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Opinião (pág. 14)

Jornal de Espiritismo nº 70 · Maio 2015Página 143 min

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Relembremos que a palavra evangelho, na origem grega, significa boa nova, boa notícia. Na verdade, o magistério de Jesus constitui um auspicioso manual de informação para o bem-estar e progresso da Humanidade, até hoje pouco aproveitado. Recentemente a ciência convencional passou a dar-lhe mais atenção, face ao potencial terapêutico espiritual evidenciado (o que não significa seja o Evangelho algum compêndio ou formulário clínico, mas sim que a tónica da energia psíquica afeta o corpo, positiva ou negativamente).

Já no século 19 Allan Kardec apontava o altíssimo valor didático da Boa Nova, à luz da fé raciocinada do Espiritismo. A oração, por exemplo, tão enaltecida e recomendada pelo Bom Pastor como recurso eficaz para as nossas vidas, é objeto de acurado estudo e análise em O Evangelho segundo o Espiritismo. O capítulo 27, “Pedi e obtereis”, explica-a como uma emissão de energia mental que age no fluido cósmico, do mesmo modo que a vibração do ar produz o som.

A física define energia como a capacidade de um corpo, substância ou sistema produzirem trabalho; se no domínio material não há dúvidas quanto à ação (trabalho) da tónica do pensamento sobre o organismo humano, facilmente se compreende a sua eficácia no plano espiritual. O poder da oração reside mesmo no plano espiritual; não no verbalismo das preces rituais, responsos, ladainhas por muito que sonoramente entoadas, nem na pompa cerimonial.

O divino Amigo advertiu: “Nas vossas orações não façais como os gentios que usam de vãs repeMAIO.JUNHO.2015 tições e pensam que por muito falarem serão atendidos” (Mateus 6:7). Na mesma ocasião, durante o memorável sermão da montanha, o modelo e guia da Humanidade legou-nos a sublime oração “Pai Nosso”, e explicou como atua a energia da prece (Marcos 11:24): “Tudo que pedirdes, orando, crede que o RECEBESTES e o obtereis”.

Note-se: crede que o “recebestes”, no passado (e não “que o recebereis”, como citam muitas traduções). A versão bíblica dos monges de Maredsous, Bélgica (Centro Bíblico Católico, São Paulo, Brasil, 24ª edição) traduz corretamente “recebestes”, e justifica em rodapé por que diverge de outras versões: “o texto original grego traz o verbo no tempo passado”. Também a tradução do nosso confrade Haroldo Dutra Dias, feita diretamente do original grego, na mesma passagem exprime muito bem “crede que o recebestes” (O Novo Testamento, edição FEB 2013, pág.

216). Muito bem, repito: não só pela fidelidade da tradução como também pela conforfoto loucomotiv O poder da oração reside mesmo no plano espiritual; não no verbalismo das preces rituais, responsos, ladainhas por muito que sonoramente entoadas, nem na pompa cerimonial. midade dela com a noção que Jesus obviamente quis transmitir, como veremos; e ainda pela conformidade com o saber adquirido sobre ideoplastia, com Ernesto Bozzano e outros autores, além de André Luís pela mediunidade de Chico.

(“Boletim Informativo” nº 74 Fev.2014, da Ass. Cultural Espírita Mudança Interior, Vale de Cambra, www.acbmi.org, publica excelente artigo sobre ideoplastia, e dois trechos de André Luís, muito elucidativos). Jesus, sumo pedagogo da Humanidade, orava emitindo a sua energia mental, despreocupado de ritos. No episódio da reanimação de Lázaro (João cap. 11), lemos que o Rabi não a implorou ao Pai, mas antecipadamente Lha agradeceu como facto consumado; por outras palavras: visualizando-a (ideoplastia), energizou-a mentalmente e concretizou-a.

Mencionamos acima a “oração dominical”, o Pai Nosso. Em palavras simples e breves, ela condensa noções profundas que mereceram a Allan Kardec, no último capítulo de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, quase seis páginas de análise. Prece cheia de beleza e sabedoria, abeira-nos do Criador com imenso reconforto, onde quer que seja proferida. Compreensível mas impropriamente, nem sempre o é da melhor maneira: do ponto de vista espírita, ela prescinde em absoluto de todo o ritual; e recitando-a em coro, estamos a ritualizá-la.

João Xavier de Almeida preensão, no entendimento, no aceitar o outro como ele é, sem se despersonalizar, no não discutir mas conversar e, se não confundirmos as pessoas com as ideias, torna-se mais fácil amar e sentir as pessoas, pois estas são imortais e, as ideias passam.