Opinião
Jornal de Espiritismo nº 68 · Outubro 2015Página 144 min
Esta, oriunda do reino mineral e das for- mas biológicas mais rudimentares, cum- pre em todos os aspectos a sua evolução, o que as religiões dogmáticas relutam em aceitar. A noção de evolução biológica dos seres sagrou-se já como dado adquirido no mundo da ciência; mas opõem-se-lhe insensatamente algumas correntes religio- sas, interpretando a Bíblia sem acatar um princípio base que ela mesma consagra: “a letra mata mas o espírito vivifica” (2ª Co- ríntios 3.
6). Sem essa meridiana luz, não entendem a perfeita compatibilidade entre criação e evolução, invadindo a net com textos atraentes que rejeitam o evolucionis- mo e exaltam o criacionismo, como se um excluísse o outro _ o que realmente não acontece, de modo nenhum. Nessa matéria, tem a igreja católica mos- trado mais lucidez. Por muito tempo ana- tematizou as teorias de Charles Darwin, mas um membro seu _ o jesuíta Pierre Teilhard de Chardin (1991-1955), paleon- tólogo darwinista de que hoje se orgulha mas anteriormente proscrevera e proibira de leccionar _ contribuiu valiosamente para firmar a teoria da evolução.
Esta, nas primeiras décadas do século 20 ainda não estava cabalmente fundamentada, e mui- tos cientistas recusavam-na por ausência dum elo de transição, convincente, entre o macaco e o Homem. Na China, longe de grandes centros culturais europeus donde fora afastado, Chardin descobriu em 1929 o primeiro de vários fósseis que supriam aquele hiato (Homo pekinensis) e robuste- ceu decisivamente a tese de evolução das espécies, sendo convidado para leccionar na Universidade de Nova Iorque.
Desde 18 de Abril de 1857, dois anos e meio antes de publicada a “ORIGEM DAS ESPÉCIES…”, explana O LIVRO DOS ESPÍ- RITOS na resposta à questão 540: “…tudo serve, tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até ao arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo”. Em 1985 os biólogos tinham há muito a evolução por ponto pacífico. Mas refere Jacques Duquesne (“Deus apesar de tudo”, 2008, Ed. ASA): o então cardeal Ratzinger foto arquivo JANEIRO.
FEVEREIRO.2015 É sabido que nada se perde, tudo se transforma, não apenas em química. Na vida e no cosmos nada se apresenta estático, definitivo; tudo é dinâmico e muda gradativamente para formas mais aperfeiçoadas, num dinamismo universal de evolução, incluindo naturalmente a Humanidade. O deus Mamon, ídolo dos mercados financeiros, tem sido flagelado pela valorosa alma cristã de Francisco. considerou-a mera hipótese, com a qual “não há lugar, como é evidente, para o pecado original”.
Onze anos mais tarde João Paulo II dava-a prudentemente como “mais do que hipótese”. Mas em discurso recente na Pontifícia Academia de Ciências, noticiado internacionalmente, Francisco, o ansiado Mikhail Gorbatchev do Vatica- no, defendeu sem reticências a tese da evolução, bem articulada com o sentido de criação e do Génesis. Desabado o mito do pecado original (“um pecado muito original”, dizia um teólogo), sai prestigia- da a visão dos teólogos que há muito o impugnavam, e admoestado o imobilismo conservador de quantos, na igreja ou fora dela, se apegam a (pre) conceitos que o progresso (a própria evolução) revela como sérios entraves ao adiantamento e bem- -estar da Humanidade.
O deus Mamon, ídolo dos mercados finan- ceiros, tem sido flagelado pela valorosa alma cristã de Francisco. Irmanado com todos, ele (não “Sua Santidade”) recusa o endeusamento institucional de si mesmo, exorta bispos a serem pastores, não “prín- cipes da igreja”, compadece-se humana e pastoralmente das periferias excluídas pela política, pela economia, pela sociedade, pela própria igreja. Pastor autenticamente cristão, irradia e proclama a ALEGRIA do evangelho, com a mensagem que este rei- tera, de a economia (hoje indigente de ética e sentido social) ser feita para o Homem e não o Homem para a economia – sensata observação de frei Bento Domingues.
Por João Xavier de Almeida objectivo não é reter o ego e decorá-lo com qualidades nobres. O ego, mesmo que ‘santo’, continuará carente de si, em busca. As vidas da Madre Teresa ou de Gandhi ilustram isso mesmo. Então, o Espiritismo não tenta remover as queixas (que são de áreas como a Psi- cologia ou Psiquiatria) tal como Jesus disse “eu não vim curar o corpo”, mas sim remover o queixoso auxiliando-o a dar o salto imortal de se ver como centelha divina, i.
e., como criatura de natureza divina. Claro que primeiro o Espiritismo procura qualificar e des- pertar em nós as qualidades para que a verdade última possa ser realmente aceite. Porque se não alterarmos a forma como nos vemos a nós mesmos, não poderemos mudar a nossa pers- pectiva do mundo, da ordem divina que tudo rege, e das formas que colamos ao ego, como o medo da morte, de do- enças, gostos e aversões, etc.. “Quando a nossa intenção coincide, na medida relativa possível, com essa idealização profunda da alma, a lei de adoração manifesta-se em plenitude e amamos a Deus em Espírito e em Verdade”, diz-nos J.
Herculano Pires. Na ausên- cia disto, a irmã que queria ter medo da morte para tentar ajudar o irmão hipocondríaco, pode apenas apertar o seu coração de irmã e, pensando nos livros de Kardec, dizer: “Isso passa. Amanhã já vamos surfar”, no anseio de que as ondas da imortalidade em Deus lhe toquem o coração.
