Pesquisa
Jornal de Espiritismo nº 68 · Outubro 2015Página 135 min
Com isso ele queria distinguir, de modo preciso, a mediunidade poliglota propria- mente dita (pela qual os médiuns falam ou escrevem em línguas que eles ignoram totalmente e, às vezes, também, ignoradas de todos os presentes) dos casos afins, contudo, radicalmente diversos, da “glosso- lalia” (nos quais os pacientes sonambúlicos, falam ou escrevem em pseudolínguas inexistentes, elaboradas nos recessos de suas subconsciências, pseudolínguas que não raro se revelam orgânicas, por serem conformes às regras gramaticais).
Durante a nossa participação no I FORE- BLU (Fórum Espírita de Blumenau), de 13 a 15 de setembro de 2013, que teve lugar na cidade de Blumenau – Santa Catarina, Bra- sil, durante as palestras que se sucediam por diferentes expositores, o médium de psicografia, José Araújo, exercia a atividade psicográfica. Fui convidado pelo mesmo a sentar-me ao seu lado, na mesa ao lado do palco onde ocorriam as palestras. Pude assistir bem de perto ao fenómeno de psicografia mecâni- ca, quando o médium escrevia em velocida- de célere.
Primeiro várias páginas em Francês que, foram assinadas pelo espírito de Rémy Chauvin, endereçada ao padre François Brune que reside em Paris, França. O suposto Espírito comunicante solicitava-me que enviasse a missiva a este nosso amigo comum. Em seguida, assisti a mais um transe psico- gráfico. Desta vez, a mensagem era escrita em idioma português e atribuída ao Espírito de Hemendra Nat Benerjee, renomado pesquisador indiano que viveu na cidade de Jaipur, no estado de Rajasthan, que se notabilizou com as pesquisas empreendidas em torno do fenómeno da reencarnação.
Diante do que pude observar, o transe foi intenso, com expressiva velocidade, em fluxo contínuo, sem nenhuma interrupção em qualquer momento da escrita. No final, observei que o comunicante assinalava no papel uma outra constru- ção na escrita, apresentando diante aos meus olhos, um outro idioma diferente do nosso. Fez a primeira inserção, para mim desconhecida e, acrescentou após esta, as palavras em português: “para todos”.
De seguida, sem nenhuma paragem na mão, assinalou uma frase inteira, no mesmo idioma desconhecido. Importante assinalar que, não era em alfabeto de dígi- tos como o que conhecemos, nas línguas latinas. Contudo, no final, assinou o nome em língua portuguesa, Hamendra Nat Ba- nerjee, encerrando assim a psicografia. Em Fortaleza, procurámos um casal amigo, indianos de nascimento e brasileiros natu- ralizados, o Dr. Harbans Lal Arora e a sua esposa Wed Kumari Arora, junto dos quais nutrimos afetuosa amizade há cerca de nove anos.
Ele é professor, físico e cientista, filósofo humanista, PhD em Física Quântica pela Universidade de Waterloo, Canadá, nas Universidades da Alemanha e da Índia e, professor-titular (aposentado) do Departa- mento de Química Analítica e Físico-quími- ca e do Núcleo de Processos Energéticos e Industriais da Universidade Federal do Ceará – UFC, no Brasil. É ainda conferen- cista internacional, escritor e consultor de diversas organizações nacionais e inter- nacionais nas áreas da Saúde, Educação e Ecologia.
Consultor da FAO, OLADE e BID para a América Latina e Caribe nas áreas de Energia Renovável e Desenvolvimento Sustentável. Wed Kumari Arora é diretora e professora de Yoga no Instituto Indiano de Yoga Vi- vekananda, em FortalezaCE, desde 1976. Ministra cursos, palestras, conferências, workshops em Yoga, yogaterapia, recur- sos humanos, manuseio do stress, saúde integral. Acreditávamos que eles, pertencentes ao mesmo país de origem do comunicante Hamendra Nat Banerjee, poderiam dar alguma informação mais segura a respeito daquela psicografia.
Para que não houvesse dúvidas sobre a as- sinatura grafada naquele idioma, para nós desconhecido, procedemos previamente à exibição apenas da assinatura, sem o con- teúdo psicografado, bem como ocultamos, também, o nome que foi escrito abaixo em idioma português. Preparámos, assim, antecipadamente, duas cópias, colocando na parte superior do papel A4, apenas a assinatura, que descon- fiávamos estar escrito em idioma indiano.
Contudo, precisávamos de uma certificação. O restante do papel ficou em branco. Apresentámos duas folhas idênticas ao ca- sal, sem mencionar nenhuma palavra sobre o que se tratava. Inopinadamente, perguntei se eles reconheciam o que estava escrito no frontispício daquelas duas folhas de papel. A resposta veio instantânea: “Aqui está escrito em idioma hindi, a palavra “Shan- thi,” que quer dizer “Paz” que completa em português a frase “para todos”, e abaixo está escrito Hamendra Nat Banerjeeé uma assinatura, trata-se de o nome de uma pessoa” - a resposta fez-se ouvir sem nenhuma hesitação.
Após relatado o ocorrido, solicitei ao casal Um caso de xenoglossia uma declaração, autenticando o fato do reconhecimento da assinatura em idioma hindi. Imediatamente a senhora Wed Arora o fez do próprio punho, produzindo assim o documento, em anexo. A constituição da Índia reconhece 22 línguas oficiais, além de mais de uma centena de dialetos. O hindi, na escrita devanagari é reconhecido como o idioma oficial do Governo, é também uma língua falada em seis estados, entre eles o de Rajasthan.
Eles também revelaram que conheciam o Dr. Banerjee de nome e, sabiam das suas pesquisas, contudo, não o conheceram pessoalmente, portanto, não privaram da sua amizade. Após terminado a declaração, escrita no mesmo papel, o casal assinou os respetivos nomes em português e, em seguida, abaixo, em idioma hindi, conforme fez Hamendra Nat Benerjee. De seguida, sem nenhuma paragem na mão, assinalou uma frase inteira, no mesmo idioma desconhecido.
De posse do documento, eu e meu filho Tiago Nunes, dias depois, dirigimo-nos ao cartório de Fortaleza – Ceará, Brasil, e procedemos ao reconhecimento das duas assinaturas, conforme apresentadas no documento. José Fernando de Mendonça Araújo, o médium investigado, nasceu no RecifePE, em 17 de novembro de 1964, sentiu as suas primeiras manifestações mediúnicas aos 9 anos de idade, quando escrevia textos cuja “autoria” o mesmo desconhecia.
Possui diversas faculdades mediúnicas, como psicografia mecânica, psicofonia, vidência, clauriaudiência e xenoglossia, além da paranormalidade anímica de psicometria. Há mais de 30 anos estuda e dedica-se ao Espiritismo. Fundou, juntamente com sua esposa, o Centro Espírita CEIL, na cidade de Blumenau, Santa Catarina, Brasil. Por Clóvis Souza Nunes , escritor, conferen- cista internacional, pesquisador de fenóme- nos paranormais (adaptado por José Lucas do original da pesquisa) .
* Xenoglossia, do Grego, Xenon = estranho, estrangeiro; Glossa = Língua. foto loucomotiv O termo xenoglossia* foi proposto por Charles Richet, francês, pesquisador de fenómenos psíquicos, criador da Metapsíquica e Prémio Nobel de Medicina de 1913. JANEIRO.FEVEREIRO.
