Literatura / Vídeo
Jornal de Espiritismo nº 73 · Agosto 2015Página 177 min
LITERATURA / VÍDEO Vozes do Outro Lado da Vida: Reuniões Mediúnicas de Esclarecimento No dia 1 de Fevereiro de 1974 uma tragédia abateu-se sobre a cidade de São Paulo. Um curto - -circuito num ar condicionado foi o rastilho que provocou um dos maiores incêndios da história da capital Paulista, no Edifício Joelma, um prédio de escritórios de 26 andares na avenida Nove de Julho, mesmo no coração da cidade. Em poucos minutos, as chamas espalharam - -se pelas salas e escritórios encurralando centenas de pessoas no seu interior.
Não dispondo de mecanismos de prevenção de incêndio, o fogo alastrou-se de forma muito rápida bloqueando elevadores e escadas, impedindo a fuga de quem se encontrava nos pisos superiores. Como os bombeiros não dispunham dos meios necessários para resgatar aqueles que se encontravam nesses pisos, muitos tentaram atingir o topo do edifício com esperança de serem socorridos por meios aéreos. Como o Joelma não dispunha de heliporto ficaram à mercê do fumo intoxicante.
Foram horas dramáticas acompanhadas por milhares de pessoas na calçada e também pela televisão, impotentes diante do desespero daqueles que enfrentavam as chamas. Mais de 180 pessoas desencarnaram no edifício Joelma nesse dia, havendo ainda cerca de 300 feridos. A tragédia do Joelma transformou a forma como se passou a olhar para a segurança dos edifícios em São Paulo: Uma semana após o acidente, foi regulamentada a obrigatoriedade dos detetores de fumo e chuveiros automáticos nos edifícios, a existência de escadas de incêndio e obrigou à criação de sistemas de escoamento e saídas de emergência.
Uns anos mais tarde, Chico Xavier publicou o livro “Somos Seis”, em que compilou vários relatos de jovens recém-falecidos. Um desses relatos é o de Volquimar, uma das vítimas do incêndio do Joelma e que descreve com emoção e detalhe os momentos de aflição no interior do edifício, os momentos que se seguiram à sua desencarnaçãoea forma como foi recebida na espiritualidade. O filme “Joelma 23º Andar” é baseado no relato mediúnico de Volquimar, jovem sensitiva que tem sonhos premonitórios e que vai trabalhar para o Joelma enquanto prepara o ingresso na Universidade de São Paulo na área de letras.
Adaptado para o cinema por Dulce Santucci e realizado por Clery Cunha em 1980, “Joelma 23º Andar” é considerado o primeiro filme Espírita. Esta produção obteve uma grande repercussão na época de seu lançamento e conta com a conhecida Beth Goulart como protagonista e tem uma participação especial do próprio Chico Xavier. Para além de fazer a adaptação para o cinema da peculiar história de Volquimar, embora a personagem no filme se chame Lucimar, este filme é um documento vivo sobre o incêndio no Joelma e também sobre o Espiritismo.
Combina imagens trabalhadas com imagens inéditas da tragédia de dia 1 de Fevereiro de 1974, filmadas pelo produtor Souza Lima que, por se encontrar nas proximidades, chegara ao local do acidente mais de meia hora antes das restantes equipas de filmagens. O médium Chico Xavier tem também uma participação de realce no filme, acedendo a colaborar com a condição de que isso não provocasse interrupções nas suas actividades habituais.
As imagens captadas do médium em Uberaba mostram momentos reais em que se reunia a centenas de pessoas à sombra do abacateiro e os seus trabalhos públicos de psicografia. Título Original: Joelma 23º. Andar Realizador: Clery Cunha Elenco: Beth Goulart, Chico Xavier, Liana Duval Ano de Produção: 1980 Duração: 80 minutos Por Carlos Miguel As cartas psicografadas por Chico Xavier NOVEMBRO.DEZEMBRO.2015 Este livro de Jorge Gomes constitui uma mais - -valia, muito importante, para enriquecer os integrantes das reuniões mediúnicas, com particular incidência os que dialogam com os Espíritos que se apresentam aos médiuns psicofónicos, vulgo de “incorporação”.
Observamos de visu, a situação de várias pessoas desencarnadas: acidentados, doentes incuráveis, toxicodependentes, malfeitores, religiosos, suicidas, descrentes, e até uma criança. No geral, esta obra contribui sobremaneira para informar e esclarecer dois grupos de crentes: os espiritualistas na sua generalidade e os espíritas em particular. Os espiritualistas, quer sejam católicos, evangélicos, jeovás, muçulmanos, hinduístas, judeus, budistas, teósofos, rosas-cruzes, racionalistas cristãos, etc.
, estão muito condicionados, digo mesmo cristalizados, nas suas crenças referentes à vida no além-túmulo, ou seja, a vida no Mundo dos Espíritos ou Mundo Espiritual, como lhe queiram chamar. Por certo, a obra do Jorge, para os mais corajosos que a possam ler, não irá mudar a visão dogmática que fazem da vida depois da morte do corpo físico, mas sempre, levará alguns crentes de mente mais aberta, a pensar, a reflectir: “Será assim?
” Os mais libertos de preconceitos procurarão informar-se melhor, particularmente os que tiveram experiências mediúnicas pessoais espontâneas e sonhos, que não compreenderam e a ninguém confessaram, porque tais experiências violentam o “status quo” estagnado das suas crenças e criam receio em se abrirem com os seus líderes religiosos. Assim, poderão procurar explicações, fora dos seus círculos de crenças. Quanto aos espíritas, numa grande maioria, porque desconhece as bases da sua doutrina — as obras de Allan Kardec, no caso «O Livro dos Médiuns» (1861) e «O Céueo Inferno ou a Justiça Divina segundo o Espiritismo» (1865) —, nem tão pouco têm hábitos de leitura e estudo das obras espíritas que tratam da matéria, como as obras dos espíritos André Luiz (Francisco Cândido Xavier) e Manoel Philomeno de Miranda (Divaldo Pereira Franco); obras dos estudiosos da fenomenologia espírita como Hermínio Corrêa de Miranda com o seu «Diálogo com as Sombras» (1979) easérie “Histórias que os Espíritos contaram” [«O Exilado» (1986), «A Dama da Noite» (1986), «A Irmã do Vizir» (1987)]; e, os relatos das experiências pessoais da inolvidável Yvonne do Amaral Pereira nos livros, «Devassando o Invisível» (1964) e «Recordações da Mediunidade» (1966); terão alguma dificuldade em compreender que a natureza não dá saltos, que não nos transformamos radicalmente, como por um passo de mágica, pelo simples facto de deixarmos o nosso corpo no laboratório da Natureza (inumado ou incinerado).
Este trabalho é, também, um contributo para entendermos de uma vez por todas que só temos uma vida. Saímos do corpo físico — que tem prazo de validade — por doença, acidente ou idade avançada, mas não saímos da vida. Mais tarde, retornaremos a outro corpo físico, e assim, tantas vezes quantas as necessárias, até atingirmos a perfeição. Somos imortais! Ao contrário do que ouvimos recorrentemente, de que “ninguém voltou para dizer que continua vivo”, o Espiritismo na sua prática mediúnica, bem descrita neste livro do Jorge Gomes, vem comprovar à saciedade que tal afirmação não é verdadeira, pois a vida continua.
Está claro, que não no corpo que já baixou aos torrões e está a diluir-se na terra, mas num outro corpo: o perispírito (corpo da ressurreição). Pois o grande problema é pensarmos que somos um corpo físico que tem uma alma ou espírito, quando de facto, somos um Espírito que temporariamente usa um corpo, de “carne e osso”. Estamos tão fixados na ideia de que com a morte tudo acaba, pois pessoas doutas o afirmam peremptoriamente, que acabamos por acamar, plasmar, na consciência essa ideia de fim.
Depois, temos ainda, os líderes religiosos a falarem-nos de um Céu, de um Inferno, de um Purgatório e mais recentemente de um Limbo, que nos confundimos ainda mais a respeito da realidade que iremos encontrar depois da morte. Levam-nos, assim, a uma “ilusão tão intensa” que quando desencarnamos (morremos), não tomamos consciência do facto, e muito frequentemente permanecemos anos, décadas, etc., sem tomarmos percepção de que já morremos e estamos num plano diferente.
Como se estivéssemos perdidos no tempo, não nos apercebemos de que os anos se passaram. Existem mesmo Espíritos que durante várias existências não se aperceberam da própria situação: ora viveram na carne, ora viveram no Mundo Espiritual, muito especialmente das sociedades primitivas, mas não só nas primitivas, sem tomarem conhecimento que vão passando diversas vezes pela tão temida morte. Este estudo-relatório do Jorge ajuda-nos ainda a compreender a tão decantada questão da “ressurreição dos mortos”, que também muitos espíritas ainda não compreenderam.
Paulo de Tarso compreendeu tão bem esta questão que disse aos coríntios na sua primeira carta, versículo 42: «Assim, também, a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção.» Paulo está a explicar aos cristãos de Corinto, que o corpo físico destrói-se na morte, baixando aos torrões ou às cinzas, mas, que temos outro corpo que se liberta do corrupto morto e, surge no Mundo dos Espíritos.
Que corpo é este? É o corpo energético, que vulgarmente se designa por corpo espiritual e os espíritas por perispírito. Donde se conclui que o fenómeno da ressurreição está-se a dar a todo o momento, pois sempre que alguém morre, dá-se a ressurreição, ou seja, a alma ressurge com o seu perispírito no Mundo dos Espíritos. Esse corpo incorrupto — o perispírito — é a verdadeira matriz do corpo de carne, que voltou à terra, dispersando-se pela Natureza.
A lenda da ressurreição no “final dos tempos” é esclarecida para quem tem inteligência para a entender.
