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Capa da edição nº 70 do Jornal de Espiritismo

70Jornal de Espiritismo nº 70

Maio 2015 · 19 secções · ≈ 75 min de leitura

Esta edição do Jornal de Espiritismo explora a vida como uma jornada evolutiva, destacando a importância da fé e da resignação diante das provações. Aborda questões como o papel do centro espírita e a internet na divulgação, a literatura espírita e a programação pedagógica. Um correio exemplar responde a uma leitora sobre um suposto "carma familiar", desmistificando superstições e reforçando a necessidade da caridade e da busca por equilíbrio emocional e espiritual. A mensagem final é caminhar, com amor e a certeza da assistência espiritual.

Espiritismo
Jornada evolutiva
Carma familiar
Fé e Resignação
Amor e Caridade

Capa

Página 11 min

70 ANOXII JDE JORNALDEESPIRITISMOMAIO . JUNHO . 2 0 1 5 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 O centro espírita é uma porta de luz aberta para o mundo. Ainda assim, além do serviço presencial, com os recursos acessíveis de que se dispõe. 17 LITERATURA CONSULTÓRIO Em foco o recente livro de Gláucia Lima, psiquiatra, publicado pela FEP, que responde a 22 interessantes perguntas.

4 FEDERAÇÃO PROGRAMA NACIONAL ESPÍRITA O Programa apresenta a proposta de aulas estruturada numa sequência pedagógica, de forma a complementar os estudos espíritas na vertente moral. 9 ENTREVISTA DAR NOTÍCIAS DO MOVIMENTO Os comunicados noticiosos da ADEP prestam bom serviço: afinal, como surgiu a “newsletter”? 15 OPINIÃO AFINAL É FÁCIL!

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Editorial / Conto Maio.junho.2015

Página 24 min

EDITORIAL / CONTO MAIO.JUNHO.2015 Numa jornada anda-se em frente, passos marcados pela cadência dos tambores do tempo que impulsionam o ser para diante. Se para trás ficam pegadas, logo mais há novos espaços, novas luzes. Não configura a vida humana uma jornada de mil vozes e de mil andanças? Alguém sublinha: o caminho faz-se a caminhar. As estradas de cada existência terrena reúnem fases sombrias por vezes, noutros momentos luminosas.

Num e noutro caso, a verdade é que ninguém vai sozinho. Palavra associada com frequência a eventos de variada índole, jornadas, começa uma a uma a ver-se pela camada exterior. Não é cebola! Ainda assim nem só do que passa diante da vista se faz a realidade de cada um. Quantas veredas se desenham lá por dentro… vidas passadas, aprendidas, buriladoras do ser espiritual, com a pulsão inquieta de encontrar vida melhor. Quantas noites vencidas, entre o material e o espiritual, horizontes que permutam os cenários de múltiplas viagens.

Por fora vê-se agora a escola, a Terra, engalanada das bênçãos da primavera. Por dentro de cada um abre-se sempre um universo gigante. Vêm aí sucessivas auroras, tecidas de luzes. Há sombras? Pois, vê-las já é bom. Sugerem sublimação na intensa jornada evolutiva. Sem identificar o erro, este pode vestir-se de acerto. Engana os mais espertos, mas não os mais atentos. Vê constelações? Ah! Estão ali, sim. São os afetos.

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Correio Maio.junho.2015

Página 34 min

CORREIO MAIO.JUNHO.2015 Carma familiar? Entre os numerosos pedidos de resposta aleatoriamente escolhemos dois. Todas as questões colocadas merecem o cuidado de uma resposta fraterna. Maria B. envia a sua mensagem por e - -mail: «Boa tarde. Nem sei que tipo de abordagem deveria ter, por isso peço desculpa pela minha ignorância, que confesso ser total da Doutrina do Espiritismo. A questão que me angustia é a seguinte: na história da minha família, todas nós, mães, perdemos o nosso primogénito entre os 18 e os 20 anos.

Eu perdi o Gonçalo com 20 anos, de morte súbita, durante o sono. A minha mãe a minha irmã com 18 de acidente, a minha avó a filha mais velha com 20 de tuberculose, a minha bisavó, a minha trisavó, todas, sem exceção vimos partir os nossos maiores tesouros, os nossos amores, cedo demais. Este ano a minha filha decidiu que quer ser mãe; não sei como nem porquê, lembrei-me de uma “conversa” que um dia ouvi entre a minha mãeea minha avó, eu era miúda e nunca mais tinha pensado nisso.

A minha avó contava que um dia uma senhora lhe disse que era carma, que as mulheres da minha família teriam que pagar por gerações. Será isso possível? Será que o meu neto que ainda não nasceu já vem com um estigma desses? Se sim, será possível reverter esse carma? Por favor ajudem-me se vos for possível. Obrigada». A resposta não demorou: «Olá Maria, o que nos relata é invulgar, e não há dúvida que dá que pensar. Em última análise, a vontade de Deus prevalece sobre TUDO.

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FEP Programa Nacional Espírita Infanto-Juvenil “Com Allan Kardec as di

Página 43 min

FEP Programa Nacional Espírita Infanto-Juvenil “Com Allan Kardec as diretrizes apresentadas por Jesus puderam ser confirmadas como as mais profundas regras de conduta para a aquisição da felicidade.” Marco Prisco (Espírito), pela psicografia de Divaldo Franco O propósito deste livro “Eu e JesusParábolas e Efemérides Cristãs” é levar Jesus para a vida das nossas crianças, oferecendo uma compreensão racional, desafiante, com as cores da nova Era, de modo a permitir que a criança encontre recursos para refletir, questionar e descobrir-se como Ser espiritual que é, capaz de dar um novo rumo às suas atitudes, comportamentos e pensamentos.

Vejamos quais os objetivos de cada um dos capítulos. Da Parábola do Semeador: compreender que todos devemos ser “solos férteis” e crescer em harmonia com as leis divinas; a aplicabilidade dos ensinamentos do Evangelho no dia-a-dia, é uma condição para o crescimento espiritual de cada um. Da Parábola dos Talentos: compreender que cada ser humano traz consigo as capacidades espirituais que deverá desenvolver enquanto ser encarnado na Terra; compreender a transitoriedade dos bens materiais e a eternidade dos bens espirituais de modo a saber encontrar um ponto de equilíbrio durante a experiência corpórea; concluir que “a cada um segundo as suas obras”.

Da Parábola dos Credores e dos Devedores: compreender a importância do perdão, da fraternidade e da caridade moral, sem os quais o ser humano se perderá no turbilhão da dor, do egoísmo e do orgulho; concluir que o perdão leva à caridade e à humildade, imprescindíveis à aquisição das virtudes do Homem de Bem. Da Parábola da Figueira Seca: compreender a importância da fé raciocinada como pilar da esperança e da caridade; compreender que as boas obras são o resultado da aplicabilidade da crença que se baseia no conhecimento racional iluminado pelo amor; concluir que a fé raciocinada, robusta, dará a força necessária para o trabalho da reforma íntima e, consequente, aperfeiçoamento do Ser.

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Breves Aseb

Página 54 min

30 anos A Associação Sociocultural de Braga (ASEB) comemorou no passado dia 28 de março no auditório do Instituto da Juventude da sua cidade, a passagem do seu 30.º aniversário. Para esse efeito contou com um corolário de conferências subordinadas ao tema educação. O tema de abertura foi apresentado por Dalila Monteiro, que explicou com base na sua tese universitária de natureza sociológica a relação das pessoas com a espiritualidade.

A partir de perguntas colocadas a grupos de pessoas adeptas do espiritismo e a reikianos quis saber se falavam da mesma espiritualidade. Destacou duas vertentes de espiritualidade – a objetiva (das religiões, na nossa cultura de índole judaico-cristã) e a subjetiva (a que é inerente à natureza humana, de cariz universal). Sublinhou o caso de um casal em que um dos membros não é espírita mas que ao observar mudanças no cônjuge muda a visão sobre o assunto numa perspectiva de maior abertura.

Em resposta à pergunta sobre se a espiritualidade hoje tem mais espaço na sociedade portuguesa do que há 30 anos, opinou que sim, sobretudo depois do advento da internet em que a informação passou a estar muito mais acessível, podendo já estar-se a caminhar no sentido provável de uma espiritualidade com compromisso ecológico. A palestra seguinte coube a Carlos Miguel, do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), do Porto.

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Breves

Página 65 min

Atendimento fraterno em Lagos Foi um dia de bênçãos aquele que vivemos a 22 de fevereiro, na Associação Espírita de Lagos, onde assistimos ao precioso Seminário sobre Atendimento Fraterno, orientado por Leonor Santos, médium espírita, presidente do Grupo de Estudos Espíritas Allan Kardec, num encontro fraterno entre casas irmãs, em que estiveram presentes mais de meia centena de companheiros de caminho espiritual.

O sol aconchegou-nos, com o seu calor iluminando as ruas limpas e brancas, e a espiritualidade amiga agraciou-nos com o esclarecimento valioso que nos trouxe, de forma simples, clara e profunda, pela voz sensível de Leonor Santos, que apresentou a sua experiência de vida fazendo Atendimento Fraterno, partilhando vivências significativas e conhecimentos adquiridos ao longo dos quase 20 anos que dirige o centro espírita.

Seguindo a palestrante, fomos tomando maior consciência do que acontece na Casa Espírita nos planos espiritual e terreno, em cada um dos seus departamentos e no momento preciso do Atendimento Fraterno, dos procedimentos a respeitar e dos cuidados a ter para que este encontro, às vezes único, fique gravado no Espírito que busca socorro, consolo, orientação em todos os aspetos da vida que possamos imaginar. Percebemos melhor a importância desta valência amorosa ancorada na Doutrina Espírita, um atendimento que faz toda a diferença, os seus contornos espirituais assentes na caridade, no respeito e na verdade e pudemos acompanhar alguns casos verídicos através da sua recriação em filme.

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Consultório

Página 75 min

Atendimento de casos de potenciais suicidas foto arquivo Joana Silva – Dr.ª Gláucia, quando fazemos atendimento a quem nos procura na associação espírita com que colaboramos, aparecem casos de pessoas que se sentem sob pressão para se suicidarem. Alguns até já vieram de consultas de psiquiatria, foram medicados, mas continuam sem entender o que se passa e por vezes reincidem. Que “pressão” é esta? Podemos sofrer esta influência ao ponto de cometer suicídio?

Como podemos ajudar mais nestes casos? Dr.ª Gláucia Lima – Quando falamos de suicídio, não podemos cair no engano de querer “espiritizar”, passe a expressão, todas as situações que chegam à casa espírita com esta sintomatologia. Cabe aqui esclarecer que quando fazemos alusão a ideias de morte, não estamos a falar de ideação de suicídio e nem de tentativas de pôr termo à vida. Na primeira situação, a pessoa, sente um desânimo com a sua existência, falta de vontade de viver, mas não tem uma procura ativa da morte, existente na ideação suicida, restrita ainda ao campo da vontade.

Na tentativa de suicídio, este desejo passa a ação consumada, que pode atingir o seu objetivo ou não. Sabemos que a Depressão é uma das causas que leva as pessoas a pensar no suicídio, mas não é a única causa que leva a que aproximadamente um milhão de pessoas morram por suicídio em todo mundo em cada ano. *2 Segundo a OMS, a taxa de suicídio global é de 16/100.000 habitantes, cerca de 3.000/ dia ou cerca uma pessoa a cada 40 segundos.

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Opinião

Página 84 min

Reflexão sobre Educação Dando sequência à sua exposição, Herculano Pires informa ainda: “Para a Pedagogia Espírita o educando é um reencarnado que necessita de ensino adequado à sua condição de portador de experiências vividas em encarnações anteriores. As novas gerações de educandos devem preparar-se para um novo mundo, onde os fenómenos mediúnicos serão indispensáveis à própria vida prática. A telepatia, a precogniçãoea retrocognição, a clarividência ou a visão à distância são faculdades novas que o homem de amanhã terá de usar nas viagens espaciais e aqui mesmo na Terra.

O problema do paranormal tem de figurar forçosamente num sistema educacional e numa orientação pedagógica num futuro próximo. Cabe ao Espiritismo a abertura dessa nova era na Educação, mas se os espíritas não se interessarem por ela os educadores e pedagogos não-espíritas terão de fazê-lo.” E certamente o farão, pois à lei do progresso ninguém pode colocar travão. Com espíritas ou não o sistema educativo irá avançar com transformações sucessivas rumo a outros patamares de evolução.

Transcrevemos algumas passagens do livro (não espírita) “Hoje não vou à escola”, de Eduardo de Sá, psicólogo clínico e psicanalista, professor da Universidade de Coimbra e do ISPA, e convidamos todos os espíritas a uma reflexão acerca das mensagens que este cientista nos proporciona, trazendo a genial e oportuna ideia da necessidade de uma nova concepção da escola, dizendo mesmo que esta deverá ser recriada: “A escola de futuro tem de ter uma escola de rosto humano” (no prefácio): “As crianças transformam-se de dentro para fora da família, e o mundo “pula e avança” de dentro da escola para fora dela.

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Entrevista

Página 95 min

Dar notícias do movimento Nesse tempo, quando a Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) surgiu – concretamente no verão de 1999 – não havia Facebook nem Twitter (redes sociais de internet). Já havia Google (motor de busca da internet), mas não o Google + (rede social de internet). Ainda assim, aflorava a ideia de juntar notícias e enviá-las sempre que possível por e-mail, até sendo caso disso várias vezes por semana, a quem estivesse interessado.

Aliás, foi essa uma das primeiras iniciativas planeadas. Com um salto no tempo, consegue-se apurar que desde então até ao dia 1 de maio de 2008, por e-mail, a ADEP já tinha enviado 586* comunicados noticiosos, seja para particulares seja para a imprensa. Hoje a tarefa continua: em 11.3.2015 seguiu o comunicado noticioso n.º 928. Já mudou operacionalmente de mãos algumas vezes. É por isso que no início de cada semana a newsletter portadora de notícias rola pelo circuito virtual, com o dedo de um caldense chamado Toni.

Ele envia notícias para mais de 2000 destinatários que solicitaram o recebimento dessas informações neste formato. Este colaborador da ADEP mora em Caldas da Rainha, colabora nos seus tempos livres com o Centro de Cultura Espírita dessa cidade, e ainda consegue algum tempo para alinhar as notícias e enviá - -las nos comunicados noticiosos da ADEP no formato de uma newsletter eletrónica. Com isso, dá a possibilidade a quem quiser, com acesso à internet, de ficar atualizado sobre, por exemplo, quem vai falar sobre que tema e onde.

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Atualidade

Página 101 min

A luz e o alqueire: o centro espírita e a inte O centro espírita é uma porta de luz aberta para o mundo. Ainda assim, além do serviço presencial, com os recursos acessíveis de que se dispõe hoje em dia, o que poderão fazer mais as associações para passarem melhor a palavra? Em Portugal o centro espírita tomou o enquadramento de associação sem fins lucrativos, normalmente com personalidade jurídica. Com sede própria ou arrendada, junta cada centro pessoas interessadas no estudo e na vivência das ideias espíritas.

É ali que decorrem palestras, cursos e reuniões de diversa índole, com vista a que se cumpram da melhor maneira alguns dos processos de aprimoramento moral e intelectual que presidem à passagem pela vida terrena. Um pensador de gabarito na literatura espírita, Herculano Pires, professor, jornalista e escritor, licenciado em Filosofia, deixou vasta obra. Num dos seus livros, dedicado precisamente ao centro espírita, refere: «O Centro Espírita não é templo nem laboratório – é, para usarmos a expressão de Victor Hugo, MAIO.

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Atualidade (pág. 11)

Página 117 min

nternet “point d’optique” do movimento doutrinário, ou seja, o seu ponto visual de convergência. Podemos figurá-lo como um espelho côncavo em que todas as atividades doutrinárias se refletem, se unem, projetando-se conjugadas no plano social geral, espírita e não espírita. Por isso a sua importância, como síntese natural da dialética espírita, é fundamental para o desenvolvimento seguro da Doutrina e suas práticas.

Kardec avaliou a sua importância significativa no plano da divulgação e da orientação dos Grupos, explicando ser preferível a existência de vários Centros pequenos e modestos numa cidade ou num bairro, à existência de um único centro grande e sumptuoso». Note que nesta última frase Herculano Pires refere-se com certeza a uma conhecida observação de Allan Kardec em «O Livro dos Médiuns». Além desta síntese brilhante, é oportuno reter a área exterior à associação como alqueire de nobre valia onde a tal luz pode ser alçada.

Com isso, reportamo-nos concretamente à presença hodierna das associações na internet. Paredes fora « Metade das inscrições (grátis) que recebemos em setembro, quando iniciámos o Curso Básico de Espiritismo, foram de pessoas que o descobriram pela internet, não foi de pessoas que frequentam as associações», diz um monitor deste curso na Associação Sociocultural Espírita de Braga. Sendo assim, não faz sentido menosprezar estes recursos constantes da internet que permitem passar a palavra face a tantas novidades próprias do movimento.

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Opinião (pág. 12)

Página 124 min

É por isso que todos os sistemas de conhecimento válidos, desde os Vedas ao Evangelho e ao Espiritismo, sugerem uma disciplina em relação à palavra que se resume ao estar alerta para o tipo de conversas que são fomentadas. Regra geral, a expressãoeo pensamento estão associados. Se um é apropriado, o outro também o é. Na forma de nos expressarmos podemos corrigir a forma de pensar. É quase impossível corrigir directamente o pensamento, mas se nos corrigirmos na expressão, o pensamento ajusta-se naturalmente.

Assim, abandonamos palavras e reclamações que não têm qualquer significado e não servem nenhum propósito, mesmo numa época de banalização e hiperbolização do uso da palavra em redes sociais. Um exemplo típico são as reclamações sobre o tempo, “chove muito”, “está tanto calor”, “ que frio”. Não podemos mudar o tempo, logo não serve de nada reclamar. Falar sobre os demais – mesmo que os demais sejam espíritas ou centros espíritas – também é um uso desnecessário da palavra.

Aliás, foi Jesus o primeiro a dizer (referindo-se à palavra e não à alimentação): “Não é o que entra na boca que macula o homem; o que sai da boca do homem é que o macula. O que sai da boca procede do coração e é o que torna impuro o homem; - porquanto do coração é que partem os maus pensamentos, os assassínios, os adultérios, as fornicações, os latrocínios, os falsos-testemunhos, as blasfémias e as maledicências. - Essas são as coisas que tornam impuro o homem” (Mateus, 15:11- 20).

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Crónica

Página 133 min

Noutras palavras: o codificador da doutrina espírita nunca forçou adesão de ninguém ao Espiritismo. Com isso ele firmou uma pilastra de respeitabilidade às convicções religiosas alheias, numa demonstração de caráter doutrinário merecedor de destaque e credibilidade. Aquele resistente às ideias espíritas recebera naquele instante uma lição: a liberdade de crença é postulado de respeito do Espiritismo e, naturalmente, dos verdadeiros espíritas.

No livro ‘O que é o Espiritismo’ podemos encontrar exemplos de lealdade e fidedignidade a uma doutrina séria e de amor ao próximo. Os charlatães seguramente se afastarão de princípios espíritas, por encontrar neles o despertar de uma nova era. Torna-se fácil entender os porquês da vida e na busca incessante pela verdade, o Mestre Jesus torna-se naturalmente o centro das convicções filosófico-religiosas capazes de libertar qualquer pensamento duvidoso que surgir no caminho.

Nesse diálogo publicado na obra esclarecedora, Kardec abre o debate com o seu interlocutor, chamado de Visitante, demonstrando a transparência de uma fé raciocinada, que não tropeça no lodaçal da ignorância e nem se permite ao engodo da curiosidade leviana. Quando solicitado para a promoção das coisas inusitadas da mediunidade, conclamado a fazer o seu ouvinte dobrar-se pelas impressões causadas pela manifestação prática, o codificador obtemperando as insistentes solicitações do Viajante assim respondeu: “[...]

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Opinião (pág. 14)

Página 143 min

Relembremos que a palavra evangelho, na origem grega, significa boa nova, boa notícia. Na verdade, o magistério de Jesus constitui um auspicioso manual de informação para o bem-estar e progresso da Humanidade, até hoje pouco aproveitado. Recentemente a ciência convencional passou a dar-lhe mais atenção, face ao potencial terapêutico espiritual evidenciado (o que não significa seja o Evangelho algum compêndio ou formulário clínico, mas sim que a tónica da energia psíquica afeta o corpo, positiva ou negativamente).

Já no século 19 Allan Kardec apontava o altíssimo valor didático da Boa Nova, à luz da fé raciocinada do Espiritismo. A oração, por exemplo, tão enaltecida e recomendada pelo Bom Pastor como recurso eficaz para as nossas vidas, é objeto de acurado estudo e análise em O Evangelho segundo o Espiritismo. O capítulo 27, “Pedi e obtereis”, explica-a como uma emissão de energia mental que age no fluido cósmico, do mesmo modo que a vibração do ar produz o som.

A física define energia como a capacidade de um corpo, substância ou sistema produzirem trabalho; se no domínio material não há dúvidas quanto à ação (trabalho) da tónica do pensamento sobre o organismo humano, facilmente se compreende a sua eficácia no plano espiritual. O poder da oração reside mesmo no plano espiritual; não no verbalismo das preces rituais, responsos, ladainhas por muito que sonoramente entoadas, nem na pompa cerimonial.

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Opinião (pág. 15)

Página 152 min

Na semana anterior, já tinha sido alvo de profunda e profícua troca de ideias entre as cerca de 25 pessoas presentes. Desta vez, à guisa de introdução, vimos um vídeo retirado do Youtube, do programa “Transição”, onde Divaldo Pereira Franco, médium e conferencista espírita, dissertava sobre o casamento e o divórcio. Os cerca de 28 minutos do vídeo foram sorvidos em silêncio, parecendo ter durado apenas cerca de 10 minutos.

O debate, posterior, seguiu-se animado, com ideias das mais diversas, testemunhos e, procurando encontrar pontos de equilíbrio entre os diversos pontos de vista. A páginas tantas, Manuel levantou a mão. Tendo-lhe sido dada a palavra, dispara: “Depois de ouvir o Divaldo Franco, concluímos que, afinal, é fácil levar por diante o casamento” ao que, Vítor, ao seu lado, rematou: “Pois, o problema é o orgulho”. Quase no fim da reunião, o mesmo Vítor tem uma tirada de mestre: “Ora bolas, porque é que isto não é ensinado lá fora, na sociedade?

”. Ficamos a meditar naquelas intervenções oportunas e certeiras. A expressão “Afinal é fácil” continuava a bailar na cabeça de todos nós... Se “afinal é fácil”, porque existem tantos divórcios, tantas separações, tanta violência? O busílis da questão voltava inevitavelmente para os ensinos de Jesus de Nazaré, quando sugeria “não fazer ao próximo o que não desejamos para nós”. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, tem um texto notável, intitulado “O Homem de Bem” que aponta o que ser, sentir, pensar e agir para se poder ser feliz.

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Dividindo mais de 200 jovens em 3 grupos, colocou um desses grupos a r

Página 164 min

Dividindo mais de 200 jovens em 3 grupos, colocou um desses grupos a refletir sobre gratidão, escrevendo numa base diária e durante dez semanas sobre as graças que a vida lhes proporcionara. Outro dos grupos foi estimulado a refletir sobre situações aborrecidas das suas vidas, enquanto o último grupo não fez qualquer atividade de reflexão de modo a servir como controlo. Três semanas após o final do período de reflexão forçada, todos os jovens responderam a um questionário que procurava medir os seus níveis de otimismo, satisfação com a vida e de percepção do ambiente escolar.

Os resultados mostraram que o grupo que foi estimulado à gratidão evidenciava níveis mais elevados em todos os índices estudados. Ao serem constrangidos a mentalizarem os aspectos mais extraordinários das suas vidas, os pré-adolescentes desenvolveram no imediato a capacidade de pintarem com cores mais vivas o mundo que os rodeava, valorizando as melhores experiências em detrimento das mais perturbadoras. É possível estimular e desenvolver a gratidão, sendo esta uma virtude que tem o dom de se transformar numa explosão de cores que contagia toda a nossa vida.

Citada por filósofos e pensadores desde a antiguidade como uma das virtude mais importantes a cultivar pelo ser humano, a ciência parece estar cada vez mais empenhada em descobrir os efeitos surpreendentes que a gratidão tem nas nossas vidas. Ao longo dos últimos anos, surgiram evidências muito significativas de que a gratidão é um tónico extraordinário para o bem-estar físico, emocional e psicológico. Várias pesquisas científicas (vasto compêndio de teses sobre este assunto pode ser encontrado no site do Greater Good Science Center: http://greatergood.

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Literatura / Vídeo Maio.junho.2015

Página 175 min

LITERATURA / VÍDEO MAIO.JUNHO.2015 Consultório A partida Numa entrevista conduzida por Carole Zucker, o realizador Irlandês Neil Jordan, com alguma ousadia, afirmou: “O cinema possui um potencial extraordinário de expressão poética que não existe em qualquer outra forma de expressão, nem mesmo na poesia.” É pena que esta potencialidade poética tenha dificuldade em sobressair, sufocada por uma indústria gigantesca que na maioria das vezes privilegia muito mais o lucro do que a qualidade.

Felizmente existem boas excepções e o filme “A Partida”, do realizador Japonês Yôjirô Takita, é uma delas. Daigo é o narrador da sua própria história, violoncelista apaixonado pela música mas que não consegue concretizar a carreira de sucesso que ambicionara. Desempregado, sem esperanças de um dia ser o solista aclamado pelo público com que sonhara e sentindo-se uma peça descartável numa engrenagem que precisa de estar em perpétuo movimento, decide vender o seu violoncelo e abandonar Tóquio com a sua esposa, regressando à terra natal para recomeçar a sua vida.

Respondendo a um anúncio que tem como cabeçalho “Ajudando com Partidas” e julgando que se estaria a candidatar a uma agência de viagens, aceita um emprego numa empresa responsável por rituais tradicionais Japoneses de preparação dos cadáveres. Quando percebe o engano ainda procura desistir mas, as necessidades financeiras imediatas acabam por falar mais alto. Envergonhado por ter de exercer uma atividade estigmatizada socialmente, mente à sua esposa sobre o que faz.

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direitos reservados Chama-se Lurdes Enxuto, tem 67 anos

Página 185 min

foto direitos reservados Chama-se Lurdes Enxuto, tem 67 anos. Reformada, mora em Caldas da Rainha. Como conheceu o Espiritismo? Lurdes Enxuto – Levou algum tempo até conhecer o Espiritismo. Tinham- -me acontecido algumas coisas, que não achei normais. Contei a um amigo, que me levou a primeira vez a um centro, mas não me disse nada, o que lá ouvi. Voltei novamente com outros amigos e continuei sem ficar interessada. Passados alguns anos, encontrei um ex- -colega do meu marido, que para meu espanto, soube que ele era espírita e ele acabou por me dizer que alguns dos meus colegas também o eram.

Nesse dia, um colega convidou-me para ir com ele e a esposa, numa sexta-feira. Fui, e foi amor à primeira vista, “tinha chegado a minha hora”, e foi até hoje, já lá vão cerca de cinco anos. Frequenta algum centro espírita? Lurdes Enxuto – Continuo a frequentar o mesmo centro, o qual o tenho em meu coração, assim como, a todos que o frequentam. É o Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha. Entrevista a frequentadores Entrevista a dirigentes Liana Araújo tem 46 anos.

É médica-dentista há 23 anos e dedica-se às crianças, «que foi sempre o que mais gostei na vida. Frequento a Associação Cultural Espírita, de Caldas da Rainha, desde que cheguei em Portugal, ou seja, há 20 anos. Na altura nem imaginava que havia espiritismo nas Caldas da Rainha mas, ao assistir um programa da Fátima Lopes, ouvi o Lucas a falar e fui com o meu marido» a esta associação. foto direitos reservados Como conheceu o espiritismo?

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Quase todos os Espíritos passam, após a morte, por uma fase mais ou me

Página 195 min

Quase todos os Espíritos passam, após a morte, por uma fase mais ou menos longa, de uma espécie de “sono reparador”? Durante o sono, e porque nos encontramos libertos da matéria, os nossos amigos espirituais aproveitam essa oportunidade para nos darem conselhos e sugestões úteis ao desenvolvimento da nossa encarnação? No passe espírita combinam-se os fluidos da Espiritualidade Superior com os fluidos dos passistas, sendo os seus efeitos bem mais salutares do que no passe unicamente magnético?

A ideia de que os animais têm um princípio inteligente que evolui explica o motivo por que alguns demonstram lampejos de inteligência,pois estão mais perto dela, possuindo-a de uma forma rudimentar? Uma raposa esfomeada andava a caçar há dias e nada encontrava para comer. Passado alguns dias, encontrou-se com um galo que cantava empoleirado no ramo alto de uma árvore. Que belo petisco aquele, pensou a raposa matreira!

O galo estava bem alto, por isso a raposa não lhe chegava. Tinha de pensar numa maneira de enganar o galo e convencê-lo a descer. - Querido galo, ainda bem que te encontro – disse a raposa – Tenho uma boa notícia para te dar. - Quiquiriquiqui! Ora diz lá, bela raposa! - Sabias que foi assinada a paz entre as raposas e as aves? – disse a raposa. – Portanto, eu e tu já não estamos em guerra. Gostava de te dar um abraço, já que agora somos considerados amigos.

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