Atualidade Novembro.dezembro.2015
Jornal de Espiritismo nº 73 · Agosto 2015Página 128 min
ATUALIDADE NOVEMBRO.DEZEMBRO.2015 sim? Como é que eu… uma pessoa nem sente nada? - Agora estás aqui a falar pelo corpo de um amigo que to emprestou para falares comigo. Como te chamas? (pausa) Não te lembras? E – Acho é que me vou levantar e vou… e vou para casa! - Antes de ires vais ver que há gente aqui ao teu lado que te quer ajudar e que te vai explicar melhor… E – Disseste que não estou no meu corpo e que estou no corpo de um amigo?...
- Pode ser difícil entenderes isso de repente. (…) E – Eu não sou eu? - Tu és tu, o corpo é que não é teu. E – Vamos lá ver! Se este corpo não é meu, então, isto está-me a fazer muita confusão… - Para que é que te fui explicar isso?! Julguei que estavas mais avançado. E – Que avançado? Desejo morrer mas também não é assim! De repente dizes que já estou… uma pessoa quando morre, morreu. - Não. A vida continua numa dimensão diferente desta.
Chamam-lhe morte, mas não se morre. Quando o corpo começa a falhar, ele vai para a terra, mas o nosso Espírito liberta-se. E – Não estou a entender. Acho que estou a ficar maluco. Se não estou no meu corpo, como é possível estar a falar no corpo de outra pessoa? Estou aqui a falar de pessoa para pessoa… - Sim, mas através de um senhor que emprestou o corpo, é médium. O teu corpo físico já não está cá, foi para a terra.
Neste momento és Espírito. E – (suspiro) Pronto, está bem, agora vou percebendo. Já sou Espírito. Ora espera aí, mas eu nem dei fé de morrer! É assim tão simples? - Às vezes é simples, outras não. E – Foi simples. Sofri muito, estas doenças todas e agora então… já morri! E deram-me um corpo novo para eu falar… - Não te deram! Emprestaram para falares connosco. Não precisas de ter um corpo destes, tens um corpo espiritual… E – Que é este corpo.
- Não, é outro que tens, mas que nós não vemos. Nunca pensaste nisso, não é? E – Pois não… estou a encarar isto quase como uma brincadeira. Não quero menosprezar, mas acho que isto é tudo… - Não brincamos, somos um grupo de amigos a lidar com assuntos sérios. E – Vamos reconstituir. Então não estou no hospital. - Não estás no hospital. E – Ou estou numa dependência à parte do hospital?! - Estás num centro espírita. E – Num centro espírita?
- Sim, num local onde as pessoas se reúnem para ajudar outras. E – Está a custar-me entender porque para mim ao morrer, morri. E estou aqui a falar contigo. - Tens de te adaptar. E – Mas então porque é que nós não sabemos estas coisas? - Eu também vim a saber mais tarde… só a partir dos 50 e tal… E – Mas isso é um segredo… - Não. Não é segredo, as pessoas é que não se informam bem. E – Agora fico preocupado, porque não sei que hei de fazer.
- Mas vais saber. Olha bem à tua volta a ver se não encontras alguém que fale contigo. E – Então ninguém ensina nada dessas coisas e uma pessoa, assim de repente… - Mesmo ensinando as pessoas não acreditam. E – Que mistério tão grande… - Quem está aí ao teu lado vai-te explicar tudo muito bem. E – Estou a ver aqui ao lado enfermeiros, médicos, doentes, mais doentes… ainda estamos no hospital! - É uma espécie de hospital espiritual… noutra dimensão.
E – Eu queria morrer que era para acabar o sofrimento. Não queria mais nada. Agora parece-me uma coisa nova, que eu… fico abismado, mas está bem… tenho de viver com isto… isto não é um sonho? - Não é sonho. E – Não é, senão acordava… - Já viste esses amigos? Eles querem falar contigo… E – Estou a ver aqui assim. - Então vai com eles. Estás com receio? E – Não. Sinto-me é ignorante nestas coisas… - Não és só tu… E – Há aqui pessoas que orientam, que sabem explicar?
- Há, sim senhor. Podes ir com eles à vontade, vai em paz. E – Vou com aquele senhor que está ali. Vai - -me ensinar muitas coisas que eu… não sei. Peço desculpa da minha ignorância, não sabia que estas coisas eram assim, e agora neste lado… é eterno? - É imortal. Mas faz essas perguntas a quem te acompanhar a partir de agora. Em que ano pensas que estás? E – Há bocado perguntaste o meu nome e não disse. Sou Afonso. E o ano?
Queres saber o ano em que estamos? Não sabes? - Eu sei. É a ver se coincide com o meu. E – Estamos, olha, em 2005. - Estás a ver? Estamos já em 2014. E – Dois mil e catorze? - Estamos em novembro de 2014. E – Isso agora é que já… fiz uma viagem no tempo, não? Então como é possível ser agora 2014? - Esse amigo ao teu lado explica-te isso tudo. E – Posso depois aprofundar, então? Estou ansioso por entender melhor estas coisas.
Vou precisar de lições, é complicado. Vou com ele… então, boa noite!”. gráficos, mas seria interessante compará - -los com muitos outros desta área, de outros grupos de ajuda espiritual. Ficaria como um prato insosso não ilustrar com o esclarecimento de um caso prático deste vetor de serviço fraterno pós-profissional, portanto, obviamente em regime de tempos livres. “Porque é que nós não sabemos estas coisas?” Extraímos em baixo, com a devida vénia, o texto de um livro publicado pela FEP no início de 2015, “Vozes do outro lado da vida – reuniões mediúnicas de esclarecimento”, sendo certo que nem todos os que partem desta vida passam necessariamente por estas dificuldades – tudo depende de como vivem e se relacionam com os outros no dia-a-dia.
“Um dos médiuns entra em transe e obliqua o tronco, como se estivesse recostado. Verbaliza: Espírito comunicante (E) – Ai, meu Deus!... Ai… eu vou morrer… - Sê bem-vindo. E – Eu vou morrer… estou muito mal… - Mas foi assim de repente? E – Estou, estou há muito tempo doente. Mas estou a sentir-me pior… acho que está a chegar a minha hora. Já a espero há muito tempo, com muito sofrimento… - E estás preparado? E – Estou… - Sabes que a vida continua, não sabes?
E – Não. Não, isso não… - A vida vai continuar. Passas de um estado para outro. Há sempre alguém para ajudar. (…) E – Estou a ouvir-te, mas agora já pouco adianta. Já devia ter feito isso há mais tempo. - De qualquer maneira és sempre bem recebido do outro lado. E – Mas que outro lado? - O outro lado da vida, quando o corpo morre. Tens de te habituar à ideia. O sofrimento aqui termina, pode continuar às vezes do outro lado mas é momentâneo, vais ser ajudado por amigos do mundo espiritual.
E – Por acaso… o senhor não é padre? - Não. Sou uma pessoa que se interessa por assuntos de natureza espiritual. E – Isso dá uma esperança muito boa… não haja dúvida, e então nesta fase em que estou, de partida… nunca me apareceu ninguém a falar disso. Religiosos aqui no hospital não faltam. - Sabes que as religiões têm uma ideia diferente sobre o que acontece depois desta vida. Se não tens muitos problemas atravessados na tua consciência… E – Ah!
Isso é outra coisa. Eu tenho… - Todos temos. E – Mas olha que não acredito muito nisso. Por exemplo, eu agora morro. Se pudesse vir dizer alguma coisa, aí era diferente. - Mas sabes que há pessoas que têm a possibilidade de comunicar com Espíritos. Já ouviste falar nisso? E – Já. Já fui… a minha mulher é muito crente nessas coisas e levou-me… - Tiveste dificuldade em acreditar nisso? E – Há sempre um ponto de interrogação muito grande, mas que acertaram em muitas coisas, acertaram… e uma delas foi a minha doença.
Eles disseram que não pensasse muito na vida. E já estou aqui prontinho a ir… - Não sei que idade tens. E – Tenho 75. - É uma idade em que podes já pensar em passar para o outro lado. E – Ninguém quer. - Se se está aqui em tribulações como tu mais vale aceitar bem a partida, não é? Chega a nossa vez, lá vamos… a vida continuará. Vais ficar feliz quando tiveres a concretização disso. E – Achas? Fazes-me sorrir. Sorrir porque… quem é que te mandou aqui falar-me nessas coisas?
- Nos momentos difíceis que passamos é importante pensar em Deus… E – Eu acredito! - Se não te importas vou fazer uma pequena oração, vais ver que te vais sentir melhor. (faz uma pequena prece espontânea) - Que está a ver, meu amigo? E – Ah… foi uma descarga, cuidado! - Talvez estivesses empedernido na tua ideia, sabes? Agora podes ver melhor o que se passa à tua volta. E – Eu permaneço de olhos fechados, mas vou-te dizer uma coisa...
- Diz. E – Aqui os outros doentes, alguns estão sempre a mudar, mas tem outros aí que já estão… - Chega sempre a vez de cada um… E – Tem passado por aqui muito boa gente! Ajudam… eu não posso ajudar ninguém, mas ajudam-me, e vêm contar anedotas, com boa disposição… vêm falar-me de Jesus várias organizações religiosas, e tu também agora… estás aqui numa condição dessas, não é? - Vais ver que há pessoas aí ao teu lado, que se preparam para te ajudar… E – Tenho estado assim porque estou doentinho, estou sem forças… - Vais ser tratado num hospital diferente desse, muitas outras coisas te vão explicar… E – Olha!
Mas… eu não estou no hospital!... - Pois não. E – Então?! Que é isto? - Aconteceu aquilo que tinhas pensado. E – Estou aqui sentado, ah!... Como é que isto é possível? Então? Tiraram-me do hospital? - Não. Sabes o que aconteceu? Partiste para o outro lado. Ainda estás com as mesmas ideias… E – Que confusão é esta que não estou a perceber… estou aqui no meio destas pessoas todas… como é que isso acontece assim? Como vim aqui parar sem dar por ela?
Desmaiei? - Possivelmente. E – Como é que é possível? - Desmaiaste e passaste para o outro lado. E – Isso aí, passar para o outro lado… é as - …por vezes querem ir avisar a família de que afinal não morreram, afinal estão vivos noutra dimensão da vida!
