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Opinião

Jornal de Espiritismo nº 75 · Março 2016Página 123 min

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Corpo carnal: uma extensão do espírito A cada nova [re]encarnação abandonamos o corpo carnal anterior, mas certamente preenchemos o nosso veículo espiritual com elementos concretos de nossos aprendizados pretéritos, que se juntam a tantas outras vivências e acabam por definir um complexo sistema de pensamentos que nos acompanham continuamente. No eixo mediador entre o Espírito e o corpo encontra-se o perispírito.

Este último é o responsável pela estrutura que liga o corpo ao Espírito, onde no conceito dos bondosos amigos espirituais «trata-se apenas de um envoltório vaporoso que une esses dois elementos constitutivos da vida encarnada». Assim, o perispírito adquire uma propriedade muito importante no estágio do encarnado, donde há de se verificar que ele não permite que o Espírito se ligue a outro «ninho corporal», senão aquele ao qual está designado desde o seu princípio.

As ações diretamente ligadas ao corpo carnal provocam as mutações espirituais no perispírito e, por via de consequência, no próprio Espírito. Um exemplo bastante comum é quando um desencarnado se apresenta com as mesmas características ainda de encarnado, seja utilizando as mesmas roupas, adereços, maquiagem, etc. Esse corpo vaporoso ainda não é o Espírito, e sim, o perispírito – dando uma demonstração prática de que ao desencarnar a vestimenta do Espírito é o seu próprio perispírito exteriorizando-se para os médiuns sua aparência espiritual.

Ou seja, qualquer alteração exterior do corpo material afeta de forma direta e sem intermediários o seu campo perispiritual. É comum discutirmos com bastante frequência a causa das imperfeições físicas e psíquicas dos seres reencarnados. Ao questionar esta causa e a essência dessas consequências encontramos resposta oriunda de outras experiências existenciais do perispírito. Quando nos alimentamos inadequadamente, quando exageramos nos excessos com o corpo carnal, quando administramos mal a saúde, é exatamente o perispírito quem sofre as consequências imediatas – que somente serão minimizadas através de um sistema de evolução espiritual ao longo de várias encarnações.

Emmanuel, através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier, preleciona que “A saúde humana nunca será o produto de comprimidos, de anestésicos, de soros, de alimentação artificialíssima. O homem terá de voltar os olhos para a terapêutica natural, que reside em si mesmo, na sua personalidade e no seu meio ambiente. Há necessidades, nos tempos atuais, de se extinguirem os absurdos da “fisiologia dirigida”. A medicina precisa criar processos naturais de equilíbrio psíquico, em cujo organismo, se bem que remoto para as suas atividades atômicas, se localizam todas as causas dos fenômenos orgânicos tangíveis [...]

”. Aponta, assim, para a necessidade de uma modificação das estruturas terapêuticas e curativas, baseando-se nos valores do Espírito para que possamos preservá-lo de forma integral. O benfeitor espiritual nessas considerações elucida vários pontos acerca da saúde integral do ser, como também traz a lume as essências espirituais que nos alertam para os passos das reencarnações futuras e até do equilíbrio que devemos conquistar ainda na atual existência.

Sendo sabedores dos valores do Espírito esses «irmãos invisíveis» nos esclarecem a fim de que possamos consciencializar-nos dos desregramentos e, numa atitude séria e equilibrada, buscarmos equalizar a sintonia com os princípios norteadores da vida saudável, para o corpo e o Espírito. As ações diretamente ligadas ao corpo carnal provocam as mutações espirituais no perispírito e, por via de consequência, no próprio Espírito.

Conclui Emmanuel que “[...] O estado precário da saúde dos homens, nos dias que se passam, tem o seu ascendente na longa série de abusos individuais e coletivos das criaturas, desviadas da lei sábia e justa da Natureza. [...] A máquina, que estabeleceu tanta miséria no mundo, suprimindo o operário e intensificando a facilidade da produção, há de trazer igualmente, uma nova concepção da civilização que multiplicou os requintes do gosto humano, complicando os problemas de saúde; há de ensinar às criaturas a maneira de viverem em harmonia com a Natureza”.

Desvenda o que ontem era mistério, proporcionando reflexões e esclarecimentos acerca do corpo carnal, períspirito e centelha espiritual. Texto: Kildare de Medeiros Gomes Holanda O reflexo do Espírito é o corpo. A nossa vestimenta carnal foi preparada para guardar de forma muito inteligente a maior riqueza existencial que é a célula espiritual e no efeito de suas capacidades acaba por exteriorizar o que representa de fato os valores invisíveis do Espírito.

foto ulisses.com.pt MARÇO.ABRIL.