Opinião
Jornal de Espiritismo nº 70 · Maio 2015Página 84 min
Reflexão sobre Educação Dando sequência à sua exposição, Herculano Pires informa ainda: “Para a Pedagogia Espírita o educando é um reencarnado que necessita de ensino adequado à sua condição de portador de experiências vividas em encarnações anteriores. As novas gerações de educandos devem preparar-se para um novo mundo, onde os fenómenos mediúnicos serão indispensáveis à própria vida prática. A telepatia, a precogniçãoea retrocognição, a clarividência ou a visão à distância são faculdades novas que o homem de amanhã terá de usar nas viagens espaciais e aqui mesmo na Terra.
O problema do paranormal tem de figurar forçosamente num sistema educacional e numa orientação pedagógica num futuro próximo. Cabe ao Espiritismo a abertura dessa nova era na Educação, mas se os espíritas não se interessarem por ela os educadores e pedagogos não-espíritas terão de fazê-lo.” E certamente o farão, pois à lei do progresso ninguém pode colocar travão. Com espíritas ou não o sistema educativo irá avançar com transformações sucessivas rumo a outros patamares de evolução.
Transcrevemos algumas passagens do livro (não espírita) “Hoje não vou à escola”, de Eduardo de Sá, psicólogo clínico e psicanalista, professor da Universidade de Coimbra e do ISPA, e convidamos todos os espíritas a uma reflexão acerca das mensagens que este cientista nos proporciona, trazendo a genial e oportuna ideia da necessidade de uma nova concepção da escola, dizendo mesmo que esta deverá ser recriada: “A escola de futuro tem de ter uma escola de rosto humano” (no prefácio): “As crianças transformam-se de dentro para fora da família, e o mundo “pula e avança” de dentro da escola para fora dela.
Mas só quando a família e a escola se emparelham nos mesmos objetivos, as revoluções acontecem. Infelizmente, quase nunca escola e família esperam o mesmo das crianças e, talvez por isso, as coloquem no meio de birras rezingonas, mais ou menos sem fim. As famílias desejam que as crianças se tornem pessoas sempre melhores. A escola aspira que tenham mais conhecimentos e, sobretudo, que os dominem com precocidade e eficácia.
Mas, quando passa, simplesmente, pela periferia do coração, o conhecimento pode transformar-se no maior inimigo da sabedoria.” (pág. 180) E, chamando a atenção para aquilo que é essencial e se adequa ao nosso momento de transcendência, em forma de desabafo e conclusão, acrescenta: (…) Sendo assim, gostava muito que – um dia, num mundo amigo da sabedoria – a escola educasse para o invisível, e desse a entender que nos transcendemos sempre um pouco mais quando, quem nos ensina, só deseja que aprendamos a namorar os motivos que o tenham levado a apaixonar-se por tudo o que aprendeu.
” (pág. 180) Naturalmente o professor como ser imortal que é, com toda a sua bagagem cultural, espiritual, terá de assumir, apesar de todas as dificuldades inerentes à sua profissão, a sua própria cura, para que se disponha a uma nova atitude. A mensagem dada através da boa energia de quem a possui é capaz de predispor o outro à aprendizagem e ao estudo. Isto diz respeito não só aos professores, como aos pais e a toda a sociedade que, afinal, é formada por todos nós.
Como espíritas, nem sempre colocamos em prática aquilo que aprendemos com a doutrina, faltando-nos não tanto o conhecimento mas sim a coragem eafé que nos permite sair da nossa zona de conforto e atuar de forma diferente. Eduardo de Sá, com profundidade, discursa sobre a grande necessidade de mudança: “Vivemos um tempo em que se torna urgente humanizar a educação e reinventar a escola! De forma que ela ensine a viver, seja amiga da boa educação e acarinhe o conhecimento e o pensar.
Uma escola que faça com que brincar rime com trabalhar e aprender. Uma escola onde os professores eduquem os pais, os pais eduquem os professores, e as crianças sejam educadas por ambos e os eduquem a todos. E onde a autoridade seja sinónimo de bondade, de sentido de justiça e de sabedoria.” (pág. 184) Será tudo isto um convite à mudança de atitude num despertar cada vez mais ampliado da consciência? “Despertar, significa identificar novos recursos ao alcance, descobrir valores expressivos que estão desperdiçados, propor - -se significados novos para a vida e antes não percebidos”, afirma Joanna de Ângelis, “O Ser consciente” (cap.
10). Será este, também, um convite para que os homens e mulheres se vinculem na boa obra? Na necessidade de um despertar/ ampliar da consciência? Um assumir de responsabilidades, acolhendo os desafios da vida e fazendo melhor em cada dia? Partilhamos convosco estas considerações e convidamo-los a que partilhem connosco propostas que considerem interessantes para divulgação. Entretanto, caso tenham interesse, deixamos as referências destas duas obras que nos fizeram parar e ponderar: “O Espírito e o tempoIntrodução Antropológica ao Espiritismo”, de Herculano Pires, editora Paidéia Ltda, 9.
ª edição, setembro 2005; “Hoje não vou à escola – porque é que os bons alunos não tiram sempre boas notas?”, de Eduardo de Sá, editora Lua de papel, 1.ª edição, 2014. Helena No livro “O Espírito e o tempoIntrodução Antropológica ao Espiritismo” de Herculano Pires, na IV parte – Antroplogia Espírita, no item 4 – O problema da Educação, o autor exalta a excelente contribuição de pedagogos avançados, como René Hubert (orientação tipicamente espírita), na França, Kerchesteiner, na Alemanha, Maria Montessori e seus atuais seguidores, na Itália e em todo o mundo.
Herculano Pires chama a atenção para a necessidade de seguirmos MAIO.JUNHO.2015 “Para a Pedagogia Espírita o educando é um reencarnado que necessita de ensino adequado à sua condição de portador de experiências vividas em encarnações anteriores.
