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Atualidade (pág. 11)

Jornal de Espiritismo nº 70 · Maio 2015Página 117 min

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nternet “point d’optique” do movimento doutrinário, ou seja, o seu ponto visual de convergência. Podemos figurá-lo como um espelho côncavo em que todas as atividades doutrinárias se refletem, se unem, projetando-se conjugadas no plano social geral, espírita e não espírita. Por isso a sua importância, como síntese natural da dialética espírita, é fundamental para o desenvolvimento seguro da Doutrina e suas práticas.

Kardec avaliou a sua importância significativa no plano da divulgação e da orientação dos Grupos, explicando ser preferível a existência de vários Centros pequenos e modestos numa cidade ou num bairro, à existência de um único centro grande e sumptuoso». Note que nesta última frase Herculano Pires refere-se com certeza a uma conhecida observação de Allan Kardec em «O Livro dos Médiuns». Além desta síntese brilhante, é oportuno reter a área exterior à associação como alqueire de nobre valia onde a tal luz pode ser alçada.

Com isso, reportamo-nos concretamente à presença hodierna das associações na internet. Paredes fora « Metade das inscrições (grátis) que recebemos em setembro, quando iniciámos o Curso Básico de Espiritismo, foram de pessoas que o descobriram pela internet, não foi de pessoas que frequentam as associações», diz um monitor deste curso na Associação Sociocultural Espírita de Braga. Sendo assim, não faz sentido menosprezar estes recursos constantes da internet que permitem passar a palavra face a tantas novidades próprias do movimento.

Voltou a pergunta: como andam hoje em dia as associações na internet? Fomos ao oráculo, como diria uma nossa amiga com sentido de humor (leia-se oráculo: Google). Para chegarmos a saber algo mais seguimos um método simples: obtivemos a lista de associações nacionais e pelo nome ou sigla colocámos uma a uma no Google (motor de busca) a ver se se detecta a presença na internet, seja através de um site/blogue, de página no Facebook (rede social), ou no Youtube.

Não tardámos a deparar com um problema: algumas associações que não foram detectadas no motor de busca (Google) podem ter algum tipo de presença institucional na internet. É assim porque não foram registadas por quem criou essa presença com o nome oficial da associação, ficando por isso em boa parte indetectáveis. Por exemplo, uma pessoa estranha à associação pode não procurar ACEA mas sim Associação Cultural Espírita de Alcobaça, o que faz a diferença entre encontrar ou não o site deste centro no Facebook.

Não foi este engulho que parou a iniciativa. Fizemos a análise com base nas que detectámos pelo Google e pelo motor de procura da referida rede social. Resultado: num universo de cerca de 100 associações a nível nacional, encontrámos com facilidade 27 com algum tipo de presença na internet, o que equivale a dizer que este grupo de coletividades se vincula pelo menos a um destes itens: site ou blogue, presença no Facebook ou Google+ e até, uma minoria, no Youtube (canal de vídeo da internet).

No entanto, será útil alertar para este facto relativo à rede social acabada de referir: uma mão-cheia destas associações, apesar de terem este tipo de presença enquanto muitas outras estão a zero, parecem não estar a tirar partido da divulgação das suas atividades por este meio como o poderiam fazer. Ora repare nas próximas linhas nos hiatos detetados. Há associações espíritas presentes no Facebook que supomos terem desativado os botões de interação com os visitantes, concretamente o botão Gosto/(ou Curtir ou Like).

Efeito: se colocam alguma informação, esta não vai aparecer no mural dos assinantes (grátis) que ali pressionariam o botão Gosto se o tivessem à vista. O que gostavam de divulgar fica ali, debaixo do alqueire. fotos loucomotiv MAIO.JUNHO.2015 Outros casos causaram também estranheza. Há associações que apenas colocam mensagens genéricas, de apoio moral, como fazem quase todos os indivíduos que têm Facebook, sejam do movimento espírita ou de fora dele, e não se vê ali nem uma notícia sobre a palestra semanal ou outras atividades abertas ao público que decerto possuem ao longo da semana, como é o caso da palestra, que decerto terá tema e expositor.

Noutra situação, deparámos com o aviso de uma palestra que supomos que viria a ser transmitida em vídeo, mas… tempo depois, ao ser clicado, impedia a visualização com dizer deste teor em fundo negro, em inglês – visualização privada. E mais nenhuma explicação. Percebemos a exclusão, passámos a outro assunto. Se ali havia alguma luz, ficou debaixo do alqueire. Uma vez que cada um faz o que quer e ninguém tem nada com isso, só referimos isto como alerta no âmbito desta reflexão que fazemos com os leitores, supondo que todos estamos interessados numa divulgação com sentido construtivo.

Linguajar e divulgação Não depende de nós, porém, confesso que gostava que ninguém levasse a mal o facto: há por vezes mensagens que prestam um bom serviço ao espiritismo se tiverem uma área de ação mais restrita. Abençoado alqueire que as cobre. Explica-se: quando se trata de divulgação, mais ainda se o espaço é exterior ao centro espírita, a mensagem deve ser inteligente, útil, deve prestar serviço ao próximo. A linguagem deve ser simples, universal, acessível, sucinta.

Se se pode dizer o mesmo com cinco palavras para quê usar seis? Se usarmos neste caso 12 estamos a afastar o destinatário. Num universo de cerca de 100 associações a nível nacional, encontrámos com facilidade 27 com algum tipo de presença na internet. Como estamos fora de paredes da associação, não estamos a falar só para adeptos da ideia, o que leva a pensar que temos de nos pôr no lugar desses leitores/ouvintes indiferenciados e não introduzir ruído com palavras invulgares, ou se temos de empregar alguma, há que explicá-la de imediato.

Não é fácil, mas não se pode perder essa meta de vista todos os dias. Ao mínimo trique de ruído na mensagem que passamos, mesmo sem ouvirmos o clique, as pessoas já não estão lá. A luz pode estar em cima do alqueire, mas a malta, na sua maioria, em bicos de pés já mudou de casa… Começar por fundamentar com clareza e solidez o que vamos passar a outrem é um desafio diário. Emagrecer adjetivos: nas notícias se possível é bom deixá-los cair muiO Centro Espírita não é templo nem laboratório – é, para usarmos a expressão de Victor Hugo, “point d’optique” do movimento doutrinário, ou seja, o seu ponto visual de convergência.

tas vezes. Normalmente não adiantam nada sobre o que se tem a dizer, funcionam como ruído e podem denunciar pensamento/informação escassa. Deixar cair o palavreado, ainda que respeitável, das religiões tradicionais – a embalagem deteriora o conteúdo da mensagem. As ilustrações que se utilizam, além do dever de respeitar o direito de autor, não devem, por exemplo, ser reproduções das religiões tradicionais nem conteúdos obscurecidos.

Sem querer depreciar uma evidente boa vontade, vimos no início do ano um cabeçalho de uma associação numa rede social com um suposto Cristo com coroa de espinhos espetados na cabeça – não há mensagem útil para passar a quem ali põe os olhos? Claro que há. Há 2 mil anos crucificava-se a torto e a direito, por todo o lado. O que Jesus veio trazer não foi circunstancialismo histórico, foi conteúdo que ainda hoje pode melhorar vidas.

O que menos interessa é o decesso, importa é a forma como o Mestre dos Mestres viveu e ensinou. Para quê ficar nas trevas se se pode procurar a luz? O estudo da doutrina espírita abre horizontes, é sempre necessário. Fazer bem isto, dentro ou fora das paredes do centro, requer estudo, experimentação, reflexão para o serviço poder evoluir. Estamos nesse barco, e a tendência é melhorar. De mão firme no leme, abre-se melhor rota adiante.

O alqueire A ADEP tem hoje três grandes suportes de divulgação, nomeadamente o que se descreve em baixo. Dispõe dos Comunicados Noticiosos (a dita newsletter); entre a data de chegada da informação, o seu tratamento e o tempo de publicação pode passar mais ou menos uma semana, tendo em conta que costuma ser emitido às segundas-feiras. Um vasto baú aberto de informação configura o seu Portal – site, www.adeportugal.org.

Soma-se o “Jornal de Espiritismo” que está a ler, com publicação em papel e eletrónica (em pdf) de dois em dois meses, neste caso mediante assinatura. Acrescenta-se outro suporte de dados, a página da ADEP no Facebook (https://www.facebook.com/adeportugal.org), onde habitualmente entram novidades todos os dias com edição em tempo real (em poucos minutos, dentro do tempo pós-profissional dos seus editores); também pode consultar os eventos organizados temporalmente numa agenda no Facebook: https://www.

facebook.com/ adeportugal.org/app_208195102528120. Criou há já alguns anos com o canal no Youtube (http://www.youtube.com/adeportugal), onde por vezes também entram emissões diretas, como foi o caso das Jornadas de Cultura Espírita, de Óbidos nos últimos anos. Por fim, disponibiliza ainda o Curso Básico de Espiritismo on-line, em plataforma Moodle, fácil de encontrar a partir do site da ADEP, e uma gravação de vídeo deste mesmo cursowww.

adep.pt/curso. Quererá isto dizer que no Ano Internacional da Luz não estamos propriamente à escuras… concorda?