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Opinião 1.f

Jornal de Espiritismo nº 73 · Agosto 2015Página 153 min

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OPINIÃO 1.Física e EspiritismoAgora, pela primeira vez, cientistas criaram um minúsculo buraco de minhoca que foi usado para conectar duas regiões diferentes no espaço de forma a que um campo magnético pudesse viajar entre essas duas regiões de forma invisível. Não se trata dos buracos de minhoca gravitacionais que permitem aos humanos viajar no tempo tal como se mostra em filmes de ficção científica como o Interstellar ou Star Trek, mas antes um túnel que permite que um campo magnético desapareça num ponto e apareça noutro, algo que a Física já há muito procurava.

No entanto, a criação de um buraco gravitacional ainda está longe de acontecer. Sobre o estudo publicado em Setembro de 2015, os próprios autores disseram: “Este resultado é estranho por si só. O efeito geral é que parece ser possível que um campo magnético possa deslocar - -se de um ponto para outro através de uma dimensão que está além das três dimensões já conhecidas”. Este trabalho pode vir a ter aplicações práticas como a construção de aparelhos de ressonância magnética mais agradáveis para os utilizadores, mas, acima de tudo, corrobora empiricamente a existência de outras dimensões no espaço.

É, pois, mais um passo no cruzamento entre a mecânica quântica e a teoria da relatividade e para a credibilização da teoria que argumenta a favor da existência de 11 dimensões. A pouco e pouco, a Ciência vai substituindo os “fantasmas” que o físico Paul Dirac dizia existirem atrás da matéria por factos suficientemente descritos, por exemplo, no livro Mecanismos da mediunidade, de André Luiz (psicografia de Chico Xavier).

2.EmpatiaJesus é um exemplo da solidariedade incondicional, sobretudo porque demonstrou sensorialmente a força do pensamento. Não por acaso, a maior parte do evangelho e da literatura ditada por espíritos, como André Luiz, Emmanuel ou mesmo Joanna de Ângelis dirige - -se ao nosso pensamento. Alerta-nos para não passarmos demasiado tempo com a nossa própria mente. Só conseguimos isto se percebermos que não nos resumimos ao que a nossa mente diz de nós e do mundo.

Essa diferença entre a essência do que somos e a nossa mente está muito bem retratada no magnífico livro Despertares do neurologista e escritor Oliver Sacks, desencarnado a 30 de Agosto passado. O leitor pode ter visto o filme com o mesmo título, protagonizado por Robert De Niro e Robin Williams. Os casos médicos e humanos descritos nas obras de Sacks permitem vislumbrar a grande complexidade da mente e a enorme variedade de psicopatologias, mostrando a incrível plasticidade do nosso cérebro.

A empatia com que Sacks lidava com os seus doentes permitiu-lhe narrar de forma minuciosa os transtornos cognitivos sob a perspectiva do próprio doente. Essa empatia tão bem exercida pelo neurologista mostra ainda que a doença nunca pode ser tratada de forma generalista, mas sim adaptada à pessoa. Antes de morrer, Oliver Sacks agradeceu o privilégio de ter sido “um ser senciente e um animal pensante que viveu num planeta muito bonito”.

E esta foi outra grande sabedoria sua: a aceitação. Nessa frase, o autor, que sofreu de várias e complexas doenças ao longo da sua vida, mostra como tudo na nossa existência é um privilégio se existir aceitação. O indivíduo torna-se o seu maior amigo ou pior inimigo na medida em que se aceita ou não. Da mesma forma, apesar de todos os nossos problemas, frustrações, insucessos e de todos os julgamentos sobre nós, ainda conseguimos vivenciar a felicidade.

Isso acontece porque todas as noções sobre o ‘eu’ são variáveis e não intrínsecas ao próprio ‘eu’. Essas noções são apenas pensamentos passageiros, uma vez que não têm um fundamento, uma base sólida. Como são variáveis, esses pensamentos desaparecem e conseguimos reconhecermo-nos como uma pessoa capaz de ser feliz. Uma pessoa feliz é uma pessoa que não tem medo do mundo e está livre da sensação de insegurança. Para isso temos de nos esquecer de nós mesmos, não passar demasiado tempo no nosso pequeno mundo mental e descobrirmo-nos felizes.

Esta também é a foto loucomotiv Um buraco de minhoca liga dois lugares no universo e esse processo já foi simulado em laboratório por vários cientistas. foto arquivo NOVEMBRO.DEZEMBRO.