Queb a Ader
Jornal de Espiritismo nº 7 · 2004Página 24 min
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ENTREVISTA COM DIVALDO FRANCO
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Estava um homem sentado num banco da praça onde sempre costumava ficar por algum tempo. Ele sentia uma grande tranquilidade ao olhar as árvores ao sol e ao vento, as pombas em busca de alimento, os quiosques a venderem revistas e quinquilharias, os pássaros fazendo ninhos, as crianças brincando, os sinos da
igreja badalando, velhinhos rolando dados ou jogando dominó.
Subitamente viu-se rodeado por sete vultos de rosto encoberto, e um deles dirigiu-se-lhe:
- Nós somos moradores do futuro. - O que vieram dizer-me? perguntou ele, sentindo-se incomodado.
Um a um começaram a dizer: 1.ºEu sou uma tormenta: um dia poderei levar tudo que possuis. 2.ºEu sou a fome: um dia poderei atingir-te e conhecerás uma das maiores dores que assolam o mundo.
3.ºEu sou o desemprego: um dia poderei visitar-te e não saberás como sobreviver.
4,ºEu sou um incêndio: um dia poderei deixar-te sem tecto e sem abrigo.
Ficha técnica «Jornal de Espiritismo» Periódico bimestral Director
O tempo sopra, devagarinho, segundo a segundo, e o calendário rola, quer acreditemos nisso ou não! E experiência comum sem contestação... E é também o que primeiro surge quando nestas linhas lhe queremos agradecer, a si, que nos lê, sem dúvida a razão de ser desta publicação que comemora o seu 1.º ano agora. Se calhar nem deu conta disso, mas ao folhear estas páginas esteve a justificar os tempos pós-profissionais da equipa que o faz e leva até si, dentro dos quais é possível tirar algum tempo livre geralmente ocupado com a família ou descanso normal.
É um prazer, de facto, poder olhar para trás e ver a recolha de dados, o seu tratamento, algumas noitadas de trabalho de redacção, tudo pelo prazer único de satisfazer os compromissos que temos consigo e com os planos feitos antes de se voltar a nascer para a caminhada evolutiva presente. Fica esta lembrança singela, o marcador de livros que distribuímos anexado a cada exemplar desta edição. Esperamos que seja útil!
Mas seria falta grave, injusta, não agradecer também às empresas que anunciaram neste jornal, viabilizando as suas edições regulares.
Com certeza que, embora nem sempre isso esteja à vista, Deus lhes retribuirá face ao bem que ajudaram a partilhar.
Numa terceira vaga de gratidão, surgem os colaboradores de «Jornal de Espiritismo». Os que se aprontam a escrever nestas páginas, os que têm a paciência de aguardar a publicação dos textos que nos enviam, e por vezes involuntariamente com uma ou outra gralha, essa falha editorial, tão comum que será difícil encontrar imprensa que se veja realmente livre disso. Aliás, palavra feliz, essa, gralha, porque o corvídeo do mesmo nome é uma das aves mais inteligentes, uma generalista amplamente distribuída pela Terra, sem qualquer carga pejorativa.
E, sobre tudo, há que agradecer a Deus e ao seus mensageiros, os espíritos esclarecidos, que anonimamente nos dão a cobertura fraterna para que esta publicação, sem tremuras quaisquer, edifique, retenha o bem, deixando os equívocos de comportamento nos ciclos naturais da vida, onde se refazem, amadurecem e surgem, brilhantes, depois de sublimados.
Jorge Gomesjorge je&clix.pt
5.ºEu sou a melancolia: um dia poderei visitar-te e perderás a vontade de viver.
6.ºEu sou a solidão: um dia poderei bater à tua porta e não terás companheiros para te ouvirem ou para conversares. 7.ºEu sou a velhice: quando eu chegar, estarás vazio, doente e sem metas.
De repente, como num turbilhão, os sete vultos falavam ao mesmo tempo, atropelando-se uns aos outros.
Respirando fundo, aos poucos refez-se e, num volta-face mágico, ele pôde ver os rostos dos sete vultos. O homem, antes relaxado e tranquilo, começou a tremer: eram exactamente iguais ao dele! Determinado, disse:
- Parem! Vós sois ladrões de paz! Sois assaltantes de mentes distraídas! Vós sois EU mesmo! Sois os meus próprios pensamentos! Vós não morais no futuro! Morais na minha cabeça, mas nela sou EU quem manda! E prosseguiu:
- Aqui aprendi com as árvores que a renovação é possível depois de terem as suas folhas levadas pelo vento. Aqui aprendi com as pombas que sempre haverá mais
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alimento do que pombas famintas. Aqui aprendi com os quiosques que o empregador nem sempre é indispensável e que sempre haverá meios para sobreviver. Aqui aprendi com os pássaros que, a cada ninho derrubado, novos ninhos podem construir. Aqui aprendi com as crianças que não é necessário um grande esforço para ser feliz e querer viver. Aqui aprendi com os sinos que, por mais sós que estejamos, sempre haverá alguém para nos ouvir. E aqui aprendi com os velhinhos que qualquer meta sempre é viável de ser atingida, ainda que seja vencer numa aposta de dados ou num jogo de dominó.
Pouco a pouco aqueles 7 vultos foram mudando as suas pesadas expressões e, abrindo suaves sorrisos, foram dizendo:
1.ºEu sou a Prosperidade. 2.ºEu sou a Fartura.
6.ºEu sou o Companheirismo. 5.ºEu sou a Alegria.
7.ºEu sou a certeza de que a vida é imortal.
Sentindo que havia dominado os próprios "fantasmas", o homem saiu a caminho em passeio suave
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e tranquilo na direcção do amanhã...
Texto: Autor desconhecido. Foto: Ulisses Lopes
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