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Entrevista

Jornal de Espiritismo nº 75 · Março 2016Página 104 min

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Aquele sítio cativou como a raposa do conhecido livro a médica fisiatra que aceita falar connosco, sendo inclusive gravada em vídeo.* Nos seus tempos pós-profissionais, por idealismo e no exercício pleno da sua liberdade de consciência, é vice-presidente da Associação Médico-Espírita de Portugal (AME Portugal) e presidente da AME Norte. As perguntas apareceram. O que é a AME Norte? Maria Paula Silva – As associações médico - -espíritas surgiram já na década de 60, 70, no Brasil.

Porquê? Porque, face à codificação da doutrina espírita, e decorrendo da corrente implementação do paradigma materialista, tornou-se cada vez mais importante trazer a ciência para dentro do movimento espírita. Essencialmente todos nos preocupamos com a busca da saúde, seja ela de que maneira for. Então, não há dúvida que, dentro da doutrina, aqueles que deveriam ter mais apetência para introduzir essa ligação fossem de facto os da área da medicina.

E então, por orientação espiritual, foi constituída a primeira AME, a Associação Médico-Espírita de São Paulo. A partir daí começou este movimento crescente. Hoje no Brasil existem 69 AME em vários estados, em muitas cidades: é realmente um grande movimento. No início de 2000 foi constituída a AME Internacional, também já aglomerando vários países, inclusive Portugal, e é nesse contexto de associação a essa AME Internacional que foi formada a AME Portugal e agora a AME Norte como um dos seus braços.

Esta ramificação é necessária. Pela distância não é possível fazer um estudo ou um trabalho quando temos uma sede só em Lisboa. Torna - -se necessária a formação de várias células para podermos desenvolver o nosso trabalho. Agora, qual é o grande objetivo das AME? Temos noção de que a ciência necessita deste conhecimento espiritual, pois todos já percebemos que só pelo paradigma materialista não vamos encontrar todas as respostas que buscamos há séculos.

Por isso é muito importante esta ligação entre ciência, espiritismo e espiritualidade, e as AME tentam fazer exatamente isso através do estudo profundo da doutrina espírita, muito sedimentada nas obras da codificação, sem dúvida que complementada por toda a literatura espiritual que nos foi trazida, sobretudo as obras de André Luiz, porque têm muita ligação à medicina. As AME estudam atentamente esses ensinamentos e tentam aplicá-los à área da medicina através de investigações, de experimentações.

Vemos por outro lado as pessoas em busca de respostas para a sua vida e diante disso temos também um papel na divulgação desse paradigma. Embora seja recente a sua criação, que atividades tem desenvolvido entretanto a AME Norte? Maria Paula Silva – Realmente a AME Norte fez um ano no passado dia 15 de outubro de 2015. A primeira atividade que desenvolvemos enquanto AME Norte foi a participação nas Jornadas de Medicina e Espiritualidade de 2014.

E a partir daí, depois de uma conversa com a Dr.ª Marlene Nobre, pediu que abraçássemos esse projeto de divulgação no Norte do país. No ano de 2015 centrámo-nos nisso. Fizemos um conjunto de palestras na Figueira da Foz sobre medicina e espiritualidade e realizámos três seminários. Para além disso, implementámos um estudo de medicina e espiritualidade e começámos esse estudo associando as obras básicas com um livro de André Luiz e todas as semanas vamos fazendo essa associação e vamos refletindo sobre esses conhecimentos.

Um dos pontos importantes das AME é ter também um trabalho assistencial, de serviço ao próximo, algo que possamos dar à população, e não ficarmos apenas com a divulgação, o estudo e a experimentação. Nesse sentido, eu e a Dr.ª Inês, para já, iniciámos uma consulta de dor. Para além da nossa especialidade temos competência em dor crónica, que funciona nas instalações da Associação Pegadas de Amor. A AME Norte tem tido algum tipo de interação com o movimento espírita português?

Maria Paula Silva – Como só temos um ano, de uma forma estruturada não, até ao momento. Temos sim colaborado com os centros espíritas. Fizemos palestras na Figueira da Foz, em colaboração com a associação local. Temos também uma grande ligação ao Centro Espírita Consolação e Vida, de Águeda, com quem fazemos um estudo todos os meses de hora e meia sobre medicina e espiritualidade. Que projetos desenham para o futuro?

Maria Paula Silva – A continuação do que termos vindo a estruturar. Continuarmos neste projeto de divulgação, de aumentarmos esta «Pode ser aqui?», indaga com um sorriso que enche a sala. Por detrás de Maria Paula Silva vê-se uma pintura a espaço inteiro que reflete o talento de alguém. O trabalho evoca a história de Exupéry, «O Principezinho». O herói- menino está de pé-posto num miniplaneta, com as mãos nos bolsos, enquanto uma abóbada de constelações descai sobre o horizonte a segurar a lua.

foto jgomes Espiritismo e medicina na ótica de uma médica: saúde é a verdadeira harmonia da alma MARÇO.ABRIL.