Editorial / Conto Maio.junho.2015
Jornal de Espiritismo nº 70 · Maio 2015Página 24 min
EDITORIAL / CONTO MAIO.JUNHO.2015 Numa jornada anda-se em frente, passos marcados pela cadência dos tambores do tempo que impulsionam o ser para diante. Se para trás ficam pegadas, logo mais há novos espaços, novas luzes. Não configura a vida humana uma jornada de mil vozes e de mil andanças? Alguém sublinha: o caminho faz-se a caminhar. As estradas de cada existência terrena reúnem fases sombrias por vezes, noutros momentos luminosas.
Num e noutro caso, a verdade é que ninguém vai sozinho. Palavra associada com frequência a eventos de variada índole, jornadas, começa uma a uma a ver-se pela camada exterior. Não é cebola! Ainda assim nem só do que passa diante da vista se faz a realidade de cada um. Quantas veredas se desenham lá por dentro… vidas passadas, aprendidas, buriladoras do ser espiritual, com a pulsão inquieta de encontrar vida melhor. Quantas noites vencidas, entre o material e o espiritual, horizontes que permutam os cenários de múltiplas viagens.
Por fora vê-se agora a escola, a Terra, engalanada das bênçãos da primavera. Por dentro de cada um abre-se sempre um universo gigante. Vêm aí sucessivas auroras, tecidas de luzes. Há sombras? Pois, vê-las já é bom. Sugerem sublimação na intensa jornada evolutiva. Sem identificar o erro, este pode vestir-se de acerto. Engana os mais espertos, mas não os mais atentos. Vê constelações? Ah! Estão ali, sim. São os afetos.
Imperfeitos? Pois é, ainda fluem assim jornada atrás de jornada. Agir com eles cria memórias boas. Na gestão das emoções, onde quer que se esteja, no sossego do lar ou na via pública, não convém nem défice nem excesso. Encontrar um ponto de equilíbrio é a melhor forma de regular o processo vivencial, a fim de que a jornada evolutiva alcance êxito na etapa presente. Tudo isso é trabalho, uma lei da natureza que impele a amadurecer, a gravitar em torno de toda a atividade útil.
E vem a preceito: na pequena jornada que enquadrou uma singela reunião mediúnica*, ao contrário de outras, os amigos da Espiritualidade reservaram a sessão para dois antigos espíritas que ali vieram pedir ajuda, já desencarnados e em dificuldade, com consciência da sua situação, num diapasão comum: «Fui aquilo que já têm lido, como eu também cheguei a ler – uma pessoa cheia de conhecimentos, cheia de teoria, cheia de palestras, tranquila e cheia de esperança por conhecer a verdade, o Consolador, e agora estou aqui, a sofrer, precisamente aquilo que aprendi nos livros, nas palestras… estou a sofrer porque estou vazio, completamente, de ações».
Explicava que lhe foi permitido, «a mim e a um outro meu amigo, desabafar um pouco e receber aquela vibração, o conselho, aquela palavra que nós estamos fartos de saber, que indica O horizonte Certa vez alguém chegou no céu e pediu pra falar com Deus porque, segundo o seu ponto de vista, havia uma coisa na criação que não fazia nenhum sentido... Deus atendeu-o de imediato, curioso por saber qual era a falha que havia na Criação.
- Senhor Deus, a sua criação é muito bofoto loucomotiv nita, muito funcional, cada coisa tem sua razão de ser... mas, no meu ponto de vista, há uma coisa que não serve para nada – disse, impertinente. - E que coisa é essa que não serve para nada? - perguntou Deus. - É o horizonte. Para que serve o horizonte? Se eu caminho um passo em direção a ele, o mesmo se afasta um passo de mim. Se caminho dez passos, ele se afasta outros dez passos.
Se caminho quilómetros em direção ao horizonte, ele se afasta os mesmos quilómetros de mim... Isso não faz sentido! O horizonte não serve pra nada. Deus olhou para aquela pessoa, sorriu e disse: - Mas é justamente para isso que serve o horizonte... para te fazer caminhar! (autor deconhecido) Fontehttp://www.omensageiro.com. br/mensagens/mensagem-219.htm o caminho a seguir, mas não seguimos». Foram auxiliados e seguiram, bem acompanhados.
A prática da caridade, tal como a entendia Jesus – “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas”( 886, “O Livro dos Espíritos”) –, não é o objeto que se dá mas a atmosfera afetiva e fraternal que o acompanha. Pode nem haver objeto material, basta que haja esse sentir a ser chamado com frequência ao dia a dia nos cenários em que cada um se move, onde não haja défice nem exagero, para que o equilíbrio vibratório cultivado nas inúmeras sessões de aprendizado quotidiano na Terra cumpram a meta presente da jornada de cada um, dando luz aos olhos e paz ao coração.
Jesus de Nazaré apontou o desiderato: «brilhe vossa luz» (Mateus 5:16). Texto: Jorge Gomes * 17-3-2015 foto loucomotiv Há sombras? Pois, vê-las já é bom. Sugerem sublimação na intensa jornada evolutiva. É o horizonte. Para que serve o horizonte? Se eu caminho um passo em direção a ele, o mesmo se afasta um passo de mim. FICHA TÉCNICA Jornal de Espiritismo Periódico Bimestral Director: Ulisses Lopes Editor: ADEP Redator: Jorge Gomes Maquetagem: www.
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