Correio Novembro.dezembro.2015
Jornal de Espiritismo nº 73 · Agosto 2015Página 34 min
CORREIO NOVEMBRO.DEZEMBRO.2015 A resposta seguiu: «Olá Maria, cada pessoa, e cada doutrina, têm a sua forma de pensar. Vamos responder sem pretensões de tudo sabermos, e sem querermos desrespeitar ninguém (a nossa opinião vale tanto como qualquer outra, e cabe a cada pessoa escolher que opinião lhe parece melhor). O mundo dos Espíritos é uma outra dimensão, paralela à nossa, mas que se rege por leis diferentes do nosso mundo.
Desde tempos imemoriais que os seres humanos sabem que os Espíritos existem, e a História mostra-nos diferentes formas de as diferentes civilizações lidarem com o mundo espiritual. Nos tempos mais antigos, pensava-se que os Espíritos eram deuses, e faziam-se oferendas aos supostos deuses para obter boas colheitas, chuva, casamento para os filhos e as filhas, fortuna, vitórias militares, boas caçadas, etc., os nossos antepassados iam a correr oferecer incensos, perfumes, produtos da terra e animais, nos altares.
Nesses tempos também havia a percepção de que havia Espíritos mais turbulentos. Naturalmente, os nossos antepassados tinham-nos também na conta de deuses, e achavam que eram eles que provocavam terramotos, tempestades, secas, guerras, etc. E também lhes faziam oferendas, no intuito de os aplacarem. Hoje, boa parte das pessoas sabe que os Espíritos são apenas pessoas como nós, que já viveram na Terra, mas ainda persiste a ideia de que as coisas materiais podem de alguma forma atrair ou afastar os Espíritos, captar-lhes os favores, irritá-los, etc.
É por isso que vemos pessoas que usam talismãs, que recitam esconjuros, que repetem fórmulas e rituais no intuito de obterem este ou aquele resultado junto dos Espíritos. Nenhuma dessas coisas tem o mínimo efeito. Os Espíritos estão ao mesmo tempo longe de nós (porque estão noutra dimensão) e perto de nós (porque continuamente nos cercam, frequentam os mesmos lugares que nós, podem ver-nos e ouvir-nos). Acender velas ou não as acender, não adianta nem atrasa.
Uma pessoa que goste de acender velas para perfumar a casa, para decorar, para dar um ambiente romântico, pode estar totalmente descansada, que não é por isso que os Espíritos se aproximam ou afastam. O mundo dos Espíritos é uma outra dimensão, paralela à nossa, mas que se rege por leis diferentes do nosso mundo. Tudo vai da nossa intenção, do nosso pensamento. Um católico que vá à igreja acender uma vela em honra do santo da sua devoção, está, a seu modo, a fazer uma ação louvável, de acordo coma sua crença.
Um par que acenda velas para um jantar romântico está simplesmente a criar um ambiente de harmonia e encanto. Mas se eventualmente alguém se puser a acender velas para chamar os Espíritos (como fazem alguns adolescentes, estouvados, como é próprio da idade), então vai atrair os Espíritos. Por causa das velas? Nem por isso. Apenas por causa do pensamento. Conclusão: nada de material influencia as relações entre o mundo material e o mundo espiritual.
Apenas o nosso pensamento. Muitas pessoas perguntam-nos como afastar os “maus Espíritos”. É simples: atraindo os bons. E como? Também é simples: cultivando os bons pensamentos, palavras e ações, qualquer que seja a nossa crença. Estando nós na companhia dos bons, os menos bons já não nos alcançam com as suas sugestões e sensações desagradáveis. Talvez até queiram fazer parte do grupo e se resolvam a mudar para melhor.
Abraço amigo e disponha sempre!». Receber psicografia Cristiano diz por e-mail: «Bom dia, tendo perfeita consciência que a comunicação com os espíritos só se dá se for merecimento ou permitido por leis maiores, pergunto se existe algum sítio em Portugal onde me possa habilitar a tentar a receber psicografia ou participar em alguma sessão de manifestação de entidades? Visto que me parece que os centros espíritas em Portugal não fazem este tipo de atividades pelo menos aberto ao público em geral».
O missivista de serviço da ADEP não tarda a responder: «Olá Cristiano. No Brasil, o Espiritismo está mais na cultura popular, e há sessões de intercâmbio mediúnico (como, por exemplo, as de psicografia), que são abertas ao público, na certeza de que comparecem pessoas que compreendem e respeitam os trabalhos em curso. Em Portugal, o Espiritismo ainda padece de certos estigmas de incompreensão, e esse tipo de trabalho tende a atrair muita gente sedenta de espetáculo.
E a isso o Espiritismo não se presta. No entanto, se deseja receber alguma comunicação de um ente querido, há centros que aceitam esses pedidos, obviamente que sem qualquer tipo de compromisso, pois o Espírito em questão pode ou não ter condições e autorização divina para se manifestar. Se o Cristiano pretende um dia vir a colaborar numa reunião mediúnica, não há nenhum tabu a respeito disso. É uma tarefa espírita como qualquer outra.
Começará por fazer o curso básico (num centro ou online, em www.adeportugal.org/ cbe), depois o curso de estudo e educação da mediunidade, e a seu tempo virá a oportunidade de participar nessa edificante tarefa. Abraço amigo e disponha sempre». foto locomotiv Velas à noite Maria escreveu em agosto: «Contacto-vos porque tenho uma dúvida que me intriga, e para a qual peço o favor se me podem esclarecer: há algum fundamento ou é apenas superstição, de que acender velas em casa à noite, sobretudo a partir das 21h00, atrai os espíritos que necessitam de luz, e por isso não devem ser acesas?
