que está a todo o momento pronto a possibilitar-me crescer em mim, por via do quanto consiga melhor entender, compreender e aplicar o conhecimento que nele recolho, trans- formando-o portanto em “sabedoria”, nas letras que ele tem impressas ao meu dispor.

Ele dá-me todo o “tempo do mundo” e, por isso, muitas das vezes que eu ao relê-lo encontro novas e novas ideias, explicações e sentidos que ainda não me tinha aperce- bido existirem, etc. Por tudo isto, e muito mais, o livro é fantástico!