Literatura / Vídeo Janeiro.fevereiro.2015
Jornal de Espiritismo nº 68 · Outubro 2015Página 175 min
LITERATURA / VÍDEO JANEIRO.FEVEREIRO.2015 Paulo e Estêvão Simon é um rapaz de 12 anos como qualquer outro: divertido, sonhador e muito perspicaz. Só que este simpático adolescente padece da síndrome de Morquio, uma doença genética rara que se caracte- riza por uma espécie de ananismo e indisfarçável deformidade corporal. No entanto, se essa condicionante afeta o tamanho do seu corpo, não tem qual- quer efeito sobre a graciosidade da sua alma.
Simon não permite nunca que o seu aspecto, a voz estranha e as limi- tações físicas e motoras lhe sirvam de desculpa para o que não consegue al- cançar. Acompanhado do seu insepará- vel amigo Joe, está sempre pronto para iniciar novas aventuras que acabam por descambar invariavelmente em sari- lhos e confusões hilariantes. A amizade entre Joe e Simon é o elo que une toda a história, criando uma cumplicidade a toda a prova que lhes serve de apoio para se elevarem acima das dificulda- des e superarem os diferentes desa- fios e discriminações que a vida lhes coloca: Joe, sendo filho de mãe solteira e pai incógnito numa comunidade tão pequena; Simon sofrendo a desconsi- deraçãoeo preconceito desde o dia em que nasceu, mesmo por parte daqueles que tinham a obrigação de o proteger e orientar.
Enfrentando com compre- «Paulo e Estêvão» é uma obra recebida pela psicografia ímpar de Francisco Cândido Xavier em 1941; autêntico presente da Espiritualidade superior aos “vivos da Terra”. Foi considerada a segunda melhor obra espírita publicada no século XX, conforme indicação dos mais diversos estudiosos do Espiritis- mo: escritores e dirigentes espíritas de todas as instituições espíritas a nível estadual e federal do Brasil.
Só foi ultrapassado pelo livro «Nosso Lar», também psicografado por Chico Xavier. Esta obra de Emmanuel contribui para resgatar da «poeira dos séculos» o Cristianismo genuíno. Emmanuel teve um trabalho ingente para materializar essa obra no plano físico e ao fazê- -lo, recuperou a vibração espiritual do Cristianismo, ainda sob a condução de Jesus, como muito bem inspirado afirmou o confrade de Belo Horizonte, Haroldo Dutra Dias.
Muito do revelado neste livro só foi con- ensão e galhardia o estigma social que a doença provoca, o pequeno Simon guarda no seu íntimo a certeza de que nasceu para fazer algo grandioso, não se cansando de repetir que Deus tem um plano para ele. Perante a troça de todos os que duvidam que possa existir um propósito para a vida daquela firmado 20, 30, 40 e 50 anos após a sua publicação. Até à data, não existiam pequena criatura, Simon não está disposto a abdicar dos seus sonhos e propõe um pacto ao seu maior ami- go: Ele irá desco- brir quem é o pai de Joe, enquanto Joe terá de ajudar Simon a encontrar o glorioso plano que Deus lhe reservou.
“O Inesquecível Simon Birch” é um filme descon- traído e familiar de 1998, com uma mensagem de fé e estudos sobre o Cristianismo primitivo, não obstante os tra- balhos de Ernest Renan no século XIX. Emmanuel reconstitui toda a História do Cristianismo do século I — anos 33 a 67 (morte de Paulo) — so- cial, linguística e culturalmente, de todas as regiões onde o Evange- lho foi difundido. Traça, de igual modo, o perfil coragem que inspira e emociona.
Tendo sido adaptado ao cinema pelo realiza- dor Mark Steven Johnson a partir do livro «A Prayer for Owen Meany» do reconhecido escritor americano John psicológico dos apóstolos e de outros intervenientes, colocando-nos face a O inesquecível Simon Birch Irving, conta com a presença de atores conceituados como Ashley Judd e Oli- ver Platt e ainda com uma participação especial de Jim Carrey. É uma história encantadora e comovente de determi- nação e coragem, mostrando-nos o exemplo de alguém que não se deixa sucumbir mesmo quando a vida parece face com o Cristianismo genuíno de forma definitiva, conforme observação atraiçoar aquilo que idealizou para si.
Simon Birch é uma represen- tação simbólica de muitos heróis reais que são um exemplo de vida para todos. Exem- plos porque não se ocultam atrás das suas limita- ções, nem permi- tem que os seus problemas sejam barreiras intrans- poníveis à sua felicidade. Heróis porque têm a co- ragem para fugir pertinente do no- bre Juiz mineiro. Esta obra faz justiça a Jeziel (Estêvão) e à sua irmã Abigail, noiva adorada de Saulo, mais tarde Paulo.
Sem Estêvão, Saulo teria sido apenas um rabino obscuro. E sem Paulo, o Cristia- nismo não teria vingado; teria sido absorvido pelo judaísmo intole- rante, que sempre matou os seus profetas. dos confortáveis rótulos de vítimas, não se escondendo de um mundo que tem aversão ao que é diferente e aceitando as suas singularidades, não como limi- tações para os seus sonhos mas, como Esta obra-prima mostra-nos como Paulo, num esforço titânico, supe- o ponto de partida que possuem para alcançarem o que mais desejam.
A fé de Simon é tão inabalável que ele não vê necessidade em procurar razões para as limitações, nem desperdiça energias na descoberta de culpados para as desilusões que vai sentindo. A sua única preocupação é descobrir o plano que Deus tem reservado para ele. E essa é uma busca íntima de sentido para a vida. Um sentido que não se materializa pela sua espectacularidade ou popularidade mas pelo significado íntimo na construção de nós mesmos.
Nesta constatação tão simples encon- tramos a maior mensagem deste filme encantador e deste herói singular: A certeza de que nos encontramos nesta vida com um propósito definido é um pequeno milagre que se realiza dentro da alma e que, oferecendo-nos um sentido diante de todas as adversidades que a vida nos coloca, fortalece de uma forma surpreendente a capacidade de as superarmos e de vencermos a tira- nia do desalento.
Título Original: “Simon Birch” Realizado por Mark Steven Johnson EUA, 1998 - 110 min. Com: Ashley Judd, David Strahairn, Jim Carrey, Joseph Mazzello e Oliver Platt Por Carlos Miguel rou as tendências judaizantes dos próprios apóstolos para nos deixar o pensamento do Divino Amigo de forma pulcra. Libertando-se da visão estreita e acanhada dos próprios discípulos, partiu pelo Mundo conhecido de então a divulgar, ensinar e viver a mensagem do Educador por excelência da Huma- nidade.
Não existe no livro nenhuma obser- vação ou discrição de Emmanuel que não tenha uma finalidade: informar, repondo a verdade, e ensinar a vis- lumbrar a grandeza do pensamento de Jesus. Nada foi escrito para encher páginas, tudo obedece a uma finalidade superior, não existe “palha” no livro. Cada vez que relermos este livro, des- cobrimos coisas novas que nos levam a melhor compreender o que se passou naquela época fulcral para a História da Humanidade em marcha rumo à perfeição.
