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Literatura / Vídeo Maio.junho.2015

Jornal de Espiritismo nº 70 · Maio 2015Página 175 min

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LITERATURA / VÍDEO MAIO.JUNHO.2015 Consultório A partida Numa entrevista conduzida por Carole Zucker, o realizador Irlandês Neil Jordan, com alguma ousadia, afirmou: “O cinema possui um potencial extraordinário de expressão poética que não existe em qualquer outra forma de expressão, nem mesmo na poesia.” É pena que esta potencialidade poética tenha dificuldade em sobressair, sufocada por uma indústria gigantesca que na maioria das vezes privilegia muito mais o lucro do que a qualidade.

Felizmente existem boas excepções e o filme “A Partida”, do realizador Japonês Yôjirô Takita, é uma delas. Daigo é o narrador da sua própria história, violoncelista apaixonado pela música mas que não consegue concretizar a carreira de sucesso que ambicionara. Desempregado, sem esperanças de um dia ser o solista aclamado pelo público com que sonhara e sentindo-se uma peça descartável numa engrenagem que precisa de estar em perpétuo movimento, decide vender o seu violoncelo e abandonar Tóquio com a sua esposa, regressando à terra natal para recomeçar a sua vida.

Respondendo a um anúncio que tem como cabeçalho “Ajudando com Partidas” e julgando que se estaria a candidatar a uma agência de viagens, aceita um emprego numa empresa responsável por rituais tradicionais Japoneses de preparação dos cadáveres. Quando percebe o engano ainda procura desistir mas, as necessidades financeiras imediatas acabam por falar mais alto. Envergonhado por ter de exercer uma atividade estigmatizada socialmente, mente à sua esposa sobre o que faz.

Quando ela descobre, exige-lhe que arranje um trabalho normal mas nessa altura ele já tinha sido conquistado pela sensibilidade de um serviço que descobre ser precioso no processo de luto das famílias. À medida que Daigo vai dominando as delicadezas desta arte, ficando mais sensível a todo o processo e sublimando os seus sentimentos de compaixão diante da dor da perda de perfeitos estranhos, os seus velhos fantasmas, os traumas da sua própria infância, adormecidos à força pela vontade de conquistar uma carreira de sucesso em Tóquio, surgem à superfície e ele próprio sente a necessidade de fazer o luto pelas perdas que foi acumulando ao longo da sua vida.

Vencedor do Óscar para melhor filme estrangeiro em 2009, “A Partida” é um filme lindíssimo, poético, de uma espiritualidade tão delicada que é difícil encontrar em cinema. Sem nunca se deixar seduzir pelo sentimentalismo e pontilhando momentos de profunda sensibilidade com outros de grande sentido de humor, é um filme que a partir da morte faz uma reflexão sobre a vida. Mostra-nos que, muito mais do que cerimónias de passagem, os rituais fúnebres são bem mais importantes para quem fica do que para quem parte, e que é na contingência de se pensar a morte que desponta muitas vezes a reflexão sobre Livro de Gláucia Lima, médica psiquiatra, com formação em Terapias Regressivas, Terapia Familiar, Psicologia Transpessoal, etc.

, que desde muito jovem se integrou no movimento espírita, onde foi adquirindo formação espírita sólida com os luminares do Consolador: Allan Kardec e seus discípulos fiéis, como Francisco Cândido Xavier (com os Espíritos Emmanuel e André Luiz, em particular), César Lombroso, José Herculano Pires, Hernâni Guimarães Andrade, Hermínio Corrêa de Miranda, Marlene Nobre, Divaldo Pereira Franco (com os Espíritos de Joanna de Ângelis e Manoel Philomeno de Miranda, em particular), Raul Teixeira, etc.

A obra é constituída por 22 questões colocadas à Dra. Gláucia por diversos consulentes através do JDE, jornal da ADEP – Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal, e as respectivas respostas. Questões-tabu na sociedade, que sempre criaram grandes dúvidas e temores, que perturbam e confundem, mesmo muitos o significado da vida, sobre quanto amor perdemos e quanto fomos amados sem nos apercebemos. Se fosse necessário cingir este filme a uma única palavra ela seria sensibilidade.

As lágrimas que é quase impossível suster não surgem por tristeza ou por manipulação sentimental, mas por não ser possível suportar tanta beleza e sensibilidade sem se deixar contagiar por ela. Se juntarmos a tudo isto uma atenção particular pela qualidade de fotografia e uma banda sonora excepcional da responsabilidade do reconhecido compositor Japonês Joe Hisaishi, temos todos os ingredientes reunidos para um filme que é difícil ser esquecido.

O título original é “Okuribito”. Em japonês pretende representar uma pessoa que conduz alguém a algum lugar. À medida que Daigo se vai aprofundando nas subtilezas da morte, ele vai despertando para a celebração da vida. E leva - -nos consigo nessa viagem. Título Original: “Okuribito” Realizado por Yôjirô Takita Japão, 2008 – 130 min. Com: Masahiro Motoki, Ryôko Hirosue, Tsutomu Yamazaki Por Carlos Miguel indivíduos que se dizem espíritas, são dirimidas.

Tais questões respondidas de forma clara, contribuem para nos libertarmos de medos, fantasias e superstições que tanto têm prejudicado a qualidade de vida de muitas pessoas. Registamos apenas seis questões: 1.ª – Tem o médium alguma patologia psiquiátrica, alguma perturbação da sua saúde orgânica? 2.ª – Existe uma predisposição orgânica para a mediunidade? Podemos dizer que todos nós somos médiuns? 3.ª – Ouço vozes, sinto presenças no meu quarto.

Sou psicótica? 4.ª – Vejo e sinto os Espíritos desde criança, mas não tenho afinidade com o Espiritismo, sinto medo. Devo praticar a mediunidade? 5.ª – Há espíritas que dizem que sendo a depressão um mal do Espírito, pode ser ultrapassada apenas com o poder da mente e, que só “os fracos” é que se “embrenham” na medicação. É verdadeiro esse argumento? 6.ª – Um médium deve frequentar a reunião mediúnica, mesmo sofrendo de depressão crónica e tomando medicação diária?

Com esta abordagem a estes assuntos – como distinguir fenómenos anímicos de fenómenos espíritas; para que serve a glândula pineal (“órgão físico da mediunidade”); mediunidade e loucura; mediunidade e hereditariedade; epilepsia e mediunidade; mediunidade e obsessão; diferença entre vidência e clarividência; mediunidade e mistificação; a obsessãoea doença bipolar (Psicose Maníaco-depressiva); os neurotransmissores cerebrais: serotonina, dopamina, noradrenalina; a terapia espírita; etc.

– poderemos alcançar neste livro da Dra. Gláucia Lima um entendimento mais esclarecido. Esta obra contribui bastante para nos libertarmos de diversas superstições, fruto da ancestral ignorância e rumarmos decididos para uma sociedade mais harmoniosa e feliz.