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Literatura / Vídeo

Jornal de Espiritismo nº 75 · Março 2016Página 175 min

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LITERATURA / VÍDEO O Livro dos Espíritos (Allan Kardec) As cartas psicografadas por Chico Xavier MARÇO.ABRIL.2016 Nascido a 2 de Abril de 1910 em Pedro Leopoldo, uma pequena cidade perto de Belo Horizonte, Chico Xavier foi um médium extraordinário e o maior divulgador da Doutrina Espírita. Simples e amoroso, através da sua dedicação e sensibilidade deu uma inestimável contribuição para dinamizar o movimento espírita e expandi-lo popularmente muito para além do que antes acontecia.

De instrução escolar precária, fez publicar 451 livros sem nunca admitir ser o autor de qualquer obra. Defendia que apenas reproduzia o que os Espíritos lhe ditavam e não aceitou receber qualquer benefício económico das dezenas de milhões de exemplares vendidos um pouco por todo o mundo, endereçando os lucros dos direitos de autor para a divulgação do Espiritismo e obras de assistência social. Em 1967 Chico Xavier começou também a psicografar perante pequenas multidões que ansiavam por notícias dos seus entes queridos desencarnados.

Esse período de produção psicográfica, que se prolongou desde essa altura até ao início da década de 90, ficou conhecido como a fase consoladora da obra de Chico Xavier. Essas mensagens, com informações familiares que o médium não podia conhecer, detalhes da personalidade, expressões linguísticas e até mesmo as assinaturas dos autores desencarnados, ajudaram a aliviar o desespero de muitos que sofriam com a separação dos que mais amavam, Foi com muita alegria e admiração que tomámos conhecimento de mais uma edição de «O Livro dos Espíritos» de tradução do emérito e saudoso professor José Herculano Pires (1914-1979), feita em Portugal.

Esclarecemos que a primeira editora a publicar tão nobre tradução no país foi a do CEPC – Centro Espírita «Perdão e Caridade» (Lisboa), em 1979, graças à generosidade do Sr. Casimiro Duarte (1904-1986), fundador e dono dos extintos Armazéns Alegrete – Poço do Borratém, Lisboa, amigo de Herculano Pires e de sua família, grande benfeitor do movimento espírita nacional, e em particular do CEPC. Temos em mãos o livro que nos revela que «o espírito e os seus problemas saíram do terreno da abstracção, para se tornarem acessíveis à investigação racional, e até mesmo à pesquisa experimental», mostrando-nos que «o sobrenatural tornou-se natural», e que «não existe o sobrenatural, senão para a ignorância humana das leis naturais…».

ao oferecer-lhes a certeza de eles viviam algures e que um dia se reencontrariam. Para além disso, as mensagens eram riquíssimas em informações práticas sobre os princípios básicos do Espiritismo, revelando na primeira pessoa como os seus autores se encontravam na espiritualidade, bem como trazendo conhecimentos efetivos sobre questões como a imortalidade da alma, lei de causa e efeito, evolução do Espírito, a ideia da morte como uma libertação ou a superação das dificuldades como processo de crescimento.

Essas mensagens foram imortalizadas em muitas obras literárias, tal como “Somos Seis” e “Jovens no Além”, mas também adaptadas ao cinema. O filme “As Cartas Psicografadas por Chico Xavier”, realizado em 2010 por Cristiana Grumbach, é um desses casos. A realizadora usa o género documentário para nos levar ao encontro de algumas cartas mas sobretudo das mães que as receberam. Ao longo De leitura acessível a qualquer um, é constituído por 1019 questões — algumas desdobradas em alíneas — colocadas por Allan Kardec (1804-1869) aos Espíritos, que dão as directrizes para compreender quem somos, porque estamos aqui, porque sofremos e para onde vamos após a experiência na carne.

As questões e respostas estão, ainda, intercaladas por observações judiciosas, explicações objectivas e estudos desenvolvidos pelo próprio Codificador. Lembramos que «O Livro dos Espíritos» é uma obra que deve ser constantemente de 85 minutos, somos testemunhas de histórias de perdas insuportáveis atenuadas por aquelas palavras escritas pelo punho de Chico Xavier mas dirigidas pelos Espíritos daqueles que haviam partido.

No filme, as cartas são lidas por entre silêncios e espaços despidos de alguém que falta mas que se mantém presente. As histórias vão-se repetindo, respeitando o recato dos sofrimentos, sem os expor demasiado nem procurando o sentimentalismo fácil, insistindo sobretudo nos processos de superação do luto, nas evidências de autenticidades das mensagens, nos detalhes dos encontros com Chico Xavier e na forma como eles transformaram a vida e a dor da perda daquelas que as receberam.

Os testemunhos são dolorosos mas carregados de esperança. Pessoas simples, a esmagadora maioria sem qualquer ligação anterior ao espiritismo, e que viram a sua percepção sobre a vida e a morte lida, estudada, meditada e anotada, por todos os trabalhadores espíritas, e por todos os que desejem conhecer e compreender o Espiritismo, uma vez que a mesma não representa o pensamento de um só homem ou de um só espírito, mas sim da plêiade de Espíritos superiores, responsáveis pela evolução planetária sob a direcção de Jesus.

Esta tradução está precedida do mais completo estudo feito até hoje sobre este livro, intitulado de «Introdução a “O Livro dos Espíritos”», elaborado pelo distinto professor e tradutor Herculano Pires, com o propósito de integrar a edição transformadas por um fenómeno que não encontram forma de negar a veracidade. É emocionante também perceber o carinho que Chico Xavier dedicava a cada pessoa. O sofrimento daqueles que o procuravam não era mais um a juntar a muitos outros.

Pelos relatos percebe-se que Chico fazia as pessoas sentirem-se acarinhadas e compreendidas nas suas vulnerabilidades, sentiam-se amadas, especiais. E isso é ainda mais extraordinário sabendo que Chico tinha todos os dias uma multidão à sua porta ansiando por uma palavra abençoada ou uma mensagem do além que pudesse mitigar as saudades e sede de notícias dos que haviam partido para um outro mundo. Este é um dos filmes menos populares sobre a obra do amoroso médium de Uberaba.

No entanto, julgo que não existe forma mais bela de mostrar o carácter sublime da sua obra do que evidenciar a luz que ele acendeu no coração das pessoas que tocou. Este filme cumpre esse propósito de uma forma tão simples que se torna admirável. Título Original: “As Cartas Psicografadas por Chico Xavier” Realizado por Cristiana Grumbach Brasil, 2010 – 87 min. Por Carlos Miguel especial que a LAKE – Livraria Allan Kardec Editora (São Paulo), preparou para as comemorações do primeiro centenário da obra, a 18 de Abril de 1957.

Esta introdução é composta de oito pequenos capítulos: apresentação, A Codificação Espírita, A Filosofia Espírita, A Dialéctica Espírita, A legitimidade do livro, O problema científico, O problema religioso e Estudos futuros. Cada uma destas partes constitui uma jóia para o espírito sequioso de aprender o conteúdo do Livro que nos liberta de dúvidas, superstições e sombras, e assim nos possibilita evoluir de forma consciente e mais rápida, rumo ao futuro livre e feliz.

A editora «Luz da Razão», que publica esta edição, «propõe-se investir no poder do livro como ferramenta preciosa para libertar distorções na forma como o Homem contemporâneo compreende a sua vida, tendo como bússola os princípios iluministas que fizemos incorporar no nome da Editora.