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Capa da edição nº 75 do Jornal de Espiritismo

75Jornal de Espiritismo nº 75

Março 2016 · 20 secções · ≈ 70 min de leitura

Esta edição do Jornal de Espiritismo aborda a complexidade do ser humano, oscilando entre agressividade e bondade, e a importância da compreensão sobre o conhecimento. Apresenta o Programa Orientador de Educação Espírita, discute a prevalência de doenças psiquiátricas em Portugal, e reflete sobre o amor como força transformadora. Inclui uma carta de leitora que questiona os seus dons mediúnicos, à qual se responde clarificando a natureza da mediunidade como faculdade e a necessidade de cultivar a paz e o otimismo.

Espiritismo
Comportamento humano
Mediunidade
Educação espiritual
Saúde mental
Amor

Capa

Página 11 min

75 ANOXIII JDE MAR Ç O . ABRIL . 2 0 1 6 JORNAL BIMESTRAL DA ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL DIRETOR . ULISSESLOPES | PRE Ç O € 0 . 5 0 «Pode ser aqui?», indaga com um sorriso que enche a sala. As perguntas apareceram. Nos seus tempos pós-profissionais, por idealismo e no exercício pleno da sua liberdade de consciência, é vice-presidente da Associação Médico-Espírita de Portugal (AME Portugal) e presidente da AME Norte.

Veja as páginas centrais! 4 Federação Educação espírita Informe-se sobre o Programa Orientador de Educação Espírita para Crianças e Jovens… 10 Entrevista 5 Consultório Ansiedade e depressão Na Europa, Portugal revela elevada prevalência de doenças psiquiátricas… 14 Opinião Vamos pazear? Que em cada dia que passa, possamos pazear cada vez mais. 17 Cinema As cartas psicografadas por Chico Xavier Este filme cumpre o seu propósito de uma forma tão simples que se torna admirável.

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Editorial / Conto Março.abril.2016

Página 24 min

EDITORIAL / CONTO MARÇO.ABRIL.2016 Estamos no século XXI? Bem, o calendário diz que sim. Sem grande atenção, os ouvidos não se enganaram ao ouvir as notícias. E nem passado já um par de meses deu para esquecer. Lá longe, mas nem tanto como isso, no estado norte-americano do Texas há grupos de pressão com força para ganhar a reposição da prerrogativa de usar armas por parte de qualquer cidadão sem necessidade de licença.

Que grande “coboiada”! Do livre-arbítrio individualizado e pluripartilhado, na mesma época, há decisões de natureza nacional de reinados asiáticos que sonham com impérios medievais entretidos com armas nucleares. O ser humano será sempre essa caixa de surpresas, tão capaz de atos atrozes dignos das piores guerras como de ter comportamentos de uma beleza espiritual indefinível. A heterogeneidade das culturas e da evolução técnica e espiritual dos habitantes encarnados da Terra continua a ser extrema.

O ser humano será sempre essa caixa de surpresas, tão capaz de atos atrozes dignos das piores guerras como de ter comportamentos de uma beleza espiritual indefinível. No “voltímetro” das emoções o homem oscila de modo inconstante entre a agressividade e a bondade, em valores que diferem entre cada um num grupo mais ou menos alargado e que oscilam com frequência relevante dentro do comportamento do mesmo indivíduo. Por vezes, se tem ao seu alcance meios de destruição – leia-se armas – causa danos multiplicados na proporção do que tem nas mãos.

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Correio Março.abril.2016

Página 35 min

CORREIO MARÇO.ABRIL.2016 Terei eu mesmo algum dom? As perguntas que chegam por e-mail são mais que muitas e o missivista de serviço não tem mãos a medir. Eis a nossa escolha aleatória. Andreia escreve: «Há dois anos conheci o meu atual namorado e mudei-me para cá para estar com ele. Ele vivia com a mãe e com o irmão e eu depois. Infelizmente o pai dele morrera dois anos antes. As coisas correram muito bem, eu era extremamente chegada com a mãe dele (…).

Mas infelizmente desde o início deste ano que as coisas começaram a ficar negras. (…) Descubro que para além das mentiras a minha sogra anda a por o meu nome na lama perante pessoas que me conhecem e não me conhecem. Este comportamento não é normal e de cada vez que a vejo sinto - -me extremamente desconfortável. Agora está a tentar pôr o filho contra mim. Tenho a sensação que há alguma coisa aqui que não está bem. Outra questão que eu tenho é em relação a mim.

Desde miúda que eu consigo sentir, por vezes ver, e ouvir presenças. E tenho um amigo meu de longa data que é médium que diz que eu sou ainda mais forte do que ele e que eu tenho de desenvolver o que tenho. A minha questão é: Terei eu mesmo algum dom? Conseguem ver isso? Desde o ano passado que tenho estado constantemente doente. Dores de cabeça, cansaço, noites mal dormidas, sono desregulado, dores constantes no corpo e a sensação de estar a ser perseguida por algo negro.

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FEP Convite à reflexão Na “Revista Espírita” de 1864 lê-se: “Sendo os

Página 43 min

FEP Convite à reflexão Na “Revista Espírita” de 1864 lê-se: “Sendo os pais os primeiros médicos da alma dos filhos, deveriam ser instruídos não só de seus deveres, mas dos meios de os cumprir.” Mais do que uma chamada de atenção, consideramos que Kardec faz um apelo para a necessidade de reflexão e trabalho com conhecimento. Quantas vezes observamos interações familiares sobre as quais tecemos comentários e críticas?

Embora o julgamento e a crítica não sejam a melhor atitude, compete-nos, no entanto, refletir e contribuir para a reflexão, facultando algumas ferramentas à nossa disposição. Diz-nos o Evangelho segundo o Espiritismo que não coloquemos a candeia sob o alqueire, mas em sítio que a todos possa iluminar. Estudando esta máxima compreendemos que se trata da luz do conhecimento e da responsabilidade inerente àqueles que a conhecem.

E é esta noção de necessidade do trabalho de arar em solo fértil, que são os corações infantis, que move o GCNDIJ – Grupo de Coordenação Nacional do DIJ, constituído pela FEP, para a adaptação de um Programa Orientador de Educação Espírita para Crianças e Jovens, pois são eles o futuro; o trabalho que com eles realizarmos corresponde ao cumprimento do dever que assiste a cada um de nós, ao tomar em mãos a responsabilidade de tornarmos o conhecimento acessível, fazendo, em simultâneo, a divulgação dos valores inerentes à Doutrina Espírita, contributo valioso na maravilhosa tarefa de transformação da sociedade para melhor, onde o bem prevaleça.

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Consultório

Página 56 min

Ansiedade e depressão As perturbações do foro mental são dos problemas mais relevantes que têm levado as pessoas a recorrerem os centros espíritas em busca de um lenitivo, quando não conseguem resolver os questões que as consomem no quotidiano. Na realidade, na vida comum de todos nós, temos problemas e dificuldades a ultrapassar, não fôssemos habitantes de um ainda planeta ainda de “provas e expiação”. Porém, em determinados momentos, em face das circunstâncias vividas, estas parecem, ultrapassar as nossas capacidades de resiliência (capacidade de voltar ao seu normal após grande adversidade) e é também nestes momentos que tudo à nossa volta parece desmoronar, aparecendo por vezes o sintoma ou a doença mental que dantes jazia latente, em forma de perturbação ansiosa (fobia, pânico), depressão, dependências de substâncias, dentre outras.

Vamos por vezes buscar no centro espírita um consolo, uma solução, mas, para alguns, funciona como a ilusão de que alguém – ou uma força externa a nós próprios – viesse a resolver os nossos problemas, como se não devesse partir de si próprio o esforço de transformação interior. Foi realizado um Estudo Epidemiológico Nacional da Saúde Mental, desenvolvido por um projeto de iniciativa internacional pela World Mental Health Survey Initiative (WMHSI) coordenado pela Universidade de Harvard e pela OMS (Organização Mundial de Saúde), para avaliar a epidemiologia das perturbações psiquiátricas dos portugueses, tendo sido evidenciado que Portugal, em conjunto com a Irlanda do Norte, mostram a mais elevada prevalência (número de casos novos e antigos) de doença psiquiátrica em toda a Europa.

Isto mostra que apesar de sermos um país de gente com muita fé e muitos católicos (81% da população portuguesa) por si só não basta para prevenir a doença mental em Portugal. As prevalências encontradas na população portuguesa estão entre as mais altas da Europa, em todos os grupos de perturbações mentais, destacando-se mais em relação aos outros países em relação as perturbações do foro ansioso (Wang et al. 2011), sendo de uma forma geral, as patologias psiquiátricas mais comuns na população portuguesa as patologias da ansiedade e as perturbações do humor.

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Breves

Página 63 min

Gláucia Lima em Aveiro Dia 26 de março, às 15h30, com entrada livre, o Grupo Espírita Centelha de Luz convida os leitores para assistirem a uma conferência de Gláucia Lima, psiquiatra e estudiosa desde jovem da doutrina espírita. O tema será “Inimigos desencarnados”. Esta associação fica na fica na Rua Nova de Vilar, Fracção B, em Aveiro. pode contactá - -la pelo telefone 910673787 ou pelo email ge.centelhadeluz@gmail.

com MARÇO.ABRIL.2016 foto jgomes Encontro Espírita do Algarve O Núcleo Familiar Espírita do Mentor Amigo irá realizar o VII Encontro Espírita do Algarve, que terá lugar no próximo dia 15 de maio, no auditório do Hotel Eva em Faro, sendo o tema “TerraPlaneta de Provas e Expiações a Caminho da Regeneração”. Este evento está sujeito a inscrição, podendo a mesma ser feita através dos telefones: 289705034; 965053743/4 ou pelo e-mail nfe_mentoramigo@sapo.

pt. Aveiro – Suicídio: causas e consequências No dia 25 de janeiro, segunda-feira pelas 21h00, realizou-se uma conferência nas instalações da Associação Cultural Espírita Estrela de Aveiro subordinada ao tema “Suicídio, Causas e Consequências”, com Mário Pedro. Esta associação tem a sua sede na Rua Ciudad Rodrigo, n.º 12, R/C – Bairro do Liceu 3810-083 AVEIRO . As palestras têm início às 21h00. Às sextas-feiras, 21h00 fazem estudo do livro “O Evangelho Segundo Espiritismo” alternando com o estudo da mediunidade.

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Breves (pág. 7)

Página 72 min

Funchal: aniversário do CCEF O Centro Cultural Espírita do Funchal comemorou em janeiro passado o 10.º aniversário da sua fundação oficial, com o irmão Leão Pita por patrono espiritual. Como é muito comum no nosso País, o germe da instituição surgiu em encontros de alguns madeirenses (de origem ou residentes) com afinidade de ideais, a partir de 2003, instituindo-se de direito em 2006. A generosidade e dedicação de quantos se têm empenhado nesta “seara”, perfaz uma década fértil em servir o bem da sociedade, o qual se afigura justo, proveitoso e consolador assinalar.

O CCEF promove a salutar prática trimestral dum encontro dos seus componentes em “terapia de grupo”, para sustentar/ retemperar a vitalidade e harmonia estruturais da equipa. Mantém grupos de estudo para crianças, jovens e adultos, desenvolvendo um programa editorial de apoio aos pais, na educação integral das crianças. Já vai em três edições. 1.ª: “Tenho um filho, e agora?”; 2.ª: “Educar para ser feliz”; 3.ª, para 2016: “Amar a Vida – Somos Família”.

A sua experiência de trabalho com as crianças proporcionou a elaboração de atraente e educativa coleção de livros infantis, editados pela Federação Espírita Portuguesa (FEP). Hoje o CCEF integra o GRUPO COORDENADOR NACIONAL DO DIJ (Departamento Infanto-Juvenil da FEP) e colabora num programa orientador para educação espírita de crianças e jovens. O CCEF não descura a caridade de expressão social, dentro e fora de portas da sede.

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Breves Março.abril.2016

Página 82 min

BREVES MARÇO.ABRIL.2016 Coisas simples que se podem fazer A primeira página do «Jornal de Espiritismo» por vezes está exposta no escaparate da Biblioteca Municipal de Caldas da Rainha. É assim porque de dois em dois meses alguém do Centro de Cultura Espírita dá seguimento à tarefa de ir ali oferecer dois «Jornais de Espiritismo». A biblioteca em causa costuma agradecer, quanto mais não seja porque assim consegue oferecer maior variedade de assuntos.

Os jornais são bastante utilizados e, por vezes levados para casa, por alguém mais interessado. Há centenas de bibliotecas em Portugal. Por que os espíritas não oferecem jornais de dois em dois meses às centenas de bibliotecas, cada uma sediada na sua localidade? São coisas simples que quem tiver vontade pode fazer. Aniversário do Centro de Cultura Espírita Durante janeiro o Centro de Cultura Espírita, de Caldas da Rainha, celebrou o seu aniversário e convidou para esse efeito diversas pessoas de outras cidades portuguesas que explanaram diversos temas no horário semanal das palestras, às sextas-feiras, com início às 21h00.

João Paulo e Filomena, da Marinha Grande, estrearam com música e respetivos comentários esta comemoração no passado dia 8. Oito dias depois, as palavras vieram com sotaque nortenho e J. Gomes falou sobre «Espiritismo, uma questão de verniz ou de profundidade?». No dia 22 Luténio Faria, de Águeda, falou sobre disciplina e depois das suas palavras foto CCE foto jlucas e das perguntas colocadas mais ninguém ficou dúvidas sobre a importância desta virtude menos falada.

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Crónica

Página 94 min

Questões de justiça Estas e outras dúvidas dificultam o entendimento de que Deus possa permitir que alguém sofra, até porque um pai sabe bem o quanto custa ver os seus filhos passar por dificuldades. Mas então que Justiça é esta que dificilmente aceitamos como justa? Se partirmos do princípio de que Deus, o Pai Criador não é juiz, talvez seja possível obter uma resposta. Sucintamente é assim que entendemos as questões da justiça: porque o homem ainda erra, próprio do seu orgulho e egoísmo, se fez necessário a aplicação das penas em conformidade com o incumprimento das leis.

As leis estabelecem os limites da sua atuação, enquanto cidadão e participante de uma comunidade, garantindo assim a segurançaea paz no Mundo. Quando o homem não cumpre, é punido – faz-se justiça! E quem vai julgar se o senhor A foi ou não cumpridor com a lei? O juiz. O juiz, também humano e por isso sujeito às mesmas dificuldades, é quem vai decidir o futuro do senhor A. E por vezes “erra”, e o senhor A julgado culpado é na verdade inocente na causa.

Por isso falamos de injustiça quando a justiça “falha”. Ora o ato de julgar o outro exigiria que o julgador fosse de tal modo imparcial, de tal modo perfeito na sua análise, conhecedor da Verdade, que nunca haveria sentença senão a absolutamente justa. O que, como já referimos, não acontece, na opinião dos homens. Mas porque não há homens moralmente perfeitos, e como tal, não há juízes perfeitos deve-se deixar de julgar aqueles que perturbam a paz e a harmonia terrestre?

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Entrevista

Página 104 min

Aquele sítio cativou como a raposa do conhecido livro a médica fisiatra que aceita falar connosco, sendo inclusive gravada em vídeo.* Nos seus tempos pós-profissionais, por idealismo e no exercício pleno da sua liberdade de consciência, é vice-presidente da Associação Médico-Espírita de Portugal (AME Portugal) e presidente da AME Norte. As perguntas apareceram. O que é a AME Norte? Maria Paula Silva – As associações médico - -espíritas surgiram já na década de 60, 70, no Brasil.

Porquê? Porque, face à codificação da doutrina espírita, e decorrendo da corrente implementação do paradigma materialista, tornou-se cada vez mais importante trazer a ciência para dentro do movimento espírita. Essencialmente todos nos preocupamos com a busca da saúde, seja ela de que maneira for. Então, não há dúvida que, dentro da doutrina, aqueles que deveriam ter mais apetência para introduzir essa ligação fossem de facto os da área da medicina.

E então, por orientação espiritual, foi constituída a primeira AME, a Associação Médico-Espírita de São Paulo. A partir daí começou este movimento crescente. Hoje no Brasil existem 69 AME em vários estados, em muitas cidades: é realmente um grande movimento. No início de 2000 foi constituída a AME Internacional, também já aglomerando vários países, inclusive Portugal, e é nesse contexto de associação a essa AME Internacional que foi formada a AME Portugal e agora a AME Norte como um dos seus braços.

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Entrevista (pág. 11)

Página 117 min

prestação à população em geral, não só com esta consulta, mas criar outras consultas. Temos outros médicos que também se estão a organizar para poderem doar um pouquinho do seu tempo. Há algo que é muito importante, quando falamos da AME Norte: é obrigatório falar dos jovens. Há uma característica muito particular. Aqueles que formaram a AME Norte é um grupo pequeno, mas temos já um grupo muito significativo de jovens, de estudantes de medicina, médicos recém-formados que querem continuar a fazer parte do departamento académico.

Temos estudantes de enfermagem, fisioterapeutas, temos um grupo muito jovem e com muita vontade de estudar, de aprofundar o seu conhecimento da doutrina e levar realmente esse conhecimento inclusive para dentro das faculdades. Nós sabemos que temos de apostar realmente na juventude, não é? Eles têm outra garra, outra determinação para levarem estes projetos em frente. Um dos nossos grandes objetivos é servirmos de esteio, como mais velhos, pelo menos como encarnados, para os auxiliar nesse crescimento.

Sentimos que eles estão a crescer de uma forma muito segura. Eles próprios também estão a começar a estruturar não só um trabalho de estudo mas também um trabalho de assistência à população, em pequenas coisas: visita aos idosos, ajudando nas medicações, levar um medicamento que falta, medir umas tensões arteriais, obviamente que são estudantes a maior parte deles, mas já levam também essa componente da doutrina e da AME.

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Opinião

Página 123 min

Corpo carnal: uma extensão do espírito A cada nova [re]encarnação abandonamos o corpo carnal anterior, mas certamente preenchemos o nosso veículo espiritual com elementos concretos de nossos aprendizados pretéritos, que se juntam a tantas outras vivências e acabam por definir um complexo sistema de pensamentos que nos acompanham continuamente. No eixo mediador entre o Espírito e o corpo encontra-se o perispírito.

Este último é o responsável pela estrutura que liga o corpo ao Espírito, onde no conceito dos bondosos amigos espirituais «trata-se apenas de um envoltório vaporoso que une esses dois elementos constitutivos da vida encarnada». Assim, o perispírito adquire uma propriedade muito importante no estágio do encarnado, donde há de se verificar que ele não permite que o Espírito se ligue a outro «ninho corporal», senão aquele ao qual está designado desde o seu princípio.

As ações diretamente ligadas ao corpo carnal provocam as mutações espirituais no perispírito e, por via de consequência, no próprio Espírito. Um exemplo bastante comum é quando um desencarnado se apresenta com as mesmas características ainda de encarnado, seja utilizando as mesmas roupas, adereços, maquiagem, etc. Esse corpo vaporoso ainda não é o Espírito, e sim, o perispírito – dando uma demonstração prática de que ao desencarnar a vestimenta do Espírito é o seu próprio perispírito exteriorizando-se para os médiuns sua aparência espiritual.

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Pesquisa

Página 135 min

Em “Alice no País das Maravilhas”, o Coelho Branco está sempre cheio de pressa, olha de forma compulsiva para o relógio e aflige-se porque se encontra invariavelmente atrasado. Saído da imaginação do escritor britânico Lewis Carroll há 150 anos, ainda hoje o Coelho Branco corre contra o tempo, acelera o ritmo dos seus passos para acompanhar a urgência das horas mas o tempo parece cada vez mais curto. É uma imagem familiar, não é?

Fazemos parte de uma cultura em que o imediato é imprescindível e em que tudo tem de ser produtivo e otimizado. Já nem temos tempo para refletir sobre o caminho que nos trouxe até aqui. Ninguém chega ao mundo de mãos vazias. No corpo transporta a herança genética dos seus progenitores mas também a história biológica dos antepassados e de toda uma evolução orgânica que os paleontólogos estimam que dure há cerca de 3,5 mil milhões de anos.

O ambiente cultural é resultado de conquistas civilizacionais que o homem alcançou ao longo de milhares de anos de progresso contra as formas mais esdrúxulas de ignorância. Na sua alma, carrega uma bagagem recheada de virtudes e conflitos acumulados em experiências passadas que vão ficando esbatidas na memória dos tempos, a que junta planos e promessas de tudo o que aspira ainda alcançar. Tudo isto exigiu muito tempo, foi um prolongadíssimo processo de maturação e de espera pelas condições adequadas para se consolidar no que é hoje.

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Opinião (pág. 14)

Página 142 min

Vamos pazear? Numa dessas mensagens, em jeito de brincadeira, enviei uma mensagem dizendo “Que possamos todos pazear em 2016”. A resposta não demorou muito, sob a forma de uma pergunta. “Pazear ou passear?” Em jeito de provocação respondi: “pazear... vai ao dicionário ver o que significa”. De facto, o verbo pazear é um ilustre desconhecido entre nós, e certamente muitos leitores irão confirmar, ao seu dicionário, se ele existe mesmo...

Pazear significa pacificar, fazer a paz, e é interessante que seja um verbo que caiu em desuso na língua portuguesa. É nosso hábito, nestas ocasiões, desejar tudo de bom aos amigos e familiares, certamente com boa vontade e intenção, que logo passa, à primeira contrariedade que nos apareça, nem que seja dez segundos depois. Falamos muito de paz, mas fazemos pouco por ela... Há mais de 2 mil anos, Jesus de Nazaré deixou um roteiro de felicidade à Humanidade: “não fazer ao próximo o que não desejamos para nós próprios”...

Todos queremos a paz, mas favorecemos a guerra, com as nossas atitudes belicosas... Queremos viver em paz, mas cada vez há mais violência doméstica... Desejamos a paz, mas temos o coração envolto na sombra da agressividade... Temos sentimentos pouco pacíficos, o que se torna real quando somos contrariados... Temos pensamentos de agressividade, cada vez que a nossa paciência é posta à prova... Temos palavras que ferem, cada vez que alguém discorda de nós...

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Opinião (pág. 15)

Página 154 min

Às vezes, olhamos ao redor e parece tudo errado: os nossos valores parecem tão desfasados do que vemos que perdemos a noção de quem está bem ou não ou se vale a pena continuar pelo caminho que os nossos valores e convicções naturalmente desenham. Como diz Julia Kristeva (no livro “Nações sem Nacionalismo”), “é rara a pessoa que não invoca uma proteção primordial para compensar a desordem pessoal”. E todos nós, às vezes mais e às vezes menos, encontramo-nos num estado de “desordem pessoal”.

De vez em quando, sonhamos com uma “grande simplificação”; sem aviso, envolvemo-nos em fantasias regressivas que nos levam a viver sempre entre muros. Repare-se, a título de exemplo, nos recentes movimentos universitários em que estudantes norte-americanos pedem protecção dos conteúdos de alguns livros que consideram perigosos, nomeadamente clássicos da literatura grega e romana. Ou os adolescentes e as suas mudanças de comportamento, ora isolando-se ora mantendo comportamentos de risco.

Ou o medo dos pais de que as suas crianças tenham medo. Ou a tentativa de normalizar os comportamentos através do controlo, incluindo através de ramos como a psiquiatria. Todavia, como observou T.H Marshall noutro contexto, quando muitas pessoas correm simultaneamente na mesma direcção, é preciso perguntar duas coisas: atrás do quê e do que estão a correr. Neste ponto vale a pena recordar Paulo e Silas que, perto da meia-noite, nas trevas da prisão, oravam e cantavam hinos a Deus e os outros presos os escutavam (Actos, 16:25).

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Entrevista (pág. 16)

Página 164 min

Filme espírita premiado em festival Os prémios recebidos foram Melhor Direção e Melhor Filme (prémio máximo do festival). «Agora Já Foi» é uma realização da Federação Espírita do Amapá – FEAP, do Brasil, em co-produção com a Amazónia Filmes, e faz parte do projeto SEMEAMAR, que objetiva alertar os jovens para a questão do aborto e do suicídio, tão presente na nossa sociedade, já que o maior índice nacional de suicídio e aborto entre os jovens está justamente no Amapá (isto, no Brasil).

O roteiro e a direção são da jovem amapaense Manuela Oliveira. A preparação do elenco foi de Thomé Azevedo, a direção de produção foi de Ana Vidigal, sendo a produção executiva de Felipe Menezes. A principal função do filme é servir de ferramenta para o projeto SEMEAMAR, da Federação Espírita do Amapá – FEAP (Brasil), que pretende exibi-lo nas escolas de ensino médio, promovendo debates sobre os temas – aborto e suicídio.

A Federação Espírita do Amapá fez uma «avant-première», no Cine Imperator, no Macapá, no dia 6 de junho de 2015, às 10 horas da manhã, para lançar o filme à sociedade amapaense e cobrou 1 kg de alimento não perecível como entrada. Aproveitámos o ensejo para falar com Felipe Menezes: José LucasQuem é Felipe Menezes? Felipe Menezes – Sou Manuel Felipe Menezes da Silva Júnior, brasileiro. Nasci e moro em Macapá, capital do Estado mais ao Norte da Amazónia Brasileira e exerço a profissão de Promotor de Justiça.

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Literatura / Vídeo

Página 175 min

LITERATURA / VÍDEO O Livro dos Espíritos (Allan Kardec) As cartas psicografadas por Chico Xavier MARÇO.ABRIL.2016 Nascido a 2 de Abril de 1910 em Pedro Leopoldo, uma pequena cidade perto de Belo Horizonte, Chico Xavier foi um médium extraordinário e o maior divulgador da Doutrina Espírita. Simples e amoroso, através da sua dedicação e sensibilidade deu uma inestimável contribuição para dinamizar o movimento espírita e expandi-lo popularmente muito para além do que antes acontecia.

De instrução escolar precária, fez publicar 451 livros sem nunca admitir ser o autor de qualquer obra. Defendia que apenas reproduzia o que os Espíritos lhe ditavam e não aceitou receber qualquer benefício económico das dezenas de milhões de exemplares vendidos um pouco por todo o mundo, endereçando os lucros dos direitos de autor para a divulgação do Espiritismo e obras de assistência social. Em 1967 Chico Xavier começou também a psicografar perante pequenas multidões que ansiavam por notícias dos seus entes queridos desencarnados.

Esse período de produção psicográfica, que se prolongou desde essa altura até ao início da década de 90, ficou conhecido como a fase consoladora da obra de Chico Xavier. Essas mensagens, com informações familiares que o médium não podia conhecer, detalhes da personalidade, expressões linguísticas e até mesmo as assinaturas dos autores desencarnados, ajudaram a aliviar o desespero de muitos que sofriam com a separação dos que mais amavam, Foi com muita alegria e admiração que tomámos conhecimento de mais uma edição de «O Livro dos Espíritos» de tradução do emérito e saudoso professor José Herculano Pires (1914-1979), feita em Portugal.

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direitos reservados Entrevista a dirigentes foto direitos reservados M

Página 182 min

foto direitos reservados Entrevista a dirigentes foto direitos reservados Maria da Conceição Venâncio, de 68 anos, é funcionária pública aposentada. Frequenta a ACEAAssociação de Cultura Espírita de Alcobaça. Como conheceu o espiritismo? Maria da Conceição VenâncioConheci o Espiritismo através de um amigo, colaborador do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha, onde fui frequentadora e, posteriormente, colaboradora, durante vários anos.

O espiritismo modificou a sua vida? Maria da Conceição VenâncioO Espiritismo, de forma direta e imediata, não modificou a minha vida, mas fê-lo de forma indireta, já que me ajudou a mudar a minha maneira de entender e aceitar as coisas menos boas que me aconteciam. Passei a considerar essas situações não como problemas, mas como oportunidades de superação e melhoramento pessoal. Como consequência, houve, de facto, uma melhoria acentuada na minha vida.

Que livro espírita anda a ler neste momento? Maria da Conceição VenâncioNeste momento ando a ler dois livros espíritas: «O Espírito e o Tempo», de J. Herculano Pires e «Vozes do Outro Lado da Vida», publicado pela FEP. Entrevista a frequentadores Maria Amália Martins conta 57 anos e é auxiliar de ação educativa. Mora no Baixo Alentejo, em Castro Verde. Como conheceu o espiritismo? Maria Amália MartinsConheci o espiritismo através duma colega de trabalho, que me convidou para assistir uma palestra no centro espírita.

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Era uma vez uma rã e uma tartaruga, amigas, que viviam numa floresta

Página 193 min

A rã considerava a tartaruga muito sábia. Um dia, a rã pediu à sua amiga que lhe fizesse um amuleto com o poder mágico de a fazer vencer todas as lutas, em que se metesse, com qualquer animal. A tartaruga, depois de pensar um pouco respondeu-lhe: - Faço-te o amuleto com uma condição: tu nunca lutarás comigo. - Que disparate! Claro que não! – afirmou a rã.

- Nós seremos sempre amigas e nunca lutaremos. A tartaruga lá lhe fez o amuleto. Quando a sua amiga o pendurou ao pescoço, de imediato, disse sentir-se com uma enorme sensação de força e poder. - Eu sou o animal mais forte de todo o mundo! – gritou muito alto. - Posso vencer qualquer um numa luta! Quem 06 quer vir lutar? Os outros animais riram de tanta vaidade e tolice, contudo a rã desafiou-os a todos, um por um. Veio o esquilo earã venceu-o sem problemas.

Seguiu-se a lebre earã voltou a vencer. Vieram o macaco, a raposa, o elefante, a serpente, o crocodilo e muitos outros animais a quem ela venceu sem qualquer dificuldade. O leão, considerado o rei dos animais, foi o último a lutar e, também este foi vencido, para espanto de todos. A rã sentia-se extremamente vaidosa e insaciável pensou para si mesma que aquela vitória só seria verdadeira se também vencesse a tartaruga, pois era o único animal que ela não tinha desafiado.

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Última

Página 202 min

Encontro Nacional de Jovens Espíritas No fim-de-semana de 23 e 24 abril a Escola Básica de Matosinhos vai acolher o XXXIII Encontro Nacional de Jovens Espíritas. O tema central é «Amor à verdadedespertar a consciência». A organização está a cargo, este ano, do Departamento Infanto-Juvenil da União Espírita da Região do Porto: «O valor da inscrição é de 20€ para custear as refeições (três refeições, pequeno almoço e lanches) e o custo do espaço que a escola nos disponibiliza.

É isto mesmo! Um valor acessível para que possas participar!», explica o “post” nas redes sociais da internet. As inscrições já estão a decorrer na página: http://uniaofraterna.org/enje2016.html Qualquer dúvida entre em contacto connosco: espaconovaera@gmail.com Jornadas de Cultura Espírita Caldas da Rainha recebe as XII Jornadas de Cultura Espírita do Oeste, em 23 e 24 de abril, no Centro Cultural e Congressos, estando a edição deste ano subordinada ao tema «As duas faces da vida».

Do programa, com oradores portugueses e brasileiros, consta uma conferência de encerramento, dia 24 de abril, domingo, sendo a abertura feita pelas 14h00 de dia 23 de abril, sábado. A primeira conferência será dada por um homem da física quântica, Moacir Lima, sendo o tema «A evolução do Homem». Segue-se o 1.º painel – NASCER DE NOVO – com Gláucia Lima a dissertar sobre «O processo da reencarnação». Pelas 16h30 há um intervalo e simultaneamente sessão de autógrafos dados os vários escritores presentes no evento.

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