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Entrevista

Jornal de Espiritismo nº 73 · Agosto 2015Página 96 min

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Carlos de Brito Imbassahy: “A cada um segundo seus méritos” Trabalhador incansável foi um dos grandes incentivadores do estudo dentro do movimento espírita. A “Terra Espiritual”(antigo site) convidou o professor Imbassahy para conceder uma entrevista, com a qual ele gentilmente concordou e cujo conteúdo reproduzimos abaixo. - O senhortendonascidoemberçoespírita,teve contato muito cedo com a doutrina, numa época em que ela ainda era muito perseguida.

Como foi o seu início no Espiritismo? Carlos de Brito ImbassahyPraticamente, sentia-me muito à vontade e nunca percebi que seria diferente. O Espiritismo sempre representou algo familiar, tal como aprender a falar, a andar, a ler e tudo mais. - Como avalia a evolução do movimento espírita daquela época até os dias de hoje? Carlos de Brito ImbassahyTem acontecido de tudo. No meu tempo havia mais seriedade; impostores que se fizessem passar por médiuns, não eram execrados, mas banidos do meio.

Esta orgia que existe atualmente não encontrava guarida. Além disso, era uma elite (no sentido de estudo) que primava por Kardec e conhecia a doutrina. Hoje, o que tem de mensagem mediúnica (falsa?), completamente contrária ao Espiritismo, é uma grandeza. - Por que o Espiritismo não consegue crescer muito no Brasil e principalmente em outros países? Carlos de Brito ImbassahyExatamente porque é uma doutrina que exige estudo (quase ninguém quer estudar), critério (o que mais falta atualmente) e perseverança nos trabalhos.

Hoje todos querem, apenas receber as glórias do nada que fazem, na esperança de que o Cristo faça por eles. - Tanto pela sua formação, como pelo seu trabalho científico, deve conviver com muitos cientistas não espíritas. O que falta para que a ciência tradicional aceite os postulados científicos do Espiritismo? Carlos de Brito ImbassahyFalta, apenas, que os espíritas deixem esse evangelismo de lado, que está invadindo nossas fileiras, para estudarem, de fato, a codificação em suas linhas, a fim de que os cientistas possam dar crédito a nós.

Caso contrário, o Espiritismo será visto como sendo mais uma igreja cristã. - A ciência convencional já atingiu o estágio de, realmente, acrescentar novos conhecimentos ao Espiritismo? Carlos de Brito ImbassahyPelo contrário: o Espiritismo é que poderá dar largas contribuições à Ciência, com seus esclarecimentos, já que os pesquisadores do LEP admitem que exista o mundo material que é o Universo e um domínio de existência dos agentes estruturadores.

Estão a um passo da aceitação tácita da existência da Espiritualidade, mas os fantasistas, os falsos médiuns a pintar uma Espiritualidade à moda da casa e outros absurdos fazem com que os cientistas não nos levem a sério. - Para que se possa ter uma boa compreensão de Kardec é necessário muito estudo. Num país onde muitos não têm acesso a livros e à leitura, não pode isso prejudicar a propagação do Espiritismo? CarlosdeBritoImbassahyÉ, o que, de fato, está acontecendo.

Além disso, a liderança do nosso movimento não é fiel a Kardec, pregando falsa doutrina. - Como difundir os princípios espíritas com fidelidade num país tão extenso e com tantas diferenças? Carlos de Brito ImbassahySeria a coisa mais fácil do mundo se não houvesse interferência dos “espiritólicos” que continuam com a sua mentalidade voltada para os princípios da Igreja. Porque, então, os que, de fato quisessem estudar a doutrina teriam onde se apoiar .

É preferível uma turma de escola do que esta massa de fanáticos que invadem as igrejas. Cada qual virá a seu tempo. - Para alguém que está iniciando o estudo das obras de Kardec, o senhor recomendaria alguma sequência de leitura dos livros? Carlos de Brito ImbassahyEu seguiria o que o próprio Kardec recomenda, no item 5, cap. III, de «O Livro dos Médiuns»: 1 - Começar pelo livro «O Que é o Espiritismo»; 2 - «O Livro dos Espíritos»; 3 - «O Livro dos Médiuns»; 4 - Coletânea de artigos selecionados pelo próprio Kardec extraídos da «Revista Espírita».

Depois que tiver amplo domínio destas quatro obras, ler as demais em qualquer ordem, antes de se preocupar com mensagens mediúnicas de qualquer natureza. “Nãonosdeixarmoslevarpelo fanatismo, muito menos pela fascinação de falsas glórias, a fim de que não sejamos desmascarados mais tarde. E, finalmente,quenadaacontece em vão: o determinismo é o grande corretor do nosso livre-arbítrio.” - Além dos livros de Kardec, que outras obras ou autores recomendaria?

Carlos de Brito ImbassahyDe um modo geral, devemos ler de tudo, a fim de termos nossos próprios julgamentos, porém, seria sempre prudente comparar cada obra com o que Kardec diz, porque há muita coisa e muita mensagem dita mediúnica que contraria a Codificação. Kardec é suficiente para se conhecer a doutrina. O resto é complementar . - O que o Espiritismo trouxe para sua vida? Carlos de Brito ImbassahyEstudo, estudo, estudo.

- O senhor é um dos mais atuantes divulgadores da doutrina espírita. Quais são os meios de divulgação que considera mais eficientes? E o que o senhor diria a alguém que deseja seguir o seu exemplo? Carlos de Brito ImbassahyEu exerci o magistério durante 40 anos, por isso, a exposição, para mim, é a forma mais precisa de se transmitir algo. Quer pelo rádio, pela TV, pela Internet ou em plateias ao vivo, principalmente.

Hoje pouco se lê. Não aconselho ninguém a seguir meu exemplo, porque vivi em outra época. Tudo está diferente. Fui jornalista no tempo em que sentávamos na mesa de redação, abríamos o tampo e surgia uma Remington para datilografarmos os nossos textos. Hoje, não há mais nenhuma editora que aceite material datilografado: ou é em disquete, ou pela Internet. - Que outras atividades (dentro e fora do movimento espírita) desenvolve atualmente?

Carlos de Brito ImbassahyCuido da família. Já são 18 netos. Faço o que posso para que todos os meus sigam o bom caminho. Não tenho condições de ir além. Atuo no Paltalk, Group Wellcome Brazil, sala filosofia espírita, expondo, às sextas - -feiras, um tema sobre fenómenos paranormais e, aos domingos, apresento os estudos correlatos com “A Génese” de Kardec. - Quais são seus projetos para o futuro? Carlos de Brito ImbassahyJá cheguei ao futuro.

Com 72 anos, resta-me aguardar a volta para casa, isto é, a Espiritualidade. - Como vê o futuro do Espiritismo? Carlos de Brito ImbassahyMeu pai*, recentemente, veio dizer-me que não me preocupasse com o destino que essa turma estava dando ao Espiritismo, porque não era essa a minha tarefa. Para isso, havia uma plêiade de Espíritos responsáveis pelo Espiritismo e que, no momento oportuno, agiriam para colocar as coisas no lugar .

Baseado nesta informação, o que prevejo é que, no momento certo, o Espiritismo vai surgir com as suas verdadeiras posturas, para que os que, de fato, queiram seguir nossa doutrina, tenham os portais abertos. - Gostaríamos que deixasse a sua mensagem aos leitores. Carlos de Brito ImbassahyO que cabe dizer, sem medo de errar, é repetir, aqui, aquele lema: “A cada um segundo seus méritos”. Por isso, o que se pode afirmar é que devemos sempre estar atentos aos nossos deveres, quer familiares, quer com a doutrina e até mesmo com a sociedade.

Não nos deixarmos levar pelo fanatismo, muito menos pela fascinação de falsas glórias, a fim de que não sejamos desmascarados mais tarde. E, finalmente, que nada acontece em vão: o determinismo é o grande corretor do nosso livre - -arbítrio. * Dr . Carlos Imbassahy (1884 – 1969), advogado, jornalista, orador espírita, incentivador junto de Leopoldo Machado do Teatro Espírita, foi redator da revista «O Reformador», publicada pela FEB, e um dos mais importantesdefensoresedivulgadoresdoEspiritismo.

Escritor e conferencista espírita, bacharel em ciências exatas, engenheiro civil, filósofo, instrumentista (musical), jornalista e professor de Física aposentado, colaborador e articulista de vários veículos de divulgação espírita, inclusive da “Terra Espiritual”, o carioca, de Niterói, Brasil, Carlos de Brito Imbassahy foi um dos mais destacados membros do movimento espírita. foto luís almeida NOVEMBRO.DEZEMBRO.